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CBF diz que pagou por seu CT na Copa-14 e agora briga na Justiça
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Apesar de ser a proprietária da Granja Comary, a CBF sustenta que pagou vultuosa quantia para a Match Serviços de Eventos a fim de reservar o CT da própria confederação para a seleção brasileira utilizar no Mundial de 2014. A entidade alega que o combinado era receber todo o dinheiro investido de maneira desnecessária de volta, mas que a parceira ainda deve uma parte, por isso acionou a Justiça. Por sua vez, a empresa afirma que contratou o espaço usando seu procedimento padrão na Copa. Declara ainda ter pago para a confederação integralmente a quantia ajustada, logo, nada deve.

O imbróglio está detalhado em pedido de notificação judicial enviada pela CBF para a Match cobrando o ressarcimento de R$ 323.136. No documento, o confederação confirma que não precisava dos serviços de nenhuma empresa para reservar seu CT. “Apesar disso a Fifa solicitou que a CBF assinasse com a Match o contrato de Team Base Camp Hotel Agreement (acordo que todos os países assinaram referente às suas instalações no Brasil), sob o argumento de que a utilização dos serviços da Match seria para manter o mesmo tratamento isonômico em relação a todas as seleções participantes do torneio, especialmente porque o Brasil era o país anfitrião da competição”, diz trecho do pedido feito à Justiça.

Os advogados da confederação, no entanto, sustentam que ficou acordado que a Match devolveria integralmente o valor pago pela CBF para reservar seu centro de treinamento. E declaram à Justiça que a empresa devolveu R$ 979.200 divididos em quatro parcelas entre junho e agosto de 2014. “Contudo, em levantamento realizado pela CBF, apurou-se que o valor total efetivamente pago pela CBF para a Match foi 30% maior do que o valor que a Match ressarciu para a CBF em desacordo com o compromisso firmado entre as partes”, alegam os advogados da confederação no documento judicial. A empresa, no entanto, discorda dessas contas.

No dia  18 de julho, os defensores da CBF assinaram pedido de notificação judicial para que a Match devolvesse em dez dias o dinheiro que estaria faltando e ficasse ciente da intenção da entidade presidia por Marco Polo Del Nero de tomar as “medidas judiciais cabíveis”, caso não recebesse o montante no prazo estipulado. Em 5 de setembro, a empresa recebeu o documento.

“Em tese, o prazo já teria corrido. Agora vamos avaliar alguma medida com o cliente (CBF). Fizemos duas notificações extrajudiciais e não obtivemos resposta. Então, enviamos uma notificação judicial”, disse ao blog na última sexta Rodrigo Darbilly, um dos advogados da CBF no caso.

Já a empresa respondeu ao blog por meio de e-mail assinado por Imran Patel como representante da Match Services. Leia abaixo, na íntegra, a resposta na qual a companhia diz nada dever para a CBF.

“A Granja Comary foi contratada pela Match como um centro de treinamento de acordo com nossos procedimentos contratuais padrão. Todos os valores devidos para a Granja Comary pela Match foram pagos integralmente de acordo com acordos firmados entre Match e CBF. Ao contrário do que é alegado pela CBF, podemos confirmar que não há valores pendentes devidos à CBF. No que diz respeito aos contratos de acomodação de centro de treinamento para a equipe, os processos contratuais e os termos da Match foram os mesmos para todas as 32 equipes participantes da Copa do Mundo da Fifa 2014 e não houve termos ou acordos especiais feitos com a CBF que fossem diferentes ou especiais.”

Procurada para falar sobre o assunto, a diretoria de comunicação da confederação não atendeu ao blog até a publicação deste post.


Justiça quer ouvir CBF antes de decidir sobre liminar para afastar direção
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A Justiça do Rio de Janeiro quer ouvir a defesa da CBF antes de decidir sobre o pedido de afastamento da diretoria da entidade feito pelo Ministério Público em caráter liminar (até que o caso chegue ao final). Em decisão publicada no último dia 22, o Juizado Especial do Torcedor deu dez dias para a confederação se manifestar. Porém, não está especificado quando começa a contar o prazo.

