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Arquivo : Carlos Arthur Nuzman

Seis questões que precisam ser explicadas no ‘caso Nuzman’
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No documento em que pediu a prisão temporária de Carlos Arthur Nuzman e de Leonardo Gryner, o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro aponta uma série de questões que precisam ser explicadas pelos acusados de participar de compra de votos africanos para o Rio sediar os Jogos Olímpicos de 2016, entre outras irregularidades. O blog não conseguiu localizar os defensores dos dirigentes, que negam o ato de corrupção.

Abaixo, leia os principais pontos que precisam ser esclarecidos pelo agora presidente licenciado do COB (Comitê Olímpico Brasileiro) e do Comitê Organizador da Rio-2016 e pelo ex-diretor de operações do órgão responsável pela Olimpíada no Brasil.

1 – Por que Papa Diack, filho do presidente da Federação Internacional de Atletismo mandou e-mails para o COB cobrando depósito de US$ 450 mil?

Nuzman e Gryner não admitem o pagamento de propina para membros africanos do COI (Comitê Olímpico Internacional) votarem no Rio como sede dos Jogos de 2016. Porém, e-mails obtidos pelo Ministério Público Federal mostram que Papa cobrou US$ 450 mil como complemento de um acordo entre as partes e cita “nosso comprometimento em Copenhague”, local da votação que escolheu a sede olímpica. Em depoimento, Gryner afirmou que conversou com Papa sobre a realização de eventos da Federação Internacional de Atletismo no Brasil, mas nenhum chegou a ser realizado. Só que a troca de e-mails dá a entender que parte do pagamento foi feita. Se não houve competição organizada pela entidade internacional de atletismo em terras brasileiras após a negociação, por que o dinheiro foi dado?  Por que Papa cobrou o depósito em conta pessoal, mas não da Federação Internacional de Atletismo? Segundo a acusação, foram pagos US$ 2 milhões pelos votos por empresa de Arthur Soares, que fechou vários contratos para obras no Rio.

2 – Por que prestadora de serviços para o Comitê Organizador da Rio-2016  fez pagamentos para a entidade?

Planilha apreendida no COB mostra que diversos contratos foram firmados entre a empresa Massan Serviços Especializados e o Comitê Organizador dos Jogos no Rio. Eram trabalhos de hospitalidade, alimentação, limpeza, manutenção predial, instalação de caixas em lanchonetes e de segurança em áreas específicas. Na planilha há espaços para a identificação do processo de escolha da contratada, mas todos estão em branco. Também chamou a atenção dos procuradores o fato de a Massan ter feito depósitos para o comitê. Foram pagos R$ 180,3 mil. “Ocorre que a contratada deveria receber valores, não efetuar pagamentos”, diz o MPF em trecho do pedido de prisão temporária de Nuzman e Gryner. O documento registra ainda que é necessário aprofundar as investigações sobre esses pagamentos.

3 – Por que o Comitê Organizador da Rio-2016 aceitou receber de volta 30% a menos do que pagou por reservas em hotel que não foi construído?

A LSH Barra Empreendimentos Imobiliários recebeu do comitê cerca de R$ 3,8 milhões a título de reservas no Trump Hotel, que seria inaugurado a tempo de ser usado na Olimpíada. Porém, o hotel não ficou pronto e a entidade presidida por Nuzman aceitou dar um desconto de 30% na dívida, além de não cobrar multa da parceira. Documento sobre a devolução do dinheiro diz que o desconto tem o objetivo de acelerar o recebimento do montante. O argumento, no entanto, não convenceu os procuradores. A LSH tem como um de seus sócios Arthur Soares, que segundo o MPF lucrou irregularmente com obras no Rio tendo a ajuda do ex-governador Sérgio Cabral.

4 – Como Nuzman enriqueceu?

De acordo com relatório conseguido pelo Ministério Público Federal a partir da quebra de sigilo fiscal de Nuzman, o dirigente dobrou seu patrimônio em 2014. Naquele ano, houve aumento de aproximadamente R$ 4,2 milhões, sendo que R$ 3,8 milhões são referentes a ações de companhia sediada nas Ilhas Virgens Britânicas, famoso paraíso fiscal. Segundo o documento, as declarações de renda do cartola não registram remuneração recebida por meio do COB ou do Comitê Organizador da Rio-2016. Os ganhos são justificados por Nuzman com recebimentos de pessoas físicas e do exterior, porém não há explicações sobre quem o remunerou, conforme dizem os procuradores.

5 – Por que barras de ouro só foram declaradas após operação da Polícia Federal?

O Ministério Público Federal afirma que Nuzman só retificou sua declaração de imposto de renda para informar possuir 16 barras de ouro de um quilo cada na Suíça depois de apreensão de documentos em sua casa que poderiam servir como mapa para encontrar o tesouro secreto. Para o MPF, a correção foi feita por que o cartola sabia que seus pertences apreendidos poderiam levar até ouro. Assim, tentou legalizar as valiosas barras. Mas os procuradores apontam que na retificação não foram registrados ganhos que justificassem a reluzente aquisição.

