Blog do Perrone

Arquivo : julho 2014

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Nova era Dunga começa com alfinetadas em Felipão e sombra de Gallo
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A nova era Dunga começou com alfinetadas em Felipão durante a primeira entrevista coletiva do novo técnico da seleção, nesta terça. Como quando foi dito que o jogador precisa sempre brigar por sua convocação. Ou seja, não vai mais existir família, grupo fechado com um ano de antecedência. Se bem que Dunga também já teve sua patota.

Outro cutucão em Felipão, válido para Parreira, aconteceu quando Dunga disse que ”não podemos achar que vamos ganhar a Copa antes de ela acontecer”. Na fase que antecedeu o Mundial de 2014, Felipão pintou o Brasil como favorito. Parreira, ao ser indagado se havia chegado a Teresópolis a seleção hexacampeã, afirmou que sim.

Porém, o menos sutil dos trancos foi dado quando Dunga respondeu se também se reuniria com jornalistas para ouvir as opiniões deles, como fez Felipão em Teresópolis.    “As conversas têm que ser assim, para todo mundo ouvir”, disse o novo técnico do time nacional.

Logo que ele respondeu, José Maria Marin balançou a cabeça como quem concorda. Dessa forma, o presidente da CBF confirmou o que já se sabia: ele não gostou de Scolari se reunir na Granja Comary com um grupo de seis jornalistas com quem se dá bem, depois do jogo com o Chile.

No mais, nenhuma demonstração durante a entrevista de que o futebol brasileiro começa a passar por uma profunda reformulação. Até agora, a grande mudança é a mesa da CBF ter ficado maior nessas ocasiões. Se Felipão costumava aparecer ao lado de Marin e Marco Polo Del Nero, que vai assumir a CBF em abril de 2015, mais gente cercou Dunga. O coordenador Gilmar Rinaldi e Alexandre Gallo, responsável pelas categorias de base, também estavam lá.

Gallo foi confirmado como técnico da seleção olímpica. Cargo equivalente ao de sombra do treinador do time principal. Um dos desafios de Dunga agora será não entrar em parafuso se desconfiar de uma conspiração para que Alexandre assuma seu posto no Mundial de 2018. E quem pode ter certeza de que isso nunca ocorrerá? Qual será o desejo de Del Nero se o Brasil ganhar o ouro olímpico no Rio e se a seleção principal estiver tropeçando?


Para voltar à CBF, Dunga exigiu tratamento igual a veículos de comunicação
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O blog faz breve pausa em sua folga nesta semana para falar do novo treinador escolhido pela CBF. Umas das exigências feitas por Dunga para voltar à seleção brasileira é de que todos os veículos de comunicação tenham tratamento igual. Como aconteceu em sua primeira passagem como comandante do time nacional, marcada pela briga com a Globo, ele não quer dar privilégios. Enquanto isso, pelo menos dois programas da TV já criticaram a escolha dele na noite desta segunda.

Tratada como as demais emissoras na África do Sul, a Globo voltou a ter tratamento diferenciado em 2014, com Felipão. Foi a primeira a entrevistar Scolari na Granja Comary, ao vivo, com Fátima Bernardes, e chegou até a interromper um treinamento para a gravação do programa do apresentador Luciano Huck.

Ao mesmo tempo em que assegurou a Dunga que ele não precisará dar regalias a Globo, a cúpula da CBF também acalmou a rede de TV. Deu garantias de que não será bélico o clima com o treinador.

José Maria Marin, presidente da CBF, e Marco Polo Del Nero, que vai assumir a entidade em abril de 2015, têm excelente relacionamento com a Globo e querem que continue assim. A dupla, por exemplo, tem proximidade com Marcelo Campos Pinto, encarregado de negociar a compra de direitos de transmissões de campeonatos. Mas os dirigentes também se dão bem com repórteres, como Mauro Naves.

Se a exigência de Dunga for realmente atendida na prática, existem dois caminhos: ou ninguém fará entrevistas exclusivas na seleção, ou todos farão. A segunda hipótese não combina com o jeito como o técnico gosta de trabalhar. Vale lembrar que no Mundial do Brasil Felipão deu outras entrevistas individuais depois de falar com a Globo.

As entrevistas exclusivas deram origem à guerra entre Dunga e a maior rede de TV do país. Já em 2008, o treinador acreditava que parte dos profissionais da Globo queria sua demissão para ter mais facilidade em entrevistar os atletas da seleção. Segundo o técnico, a emissora tentou gravar com jogadores à 1h da manhã nos Estados Unidos, e ele não permitiu.

