Blog do Perrone

Arquivo : Abílio Diniz

Por que mecenas emplacam no Palmeiras, mas não no São Paulo?
Comentários Comente

Perrone

De um lado uma equipe que se fortaleceu e levantou taças com a ajuda dos braços fortes de ricaços apaixonados pelo clube, além de interessados na vida política da agremiação. Do outro, um time no qual quem colocou dinheiro o fez uma vez e parou. Ou investiu muito menos em outras áreas sem ser na contratação de craques. Esse é o retrato de Palmeiras e São Pulo que se enfrentam nesta tarde pelo Campeonato Paulista. Mas por que os mecenas decolaram no alviverde e patinaram no tricolor?

A resposta está na forma diferente com que os conselheiros palmeirenses Paulo Nobre, José Roberto Lamacchia e Leila Pereira encararam a relação entre paixão pelo clube, ambição política e colaboração em comparação com são-paulinos endinheirados, como Abilio Diniz e o diretor de marketing Vinícius Pinotti.

Indagada pelo blog sobre o que motiva os seguidos investimentos feitos pela empresa dela e de seu marido no Palmeiras, donos da Crefisa e da FAM (Faculdade das Américas), Leila respondeu o seguinte por meio de sua assessoria de imprensa: “nossa enorme paixão pelo clube e a ótima relação que temos com os dirigentes do clube”. Ela virou palmeirense por causa do marido, sempre palestrino.

Por sua vez, Abilio escreveu em 2015 em seu blog no UOL duas afirmações que mostram a maneira de pensar diferente em relação à empresária palmeirense. “O São Paulo não precisa de caridade de seus torcedores. Não é dar o peixe, mas ensinar a pescar”. Na ocasião, havia a expectativa da diretoria comandada por Carlos Miguel Aidar de que ele participasse de um fundo que colocaria pelo menos R$ 100 milhões nos cofres tricolores, mas que nunca saiu do papel.

Cifras mostram o tamanho da diferença com que os ricos palmeirenses e são-paulinos em questão atuam em seus clubes.

Crefisa e FAM renovaram seus patrocínios com o Palmeiras por cerca de R$ 80 milhões anuais mais bônus por conquistas. O compromisso anterior rendia aproximadamente R$ 60 milhões por ano à agremiação.

Nobre, enquanto reinou na presidência, tirou do bolso a título de empréstimo aproximadamente R$ 200 milhões para tocar o clube e reforçar o time. Recentemente, ele recebeu de volta R$ 43 milhões.

No lado são-paulino as quantias envolvidas não podem ser consideradas mixaria, mas são bem menores.

Abilio, cobrado por adversários políticos por nunca ter patrocinado o São Paulo, bancou a atuação de duas renomadas empresas de consultoria avaliada pelo entorno do empresário em cerca de R$ 2 milhões. O objetivo do trabalho foi verificar a verdadeira situação do clube, incluindo o CT das categorias de base, em Cotia, para permitir o melhor uso dos recursos, aumentar a geração de receitas e equacionar o pagamento de dívidas. Ou seja, a ação seguiu a linha de raciocínio de que é melhor criar condições para um faturamento maior do que injetar dinheiro para contratações.

 Pinotti, antes de ser diretor, emprestou cerca de R$ 19 milhões para a contratação de Centurión. Por causa da correção pelo IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), a dívida com ele hoje passa de R$ 20 milhões. O jogador não emplacou, foi emprestado para o Boca Juniors e Pinotti nunca mais emprestou dinheiro para o clube.

O dirigente não quis dar entrevista sobre o assunto, mas, internamente, ele afirma que o fato de não ter feito novos empréstimos está desconectado do fracasso de Centurión no Cícero Pompeu de Toledo. A opção do cartola foi por contribuir com o São Paulo conseguindo novos patrocinadores.

Investimento alto em patrocínio dá retorno?

A distância mantida por Pinotti e Diniz do formato de patrocinar o time do coração leva à pergunta se comercialmente compensa investir pesado em patrocínio, como fazem Crefisa e FAM.

