Blog do Perrone

Arquivo : Defensa Y Justicia

Opinião: técnico Ceni trata mal a realidade como nos tempos de goleiro
Comentários Comente

Perrone

Do goleiro Rogério Ceni em abril de 1999 ao responder sobre sua atuação, após falhar nos dois gols do Barcelona  em vitória por 2 a 0 sobre a seleção brasileira:

“Acho que fiz uma boa partida, mas por dois lances isolados ninguém percebeu isso. As bolas poderiam ter escapado das minhas mãos e algum dos zagueiros ter tirado de cabeça. Mas infelizmente saíram dois gols. Foi uma boa atuação e se não tivessem saído dois gols teria sido uma das melhores atuações de um goleiro nos últimos tempos pela seleção”.

 Do técnico Rogério Ceni, em maio de 2017, ao responder se a eliminação do São Paulo na Copa Sul-Americana, diante do modesto Defensa y Justicia, após empate em um gol no Morumbi foi um vexame:

“Não acho que foi vexame… Conseguimos sair na frente. Numa desatenção, com a linha totalmente posicionada, a bola sem querer sobra para o jogador que vem de trás e ele acerta um belo chute… Não foi um dos piores jogos (do time sob seu comando)”.

Do goleiro Rogério Ceni em 2001, ao ser questionado por este bolgueiro, então repórter da “Folha de S.Paulo”, sobre se ele entendia que tinha falhado em gols do Flamengo numa das partidas finais da Copa dos Campeões, vencida pelo adversário:

“Acho sua pergunta ridícula”.

Do técnico Rogério Ceni, em 2017, também depois da eliminação contra o Defensa Y Justicia após um repórter falar que os treinos fechados dificultam a percepção da imprensa:

“De vez em quando, nem quando é aberto vocês (jornalistas) têm a percepção”.

Os exemplos acima mostram, na opinião deste blogueiro, como o técnico Rogério demonstra a mesma dificuldade de lidar publicamente com a realidade que tinha nos tempos de goleiro.

A entrevista depois do jogo com os argentinos, que gerou críticas ao treinador no Morumbi, está recheada de demonstrações de como Ceni em momentos difíceis fala de uma realidade que a maioria das pessoas não vê. Como quando disse que o São Paulo bateu na trave na semifinal do Paulista contra o Corinthians. Perder o primeiro jogo por 2 a 0 em casa e empatar o segundo (1 a 1) é bater na trave? Se o São Paulo tivesse sido eliminado nos pênaltis, então, teria sido “gol”?

Se o treinador não se preocupa com o que a opinião pública pensa de sua realidade particular, deveria avaliar o que os atletas acham dela. Discurso tão distante do mundo real pode pegar mal junto ao elenco e fazer as palavras do comandante perderem força nos ouvidos dos comandados.


Ceni é mais criticado por entrevista do que por desempenho do time
Comentários Comente

Perrone

O dia seguinte à eliminação do São Paulo na Copa Sul-Americana diante do Defensa Y Justicia, na última quinta (11), foi marcado mais por críticas internas a Rogério Ceni por sua entrevista depois do jogo do que pela atuação da equipe. A maior parte das queixas vem de conselheiros. Ao blog, sem gravar entrevista, um dirigente do clube também se queixou das palavras o treinador e classificou as respostas como infelizes.

A reclamação central é de que o ex-goleiro não teria assumido que a equipe jogou mal. Outra queixa é de que usou números para tentar disfarçar o fraco desempenho. Na opinião dos críticos, Ceni tem crédito para seguir no comando do time, mas precisa se expressar de maneira mais realista.

Durante a entrevista, o treinador afirmou, por exemplo, que o aproveitamento da equipe sob seu comando é de 59%, o que não pode ser considerado ruim se comparado ao Brasileiro. Só que o torneio nacional é disputado por equipes em sua maioria teoricamente mais fortes do que as do Estadual. Disse também que não foi a pior partida da São Paulo no ano.

Pelo menos até agora, as críticas ao discurso do treinador não são acompanhadas de pedidos por sua demissão.

A cúpula tricolor blinda o técnico e não dá sinais de fritura. O entendimento é de que o importante nesse momento é apoiar Ceni demonstrando confiança no seu trabalho.

A Independente, principal organizada são-paulina, escreveu em sua conta no Twitter mensagem de apoio ao técnico: “fechado com o Mito”. E direcionou sua revolta para os atletas: “os jogadores do São Paulo estão contra a reforma trabalhista. Ninguém quer trabalhar”.

“Certamente, o Rogério deve ter mais tempo do que qualquer outro técnico teria. Estou confiante de que vamos melhorar”, disse ao blog José Eduardo Mesquita Pimenta, candidato de oposição derrotado na última eleição para a presidência e atualmente membro do Conselho de Administração do São Paulo.

 


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>