Em 2009, no Sportv, canal das organizações Globo, o treinador fez outro ataque. Reclamou de Mauro Naves, que em reportagem classificou um dos treinos da seleção como “leve”.

A situação se agravou na Copa de 2010. Primeiro, Robinho deu entrevista para a Globo em dia de folga e foi repreendido pelo técnico. A partir de então, os jogadores passaram evitar sair da concentração nos dias livres.

Mas a batalha mais tensa aconteceu na entrevista coletiva do técnico depois do jogo com a Costa do Marfim. A Globo queria entrevistar alguns jogadores, entre eles Luis Fabiano, num estúdio montado com autorização da Fifa perto dos vestiários, mas Dunga não deixou. O técnico ouviu quando o jornalista Alex Escobar comunicava sua equipe pelo celular do ocorrido e disparou xingamentos, como “cagão”.

Em resposta, o “Fantástico” fez um editorial criticando a maneira como o treinador se comportava nas entrevistas coletivas. Depois, Dunga pediu desculpas pelo destempero aos torcedores.

Na edição desta segunda do “Jornal da Globo”, a escolha de Dunga já foi criticada pelo narrador e apresentador Luís Roberto. Ele disse que esperava algo novo por parte da CBF. Afirmou que a entidade perdeu uma oportunidade [de inovar] e declarou que a mudança no futebol brasileiro precisa ser estrutural a fim de melhorar a formação de jogadores.

Logo após ao telejornal, começou o “Programa do Jô”. E o apresentador, de cara, fez piada com o novo treinador da seleção. Indagou qual o motivo de se insistir com um que parece não ter dado certo se existem ainda outros seis anões, em referência a fábula de Branca de Neve e os Sete Anões. Em seguida, durante entrevista com integrantes da banda “Titãs”, Jô perguntou: “Se fizerem uma pesquisa, quem vai ter mais rejeição, Dunga ou Guardiola?”. Estão dadas as boas-vindas da Globo ao novo técnico.


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MP questiona Marin após postagem de Joana Havelange sobre roubo na Copa
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Na última quarta-feira, o Ministério Público do Rio de Janeiro enviou notificação para José Maria Marin, presidente do COL e da CBF. O promotor Rubem Vianna pediu que ele apresente documentos sobre a constituição do Comitê Organizador Local e que mostrem as fontes de receita do órgão.

Vianna faz investigação após receber representação do deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ) em relação à polêmica postagem de Joana Havelange, diretora do COL, no Instagram. Ela compartilhou a afirmação: “não vou torcer contra [a Copa] até porque o que tinha que ser gasto, roubado, já foi”.

Freixo argumentou que o COL recebeu verba pública para organização do Mundial e equiparou o cargo de Joana ao posto de funcionária pública. Disse ainda que a afirmação compartilhada por ela relata roubo nos gastos de dinheiro público e pede investigação para averiguar se houve crime.

Vianna afirmou ao blog, por e-mail, que em apuração inicial constatou que o COL não recebe verbas públicas, mas que só irá decidir se prossegue com a investigação depois da resposta de Marin. Ele deu dez dias para o cartola se manifestar.

De fato, o COL não recebeu dinheiro público, mas teve direito a isenções fiscais garantidas pela Lei Geral da Copa, o que não tira a gravidade da atitude de Joana.


Quatro motivos explicam como Dunga não combina com as necessidades da CBF
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Cartola de um clube paulista afirma que Dunga foi visto na última quinta deixando o restaurante La Tambouilie, em São Paulo. A presença dele na cidade em que vive a cúpula da CBF, no entanto, não deve ser considerada indício de que o ex-volante será o substituto de Felipão.

José Maria Marin, presidente da CBF, e Marco Polo Del Nero, que comanda a FPF e assumirá a confederação em abril de 2015, autorizaram o coordenador Gilmar Rinaldi a conversar com vários treinadores brasileiros. Da mesma forma como Alejandro Sabella, da seleção argentina, foi sondado.

O que chama atenção no caso de Dunga ser cogitado é como o nome do treinador não combina com o atual momento da CBF. Só que a escolha de Rinaldi, empresário de jogadores que se aposentou na véspera de assumir o cargo, também destoa do que a confederação precisa no momento em que é atacada por todos os lados, principalmente por setores do Congresso Nacional.

No caso de Dunga, veja quatro motivos pelos quais a volta do técnico à seleção não combina com as circunstâncias vividas pela CBF hoje.

1 – Globo

Marin e Del Nero vivem em harmonia com a emissora, parceira comercial da Federação Paulista e da Confederação Brasileira. As feridas deixadas pelo relacionamento entre o treinador e a rede de TV na Copa de 2010 não cicatrizaram. Difícil imaginar que o técnico volte domesticado a ponto de dar privilégios a Globo.

