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Arquivo : Conselho Deliberativo

Conselho corintiano quer decidir sobre problemas na arena em setembro
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Após dificuldade inicial, o escritório Cláudio Cunha Engenharia Consultiva conseguiu entregar a auditora que fez sobre a Arena Corinthians para a diretoria. Agora, a comissão de conselheiros que analisa a situação do estádio espera receber o documento das mãos do presidente Roberto de Andrade nesta semana.

Já há até previsão para o grupo apresentar seu trabalho sobre o tema ao Conselho Deliberativo. O presidente do órgão e integrante da comissão de analista, Guilherme Gonçalves Strenger promete marcar essa apresentação para a primeira quinzena de setembro.

O grupo vai opinar se a Odebrecht cumpriu ou não o contrato com o clube. Ou seja, se fez tudo que se comprometeu a fazer na arena. Já há outra auditoria, do escritório de advocacia Molina & Reis que aponta R$ 200 milhões em obras não feitas ou que precisam ser refeitas. A construtora nega ter cometido falhas.

A comissão também pretende indicar uma solução para o impasse, que deve ser colocada em votação pelo Conselho Deliberativo. Se a provada, a recomendação será enviada ao presidente do clube. Não acatar a decisão do conselho seria para Andrade comprar uma grande briga no final do seu mandato com possíveis reflexos na eleição de seu sucessor.

Já existe uma corrente na comissão de estudos que defende que o conflito com a Odebrecht via câmara de arbitragem.


Conselho do Palmeiras fará sindicância sobre comissão para agente errado
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Com José Edgar de Matos, do UOL, em São Paulo

O Conselho Deliberativo do Palmeiras vai abrir sindicância para apurar possíveis responsabilidades de dirigentes no caso envolvendo o pagamento de comissão pelo volante Wesley. A operação feita em 2012, durante a gestão de Arnaldo Tirone, foi parar na Justiça com o clube acusado de não pagar os valores devidos a um agente envolvido no negócio. Em sua defesa, os cartolas alviverdes alegaram ter pago o empresário errado. 

Na ocasião, o alviverde pagou R$ 1,3 milhão de comissão a Maickel Portela, que seria representante daempresa MKT Brasil. Porém, neste mês, a Justiça determinou que o clube pagasse a mesma quantia para Renee Pinheiro, que se apresentou como dono da empresa e alegou que o dinheiro nunca foi pago para ela. Ou seja, o Alviverde teria feito o acerto com o empresário errado.

Ao blog, Tirone afirmou que o Palmeiras tratou do caso com o agente que tinha autorização do Werder Bremen (time vendedor) e que o clube deve mesmo fazer uma apuração para esclarecer os fatos. O ex-presidente disse ainda que também está apurando o episódio e que, se o clube pagou a quem não devia, o recebedor precisa devolver o dinheiro. Leia a entrevista com ele no fim do post.

A derrota na Justiça incomodou conselheiros especialmente porque o juiz Gustavo de Carvalho afirmou não ser minimamente crível que um clube como o Palmeiras pudesse agir de maneira tão “amadora” no tocante a uma de suas atividades mais corriqueiras, a contratação de jogadores. Ele afirma ainda que não há elementos nos autos que indiquem que Portela, “se é que recebeu algo”, agiu em nome da empresa.

Indignados, membros da nova oposição palmeirense, formada por conselheiros que tentaram barrar a candidatura de Leila Pereira a uma cadeira no Conselho Deliberativo, alegando irregularidade na candidatura, passaram a cobrar a abertura de sindicância sobre o caso.

“Já pedi ao departamento jurídico que me apresente todos os documentos referentes a essa situação. Assim que eu receber, vou formar a comissão de sindicância. Ela vai apurar o que aconteceu e apresentar sua decisão ao Conselho Deliberativo, que vai decidir o que fazer”, disse ao blog Seraphim Carlos Del Grande, presidente do órgão.

Entre as medidas que podem ser tomadas, estão punições a quem for considerado culpado pelo prejuízo ao Palmeiras e pedido de ressarcimento de dinheiro na Justiça.

Abaixo, leia entrevista feita por troca de mensagens pelo celular com Tirone sobre o assunto.

Blog – Qual a sua opinião sobre a decisão do presidente do Conselho de abrir sindicância para apurar o motivo para o Palmeiras pagar o empresário errado na compra de Wesley?

