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Rejeição a Andrés valoriza Paulo Garcia e contratação de impacto

Perrone

Em 2009, Andrés Sanchez foi reeleito presidente do Corinthians com 1.029 votos de vantagem sobre o segundo colocado, Paulo Garcia. Neste sábado (3), ele voltou à presidência do clube contabilizando o apoio de 401 eleitores a mais do que Garcia, de novo quem ficou mais perto do líder. Além disso, a soma de votantes do vice-lider com os do  terceiro colocado (Antonio Roque Citadini) é maior do que a votação do novo comandante do clube. Esse cenário, somado à nova composição do conselho, com o crescimento da oposição, força os situacionistas a buscarem acordos com adversários.

Não foi por acaso que em sua primeira entrevista após retomar o poder o petista falou da necessidade de pacificar o clube, prometendo adotar bons projetos de outros candidatos. Assim, abriu caminho para novas alianças.

Neste momento, o apoio mais cobiçado, conforme apurou o blog, é o de Garcia. O dono da Kalunga tem bom relacionamento com Andrés. Foi o maior doador da campanha dele a deputado federal. Também emplacou aliados na gestão de Roberto de Andrade. Seus dois candidatos a vice vieram da antiga diretoria: Flávio Adauto (futebol) e Emerson Piovezan (finanças). Paulo é irmão do empresário de jogadores Fernando Garcia, ex-conselheiro corintiano e amigo de Andrés.

Essas afinidades facilitam a aproximação, mas é preciso convencer o grupo de Garcia de que vale embarcar numa gestão que começa o mandato com forte rejeição, sem o apoio de 66,1% dos eleitores. Um atrativo é oferecer apoio na próxima eleição, promessa difícil de ser cumprida por conta do desejo de antigos aliados de Sanchez de sentarem na cadeira mais sedutora do Parque São Jorge.

Pelo histórico de divergências, uma composição com o terceiro colocado na eleição é menos provável. Porém, durante a campanha, Luis Paulo Rosenberg admitiu ao blog que tenta unir Sanchez e Citadini. Rosenberg deve assumir o marketing do ''Timão'', como ele gosta de se referir ao Corinthians.

Na mesma entrevista ao blog, Rosenberg elogiou Felipe Ezabella, quarto colocado no pleito. Ex-integrande do grupo de Andrés, porém, ele criticou duramente as gestões do movimento Renovação e Transparência, o que, em tese, dificulta uma união.

Para ter uma vida mais tranquila na presidência, Andrés ainda terá de reconquistar o apoio de parte da torcida, que um dia já foi quase unanimemente a seu favor. A demonstração da repulsa de uma ala dos torcedores foi vista logo após a vitória do deputado federal. Fãs do time que conseguiram entrar no clube chegaram a jogar cerveja no vencedor, que precisou se refugiar num banheiro e sair escondido do Parque São Jorge.

Pelo menos a maioria que hostilizou Andrés dentro do local de votação, não usava camisas de torcidas organizadas, mas entoava músicas cantadas por elas. ''Ladrão, devolve o Coringão pro povão'', foi um dos cânticos. O refrão ofensivo dá a senha para Andrés amenizar a ira: uma política de controle de preço dos ingressos nos setores mais populares da arena.

Na oposição, a expectativa é de que a partir de segunda-feira Andrés comece a colocar em prática um pacote de ações em busca de maior governabilidade e popularidade. Uma das medidas, apostam os opositores, é a contratação de reforço impactante com a ajuda de um dos empresários com quem o novo presidente mantém boa relação. Reforços de peso fazem parte do currículo do dirigente, responsável por Ronaldo e Roberto Carlos vestirem a camisa corintiana. Também são historicamente eficientes calmantes para torcedores agitados.