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Confusão na Arena Corinthians foi precedida por falha da PM em revista
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Perrone

 A confusão entre torcedores da Universidad de Chile e policiais militares nesta quarta, na Arena Corinthians, foi precedida por falha da PM na revista dos torcedores das duas equipes, que entraram com muitos sinalizadores e, do lado chileno, pelo menos um rojão.

O blog presenciou caso de aparente negligência policial durante a revista de torcedor corintiano que entrava pelo setor sul. Ao verificar a mochila do alvinegro o policial identificou uma série de itens proibidos no estádio. “Isso não pode, isso não pode, isso é inflamável…”, afirmou o PM antes de citar o estatuto do torcedor, com número da lei e tudo, recomendando que o corintiano estudasse a legislação. Em seguida, ele perguntou se o rapaz tinha onde deixar o material vetado. Diante da resposta negativa, disse: “Então entra, agora vai lá e protesta contra a PM”. Ou seja, deu lição de moral no torcedor, mas foi negligente permitindo a entrada de objetos proibidos.

Porém, segundo o tenente-coronel Luiz Gonzaga de Oliveira Júnior, do 2º Batalhão de Choque, responsável pelo policiamento nos estádios de São Paulo, o procedimento adotado pelo policial não pode ser considerado falho. “Somos mais rigorosos no setor das organizadas, nos outros (como na área Sul) temos que usar o bom senso. Por exemplo, não pode entrar no estádio com vidro de perfume, mas também não vamos obrigar uma mulher a jogar o perfume fora. Se o responsável pela revista avalia que não há risco, ele deixa entrar. Provavelmente, foi isso que aconteceu nessa revista”,  disse Gonzaga ao blog. Porém, ele considerou desnecessária a ironia do policial ao pedir para o torcedor fazer protesto contra a PM.

O episódio não tem relação com a barbárie provocada pelos fãs da La U, mas ajuda a entender como tantos sinalizadores, que não são permitidos, entraram na arena. Como mostrou o UOL Esporte, o confronto começou porque os chilenos se revoltaram com a apreensão de parte dos artefatos, acenderam outros e passaram a depredar cadeiras.

O tamanho da dificuldade da PM em revistar as torcidas pode ser mensurado nas imagens de instantes antes de o jogo começar, quando era possível ver uma nuvem de fumaça formada pelos sinalizadores, a maioria levada pelos corintianos. Pior, os chilenos acenderam um rojão na arquibancada.

Indagado sobre o assunto, Gonzaga enumerou uma série de fatores para explicar a grande quantidade de sinalizadores dentro da arena, negando existir falha da PM. “É difícil localizar os sinalizadores na revista porque eles são pequenos e podem ser escondidos nas vestes. Também há espaços na estrutura do estádio por onde eles passam (os artefatos). Os torcedores esperam os últimos 15 minutos antes do jogo, quando as filas são maiores, para tentar entrar com eles (artigos proibidos) escondidos. Se formos revistar as roupas de todos, as filas serão enormes, então precisamos ser seletivos. Nessas situações nos preocupamos com objetos maiores”, explicou o tenente-coronel.

Ele também diz que torcedores tem menos medo de punição ao clube na Copa Sul-Americana em relação ao Campeonato Paulista. “Vejo vontade dessas pessoas de afrontar o poder público e prejudicar o seu clube. Na Copa Sul-Americana, a quantidade de sinalizadores foi maior porque eles sabem que o cube só pode ser multado. No Paulista, ele têm medo da perda de mando de jogo”, declarou o policial militar.

No jogo desta quarta, visitantes foram hostis não só com os policiais, mas com a torcida da casa, arremessando na direção dos corintianos parte das cadeiras quebradas. Houve também provocação entre os seguidores dos dois clubes perto da divisão de espaço das torcidas.

A PM mostrou eficiência perto do fim do jogo, quando policiais entraram na arquibancada chilena e rapidamente, sem tumulto, retiraram de lá um torcedor que estavam procurando para deter.

