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BNDES desconhece trato que suspende parcelas da Arena Corinthians

Perrone

Colaborou Dassler Marques, do UOL, em São Paulo

O BNDES desconhece o acordo feito entre o fundo responsável pela Arena Corinthians e a Caixa Econômica que suspendeu o pagamento das parcelas do financiamento de R$ 400 milhões feito pelo próprio Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para a construção do estádio. A instituição também não tem conhecimento do novo trato que as partes costuram para diminuir as parcelas atuais a serem pagas com a renda dos jogos do clube.

As informações foram prestadas ao blog pela assessoria de imprensa do BNDES após questionamento feito por e-mail.

''Não há nenhuma negociação de reestruturação em andamento no BNDES, como tampouco há qualquer discussão com a Caixa Econômica Federal em torno da Arena Corinthians. Se o fundo está negociando alguma coisa com a Caixa, não temos conhecimento e essa informação deve ser buscada diretamente com a Caixa'', respondeu em nota o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

A Caixa foi a intermediária do financiamento de R$ 400 milhões junto ao BNDES. O dinheiro foi usado para pagar parte das despesas com a construção da arena alvinegra. Em abril do ano passado, com autorização da Caixa, o clube, por meio do fundo, passou a pagar só os juros referentes ao empréstimo enquanto negociava uma redução no valor das prestações. Depois, obteve aval do mesmo banco para não arcar nem com os juros até abril de 2017.

Na semana passada, a diretoria submeteu, sem sucesso, ao Cori (Conselho de Orientação) acordo que daria receitas do programa de sócio torcedor do clube como garantia de pagamento à Caixa num novo formado de financiamento.

Nesse contexto, o blog perguntou ao BNDES se a instituição autorizou a negociação que suspendeu os pagamentos para a Caixa e se ela continua pagando as parcelas para o BNDES.

O blog já havia enviado uma série de perguntas para a assessoria de imprensa da Caixa. A resposta, em nota, está reproduzida abaixo.

''Em relação à Arena Corinthians, a Caixa informa que a operação é protegida por sigilo bancário conforme prevê a lei complementar nº 105/2001''.

Assim, ficaram sem respostas perguntas como ''qual o valor que deixou de ser pago desde a autorização de suspensão do pagamento?'', ''por que foi dada essa autorização?'', ''outras instituições tiveram o mesmo benefício de suspensão de pagamento?''.

Por sua vez, destoando do nome ''Renovação e Transparência'' dado ao grupo político que está no poder no clube, a diretoria do Corinthians não respondeu sobre o assunto. Emerson Piovezan, diretor financeiro, não atendeu ao blog por telefone e visualizou, mas não se manifestou sobre as mensagens referentes ao tema enviadas para seu celular. A assessoria de imprensa do clube também não respondeu ao questionamento.

Apesar de as parcelas não estarem sendo pagas, a receita obtida com a venda de ingressos dos jogos em Itaquera segue sendo reservada para quitar o parcelamento.