Ao ser indagada pelo blog se o retorno dado às suas empresas pela exposição na camisa do Palmeiras é satisfatório ou inferior ao dinheiro investido, Leila afirmou: “o retorno foi muito positivo, porém a maior satisfação que temos é poder contribuir para o sucesso de um projeto e ficamos extremamente felizes pela alegria que o Palmeiras proporciona aos torcedores”.

Nos clubes adversários é comum ouvir dirigentes afirmando que o preço pago pelas duas empresas ao atual campeão brasileiro é muito superior ao de mercado. E no Palmeiras, conselheiros argumentam que a empolgação com o título brasileiro e a popularidade alcançada pela dupla de empresários contribuíram para o aumento no aporte financeiro. Tais fatores não existem hoje no lado são-paulino da moeda.

“Nosso amor pelo Palmeiras e nossa confiança com o clube ajudaram muito em nossas tomadas de decisão. Ver os torcedores felizes, muito contentes por ter um time muito competitivo é gratificante”, afirmou Leila sobre o incremento nos investimentos.

Política

Apesar de pensarem de maneiras distintas sobre como ajudar o time de coração, Abilio, Pinotti, Paulo Nobre, Leila e Lamacchia têm um ponto em comum na relação com seus clubes: o envolvimento político.

O casal da Crefisa e da Fam acaba de colocar dinheiro na campanha por vagas no Conselho Deliberativo palmeirense. Após a vitória esmagadora, ambos podem participar da vida política do clube. Nobre, bem antes de ser eleito presidente, já estava engajado politicamente no alviverde.

No Morumbi, Pinotti apoia Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, na tentativa de se reeleger à presidência. Porém, é visto mais como cartola do que político. Abilio está do outro lado da trincheira. É incentivador do candidato de oposição no pleito de abril, José Eduardo Mesquita Pimenta. Alex Bourgeois, ex-CEO do clube e homem de confiança do empresário, é um dos principais articuladores da campanha do oposicionista.

Os estilos distintos de pensar de quem tem conta bancária para ser mecenas de seus times, obviamente teve influência na montagem das equipes dos rivais desta tarde para a temporada. O reflexo mais emblemático é o fato de Pratto, o principal contrato do São Paulo, ter habitado os sonhos de Leila, mas acabar sendo preterido por Borja, mais caro e badalado.


Abilio Diniz oficializa apoio a Pimenta no São Paulo
Comentários Comente

Perrone

Como era esperado, Abilio Diniz decidiu oficializar seu apoio à candidatura de José Eduardo Mesquita Pimenta à presidência do São Paulo como nome da oposição na eleição de abril.

O argumento do empresário para tomar sua decisão é o de que o ex-presidente defende a profissionalização da gestão do clube e a aplicação do novo estatuto tricolor. Essas são também bandeiras de Diniz.

Porém, a situação avalia que ele apoiaria a oposição independentemente do cartola escolhido. Abilio não é conselheiro do São Paulo, mas pertence ao Conselho Consultivo. É visto pela situação como principal apoiador e articulador dos oposicionistas.

O empresário apoiou a candidatura de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, que agora será candidato à reeleição, mas divergiu do atual presidente e passou a criticar sua administração publicamente. Hoje, ele é considerado por muitos aliados de Leco o inimigo número 1 do presidente dentro do clube.

Outro que está em campanha é Roberto Natel, ex-vice-presidente de Leco.


Mudança estatutária marca novo round entre Abilio e cúpula do São Paulo
Comentários Comente

Perrone

A votação de mudanças no estatuto do São Paulo nesta quarta marca um novo round na disputa entre Abilio Diniz e a diretoria do clube. Os dias que antecederam ao pleito foram de trocas de disparos nos bastidores entre aliados do presidente Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, e do empresário.

Os situacionistas enxergam Diniz como quem quer aproveitar as mudanças estatutárias para se aproximar do poder no clube, algo que ele nega ter interesse. Para comprovar essa tese, a situação usa a proposta feita pelo empresário para que qualquer sócio pudesse lançar chapa para concorrer à presidência. Pelo modelo atual, só conselheiros têm o direito de tentar ocupar o cargo máximo no clube. Abilio não é conselheiro, apenas associado, assim, se sua sugestão fosse aprovada ele poderia lançar uma chapa. Porém, a ideia foi descartada e ficou fora do pacote de mudanças que será votado.

