Blog do Perrone

Arquivo : março 2012

Vida de torcedor uniformizado tem de protetor de MMA a viagem de graça ao exterior
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A cena é comum no metrô e em trens nos dias de clássicos em São Paulo. Jovens integrantes de organizadas vão aos estádios com protetor bucal, aqueles usados no MMA e no boxe.

Esses garotos são os chamados “linha de frente”. Eles podem descer algumas estações antes do previsto para “trombar” de propósito com os torcedores adversários. Via rádio, antes de entrarem nas estações, conversam com colegas que dão a localização do inimigo.

Meninos como esses se envolvem em brigas iguais a que matou dois da Mancha Alviverde na “treta” com a Gaviões da Fiel no último domingo. Na hierarquia das torcidas, eles estão na base da pirâmide. As brigas ajudam a ganhar respeito e a crescer na “organização”.

No caminho rumo ao topo, precisam também fazer o serviço pesado. Carregar bandeirões e faixas, abrir tudo para a PM revistar, enrolar novamente para entrar no estádio, esticar lá dentro, guardar, carregar na saída… Trabalho cansativo.

Com os pontos acumulados, começam a ganhar missões mais nobres. Como integrar a eliete das uniformizadas que viaja de avião em jogos mais distantes do Brasileirão. Fora de casa, uma das principais missões é evitar que torcedores rivais roubem faixas e bandeiras. Outra tarefa fundamental é estender a faixa em local que as câmeras de TV mostrem.

Há casos que lembram empresas, com torcedores em viagens recebendo diárias e tendo que apresentar notas dos gastos.

Nesse plano de carreira, sinônimo de sucesso é ser brindado com passagens para jogos da Libertadores sem ter que pagar nem a estadia. Poucos conseguem.

Quem cumpre todo o ciclo e envelhece se afasta das “tretas”, mas vira “liderança”. É o que a maioria dos meninos busca, nem que tenha que ser na base da paulada. Justiça seja feita, a maioria desses jovens faz parte também do ritual vibrante nas arquibancadas, que empurra o time e embeleza o estádio.

Para saber um pouco mais sobre as organizadas, leia abaixo parte do vocabulário usado pelos torcedores.

Bonde – Grupo de torcedores ou caravana de uma determinada organizada.

Família – A própria torcida.

Farda – Uniforme da torcida.

Fardado - Uniformizado. 

Linha de frente – Grupo que vai para o combate com os rivais. É usado também em referência a um integrante do grupo.

Meninos das bandeiras – Jovens considerados como soldados rasos, mas de futuro promissor. Carregam faixas e desfraldam as bandeiras (nos estádios em que elas são permitidas).

Patrimônio – Faixas e bandeiras, que são os bens valiosos das organizadas.

Trombar – Brigar com torcedores rivais, na maioria das vezes premeditadamente.

T.O – Torcida organizada.

GDF – Gaviões da Fiel (usado na internet)

TTI – Torcida Independente, do São Paulo (usado na internet)


Ministério Público tenta cortar fonte de renda de organizadas
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Cartolas paulistas têm a informação de que o Ministério Público armou uma operação para sufocar financeiramente as torcidas organizadas.

Segundo os dirigentes, o trabalho começou após a briga entre Mancha Alviverde e Gaviões da Fiel, que deixou dois mortos no último domingo.

Nesta semana, os clubes foram orientados pelo MP e pela Polícia Civil a não dar de graça ingressos para as uniformizadas e nem em consignação para elas venderem em suas sedes.

As autoridades acreditam que uma das fontes de renda das torcidas é a comercialização de ingressos. Com frequência, bilhetes com a inscrição “torcida organizada” vão parar na mãos de cambistas. Isso gera a suspeita de que as uniformizadas recebem mais ingressos do que precisam e lucram com o excedente.

Segundo dirigentes, Polícia e MP também desconfiam de que os clubes entregam lotes de meia-entrada sem conferir carteirinhas de estudante. Os mesmos ingressos seriam vendidos com o preço cheio (no mínimo), aumentando a margem de lucro, já que só é necessário devolver a metade do valor para os clubes que cobram.

No caso de quem ganha ingresso sobra dinheiro para fretar ônibus para as caravanas. Aliás, os times também foram orientados a não colaborar com o transporte dos torcedores.