O trabalho dos policiais na vitória corintiana por 2 a 0 pela Copa Sul-Americana foi enormemente dificultado pelos torcedores da La U, que brigam com a mesma disposição com que cantam. Sem dúvida, foi a maior pancadaria que este blogueiro presenciou na casa alvinegra.

 


Drogba e chefe de segurança viram munição para impeachment de Andrade
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Conselheiros que defendem o impeachment de Roberto de Andrade no Corinthians contaram com dois fatos inusitados para engrossar a lista de apoiadores do movimento: a confusa negociação com Drogba e o envio do chefe de segurança do clube para o sorteio dos jogos da Copa Sul-Americana no Paraguai.

Os episódios aumentaram o número de conselheiros e sócios insatisfeitos com o presidente alvinegro, conforme apurou o blog.

Ambos os casos são apontados por críticos do cartola como demonstração  de desleixo de Andrade na forma de administrar o clube.

Em relação ao atacante marfinense, a principal queixa é sobre ele ter assinado proposta enviada ao empresário Franck Assunção, que não é o agente direto de Drogba, mas teria autorização para apresentar ofertas de clubes sul-americanos ao jogador. Ele teve uma polêmica e rápida passagem pela diretoria de Roberto Dinamite no Vasco que é usada como prova da suposta falta de cuidado de Andrade na operação.

Além disso há queixas no Parque porque conselheiros entendem que o contato com Drogba poderia ter sido feito sem intermediários, por meio de Willian, ex-jogador do Corinthians e que foi companheiro do marfinense no Chelsea.

Durante a negociação, o brasileiro jantou com Drogba e disse a amigos no clube do Parque São Jorge que o ex-colega afirmava não ter falado com ninguém do Corinthians. Só depois de a novela se arrastar ele viria a conversar com Andrade.

Também existem críticas ao presidente por ter permitido que um ex-funcionário, Gustavo Herbetta, ex-gerente de marketing, e um ex-conselheiro, o empresário André Campoy, tocassem as negociações. Os dois se afastaram da operação quando Andrade entrou no circuito.

 Alguns conselheiros que relutavam em aceitar o impeachment se voltaram contra Andrade só depois de saberem o nome do representante corintiano no sorteio da Sul-Americana. O presidente escolheu Waldir Rapello Dutra, conhecido como coronel Dutra, chefe de segurança do clube.

A reclamação é de que Andrade não teria se preocupado em enviar um representante com voz ativa no departamento de futebol para defender os interesses do Corinthians e nem com a imagem da instituição. A tese é de que na impossibilidade de um dirigente do futebol viajar outro diretor deveria ter sido destacado para a missão.

O blog enviou e-mails desde o último dia 3 para a assessoria de Andrade preguntando qual o motivo que o levou a enviar o chefe da segurança para o sorteio e sua opinião sobre esse fato e a frustrada contratação de Drogba aumentarem o número de apoiadores do impeachment, mas não recebeu resposta até a publicação deste post.

Os defensores do afastamento calculam que com os últimos episódios já existem pelo menos 140 conselheiros dispostos a votar pela punição ao dirigente. Esse é o número mínimo que eles acreditam ser necessário para derrubar Andrade.

Por sua vez, a situação não revela quantos apoiadores acredita ter, mas calcula que seja preciso obter entre 175 e 180 votos para garantir a vitória na disputa. O Corinthians têm cerca de 344 conselheiros só que não é possível prever quantos comparecerão à reunião sobre o impeachment, que deve acontecer ainda em fevereiro.

A Comissão de Ética que analisou o caso já concluiu seu parecer, mas não tornou pública a decisão. Mesmo que ela não indique o afastamento de Andrade, os conselheiros podem aprovar o impeachment.

A punição ao presidente foi pedida por um grupo de conselheiros que entende que ele feriu o estatuto supostamente provocando prejuízos à imagem do clube por ter assinado a ata de uma assembleia do fundo que administra a arena corintiana e o contrato de locação do estacionamento do estádio com datas nos papéis anteriores à sua posse. Ele alega que colocou sua firma no documento depois de eleito e que houve apenas erro nas datas. Diz ainda que o episódio não provocou dano material ou à imagem alvinegra.


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