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Santos usa "haters" para explicar contrato polêmico com criminalistas

Perrone

11/08/2019 09h53

Num dos trechos polêmicos de seu relatório sobre as contas do Santos no primeiro trimestre deste ano, o Conselho Fiscal do clube questiona contrato de um ano feito com escritório de advocacia da área criminalista para atuar de forma preventiva. De acordo com o documento, a diretoria justificou a contratação alegando haver crescimento no número de "haters" agindo contra cartolas e funcionários nas redes sociais.

O órgão argumenta que por não considerar comum uma entidade esportiva contratar um escritório criminalista por um ano para atuar preventivamente, com pagamentos mensais, questionou o departamento jurídico do clube.

"A informação recebida foi a de que houve um crescente aumento de ofensas, sobretudo via redes sociais, a membros do CG (Comitê de Gestão) e a funcionários do clube, demandando muitas ações, optando-se por contratar um escritório fixo para barateamento dos custos", diz o documento.

O Conselho Fiscal entende que o padrão é o clube contratar defensores na esfera criminal pontualmente, conforme houver a necessidade de ações na Justiça.

O órgão também afirma que está aguardando relatório do departamento jurídico com detalhes sobre os casos defendidos pelo escritório, que também atua nas ações que já existiam.

Não há no parecer o valor pago mensalmente ao escritório Malavasi Sociedade de Advogados, contratado em janeiro para prestar "serviços jurídicos na esfera criminal, de consultoria preventiva, extrajudicial, administrativa na defesa do contratante (Santos), e de seus prepostos e funcionários".

Atualização

O blog tentou ouvir a diretoria do Santos sobre o tema, mas não obteve resposta. Porém, de acordo com fonte próxima a José Carlos Peres, além dos "haters", pesou para a contratação o fato de existirem dois inquéritos policiais envolvendo a base de sócios do clube. A avaliação foi de que no lugar de contratar um escritório para cuidar só desses dois casos, ficaria mais barato fazer um acordo mensal pelo qual os advogados ficam responsáveis também por outros assuntos.

Um dos inquéritos citados é relativo a, segundo a diretoria, estornos indevidos em faturas de sócios realizados com a senha de funcionário do clube. O outro se refere a lançamentos considerados indevidos no cartão de crédito dos sócios, envolvendo a RedeGol, antiga parceira do clube no programa Sócio Rei. Gente próxima ao presidente do Santos diz estranhar o fato de o caso da Redegol não ser citado no relatório do Conselho Fiscal.

Conforme mostrou o blog, o relatório do Conselho Fiscal também detalha aluguéis de carros para jogadores e o presidente do Santos, José Carlos Peres, além de comissões pagas em contratações.

 

Sobre o Autor

Ricardo Perrone é formado em jornalismo pela PUC-SP, em 1991, cobriu como enviado quatro Copas do Mundo, entre 2006 e 2018. Iniciou a carreira nas redações dos jornais Gazeta de Pinheiros e A Gazeta Esportiva, além de atuar como repórter esportivo da Rádio ABC, de Santo André. De 1993 a 1997, foi repórter da Folha Ribeirão, de onde saiu para trabalhar na editoria de esporte do jornal Notícias Populares. Em 2000, transferiu-se para a Folha de S.Paulo. Foi repórter da editoria de esporte e editor da coluna Painel FC. Entre maio de 2009 e agosto de 2010 foi um dos editores da Revista Placar.

Sobre o Blog

Prioriza a informação que está longe do alcance das câmeras e microfones. Busca antecipar discussões e decisões tomadas por dirigentes, empresários, jogadores e políticos envolvidos com o futebol brasileiro.

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