Por sua vez, via assessoria de imprensa, o empresário nega que tenha interesse em ser presidente ou que tenha feito a proposta para poder lançar alguém de sua confiança. Afirma que os sócios são os donos do clube, então é justo que possam disputar a eleição. A única intenção da medida proposta foi, segundo sustenta, fortalecer o associado.

Os aliados de Abilio também se queixam de que a diretoria o ataca nos bastidores gratuitamente e que não enaltece mudanças propostas por ele e aprovadas pela comissão que preparou o texto a ser votado. É o caso da criação do Conselho de Administração, órgão que irá auxiliar a diretoria na definição de metas, além de fiscalizar seu trabalho. As pessoas ligadas ao empresário afirmam que o novo modelo é igual ao que ele sugeriu, mas que a diretoria trocou o nome Comex (Comitê Executivo), apenas para descaracterizar a sugestão de Abilio.

Já os situacionistas declaram que o modelo proposto pelo empresário era igual ao usado no Santos e que é permanente criticado pelos cartolas santistas principalmente por tornar lentas as decisões da diretoria. O sistema que será votado tem o objetivo de permitir maior agilidade ao presidente.

Outra reclamação dos que defendem Abilio é de que a diretoria o deveria tratar como alguém que ajuda o São Paulo, reconhecendo colaborações como o pagamento para a empresa contratada para fazer uma auditoria no Morumbi.

Mas a situação enxerga o empresário por trás da maioria dos movimentos importantes feitos pela oposição contra a gestão de Leco.

Esse clima de conflito deve aumentar com a sugestão feita por Abilio em seu blog no UOL Esporte para que seja criado um conselho de administração provisório logo após a aprovação das mudanças. O grupo prepararia a transição para as novas regras antes da eleição presidencial do ano que vem.

 


Após Abilio doar dinheiro, Independente repete cobranças dele a Leco
Comentários Comente

Perrone

Com Pedro Lopes, do UOL, em São Paulo

Antes do Carnaval de 2016, Abílio Diniz doou dinheiro para a Independente, principal torcida organizada do clube e escola de samba. A doação foi confirmada por assessor do empresário ao ser indagado pelo blog sobre o assunto.

“A assessoria de imprensa de Abilio Diniz informa que o empresário fez pequena contribuição à Independente após solicitação de ajuda da torcida para seu galpão de Carnaval”, diz o comunicado enviado por-email. O valor e a data exata não foram revelados. Porém, membro da Independente que pediu para não ser identificado afirmou que a contribuição aconteceu no início deste ano.

Em contato telefônico com o blog, Henrique Gomes, o Baby, presidente da Independente, primeiro negou que tenha existido a doação. Ao ser informado que Abilio confirmara a contribuição, disse que houve uma ajuda à torcida, mas não relacionada ao Carnaval. Só que rapidamente voltou a negar com veemência que a Independente tenha recebido dinheiro de Abilio tanto para a escola de samba como para a torcida, que possuem CNPJs diferentes.

“Não envolva a Independente nisso porque não é verdade. Não recebemos nenhuma doação do Abilio. Estão brigando dentro do São Paulo e ficam usando o nosso nome, mas a torcida não é marionete de ninguém. Não queremos saber de Leco (presidente do clube), de Abilio e nem de (Carlos Miguel) Aidar (ex-presidente)”, disse Baby.

Diniz é consultor do Conselho Consultivo do São Paulo, trabalhou pela saída de Aidar, que renunciou, e apoiou a candidatura de Leco. Logo depois da eleição passou a divergir do presidente e virou o opositor. A demora do cartola em tirar Ataide Gil Guerreiro da vice-presidência de futebol, a manutenção de Gustavo Vieira de Oliveira como dirigente remunerado e o afastamento de Milton Cruz do cargo de auxiliar técnico para atuar com análise de desempenho até ser demitido estão entre os motivos que fizeram Abilio entrar em rota de colisão com Leco.