O sentimento entre dirigentes é de que policiais e promotores irão apertar o cerco. E quem não cortar as ligações informais com as uniformizadas pode se complicar.

 


São Paulo vai ao STJD contra Inter por suposto aliciamento de Oscar
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Após comprovar que Oscar seguiu treinando pelo Inter, mesmo depois de uma notificação enviada pelo São Paulo, o clube paulista decidiu ir ao STJD contra o time gaúcho.

O departamento jurídico tricolor autorizou seu advogado no Rio a entrar com uma representação, acusando o Inter de aliciar Oscar para que o jogador não cumpra seu contrato com o São Paulo, reestabelecido pela Justiça.

O documento já está sendo preparado e deve ser entregue ao STJD na próxima semana. Caso a denúncia seja aceita, o Inter será julgado e poderá ser suspenso por no mínimo 60 dias e no máximo 180 dias, caso seja condenado. O clube gaúcho também pode ser multado.

Por sua vez, o Colorado entrou na Justiça Trabalhista para ser reconhecido como parte interessada na disputa. Também quer esclarecer se seu contrato com o jogador segue valendo.

Colaborou Jeremias Wernek, do UOL Esporte, em Porto Alegre


Conselheiros pressionam Palmeiras a ajudar Mancha, e MP pede rompimento com torcida
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A diretoria do Palmeiras está acuada. Recebeu recados do Ministério Público e da Federação Paulista de Futebol para evitar vínculos com a Mancha Alviverde após o confrotno de domingo com a Gaviões da Fiel.

Ao mesmo tempo, é grande a pressão feita por conselheiros ligados à torcida para que o clube ajude oficialmente a organizada a se defender, principalmente da suspensão aplicada pela FPF. A entidade proibiu temporariamente as duas unfiormizadas de entrarem nos estádios paulistas.

 A situação deixa os dirigentes pisando em ovos. Não querem ir contra MP e FPF. Mas temem o desgaste político que conselheiros “manchistas” podem provocar. E têm pavor de reações violentas por parte da torcida, se virarem as costas para ela.

A pressão interna ganhou ares de oficial com um e-mail enviado na última quarta pelo conselheiro Gustavo Gomes Pereira a diretores e conselheiros. Na mensagem, ele diz que passou da hora de o Conselho Deliberativo, da diretoria e da presidência ajudarem a torcida.

Ele diz que é um absurdo a FPF banir a Mancha e chama a entidade de incompetente e eleitoreira. Afirma ainda que, quando é do interesse do clube, o Palmeiras paga ônibus e manda ingressos para a uniformizada. O conselheiro sugere que Arnaldo Tirone emita uma nota oficial repudiando a atitude da FPF.

 Seria comprar briga publicamente com a federação, presidida por Marco Polo Del Nero, conselheiro palmeirense, membro da Fifa e da Conmebol, além de homem forte na CBF.

“Pretendo conversar com o Tirone para pedir que ele se mainfeste junto à federação. Não é hora de pensar no que pode acontecer politicamente. O Palmeiras historicamente não defende a sua torcida, seja organizada ou não. Precisamos mudar isso”, falou Gustavo ao blog.

A mensagem de Gustavo, que diz não defender a violência, obteve rápida resposta. Piraci de Oliveira, diretor jurídico do Palmeiras, respondeu que o clube prestou solidariedade à família de um dos torcedores mortos no confronto enviando representante ao enterro.

O dirigente disse também que tem mantido contato com a advogada da Mancha para colaborar. E que se ofereceu pessoalmente para ajudar em nome do clube. Ao blog, Piraci declarou que a oferta foi pessoal. Caso tivesse sido aceita, não seria o Palmeiras que participaria. Ele se envolveria individualmente.

O caso aumentou também a pressão de conselheiros para punir Del Nero por ter dito que torceria para o Corinthians ser campeão na rodada final do Brasileirão-11, contra o Palmeiras. A cobrança é atribuída ao grupo no Conselho considerado “manchista”.

