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Por que a eleição corintiana caminha para uma disputa na Justiça?

Perrone

A Comissão Eleitoral do Corinthians se reúne nesta terça para discutir uma decisão em relação ao imbróglio que marca o período eleitoral no clube. Até a última segunda, foram entregues três requerimentos pedindo a retirada da lista de eleitores de sócios inadimplentes que regularizaram suas situações com um inesperado desconto oferecido pela diretoria.

Qualquer que seja a resolução, o pleito, marcado para 3 de fevereiro, caminha para uma disputa na Justiça. A confusão começou quando foi feito o anúncio do desconto de 50% na taxa de regularização dos títulos, na última sexta. O estatuto alvinegro proíbe todo tipo de anistia aos inadimplentes a partir de 12 meses antes da votação.

Parte dos conselheiros e candidatos de oposição aponta que o desconto é uma anistia parcial. A situação diz que ela só se configura com o perdão total da dívida.

Nesse cenário, opositores afirmam que, se não forem atendidos,  irão à Justiça. Lá pedirão que os beneficiados com a promoção não sejam considerados aptos a votar. E que esses votos sejam contabilizados de maneira separada para aguardar a decisão judicial. A situação é semelhante à vivida pelo Vasco, que em sua última eleição teve os votos de sócios que nunca teriam quitado suas mensalidades depositados em uma só urna por decisão da Justiça.

Mas os opositores também avaliam que, se seus pedidos forem aceitos pela a comissão eleitoral, há grande risco de os associados favorecidos tentarem resolver a questão nos tribunais. Nesse caso, eles alegariam que pagaram para regularizar suas situações com a expectativa de ajudar a escolher o próximo presidente corintiano. O anúncio da promoção no site do clube, no entanto, não mencionou o direito a voto.

Existe ainda um terceiro grupo que pode ir à Justiça. Ele é formado pelos sócios que pagaram o valor cheio para regularizar seus títulos. Nesse caso, sustentariam que perderam dinheiro com a decisão repentina da diretoria de dar o desconto.

Apuração

Ao todo, quatro pedidos foram protocolados na comissão. Além dos três pedindo à exclusão da lista de votantes de quem aproveitou a promoção, outro foi protocolado por Romeu Tuma Júnior. Um dos candidatos de oposição à presidência, ele solicita que sejam apresentados os comprovantes de que as receitas referentes aos acertos entraram nos cofres corintianos. O cartola também quer que seja identificado quem pagou para cada inadimplente. Isso porque são muitas as reclamações de que sócios tiveram seus pagamentos bancados por candidatos à presidência ou ao conselho. Tuma Júnior alega ter farto material comprobatório sobre essa situação. O candidato está entre os autores dos requerimentos para vetar o voto dos que surfaram no desconto.

Paulo Garcia, possível postulante à presidência, já confirmou ter quitado taxas para associados. O estatuto do Corinthians é omisso em relação à essa situação.

O Movimento Corinthians Grande, do candidato a presidente Felipe Ezabella, também pediu a suspensão do direito a voto dos associados beneficiários da promoção. Os presidenciáveis Antonio Roque Citadini, de oposição, e Andrés Sanchez, situacionista, não apresentaram requerimentos contra o voto desses sócios.

Outro dos pedidos foi do grupo oposicionista Resgata Corinthians. Nesta terça, a Inteligência Corintiana, também de oposição, deve formalizar pedido semelhante. O grupo está entre os que estudam ir à Justiça, desde que não tenha sucesso nas instâncias internas.

Miguel Marques e Silva, presidente da Comissão Eleitoral, disse ao blog que a reunião do órgão nesta segunda decidiu apenas temas burocráticos da eleição. A análise dos pedidos, segundo ele, foi deixada para esta terça.