Arnaldo Tirone – Não tenho nada contra a abertura de sindicância para apurar os fatos. Muito pelo contrário, uma apuração aprofundada e realizada com isenção vai esclarecer todos os pontos. O Palmeiras deve apurar, sim, esses fatos.

Blog – O que o senhor achou da decisão do Juiz obrigando o Palmeiras a pagar de novo a comissão e dizendo não ser crível o pagamento errado?

Tirone – Ainda não tenho visão integral do processo e por isso não consigo dizer em que contexto essa frase foi dita. Já pedi para o meu advogado levantar integralmente o processo e, quando eu tiver essa visão, vou poder me manifestar. Também estou levantando informações com todos os que estiveram diretamente ligados a essa contratação. O fato é que o Palmeiras tratou com o empresário que tinha autorização do Werder Bremen para negociar o Wesley.

Blog – O que aconteceu para o pagamento ser feito ao agente errado?

Tirone – Como já te disse, estou apurando para não cometer injustiças. Mas o fato para mim é muito simples: se o Palmeiras pagou a quem não devia, quem recebeu tem que pagar para o Palmeiras.

 


Conselho votará se autoriza Corinthians a aumentar prazo de financiamento
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Novo acordo encaminhado pela diretoria do Corinthians com a Caixa para prorrogar o financiamento de R$ 400 milhões para bancar parte da arena corintiana gera polêmica no clube e deverá ser analisado pelo Conselho Deliberativo.

Guilherme Gonçalves Strenger, presidente do órgão, fez um aditivo na convocação da reunião do próximo dia 30 para que os conselheiros aprovem ou não o trato que prorroga de 12 para 20 anos o prazo de pagamento da dívida com a Caixa, intermediária do empréstimo feito pelo BNDES. A reengenharia financeira aumentará o débito por causa dos juros. Segundo o jornal “O Estado de S.Paulo”, o montante passaria de R$ 1,6 bilhão para R$ 2 bilhões. Emerson Piovezan, diretor financeiro corintiano, discorda desse cálculo, mas não fala sobre os novos valores. O pagamento mensal deve cair de cerca de R$ 5 milhões para aproximadamente R$ 3 milhões.

Além de avaliarem que o acordo apalavrado, mas ainda não formalizado segundo Piovezan, pode ser lesivo aos cofres alvinegros, conselheiros protestam contra o fato de a dívida invadir novas gestões. O Profut, lei que refinanciou débitos fiscais dos clubes permite o comprometimento de receitas futuras em até 30% da arrecadação do primeiro ano da administração seguinte ou para a diminuição do endividamento. Em outros casos, o comprometimento é considerado gestão temerária. O Corinthians aderiu ao Profut.

“Pelo estatuto, o aditamento no contrato não teria obrigatoriamente que passar pelo conselho, mas pela relevância do tema e por quanto ele pode impactar nas finanças do clube, concluí que precisamos analisar o acordo e autorizar ou não sua assinatura. Considero o estatuto omisso nesse caso (sobre a necessidade de aprovação dos conselheiros). Em casos omissos, cabe ao presidente do conselho decidir”, afirmou Strenger ao blog.

Por sua vez, Piovezan disse que não poderia comentar modificação no contrato já que ela ainda não está formalizada.

Segundo Strenger, estatutariamente, a diretoria tem a obrigação de aprovar a mudança contratual no Cori (Conselho de Orientação).

Inicialmente, o tema central da reunião de 30 de janeiro seria a análise das contas de 2016.


Corinthians terá auditoria interna sobre arena
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O Conselho Deliberativo do Corinthians vai criar uma comissāo para fazer auditoria interna relativa à arena do clube.

O grupo de trabalho vai checar se a Odebrecht cumpriu o contrato com o alvinegro, verificar a situação da dívida pela construção e sugerir soluções, como acionar a construtora na Justiça, se for o caso.

Inicialmente,  Guilherme Gonçalves Strenger, presidente do órgāo, pretendia esperar até o final de janeiro para que a auditoria encomendada pelo clube fosse concluída. Caso ela nāo terminasse ou seu resultado fosse insatisfatório, ele criaria a comissāo de auditoria.

Porém, o dirigente disse ao blog que resolveu nāo esperar e já está decidido a montar o grupo, que começa a ser estruturado.