“Não tenho opinião formada sobre se o Palmerias deve ajudar. Mas acredito que a torcida é patrimônio do clube, que não pode esquecer disso”, afirmou ao blog o conselheiro Wlademir Pescarmona, um dos líderes da oposição. No grupo oposicionista estão conselheiros da ala que nutre simpatia pela Mancha, como Sérgio Pellegrini, influente no órgão.

Encurralada, a diretoria espera ter encontrado uma maneira de agradar à organizada sem ferir FPF e MP. Quer exibir uma faixa no próximo jogo, pedindo o fim da violência e estampando o nome dos dois palmeirenses mortos.


Briga entre Adriano e Corinthians confirma que clube escondeu remuneração de R$ 500 mil
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Um dos primeiros efeitos colaterais da briga entre Adriano e Corinthians é a revelação de que a oposição estava certa ao dizer que a diretoria escondia o verdadeiro valor pago ao jogador.

Ao explicar a demissão por justa causa, o diretor de futebol Roberto de Andrade disse à TV Bandeirantes que os vencimentos eram de aproximadamente R$ 500 mil. Desde que o Imperador chegou ao clube, a diretoria alegava que pagava R$ 380 mil. A quantia só aumentaria com bônus por desempenho.

No último dia 14, publiquei declaração do conselheiro Rubens Gomes, afirmando que o Imperador recebia R$ 50o mil mensais e reclamando de que a diretoria enganava a torcida ao não revelar o valor real. A oposição quer explicações da direção sobre o caso no Conselho Deliberativo.


Troca de poder na CBF faz São Paulo voltar a sonhar com Morumbi na Copa das Confederações
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A diretoria do São Paulo não fala publicamente, mas está mais animada do que nunca em relação às chances de colocar o Morumbi na Copa das Confederações.

O motivo do otimismo é a troca de poder na CBF. A substituição de Ricardo Teixeira por José Maria Marin, ex-jogador do clube, e a paz selada com Marco Polo Del Nero, justificam a esperança.

A dupla Marin e Del Nero tem em Juvenal o maior aliado entre os clubes. O são-paulino ganhou ainda mais pontos ao defender em reunião na CBF que não seja articulado um movimento para a criação da Liga Nacional. A nova associação tiraria poder de Marin.

Tudo que o São Paulo tem a fazer agora é correr para completar a reforma do Morumbi e torcer para que não fique pronto ao menos um dos estádios indicados para a Copa das Confederações, no ano que vem.

A Fifa diz que nenhuma arena entrará na competição por conta de atrasos nos locais escolhidos. Outras cidades acumulariam jogos.

Entretanto, os são-paulinos confiam que, com Marin na presidência do COL e Del Nero no Comitê Executivo da Fifa, o lobby pelo Morumbi seria forte. Entraria como argumento o fato de que os jogos na casa são-paulina serviriam para a infraestrutura de São Paulo ser testada antes da Copa do Mundo.

 


Candidato a novo Adriano, Douglas coloca em xeque comissão técnica e diretoria do Corinthians
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É difícil ver Douglas em campo e não lembrar de Adriano. Visivelmente fora de forma e cada vez mais reserva como o Imperador, o meia coloca em xeque o trabalho da comissão técnica e a atuação dos dirigentes corintianos.

Vai ficar feio tanto para Tite e seu estafe quanto para a diretoria se o meia não afinar e o clube for tolerante, como foi com Adriano. Já começa uma pressão interna no Parque São Jorge para que Douglas receba um tratamento mais duro.

Assim como Adriano, o meia também já demonstrava problemas para entrar em forma antes de assinar contrato. Cartolas do Grêmio reclamavam de suas condições físicas.

Politicamente, será um desastre se ele não render e passar a ser esculhambado pelo clube quando se discutir sua rescisão, numa repetição do caso Adriano. A oposição antecipa a discussão e bate na tecla de que virou praxe o clube ser tolerante com atletas acima do peso.

Douglas estaria engordando a lista que já tem, pelo menos, além do Imperador, Ronaldo e Chicão, único que se recuperou.


No marketing palmeirense Marcos ganha dobro do que receberia em comissão técnica
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Novo integrante do departamento de marketing do Palmeiras, Marcos receberá cerca de R$ 80 mil mensais, de acordo com dirigentes do clube. A entrada do ex-goleiro nessa área cancelou o plano original da diretoria de dar a ele um cargo na comissão técnica.