Algumas das bandeiras do empresário também foram levantadas pela Independente, que gritou o nome de Milton Cruz, além de criticar Ataíde e Gustavo, dupla que para Diniz entende pouco de futebol e nada de gestão, como ele escreveu em seu blog no UOL.

“O que fizemos não tem nada a ver com o Abilio. O Milton Cruz, por exemplo, nós entendemos que, quando o (Edgardo) Bauza chegou, ele era a única pessoa que poderia orientar o técnico. Por isso, queríamos a presença dele, mas não estava nem aí se ele seria demitido. A Independente não se envolve na política do São Paulo”, disse Baby.

Em 17 de fevereiro, quando a doação de Abilio já tinha sido feita, a torcida protestou após a derrota por 1 a 0 para o The Strongest no Pacaembu pedindo, entre outras reivindicações, a volta de Cruz, amigo do empresário e defendido ferrenhamente por ele, ao cargo antigo. Quatro dias depois, a Independente fez uma manifestação no Pacaembu, antes do jogo contra o Rio Claro, na qual foi exibida faixa com os dizeres: “o único salário que não atrasa é o seu, Gustavo, R$ 120 mil”. A torcida também voltou a pedir a saída de Ataíde, algo que já tinha feito em novembro do ano passado, além de criticar jogadores.

No dia 28 de fevereiro, a Independente escreveu em sua conta no twitter: “Abilio Diniz, presidente moral do São Paulo”. O empresário não é conselheiro e não pode se candidatar à presidência. Ele afirma não ter esse desejo.

 A assessoria de Abilio não comentou o fato de a torcida apoiar ideias semelhantes às do empresário, após receber a doação.

Vale lembrar que recentemente Leco disse à “Folha de S.Paulo”, colaborar com a Independente.


Ex-CEO do SPFC vai à Justiça para cobrar cerca de R$ 1,3 milhão do clube
Comentários Comente

Perrone

Atualizado às 10h33, com declarações de Bourgeois

Alexandre Bourgeois, ex-CEO do São Paulo e que é visto no Morumbi como homem de confiança de Abilio Diniz, decidiu acionar o clube na Justiça do Trabalho. O blog apurou que ele alega existir dívida de aproximadamente R$ 1,3 milhão, constituída basicamente por multa rescisória não paga.

Procurado, ele disse que não comentaria o assunto, mas após a publicação da primeira versão do post resolveu se manifestar e confirmou a existência da ação. Já o São Paulo, por meio do departamento de comunicação, disse que não foi notificado sobre o processo, porém, tem informações de que o ex-funcionário acredita ter essa quantia a receber e que vai à Justiça.

Bourgeois teve duas passagens pelo clube em 2015. Na primeira, ficou cerca de três meses, e foi demitido pelo então ex-presidente Carlos Miguel Aidar após o dirigente entrar em atrito com Diniz, que é consultor do Conselho Consultivo são-paulino.

“Quando entrei no São Paulo, assinei um contrato. Quando me mandaram embora, não me pagaram nada. Tanto na primeira quanto na segunda vez. Meu contrato é com o São Paulo Futebol Clube, tanto faz quem é o presidente. Tenho o direito, como qualquer pessoa, de receber o que está previsto no meu contrato. Tentei negociar, com o Aidar, mas ele nem respondeu. Depois, o Leco não quis negociar. Então, entrei na Justiça”, disse Bourgeois, que afirma que seu contrato iria até abril 2017.

Mesmo fora do São Paulo, ele participou do processo que culminou com a renúncia de Aidar e a eleição de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco. O atual presidente recontratou o ex-CEO, mas decidiu demitir o profissional três semanas depois, quando já estava em rota de colisão com Diniz, hoje seu ferrenho crítico.

Apesar de ele ter deixado o clube novamente, diretores do São Paulo afirmam que o amigo de Diniz tenta interferir na política são-paulina. Dois aliados de Leco declararam ao blog que o ex-CEO atua para minar a administração. Contam que ele procurou dois dirigentes e sugeriu que deixassem a direção, após criticar o presidente.