“Vou presidir a comissão, que pode ter mais sete ou oito pessoas. Serāo conselheiros especialistas em engenharia, nas áreas jurídica, financeira, contábil e todas que envolverem arena”, disse Strenger ao blog.

A decisāo de reunir conselheiros que sejam profissionais especializados em áreas relativas ao tema é baseada em relatório da comissāo que foi criada para acompanhar a auditoria feita por uma empresa contratada pelo Corinthians.

O trabalho dos conselheiros concluiu que a relação entre clube e Odebrecht é desigual, pois a construtora conta com profissionais especializados, e o Corinthians nāo.

“Tenho a impressāo de que o contrato nāo foi cumprido, mas vamos fazer uma análise profunda com especialistas. Vamos pedir todos os documentos. Como já ouvi a Odebrecht dizer que nāo pode entregar vários por conta de cláusulas de confidencialidade, a comisssāo poderá pedir (por meio do clube) essa documentação na Justiça”, afirmou o presidente do Conselho.

 


Lula corre risco de perder cargo de conselheiro do Corinthians por faltas
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O ex-presdiente da República Luiz Inácio Lula da Silva pode perder o cargo de conselheiro vitalício do Corinthians. Isso porque a Comissão de Ética e Disciplina do Conselho Deliberativo do clube vai analisar a situação de todos os membros do órgão que faltaram mais do que o permitido e checar quem não apresentou as devidas justificativas. Desde que foi indicado por Alberto Dualib para o cargo em 2003, quando presidia o país, Lula nunca compareceu às reuniões.

O estatuto alvinegro diz que o conselheiro vitalício pode perder seu cargo por abandono caso falte a cinco reuniões consecutivas ou a dez alternadas sem justificativas.

Guilherme Gonçalves Strenger, presidente do Conselho Deliberativo, confirmou ao blog que Lula não compareceu a nenhum encontro, mas disse que não tinha em mãos os dados para saber quantas ausências não foram justificadas. Na última sexta, Strenger enviou relatório sobre a frequência de todos os conselheiros para a Comissão de Ética decidir quem deve ser afastado por excesso de faltas. O grupo deve se reunir na próxima semana para começar a discutir o assunto. A pena de perda do cargo de conselheiro vitalício só poderá ser imposta pela comissão após instauração de processo com direito de defesa, cabendo recurso no plenário do Conselho Deliberativo.

Procurada pelo blog, a assessoria de imprensa do Instituto Lula primeiro disse ter a informação de que o ex-presidente não faz parte do conselho corintiano e de que talvez tenha havido algum cargo de honra concedido a ele. Diante da informação do blog de que o nome de Lula aparece no site oficial do clube como conselheiro vitalício a resposta foi a seguinte:

“Na nossa concepção o cargo foi concedido como uma distinção honorífica. O ex-presidente não participa das deliberações do clube, o Conselho Deliberativo é um órgão específico que inclui a possibilidade de participação dos conselheiros vitalícios do clube, um título que foi concedido ao ex-presidente sem que ele o tenha requerido. Lula é um torcedor do Corinthians, não um dirigente do clube. Entendemos que a postagem com Lula esquenta a sua história, costuma dar capa do UOL e muitos cliques, mas de fato é um mero factoide. É do jornalismo “manchetar” e da internet atrair cliques. Faz parte”.

Este blogueiro, então, respondeu discordar da opinião, já que existe um caso concreto sendo analisado pelo comitê de ética, há um estatuto que dita os deveres dos conselheiros e não é estabelecida diferença entre as obrigações de Lula e as dos demais vitalícios. Apesar de pessoalmente entender ser muito difícil o ex-presidente da República comparecer às reuniões de um clube, mais ainda durante o período em que era presidente, a avaliação é de que isso não anula a notícia.

O afastamento de Lula é um antigo pedido de pequena ala do conselho que defende a exclusão de todos os conselheiros que não comparecem às reuniões. Não se trata de uma queixa direcionada apenas ao ex-presidente.

Lula virou figura emblemática no clube desde que ajudou a convencer a Odebrecht a construir o estádio corintiano.


Presidente de conselho pede para Aidar mostrar contrato com namorada
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O presidente do Conselho Deliberativo do São Paulo solicitou formalmente que Carlos Miguel Aidar entregue a ele uma cópia do contrato que assinou com sua namorada, Cinira Maturana.

Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, que preside o conselho tricolor, quer examinar o documento para saber se Aidar feriu o estatuto são-paulino ao firmar  acordo que prevê 20% de comissão para a namorada nos negócios que ela levar para o clube.

Leco também pretende explicar o teor do documento aos membros do conselho na primeira reunião do órgão, no início de fevereiro. Até a tarde desta terça, no entanto, Aidar não havia entregue o contrato. Não há previsão estatutária de punição para o presidente caso ele não atenda ao pedido feito no último dia 22.

Em recente entrevista coletiva, Aidar afirmou que Cinira ainda não fez jus a remunerações e que ela não apresentará mais negócios ao clube.


São Paulo descarta investigar mordomia de conselheiros criticada por Aidar
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Em reunião na última segunda-feira, o Conselho Deliberativo do São Paulo rechaçou a criação de uma comissão de sindicância para investigar as benesses dadas aos conselheiros do clube durante a gestão de Juvenal Juvêncio, segundo Carlos Miguel Aidar. As supostas mordomias foram criticadas pelo atual presidente em entrevista para a Folha de S. Paulo, em setembro.

A investigação foi pedida por um conselheiro e colocada em votação, mas a maioria decidiu que ela não deve acontecer. Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, presidente do órgão, ainda tentou evitar que o assunto fosse votado.

“Ponderei que não era necessária [a comissão de sindicância]. Não vamos fazer do São Paulo um inferno com essa discussão. E não há o que ser investigado porque não houve ilicitude. São maneiras de administrar o clube. Historicamente, os conselheiros recebem ingressos e são convidados para viajar com o time, isso é normal. Mas quem pediu a sindicância insistiu que o tema fosse votado. De cerca de 170 conselheiros, só 10 ou 12 votaram a favor [da investigação]”, disse Leco ao blog. Ele não quis revelar o nome do conselheiro que propôs a medida.

Na entrevista para a Folha de S.Paulo, além de criticar viagens pagas a conselheiros, Aidar afirmou que vendeu 20 carros que eram usados por diretores com direito a motorista. Juvenal Juvêncio contesta a informação. Afirma que os veículos faziam parte de contrato com um patrocinador e foram devolvidos porque o acordo acabou.

De fato, administrações anteriores também presenteavam conselheiros com passagem e estadia para acompanhar o time, principalmente na Libertadores.


Novo empréstimo para arena aumenta atrito entre Andrés e direção corintiana
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Neste sábado, o Conselho Deliberativo do Corinthians autorizou um novo empréstimo de até R$ 350 milhões para cobrir as despesas com a construção de seu estádio. A reunião agravou a crise entre Andrés Sanchez e a atual diretoria alvinegra.

O presidente do clube, Mário Gobbi,  só chegou à arena corintiana, local do encontro, depois que ele tinha acabado. E o diretor financeiro Raul Correa da Silva não apareceu. Andrés não perdoou. Discursou repudiando a ausência do diretor financeiro e de pessoas que antes se mostravam preocupadas com o empréstimo.

Raul e Gobbi fizeram questão de que a operação fosse avaliada pelos conselheiros, apesar de o estatuto não fazer essa exigência. Andrés queria que apenas o Cori, Conselho de Orientação, aprovasse o futuro empréstimo, como manda o estatuto.

Mas para Gobbi e Raul, o montante em questão exigia o aval dos conselheiros. Na reunião, porém, Andrés, responsável pelo estádio, minimizou a operação. Disse que o novo financiamento será em nome da Odebrecht, não do clube. Portanto, não existiria motivo para preocupação dos membros do conselho.

Dirigentes graúdos do Corinthians discordam do ex-presidente. Alegam que, mesmo com o financiamento em nome da construtora, por contrato o clube terá que pagar o empréstimo.  Assim, o assunto merece a atenção do conselho.

Para conselheiros que participaram da reunião, as ausências de Gobbi e Raul foram sinais de divergência entre eles e Andrés. Mas o presidente alegou que não chegou a tempo porque participou de uma missa celebrada pelo padre Marcelo Rossi no Parque São Jorge, fato que rendeu críticas ao cartola. Por sua vez, Raul afirmou a dirigentes do clube que não participou da reunião porque viajou a trabalho para o exterior. Andrés não fala com o blog, por isso pôde ser ouvido.