A liminar foi pedida pelo promotor Rodrigo Terra para quem a CBF desrespeitou a Lei Pelé ao marcar assembleia em março sem convocar os clubes para mudar o peso dos votos nas eleições da entidade. Na ocasião, ficou decidido que o voto das federações passam a ter peso três. Para os clubes da Série A do Brasileiro foi dado peso dois e peso um para os integrantes da Série B.

Antes, votos de entidades estaduais e times da primeira divisão tinham peso igual. Os clubes da Série B não votavam. Com a mudança, a CBF manteve o poder de decisão concentrado nas federações, apesar de incluir mais times no colégio eleitoral.

Terra contesta a decisão da Justiça e diz não haver previsão legal para a exigência de que a confederação seja ouvida antes da análise do pedido de liminar. Porém, o promotor não irá recorrer, o que atrasaria a decisão.

Ao pedir o afastamento de Marco Polo Del Nero e seus diretores, ele pede também que seja nomeado um interventor para dirigir a confederação. O promotor também que o afastamento definitivo da diretoria e a anulação dos efeitos da reunião.

Por sua vez, a CBF alega que a convocação e a realização da assembleia contestada seguiram todas as exigências legais.

 


Dirigentes temem que uso de árbitro de vídeo às pressas seja fracasso
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A CBF é criticada por dirigentes de clubes que consideram sem planejamento a decisão de implantar rapidamente o árbitro de vídeo no Brasileirão. Os que pensam assim acreditam que a correria possa fazer com que a novidade se transforme em fracasso.

Uma das principais cobranças é para que o novo sistema só seja implementado se puder ser usado em todos os jogos de cada rodada do Campeonato Brasileiro. Em entrevista, Marcos Marinho, presidente da comissão de arbitragem da confederação, admitiu que algumas partidas podem ficar sem o recurso por falta de estrutura dos estádios. Esse é um dos pontos criticados.

Porém, cartola ouvido pelo blog afirmou que Marco Polo Del Nero, presidente da CBF, assegurou a dirigentes de clubes que a ajuda das imagens de TV só começará a valer quando todos os jogos puderem contar com esse método. A afirmação, de acordo com o mesmo dirigente, foi feita em reunião na sede da confederação, nesta terça, para tratar da venda de direitos de transmissão do Brasileirão para o exterior. Indagado pelo blog por volta das 20h  se Del Nero de fato fez tal promessa, o departamento de comunicação da entidade informou que não conseguiria checar a informação à noite.

Na avaliação de parte dos dirigentes de times da Série A, CBF teve tempo para implantar o árbitro de vídeo desde o início do Brasileirão. Porém, não conseguiu viabilizar o projeto. E agora, mesmo sem ter tudo pronto, decidiu lançar a novidade por causa do barulho feito pelo erro de arbitragem que culminou com o gol de braço de Jô na vitória corintiana por 1 a 0 sobre o Vasco no último domingo.

“Sinto que é necessário. Mas não deveria ser decidido em cima de uma jogada que originou o gol do Jô. Fica a impressão de que estavam esperando uma polêmica e que não é uma posição estudada, pensada. Por que não iniciar no Brasileiro do ano que vem?”, afirmou ao blog Flávio Adauto, diretor de futebol do  Corinthians.

Depois do erro no jogo em Itaquera, Del Nero pediu para que o departamento de arbitragem tentasse estrear nas próximas rodadas o sistema que ainda estava em estudo. Não há definição de quando isso será possível.

“Defendemos o uso do árbitro de vídeo, mas de um jeito benfeito, em todos os jogos”, disse Modesto Roma Júnior, presidente do Santos.