Bourgeois negou que tente enfraquecer a diretoria e convencer diretores a abandonarem o barco. Porém, ele se reuniu recentemente com José Francisco Cimino Manssur, vice-presidente de comunicação e marketing. Entre outros assuntos, criticou Leco.

“Eu me reuni mesmo com Manssur, que lançou um livro sobre profissionalização no futebol. Eu me encontro com ele faz muito tempo porque militamos pela profissionalização no futebol. A reunião foi para falar sobre isso. Agora, critico o Leco por não implantar a profissionalização, está no plano de governo dele”, afirmou o ex-funcionário são-paulino.

Diretores também reclamam de ele ter prestado depoimento ao Ministério Público levantando suspeitas contra Ataide Gil Guerreiro, ex-vice de futebol e atualmente diretor de relações institucionais. Pessoas ligadas a Ataide asseguram que o cartola processará Bourgeois.

Fui chamado pelo MP, tive que ir. Lá me fizeram uma série de perguntas. Como qualquer cidadão brasileiro, respondi. Só isso”, declarou Bourgeois. O Ministério Público investiga várias denúncias feitas por conselheiros sobre supostas irregularidades no clube, principalmente na gestão de Aidar.

Outro argumento de membros da atual gestão contra o ex-CEO é de que por ser flamenguista ele não pode nem alegar que dá palpites sobre o São Paulo sob o pretexto de defender seu time de coração. “Faz tempo que deixei de ser torcedor de um clube. Torço pelo futebol brasileiro e defendo a profissionalização geral. Converso sobre a profissionalização de qualquer clube, não tenho preconceito”, rebateu Bourgeois.


Abilio evita embate, mas considera covardia a demissão de Milton Cruz
Comentários Comente

Perrone

A diretoria do São Paulo se preparou para virar alvo de novos ataques de Abilio Diniz ao demitir Milton Cruz, que trabalhava havia 22 anos no clube. Porém, o empresário não quer dar entrevistas sobre o assunto para evitar novas polêmicas. Mesmo assim, deixa clara sua discordância com o afastamento.

Procurada pelo blog, a assessoria de imprensa de Diniz disse que ele “não vai comentar a covarde e sórdida demissão de Milton Cruz, pois isso não faria bem para ele (o demitido) e nem para o São Paulo”.

A forma como Milton foi dispensado também desagradou a alguns conselheiros oposicionistas, apesar de a maioria pedir o desligamento dele. O argumento é de que a diretoria é soberana para afastar seus funcionários, mas desrespeitou o ex-assistente por ter criado outro cargo para ele, que na prática ficou na geladeira. O mais justo, segundo essa linha de raciocínio, seria assumir logo que Milton não estava nos planos e demitir o funcionário.

A degola só aconteceu na última quinta. Luiz Cunha, novo diretor de futebol, afirmou que quando foi convidado para o cargo disse ao presidente que não queria mais a permanência do ex-assistente. Ele afirmou que Milton estava sendo sub-aproveitado, por isso a demissão seria a atitude mais justa.

Abilio havia sugerido a efetivação de o ex-assistente técnico como treinador para Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, no final do ano passado. O presidente não aceitou a ideia e ainda afastou Cruz do posto de assistente. Ele passou a ter a função de implantar um departamento de análise de desempenho no clube.

A diretoria se incomodava com a amizade entre Milton e Abilio e acreditava que ele comentava assuntos internos do time com o empresário. Além disso, a cúpula tricolor entendeu que ele ficou insatisfeito no novo cargo e, no lugar de apagar incêndios, jogava gasolina na fogueira ao ser procurado por jogadores descontentes.

Assim que soube da demissão, a oposição são-paulina abriu os braços para receber Diniz. Os opositores acreditam que a queda do amigo fará o empresário defender um candidato contra a situação na eleição para presidência do São Paulo em abril do ano que vem. Não há postulantes ao cargo definidos.