A aprovação do empréstimo aconteceu em clima de festa, com conselheiros encantados na nova arena e elogiando o churrasco oferecido a eles. Aliados de Andrés se vangloriavam de o Corinthians ter um estádio novinho em folha sem colocar a mão no bolso até agora. O argumento gera mais discordâncias entre “andresistas” e aliados de Gobbi, em guerra faz tempo. O discurso na cúpula alvinegra é de que afirmações como essa fazem com que o Corinthians seja alvo de comentários dos rivais sobre ter recebido a arena de presente, sendo que terá que pagar por ela.

 


Conselho corintiano está no ‘escuro’ para votar novo empréstimo para arena
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Até a publicação deste post, os conselheiros do Corinthians não haviam tido acesso a documentos ou detalhes sobre o novo aumento no valor do contrato para a construção do estádio alvinegro. E nem a respeito do financiamento de até R$ 350 milhões que o clube deve fazer justamente para cobrir despesas com a obra.

O caso preocupa porque, no sábado, o Conselho Deliberativo se reúne no estádio para decidir se autoriza o empréstimo. Provavelmente não será possível estudar o assunto com antecedência.

Conselheiros incomodados com a falta de informações gostariam de ler o contrato do novo financiamento para conhecer, principalmente, os juros e as garantias a serem dadas pelo Corinthians.

“Tudo vai ser feito na hora. Porque o empréstimo ainda foi feito, não tem nada concretizado. Basicamente, acredito que as garantias devem ser as mesmas que já foram dadas porque o que já foi dado supera o valor tomado pela construtora na época”, disse Ademir Carvalho Benedito, presidente do Conselho Deliberativo do clube.

Mas a queixa não é em relação só à documentação dessa operação. A insatisfação é referente a praticamente tudo que envolve o estádio. Cinco conselheiros da oposição e três da situação afirmaram ao blog que só Andrés Sanchez, diretor responsável pelo o estádio,  sabe o que acontece em Itaquera. Eles não têm acesso a documentos e detalhes. Só são informados por meio de explicações dadas por Andrés, esporadicamente, no Conselho Deliberativo, mas sem a apresentação da papelada que justifique os gastos, por exemplo.

Por isso, o projeto da arena é chamado de caixa-preta pelos descontentes. Eles também, querem explicações palpáveis sobre o estouro no orçamento. Antes de a abertura da Copa entrar nos planos, o projeto da diretoria era ter um estádio que custasse R$ 350 mil. Depois o preço pulou para R$ 820 mil e agora já supera R$ 1 bilhão.

Se já existem reclamações pela falta de informações, a situação poderia ser pior não fosse o presidente Mário Gobbi ter batido o pé para fazer a reunião do próximo sábado. Ele agiu na contramão de Andrés, que pensava em pedir autorização apenas para o Cori (Conselho de Orientação). O estatuto não diz que o novo empréstimo precisa da aprovação do Conselho Deliberativo.

Para aliados de Gobbi, o presidente quis dar uma satisfação aos conselheiros e mostrar que Andrés não pode decidir tudo sozinho, como se fosse dono da arena. Mas, entre opositores há a tese de que Mário pode estar interessado apenas em dividir a responsabilidade com o Conselho Deliberativo.

A reunião fez com que um dos principais grupos de oposição se reunisse na noite desta quarta para estudar o que fazer em relação ao empréstimo. Essa ala tem entre seus líderes Antonio Roque Citadini, ex-vice-presidente de futebol, Fran Papaiordanou, um dos vice-presidentes da Federação Paulista, e Paulo Garcia, que já foi candidato à presidência corintiana. A tendência é de que a maior parte desse grupo não compareça à reunião de sábado, ignorando o assunto por falta de informações e deixando a responsabilidade para Gobbi e Andrés.

Também nesta quarta, o conselheiro Romeu Tuma Júnior fez campanha em sua contra no Facebook contra a aprovação do empréstimo. Pela maioria que a situação tem no Conselho Deliberativo, é quase impossível o financiamento não ser aprovado.

Andrés não fala com o blog, por isso não foi ouvido sobre o tema.