Outra preocupação é se os responsáveis por operar o sistema já estão aptos a atuar de maneira eficiente. “Sou a favor caso possamos implantar com segurança e caso todos os envolvidos estejam treinados para que o instrumento não caia em descrédito”, declarou Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo. Ele não vê problemas em o recurso ser usado no segundo jogo da final da Copa do Brasil entre seu clube e o Cruzeiro e também em relação ao novo sistema começar a valer no Brasileirão depois que muitos clubes foram prejudicados sem poder recorrer às imagens de TV.

“O Flamengo foi prejudicado contra Santos e Palmeiras e beneficiado contra o Corinthians. Sempre é hora de começar qualquer coisa, desde que seja para melhorar”, analisou o flamenguista.

Raciocínio semelhante tem o presidente do Santos. “Não é porque você começou errando que precisa errar até o final”, disse Modesto.

Vinícius Pinotti, diretor executivo de futebol do São Paulo defende a implantação do sistema e também não vê problemas no fato de os vídeos começarem a ser usados durante o campeonato.  Mas é contra a tecnologia não ser utilizada em algumas das partidas de cada rodada. “Importante termos em todos os jogos, sem dúvida nenhuma”, comentou o são-paulino.

 

 


Promotor vê manobra ardilosa da CBF para reduzir poder de clubes
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Para o promotor Rodrigo Terra, do Ministério Público do Rio, a CBF adotou “manobra ardilosa para reduzir o poder de participação dos clubes e consequentemente dos torcedores na gestão do desporto”. A afirmação está escrita na ação civil pública proposta por ele contra a confederação. Por meio dela, o MP pede a anulação da assembleia feita em março sem a presença das agremiações. A reunião deu peso maior de voto para as federações na eleição presidencial da entidade. Também é solicitado, primeiro liminarmente e depois definitivamente, o afastamento de todos os diretores. Um interventor seria nomeado pela Justiça para conduzir novas eleições. A CBF nega irregularidades.

Terra também quer que a entidade presidida por Marco Polo Del Nero seja condenada a pagar R$ 100 mil para compensar dano moral coletivo sofrido por torcedores consumidores. O dinheiro seria repassado ao fundo de reconstituição de bens lesados.

Em outro trecho da ação, revelada pelo UOL, Terra declara que “foi violando o princípio da transparência e da boa-fé que a entidade ré realizou assembleia, que sem contar com o colégio eleitoral obrigatório (faltaram os clubes), sequer convocado, viabilizou a perpetuação da atual direção no poder”.

Na ocasião, a CBF convocou apenas as federações alegando se tratar de reunião administrativa. Porém, alterou as regras eleitorais dando peso três para os votos das entidades estaduais, dois para os dos times da Série A e um para os das equipes da segunda divisão. Antes só votavam federações e clubes da elite.

Golpe

Pelo novo formato, as federações passam a ter 80 votos contra 60 dos clubes. De acordo com o promotor, a manobra impede a alternância de poder na confederação, já que os clubes jamais serão maioria diante das federações. Ele lembra que as entidades estaduais têm histórico de atender aos desejos da CBF.

Segundo Terra, a manobra foi “um verdadeiro golpe na transparência e na boa fé, que devem animar a atuação dos fornecedores de serviço”, no caso a confederação.

Ele também rebate argumento apresentado pela confederação durante o inquérito alegando que o fato de os clubes não terem questionado formalmente o procedimento de convocação e as mudanças estatutárias prova que não houve irregularidade. Os protestos foram apenas verbais. Para o promotor, é irrelevante existir ou não questionamento sobre a lisura da assembleia.

A ação teve origem em representação do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) sobre o tema.

Autonomia da CBF

O membro do MP ainda sustenta que sua ação não fere a autonomia de uma entidade privada. “Não há autonomia para a prática de ilegalidade”, escreveu ele. Terra também explica que pretende anular um ato que feriu o Estatuto do Torcedor, o Código de Defesa do Consumidor, a Lei Pelé e a Constituição. O objetivo é fazer valer a participação do consumidor (torcedor) na gestão do esporte por meio dos clubes ao qual são associados. Toda sua argumentação leva em conta que a CBF é prestadora de serviços e que os torcedores são consumidores. Assim, o Ministério Público está no seu papel de regular essa relação.