 


Milton fora: oposição do SPFC espera apoio de Abilio. Direção espera guerra
Comentários Comente

Perrone

A demissão de Milton Cruz, que há 22 anos integrava comissão técnica do São Paulo, marca uma nova e tensa fase na política do São Paulo. É o que pensam diretoria e oposição do clube. Isso porque os dois lados esperam uma reação intensa de Abilio Diniz, amigo do funcionário e que brigava por sua manutenção como assistente técnico, função da qual já tinha sido desligado antes de cair nesta quinta.

Assim que soube da demissão, a oposição abriu seus braços para receber Abilio numa embrionária campanha eleitoral para a presidência do clube em abril do ano que vem. Ainda não há candidato definido.

Os opositores entendem que além de voltar a atacar ferozmente a diretoria, o empresário e consultor do Conselho Consultivo vai participar da próxima eleição como nunca, apoiando vigorosamente um candidato de oposição.

Na avaliação dos opositores, a degola de Cruz fará o empresário entender que ele não terá outro meio para tentar implantar a gestão profissional que prega no clube a não ser colocando na cadeira um presidente em sintonia com ele. O que, aliás, acreditava já ter acontecido com a eleição de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco. Vale lembrar que a maioria dos que esperam serem abraçados por Diniz, cobrava insistentemente a demissão de Cruz.

A diretoria espera o mesmo. Acredita que a demissão de Milton provocará nova guerra com Abilio, que já vinha atacando a direção para pedir a implantação da profissionalização, a queda do vice de futebol Ataide Gil Guerreiro, já conseguida, e a manutenção de Cruz na comissão técnica. Ele já havia sido derrotado ao indicar Milton no final do ano para o cargo de técnico.

Ao tomar a decisão de demitir o funcionário, uma exigência do novo diretor de futebol, Luiz Cunha, e um desejo do próprio presidente, Leco sabia que provocaria novos ataques de Abilio. Mas entendeu que as decisões que acredita serem necessárias ao clube não podem depender da vontade de quem o ajudou a se eleger.

“É hora de fugir para a montanha que o Abilião vem aí”, foi uma das frases ditas entre membros da diretoria após a oficialização da saída de Milton. O cenário previsto pelos dirigentes é o de conselheiros da oposição se aproximando de Diniz para que ele use seu prestígio no clube a fim de minar Leco ou outro candidato situacionista, como fez com Carlos Miguel Aidar.

Porém, a cúpula são-paulina acredita estar preparada para o confronto. Também está aliviada, pois acha que sem o ex-funcionário parte dos problemas da equipe será resolvida.

Para a direção, Cruz fazia mal ao elenco por estar insatisfeito com a função de estruturar um departamento de análise de desempenho e jogava mais lenha na fogueira quando um jogador o procurava se queixando de algo. Ele também era visto como informante de Abilio e criticado por supostamente não ter boa vontade com os atletas da base.

Por tudo isso, o comando tricolor afirma que vale correr o risco de ver Diniz entre os líderes da oposição, mesmo sem ser conselheiro, além de acelerar o processo eleitoral.

Na última terça, a oposição já havia feito dois encontros pregando união em busca de um só candidato.

O blog tentou falar com Abilio, mas sua assessoria de imprensa disse que não conseguiu entrar em contato com ele.


Diretoria de futebol é mais pressionada do que técnico do São Paulo
Comentários Comente

Perrone

A crise política no São Paulo faz com que a diretoria de futebol seja mais pressionada do que o técnico. Há um número maior de conselheiros querendo a cabeça do vice-presidente de futebol, Ataíde Gil Guerreiro, do que elegendo Edgardo Bauza como principal responsável pela má fase.

Isso acontece principalmente porque Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, já sofria cobrança de parte de seus aliados para não nomear Ataíde assim que foi eleito. As principais críticas eram o fato de ele demorar para denunciar supostas irregularidade do ex-presidente Carlos Miguel Aidar, ter resultados ruins no comando do futebol e sofrer uma investigação interna pela acusação de agredir o ex-presidente.

A derrota para o São Bernardo por 3 a 1, ontem, no Pacaembu, aumentou a pressão.

Parte dos conselheiros avalia que falta na diretoria alguém que conheça bem o elenco e posa dar o mapa da mina para o treinador argentino, que ainda está tateando o terreno no Morumbi. Para os críticos, Ataíde e Gustavo Oliveira, dirigente remunerado do departamento de futebol, não têm essa capacidade.