Reprodução de página de Romeu Tuma Júnior no Facebook

Reprodução de página de Romeu Tuma Júnior no Facebook


Santos dobra segurança em reunião de caça a ‘culpados’ na venda de Neymar
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Em meio a ameaças de agressão e de protestos do lado de fora da Vila Belmiro, o Conselho Deliberativo do Santos faz nesta quarta uma reunião para lavar a roupa suja que sobrou da venda de Neymar. O desejo de parte expressiva dos conselheiros é caçar cartolas que eles consideram culpados por um mal negócio para o clube. Por isso, prometem um bombardeio de perguntas sobre a venda.

Por causa da tensão, a segurança será dobrada e a Polícia Militar já foi chamada para ajudar a proteger os cartolas na entrada e na saída, pois torcedores prometem protestar na rua.

Segundo Paulo Schiff, presidente do Conselho Deliberativo, dez seguranças trabalharão nesta noite na Vila Belmiro, o que significa o dobro do número de profissionais usados normalmente. Além deles, dois carros da Polícia Militar são aguardados. A PM não costuma ser chamada.

Depois da goleada por 5 a 1 aplicada sobre o Corinthians, torcedores tentaram agredir o presidente  em exercício, Odílio Rodrigues, juntamente com outros cartolas. Os vândalos se diziam revoltados com as últimas informações sobre a venda de Neymar, reveladas após a Justiça espanhola passar a tratar do caso. Odílio tem sofrido ameaças e a polícia investiga suspeitos.

“É um momento violento, mas não só no Santos. A sociedade está violenta. Então, é melhor prevenir do que remediar”, afirmou Schiff sobre a segurança reforçada.

O principal alvo de críticas dos conselheiros, Luis Alvaro de Oliveira Ribeiro, o Laor, não estará presente. Ele não foi convocado por estar de licença médica.

“É melhor ele aparecer mesmo licenciado. Se não for à reunião, vai segurar a batata quente sozinho já que os outros estarão lá para dar suas versões”, disse Celso Leite, conselheiro que já votou em Laor, mas hoje está na oposição.

Luis Alvaro não foi localizado para falar sobre o assunto, mas interlocutores do cartola alegam que ele foi proibido por médicos de comparecer a reuniões do conselho.

Os conselheiros querem saber do presidente afastado por qual motivo ele não revelou que tinha assinado um documento em 2009, antes do Mundial de Clubes, autorizando Neymar a negociar com times interessados.

Outro desejo de membros do Conselho é de que o contrato da venda do atacante seja exibido para todos eles, o que não deve acontecer, ao menos nesta quarta. Vagner Lombardi, integrante da Associação Movimento Resgate Santista, já havia pedido formalmente para ler o contrato logo depois da venda, mas não foi atendido. A Resgate votou na atual diretoria, mas passou a divergir e criticar a administração

Lombardi está entre os que defendem a tese de que os dirigentes respondam com seus bens, caso fique comprovado que o Santos foi prejudicado. A suspeita acontece desde que a Justiça espanhola levantou a hipótese de o Barça ter mascarado a compra dos direitos econômicos do atacante ao dar 40 milhões de euros para a empresa dos pais do craque. Nesse cenário, descartado pelo pai do jogador, Santos (55%), DIS (40%), empresa do Grupo Sonda, e Teisa (5%), que tem entre seus integrantes conselheiros santistas, teriam sido lesados por não receberem suas partes. O clube recebeu 17,1 milhões de euros para dividir com os parceiros.

Nesta terça, a direção santista divulgou no site do clube que entrou na Justiça para tentar obrigar a empresa dos pais do jogador a mostrar os documentos de sua negociação com o Barça, eliminando um dos pontos que seriam cobrados no Conselho.

No encontro desta noite, a Comissão Fiscal do clube dará sua opinião sobre a transação. Odílio e integrantes e ex-membros do Comitê de Gestão também devem dar explicações.

Os principais críticos da negociação prometem ir à Justiça para exigir do Santos a exibição do contrato de venda se não ficarem satisfeitos com o que ouvirem na reunião. O resultado do encontro também servirá para eles analisarem se existem motivos para irem à justiça contra os dirigentes.

Veja abaixo questões que os conselheiros esperam ser respondidas sobre a venda de Neymar:

1 – A diretoria vai exibir o contrato na íntegra para quem quiser ler?

2 – Por qual motivo Laor não informou que havia dado autorização em 2009 para Neymar negociar com outros clubes?

3 – Os demais membros do Comitê de Gestão sabiam da autorização?

4  – Por que Laor não reclamou publicamente das exigências do pai de Neymar no exato momento em que elas foram feitas?