Outro lado

Por sua vez, a confederação emitiu nota nesta segunda na qual dizia reafirmar sua absoluta convicção de que a convocação e as decisões tomadas na assembleia obedeceram a todos os procedimentos previstos em lei. “Opinião avalizada por pareceres de alguns dos juristas mais importantes deste país”. Disse ainda reiterar sua tranquilidade em relação à tramitação do processo e à decisão do poder judiciário. Até então, a entidade não tinha sido notificada sobre a ação.


Deputados cartolas fazem projeto de lei contra veto a times caloteiros
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Projeto de lei de autoria de deputados cartolas, entre outros, prevê que para disputar competições nacionais os clubes não precisarão mais apresentar documentos que combatiam clubes com dívidas fiscais e salariais. Ele determina o fim da exigência de CND (Certidão Negativa de Débitos), certificado de regularidade do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) e comprovação do pagamento das remunerações dos atletas.

Assinam a proposta como autores Vicente Cândido (PT-SP), diretor de assuntos internacionais da CBF, Marcus Vicente (PP-ES), vice-presidente da CBF, Andrés Sanchez (PT-SP), ex-presidente do Corinthians, José Rocha (PR-BA) e Rogério Marinho (PSDB-RN). Os dois últimos têm bom trânsito entre os dirigentes.

As medidas contra times caloteiros foram incluídas em 2015 no Estatuto do Torcedor por meio da lei 13.155, conhecida como Profut, o programa que refinanciou os débitos fiscais dos clubes. Porém, a exigência começa a valer a partir do ano que vem.

A apresentação do novo projeto aconteceu no último dia 28. Agora ele aguarda despacho do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) para seguir seu curso.

“Cinco deputados assinam o projeto, mas é uma iniciativa de clubes, federações e da CBF. Houve muito debate para chegarmos a essa conclusão. Não poder disputar as competições sem as certidões é uma punição muito rígida. O clube não vai poder jogar nenhuma divisão e terá que fechar as portas. É o mesmo que obrigar um empresário que tem dívidas a encerrar as atividades de sua empresa”, afirmou Cândido ao blog.

O argumento é semelhante ao usado na justificativa do projeto. “Lá atrás, eu defendia até a perda de pontos, mas evoluímos para esse modelo depois de muito debate e vendo o que é feito em outros países. O que é conquistado dentro de campo deve prevalecer”, completou o deputado e diretor da CBF.

Outra justificativa é que a lei fere a autonomia das entidades esportivas para definirem os critérios de organização das suas competições. Há uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) que discute a constitucionalidade da exigência.

Apesar de o texto do projeto excluir o trecho que falava da obrigatoriedade de comprovação de pagamento de remunerações dos atletas em dia, Cândido declarou não se lembrar de esta determinação ser excluída na mudança. Já o deputado José Rocha afirmou que precisa fazer uma consulta, pois não se lembrava de ter assinado o projeto.

A mesma proposta pede mudanças na legislação que deixarão mais claros os critérios de definição de clube formador, que são os que têm direito ao mecanismo de solidariedade da Fifa, responsável por reservar 5% dos valores envolvidos nas vendas de jogadores às agremiações envolvidas em sua formação.


Ex-poderoso da Globo volta a se reunir com clubes na CBF, mas nega projeto
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Em reunião de clubes da Série A do Brasileiro na última segunda na CBF chamou atenção a presença de Marcelo Campos Pinto, ex-poderoso executivo da Globo, que era responsável pela negociação de direitos de transmissão de jogos.

A participação dele foi vista por parte dos presentes como uma demonstração de que o ex-diretor da Globo Esportes voltou a ter influência na Confederação Brasileira. Houve até quem entendesse que ele participaria do projeto de comercialização das transmissões para fora do país, mas Marcelo negou ao blog existir essa possiblidade.

Campos Pinto deixou a emissora em novembro de 2015. Na ocasião, a Globo afirmou que ele iria se aposentar, desvinculando a mudança das investigações feitas pelo FBI envolvendo, entre outros temas, a venda de direitos de transmissão de partidas.