Para o ex-atleta a troca foi vantajosa. Também segundo cartolas palmeirenses, ele receberia R$ 40 mil para fazer parte de estafe do Felipão.

A mudança aconteceu principalmente porque a cúpula alviverde queria um nome de peso para ajudar a alavancar a fracassada vaquinha por Wesley.

Alguns diretores criticam a decisão. Avaliam que o conhecimento técnico de Marcos seria mais proveitoso para o clube do que a utilização de sua imagem em ações de marketing.

E, além de ganhar menos, o ex-goleiro provavelmente trabalharia mais. Teria horário para entrar e sair, juntamente com a equipe. Já no marketing, pelo menos por enquanto, não existe essa obrigação. Marcos aguarda aos chamados de seus chefes para entrar em cena.


Marin promete corregedor e ouvidor de arbitragem na CBF e agrada a cariocas
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Na reunião da última segunda com cartolas de clubes paulistas e cariocas, José Maria Marin prometeu criar os cargos de corregedor e ouvidor de arbitragem para as competições organizadas pela CBF.

O ouvidor receberá e responderá às críticas feitas por dirigentes e torcedores aos árbitros. Já o corregedor será responsável por aplicar punições aos juízes que forem mal, além de investigar possíveis denúncias. O presidente da CBF também afirmou que a comissão de arbitragem terá um novo membro. Ele dividirá a função de escalar os árbitros com o presidente da comissão de arbitragem, Sérgio Corrêa.

Combinadas, as novidades reduzem o poder do atual chefe de arbitragem da confederação e agradam em cheio aos dirigentes dos grandes cariocas. Flamengo, Botafogo, Vasco e Fluminense se unem para reclamar do nível da arbitragem nacional.

Ficaram tão satisfeitos que parecem não ter notado que as inovações têm o dedo de Marco Polo Del Nero. Combatido pela federação do Rio, entre outras, o dirigente paulista implantou essas medidas em seu Estado numa tentativa de dar credibilidade à sua administração. Marin segue a cartilha de seu mentor.


São Paulo ganha status na CBF com discusro de Juvenal contra Liga, mas Corinthians é ameaça
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No encontro da última segunda, que reuniu na CBF dirigentes de clubes paulistas e cariocas com José Maria Marin, Juvenal Juvêncio se destacou como líder do movimento contra a criação de uma Liga Nacional.

O presidente do São Paulo pediu a palavra e explicou que o momento não é o de criar uma nova entidade. Entre outros motivos porque não há contrato da Globo para ser negociado. E porque a atitude soaria apenas como um gesto oportunista para aproveitar o momento de início de gestão do novo presidente.

Juvenal deixou a sede da CBF certo de que os representantes de Palmeiras, Santos, Vasco, Fluminense, Flamengo e Botafogo concordaram com suas palavras. Todos juntos desanimariam outros times que queriam a Liga, como o Atlético-MG.

O são-pauilno nega que tenha discursado com objetivos políticos. Mas é inegável que a atitude fortalece mais ainda o cartola com o novo presidente da CBF, ex-jogador do São Paulo, e com Marco Polo Del Nero, cartola  da FPF, da Conmebol e da Fifa, além de seu ex-desafeto.

Mas há um obstáculo que pode impedir Juvenal de triunfar como dirigente que sufocou a Liga: o Corinthians. O alvinegro não enviou representante para o encontro. E não se pronunciou oficialmente sobre a criação de uma nova entidade.

Tradicionalmente, os corintianos se alinham com o Flamengo. Por sua vez, Patrícia Amorim é contrária a Liga, defendida por Márcio Braga, seu desafeto político. Mas não há garantias de que o Corinthians não vá tentar arrastá-la para outro lado.

Andrés Sanchez, ex-presidente alvinegro, não se bica com Del Nero e Marin, o que pode levá-lo a tentar convencer Mário Gobbi, seu sucessor no Parque São Jorge, a fazer oposição à CBF. Se isso acontecer, haverá uma nova edição do duelo entre corintianos e são-paulinos, como ocorreu na implosão do Clube dos 13.

A tendência, no entanto, é de que o jogo de xadrez se arraste nos bastidores antes de uma declaração de guerra.