Ao mesmo tempo, após a nova derrota, o empresário Abilio Diniz, consultor do Conselho Consultivo do clube, voltou a reclamar em seu blog no UOL de Milton Cruz ter sido afastado do cargo de assistente técnico para cuidar de análises de desempenho. Por anos, Milton foi visto no clube como o cara que tinha trânsito no elenco e mapeava o terreno para o presidente Juvenal Juvêncio.

O vice de futebol também é apontado como um dirigente que tem autonomia em demasia, sem ser cobrado adequadamente por Leco. Já Gustavo é atacado por conselheiros que consideram que ele seus desempenho não justifica o salário pago pelo São Paulo.

Mesmo tendo um alívio por conta de Ataide e Gutavo serem alvos preferidos dos conselheiros mais inflamados, Bauza também já é questionado pelo fato de ainda não fazer o time decolar.


Como o São Paulo virou campo minado para seu presidente
Comentários Comente

Perrone

Como quem pisa num campo minado, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, vai hoje ao Morumbi para participar da reunião em que o Conselho Deliberativo do São Paulo irá decidir se referenda acordo da diretoria para renovar contrato com a Globo.

Costuras políticas para que pudesse chegar ao poder e heranças deixadas por Carlos Miguel Aidar provocam essa dificuldade para o cartola se movimentar no clube que preside.

Não só na reunião desta noite, mas, diariamente, Leco precisa estudar cada passo para evitar explosões.

Protagonista na reunião desta terça, Ataide Gil Guerreiro, vice-presidente de futebol é personagem fundamental para que se entenda como em apenas quatro meses de gestão Leco enfrenta tantas dificuldades.

Sem a ajuda de Ataide, dificilmente Aidar teria renunciado, pois a gravação feita por ele e  na qual o ex-presidente sugeria dividir comissão na compra de um jogador da Portuguesa foi o golpe fatal no ex-cartola.

Leco é grato pela atitude do vice de futebol. Esse foi um dos motivos que o levaram a empossar Ataíde em sua diretoria. Foi como colocar a primeira mina no Morumbi.

Ataíde sofre rejeição por parte de vários grupos políticos. Eles avaliam que o vice demorou para contar o que sabia de Aidar, classificam como ruim sua gestão no futebol e entendem que por ter agredido o ex-presidente deveria ser punido e ficar fora da direção.

A diretoria teme que essa turma vote contra a proposta de renovação com a Globo para transmissão de jogos do Brasileirão nas TVs aberta e fechada a partir de 2019 só para prejudicar o desafeto. Foi ele quem negociou o contrato e fará a exposição dele aos conselheiros.

Leco disse aos atletas que a renovação com a Globo garante que não haverá mais atrasos nos pagamentos até dezembro. Entrarão imediatamente R$ 60 milhões nos cofres como luvas.

Porém, na reunião desta noite, só o contrato com a Globo poderá ser aprovado. A proposta do Esporte Interativo (EI) pelos direitos em TV fechada será apresentada num quadro, mas não estará em análise. Se o conselho rejeitar a Globo, uma nova reunião precisará ser marcada, caso a diretoria, então, se entenda com o EI. Essa demora deixaria o clube com risco de voltar a atrasar os pagamentos dos jogadores e traria problemas para Ataíde.

Outro efeito colateral da chegada ao poder de Leco também poderá ser sentido na reunião. Ele tem nome e sobrenome: Abilio Diniz. Apesar de não ser conselheiro, o empresário e consultor do Conselho Consultivo tricolor foi convidado pelo presidente do Conselho Deliberativo para falar aos conselheiros.

Abilio ajudou a derrubar Aidar, também usando o salão do conselho como palco. Seus ataques foram importantes para deixar o ex-presidente nas cordas.

Desde então, o empresário acreditava ser um estimado conselheiro de Leco. Mas se revoltou ao ver Milton Cruz, indicado por ele para ser técnico do time, ser afastado da comissão técnica para trabalhar com análise de desempenho no clube. Também não gostou de outro indicado seu, Alexandre Bourgeois, ser demitido do cargo de CEO. E ficou descontente ao saber pelos jornais da contratação de Edgardo Bauza. O empresário esperava ser consultado.