 Ao blog, o ex-funcionário da maior emissora do país negou que tenha voltado à ativa no ramo de transmissões no futebol brasileiro. “Conheço um pessoal que está trabalhando com produção (em transmissões) e me pediu para apresentar (à CBF). Só fui lá para acompanhar esse pessoal, não estou participando de projeto nenhum de transmissões de jogos. Até cheguei na reunião depois do começo”, declarou Campos Pinto.

O principal objetivo do encontro foi discutir a comercialização das transmissões do Campeonato Brasileiro para o mercado internacional. Sem revelar o nome de quem apresentou para a CBF, Marcelo disse que são pessoas que falaram sobre como padronizar as transmissões para o exterior em nível europeu.

Indagado sobre a participação de Campos Pinto, o departamento de comunicação da CBF respondeu que ele apenas compartilhou experiências, negando o envolvimento dele na venda de direitos. Afirmou ainda que um consultor internacional também esteve presente falando de sua experiência na Europa.

Segundo a CBF, não há negociação em andamento, existindo apenas um debate sobre o projeto de internacionalização do futebol brasileiro.

De acordo com um dos presentes, o ex-diretor da Globo falou da importância de os clubes valorizarem os direitos de transmissão pela Internet e apresentou dados sobre o aumento de audiência na rede mundial de computadores.


Opinião: Clubes confirmam desunião com movimento enfraquecido contra CBF
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Marco Polo Del Nero deve ter soltado rojões na última sexta ao saber que apenas seis clubes compareceram à reunião em São Paulo para discutir o que fazer diante da mudança no estatuto da CBF. A alteração deu peso maior ao voto das federações em relação às agremiações, sem que os times fossem convocados para a assembleia responsável pela decisão.

Nem os paulistas apareceram no encontro, apesar de São Paulo ter sido escolhida justamente para tentar atrair os quatro grandes do Estado.

Com o baixo quórum, os dirigentes comprovaram a fama de desunidos e ainda escolheram partir para um campo de batalha no qual a confederação se sente à vontade: o Congresso Nacional.

Como mostrou o blog do Rodrigo Mattos, Flamengo, Fluminense, Bahia, Atlético-PR, Coritiba e Atlético-MG, foram os únicos a comparecer à reunião em São Paulo. Eles decidiram consultar parlamentares com quem têm proximidade para saber se a CBF descumpriu a Lei Pelé ao convocar a assembleia de mudança do estatuto sem a presença dos clubes.

Responderam com tiro de chumbinho ao disparo de canhão da CBF. E ainda escolheram instalar sua trincheira num local em que a confederação está acostumada a se articular e sair ilesa. Três CPIs estão aí para provar.

Pelo menos os seis decidiram agir. Tiveram postura melhor do que a dos que não foram e nem mandaram representantes, principalmente os paulistas. O santista Modesto Roma Júnior trabalhou na articulação de uma reunião para discutir o tema, mas estava na Europa no dia escolhido. O são-paulino Leco, candidato à reeleição, explica que tinha compromissos de campanha. O palmeirense Maurício Gagliotte não respondeu ao blog sobre a ausência por meio de sua assessoria de imprensa até a publicação deste post. E o corintiano Roberto de Andrade não foi localizado.

Seja qual for a explicação, os cartolas dos principais clubes paulistas terão de conviver com a desconfiança de que não apareceram porque estão alinhados com Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da FPF e que já foi aceito por eles como líder em outra disputa, com a Conmebol.

Esvaziando o movimento criado para tentar encarar a CBF, os paulistas simbolizam a desunião dos clubes brasileiros, criticada por alguns cartolas, como Romildo Bolzan, do Grêmio.

Enquanto os clubes demonstram cada vez mais fragilidade, a única medida prática foi tomada por Otávio Leite (PSDB-RJ). O deputado pede que o Ministério Público tome medidas para anular a assembleia da CBF. Ele sustenta que o Profut, projeto do qual foi relator, fez alteração na Lei Pelé que obriga a confederação a convocar os times da primeira e da segunda divisão para suas assembleias.