6 – Por que Nuzman paga parte considerável de suas contas em dinheiro?

Segundo o MPF, documentos apreendidos na casa do dirigente mostram que grande parte de suas contas é paga em espécie. Os procuradores classificam o hábito como um “engendro característico do sistema de lavagem de capitais”.

 


Falta de movimento para afastar Nuzman ajudou em pedido de prisão
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A falta de reação do COB e das federações de esportes olímpicos às investigações em torno de Carlos Arthur Nuzman estão entre os motivos que fizeram com que o Ministério Público Federal do Rio pedisse a prisão temporária do dirigente. No entender dos procuradores, o não afastamento do cartola gerou o risco de que ele pudesse destruir provas. Além disso, foi contestado o fato de o dirigente ainda poder administrar verbas públicas repassadas pelo Ministério do Esporte ao COB.

“De mais a mais, ainda cumpre destacar que, a despeito de toda a investigação que já foi tornada pública, bem como as cautelares já cumpridas, não houve nenhuma movimentação no sentido de afastar Carlos Nuzman e Leonardo Gryner (diretor geral de operações da Rio-16) de suas funções junto ao Comitê Olímpico Brasileiro. Assim, ambos continuam gerindo contratos firmados pelo COB, mediante uso de dinheiro público, além de pleno acesso a documentos e informações probatórias”, diz trecho do pedido de prisão temporária.

Ao contrário do que se podia imaginar, a revelação das acusações contra Nuzman, também presidente do Comitê Organizador da Rio-16, antes de sua prisão, não geraram movimentos de dirigentes e atletas por seu afastamento. Ele seguiu normalmente nos cargos.

Apesar de usarem o fato de a dupla não ter sido afastada para pedir a prisão, os procuradores afirmam que o mero afastamento não serviria para garantir a ordem pública e a integridade das provas por causa da influência construída por eles no meio durante décadas.

Nuzman é acusado de participar da compra de votos africanos para o Rio sediar a Olimpíada de 2016, integrando organização criminosa que seria ligada ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral, também preso. O grupo vinculado ao político teria o interesse de lucrar com obras olímpicas. O presidente do COB também é acusado de tentar ocultar bens, como 16 barras de ouro de um quilo cada, guardadas na Suíça. De acordo com o Ministério Público, elas só foram declaradas após o avanço das investigações.


Governo vai usar até patrocinadores estatais para cobrar transparência de Nuzman
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 Reeleito para mais um mandato no COB, Carlos Arthur Nuzman agora enfrentará uma cobrança maior do Governo Federal por transparência e resultados esportivos.

A ordem em Brasília é usar o poder financeiro para pressionar o cartola. Como principal financiador do esporte olímpico e parceiro na Olimpíada do Rio, o Governo Federal quer ser mais ouvido pelo dirigente.

Além do Ministério do Esporte, as empresas estatais que patrocinam o esporte olímpico brasileiro têm sinal verde para cobrar Nuzman. Correios, Banco do Brasil (empresa de capital misto), Infraero e Caixa são exemplos de patrocinadores que injetam dinheiro público nas modalidades olímpicas.

A postura mais dura não vale só para Nuzman, mas também para os presidentes das confederações patrocinadas com verbas enviadas por Brasília.

Além de transparência e melhor desempenho técnico, há uma cruzada colocar para brecar reeleições como as do presidente do COB e do Comitê Rio-16.

Se o projeto for levado a sério pelas autoridades federais, Nuzman também terá que mudar radicalmente sua postura na hora de se defender de eventuais denúncias. Explicações rasas como as dadas no episódio da espionagem nos Jogos de Londres não combinam com quem direta ou indiretamente lida com dinheiro público.


Desafeto de Nuzman ameaça ir à Justiça para concorrer à presidência do COB
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Uma ação na Justiça pode ofuscar a votação em que Carlos Arthur Nuzman planeja se reeleger presidente do COB nesta sexta.

Eric Maleson, presidente da CBDG (Confederação Brasileira de Desportos no Gelo) ameaça ir à Justiça tentar uma liminar que obrigue o COB a aceitar sua candidatura. A chapa do desafeto de Nuzman foi impugnada sob a alegação de ferir o regimento interno, que exigia o apoio de dez confederações.

“Acontece que esse regimento interno é como cabeça de bacalhau, ninguém nunca viu. E minha candidatura está de acordo com o estatuto do COB”, disse Maleson ao blog.

Ontem à noite ele ainda estudava se iria à Justiça. “Acontece que está difícil achar um advogado que queira brigar com o Nuzman. Já consultei uns dez, mas ninguém quis. Todos têm medo”, afirmou o dirigente.

Com ou sem ação, a eleição já não será como planejava Nuzman. Ele sonhou com uma reeleição sem contestação. Ficou difícil após o escândalo de espionagem nos Jogos de Londres envolvendo funcionários do Comitê Rio-16 e da acusação com direito a vídeo contra gente do COB de arrombamento da CBDG.


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