Diniz só terá o conselho como palanque hoje graças a uma herança da gestão passada. Leco era presidente do conselho, então, foi substituído por seu vice, Marcelo Abranches Pupo Barboza, integrante de um dos grupos que apoiaram a eleição de Aidar. Foi dele a iniciativa de convidar Abilio para a reunião.

“Convidei o Abilio em janeiro, antes dessa troca de e-mails (mensagens que o empresário e Leco enviaram para conselheiros trocando disparos). Fiz um convite para ele dar uma mensagem ao conselho e também por gratidão pela ajuda que ele tem dado ao clube”, disse Pupo ao blog.

A diretoria diz não se queixar do fato de Abilio ter sido chamado, mas reclama de Pupo ter indicado Roberto Opice Blum para presidir o comitê de ética do clube. Os dirigentes afirmam que ele é distante de Leco e desafeto de Ataíde. Entre outros temas, o grupo dirigido por Blum investiga a agressão de Ataide a Aidar no ano passado.

“Isso é bobeira. Opice é uma pessoa seríssima e está trabalhando com neutralidade. Foi uma das melhores indicações que eu fiz para as comissões”, afirmou Pupo.

Diferentemente de Blum e do presidente do conselho, uma série de cartolas ganhou cargos de direção sem fazer parte do grupo político de Leco, mas por participarem da costura que o ajudou a chegar à presidência.

Desde a semana passada, o mais conhecido deles é Rodrigo Gaspar, assessor do presidente que em rede social criticou Michel Bastos, Rodrigo Caio e Milton Cruz. Ele integra uma ala de jovens conselheiros que bombardeou Aidar e é conhecida como “kamikazes”.

Tem sido frequente no clube diretores que pertencem a correntes políticas diferentes da do presidente serem pressionados por seus parceiros que discordam de parte das atitudes de Leco ou dos homens de confiança dele. Cada divergência espalha mais pólvora ao redor do principal cartola são-paulino..


Após queixa de Abilio, empresa recebe lote de documentos do futebol do SPFC
Comentários Comente

Perrone

Na última sexta, Abilio Diniz escreveu em seu blog no UOL Esporte que a diretoria de futebol do São Paulo não colaborava com as consultorias pagas por ele para auditar o clube. Horas depois da publicação, a direção do tricolor procurou a empresa McKinsey e prometeu entregar um lote de documentos na última terça. A promessa foi cumprida e marcou mais um capítulo no atrito entre o empresário e o presidente são-paulino, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco.

Para aliados de Diniz, a documentação só foi entregue por causa do barulho feito pelo empresário, que também é consultor do Conselho Consultivo do clube. Já a direção acredita que ele usou politicamente o fato por saber que na última sexta terminava o prazo para a entrega de papéis. A diretoria de futebol, porém, nega que tenha se mexido apenas após a cobrança de Abilio.

Ao blog, a assessoria de imprensa do São Paulo afirmou que o departamento de futebol já vinha colaborando com a McKinsey. Tanto que a empresa havia entrevistado uma série de pessoas do departamento para levantar os métodos de trabalho. Mas que na semana que antecedeu o carnaval, após o fim das entrevistas, foi estipulado que até a última sexta uma série de documentos deveria ser entregue. Então, de acordo com a assessoria, a direção explicou para a empresa que teria dificuldades para cumprir o prazo por causa da grande quantidade de papéis pedidos. E por problemas como responsáveis pelas categorias de base estarem de férias. Assim, o departamento de futebol negociou com a consultoria a entrega na terça.

Enquanto Abilio vê má vontade de Gustavo Vieira de Oliveira, dirigente remunerado, e Ataíde Gil Guerreiro, vice-presidente de futebol, em colaborar com a consultoria, a assessoria de imprensa do São Paulo afirma que nunca houve problema entre o departamento de futebol e a empresa. Alega também que o trabalho de auditoria foi uma bandeira da campanha de Leco.