O Profut, aliás, deu poder de voto às equipes da Série B. Antes só os clubes da elite votavam e seus votos tinham o mesmo peso das federações, maioria no colégio eleitoral. Para manter o domínio das entidades estaduais, a CBF deu peso três ao voto delas, dois ao dos times da Série A e um ao das equipes da segunda divisão. Del Nero apostou na desunião dos clubes e ganhou mais uma.

 


Opinião: ajuda ao São Paulo e golpe em clubes mostram cartolas mais ousados
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Passado o susto da operação do FBI que atingiu duramente Fifa e CBF, além de outras confederações, os cartolas brasileiros demonstram estar mais ousados após um período de timidez.

Marco Polo Del Nero, presidente da CBF, e Reinaldo Carneiro Bastos, comandante da Federação Paulista, são provas disso.

Del Nero deu uma banana para os clubes, descumpriu a promessa de ampliar a participação deles na confederação, feita quando estava mais acuado pela caçada do FBI a dirigentes. Fez uma reunião sem chamar as agremiações e aumentou o peso dos votos das federações, mantendo o poder na mão delas.

 Agora, o cartola vê o Ministério Público ser acionado pelo deputado federal Otávio Leite (PSDB-RJ), que tenta anular a assembleia responsável por dar peso três aos votos das entidades estaduais, dois aos dos clubes da Série A e um aos da série B na eleição da CBF. Antes só votavam membros da Série A e federações com o mesmo peso, mas a nova legislação obrigou a entrada dos integrantes da segunda divisão no colégio eleitoral, que diminuiria a força das instituições estaduais. Relator do Profut, o parlamentar alega que a não convocação dos representantes dos times para a reunião é ilegal.

Parecendo querer competir com o colega, Reinaldo roubou os holofotes ao permitir dois jogos do São Paulo como mandante no Morumbi diante do Linense pelas quartas de final do Campeonato Paulista. É claro o desrespeito ao equilíbrio da competição e o favorecimento ao clube do Morumbi, apesar de o time do interior ter feito questão de jogar duas vezes como visitante alegando não ter estrutura para receber a partida e estar de olho numa arrecadação maior. O mais deprimente nesse caso é a reação favorável de  parcela da torcida são-paulina. Exemplo do condenável sentimento de que “a meu favor tudo vale”.

Com a afronta à lisura do certame, o presidente da FPF joga na lata do lixo sua tentativa de se vender como um cartola reciclado. Após anos como vice de Del Nero, ele assumiu a entidade promovendo mudanças, contratando profissionais que teriam a missão de modernizar a federação. Fez um esforço para tentar convencer a todos de que não era mais um dinossauro engravatado no futebol brasileiro. Porém, na canetada benéfica ao São Paulo, Reinaldo destroçou a campanha por uma imagem diferenciada. Comprovou ser mais do mesmo e que a FPF ainda exala um cheiro de embrulhar o estômago.

O golpe duplo no fio de esperança de novos tempos no futebol brasileiro indica que, apesar do FBI, tudo continuará igual. Se no campo as coisas forem bem, caso da seleção de Tite, a cartolagem age como se ninguém enxergasse suas atitudes retrógradas e antiéticas. Sempre foi assim e não há tira que dê jeito.


Cartolas tentam união contra CBF, mas são vistos com descrença por colegas
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Dirigentes dos principais clubes do país batem cabeça na tentativa de reagir à mudança estatutária na CBF que reduziu o poder de voto deles diante das federações.

Parte dos cartolas tenta marcar reunião para decidir uma postura coletiva contra Marco Polo Del Nero, mas é vista com descrença por outros colegas. Os descrentes não enxergam capacidade de união na classe, além de entenderem que não há como fazer a entidade voltar atrás na decisão que deu peso três aos votos das federações, dois aos dos times da Série A e um aos da B. Isso sem convocar as equipes para a assembleia que definiu a alteração.

O ato foi irregular, segundo o deputado federal Otávio Leite (PSDB), porque, de acordo com sua interpretação, a Lei Pelé obriga a convocação das agremiações para as assembleias da confederação presidida por Del Nero.

No grupo de dirigentes que tentam combinar uma estratégia também existem divergências. Elas estão basicamente concentradas entre entrar com uma ação na Justiça para anular a assembleia ou fazer pressão política para tentar minar o presidente da CBF. A segunda opção é a preferida pelos que defendem uma postura firme, mas não acreditam em mudança pela via judicial.

Flamengo e Santos estão entre os clubes que tentam marcar um encontro de dirigentes para discutir o assunto. Atlético-MG e Grêmio fazem parte dos que não acreditam na capacidade dos clubes de se unirem a fim de tentar mudar a situação, embora estejam indignados com a CBF.

O gremista Romildo Bolzan Júnior, descontente com o fato de os clubes não terem sido chamados para a assembleia, avalia que era previsível que Del Nero fosse tentar mudar o estatuto para manter as federações com mais poder, mas acredita que os dirigentes não se mobilizaram para tentar impedir a manobra. Agora é tarde, na opinião dele. “Esta conversa de mudança estava correndo havia mais de um ano. Mas nós (clubes) não soubemos reagir. Antes de reclamarmos precisamos identificar nossos defeitos”, declarou Bolzan ao blog.

Para o presidente do Grêmio, mais do que uma ação pontual contra a CBF, sua classe precisa mudar a cultura de desunião que já resultou na implosão do Clube dos 13 e causou praticamente o mesmo na Primeira Liga.

Enquanto os dirigentes não se acertam, Otávio Leite, relator do Profut, lei que refinanciou a dívida fiscal dos clubes e alterou a Lei Pelé dando poder de voto na CBF também aos times da Série B, estuda como ir à Justiça para anular a assembleia. Antes da alteração na legislação só votavam times da primeira divisão e entidades estaduais, todos tinham o mesmo peso. Porém, as federações estavam em maior número no colégio eleitoral, o que assegurava mais poder a elas.


Del Nero explica, e candidato de oposição “aceita” Leco na seleção
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Com Dassler Marques e Gustavo Franceschini, do UOL, em São Paulo

Marco Polo Del Nero tomou providências para tentar impedir que a escolha de Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, como chefe da delegação da seleção brasileira nas partidas contra Uruguai e Paraguai virasse munição da oposição na disputa eleitoral no São Paulo.

O presidente da CBF conversou com José Eduardo Mesquita Pimenta, candidato oposicionista à presidência do clube no pleito marcado para abril, e explicou os motivos que o levaram a convidar o mandatário tricolor em plena campanha para a reeleição. “A escolha não tem nada a ver com política. Fazia tempo que eu queria convidar o Leco, por merecimento. Isso foi pensado antes da campanha eleitoral. Até falei com o Pimenta e expliquei isso. Ele entendeu”, disse Del Nero ao ser indagado pelo blog sobre o assunto após entrevista coletiva do técnico Tite nesta sexta.

A oposição tem acusado Leco de usar a máquina do clube para fazer campanha, o que o dirigente nega. Mas, pelo tom adotado por Pimenta, não deve questionar se houve uma manobra de Leco para ganhar holofotes, mostrar ao eleitorado prestígio junto à CBF e posar como engenheiro da reconstrução do relacionamento entre São Paulo e confederação, turbulento na era Juvenal Juvêncio.

Além da indicação de seu presidente, o clube tricolor terá um treino da seleção em seu CT antes do jogo com o Paraguai, no próximo dia 28, na arena alvinegra. A equipe de Tite também treinará no CT do Corinthians, que terá seu estádio usado na partida.

A assessoria de imprensa de Pimenta confirmou a conversa entre Del Nero e o candidato, que entendeu que a CBF convida quem quer e que o assunto não tem influência na política são-paulina.