2 – Popularidade

A CBF quer e precisa de um nome popular para amansar seus críticos. Dunga não aparece na pesquisa feita pelo Datafolha que apontou Tite como o favorito do torcedor com 24%. Não é demais lembrar que nomear um empresário de jogador para coordenar todas as categorias da seleção brasileira também não é uma medida popular. Mas foi adotada pela CBF.

3 – Jovens

Se assumir a seleção, Dunga terá que rever seus conceitos sobre levar promessas do futebol brasileiro para uma Copa do Mundo. Antes do Mundial de 2010, ao ser questionado sobre não convocar novatos como Ganso e Neymar, que poderiam ganhar experiência para disputar a competição em casa, o técnico respondeu que não estaria no cargo em 2014. Tinha que se preocupar só com a Copa de 2010. Mas agora a CBF quer uma cota de atletas das categorias de base no time principal, pensando na formação desses jogadores. Felipão teve na Copa uma equipe com pouca experiência no torneio. Além disso, é uma incógnita como seria a relação de Neymar, astro da seleção, com o treinador que o barrou de um Mundial.

4 – Renovação

A palavra acima é a mais ouvida hoje na CBF, chamada de retrógrada por críticos como jogadores integrantes do Bom Senso FC e políticos. Trazer um treinador que dirigiu a seleção em 2010 soaria como um passo atrás. Em 2014, a seleção fracassou com um treinador que já tinha passado por ela: Felipão, campeão mundial em 2002 e agora comandante do time nacional em sua pior derrota em quase 100 anos de história, a goleada por 7 a 1 para a Alemanha na Copa-14.


Escolha de Gilmar Rinaldi pela CBF é criticada por dirigentes e senadores
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A escolha de Gilmar Rinaldi como coordenador de seleções da CBF aumentou as críticas que a cúpula da entidade recebe desde o vexame do Brasil na Copa do Mundo. Elas partem de desafetos históricos, como políticos interessados em emplacar uma CPI sobre a entidade, mas também de dirigentes próximos a José Maria Marin e Marco Polo Del Nero.

O principal motivo de reprovação é o fato de Rinaldi ser ex-empresário de jogadores. Ele disse em sua apresentação que a carreira já estava quase encerrada e que na véspera de assumir o cargo na CBF avisou seus clientes de que não trabalharia mais como agente.

O blog ouviu três presidentes de federações estaduais, um dirigente da Federação Paulista e dois cartolas de clubes de São Paulo. Todos condenaram a indicação de Rinaldi.

“Não tenho nada pessoal contra o Gilmar e respeito a decisão do presidente da CBF [Marin]. Agora, ele dá entrevista dizendo que foi empresário de jogador. Foi, não. Deixou de ser da noite para o dia? Muito fácil, a empresa toca, ele diz que não é mais. Acho que não pega bem. Ele é um nome novo, mas não representa renovação. Vários colegas [presidentes de entidades estaduais] estão decepcionados”, disse Delfim de Pádua Peixoto, presidente da Federação de Santa Catarina. Ele vai assumir uma das vice-presidências da CBF na gestão de Del Nero a partir de abril do ano que vem e foi o único dos cartolas ouvidos que aceitou ter seu nome publicado.

Outra queixa é de que, apesar de ser gaúcho, Rinaldi aumenta a “paulistanização” da confederação, criticada por dirigentes de outros Estados desde que Marin e Del Nero, presidente da Federação Paulista, assumiram a entidade nacional. O ex-goleiro frequenta a FPF e mantém amizade com Del Nero. Durante anos, também teve bom relacionamento com Ricardo Teixeira, ex-presidente da confederação.

Há ainda a avaliação de que a cúpula da CBF errou por dar munição a políticos que travam uma batalha com a bancada da bola em Brasília para aprovar mudanças na legislação que desagradam à confederação, além de tentarem instalar uma CPI na Câmara e outra no Senado.

De fato, a escolha de Rinaldi fez com que novos disparos vindos de Brasília atingissem a CBF. “A nomeação de um empresário mostra bem a promiscuidade do futebol brasileiro. Foi como colocar o cabrito para tomar conta da horta, como se não tivesse mais ninguém para tomar conta da seleção brasileira”, afirmou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Um dia após a final da Copa do Mundo, ele apresentou um projeto de lei que entre outras medidas permite que o TCU (Tribunal de Contas da União) fiscalize as finanças da Confederação Brasileira.

O discurso de posse do coordenador de seleções também é atacado por críticos da CBF. “A gente leva uma trolha de 7 a 1 na semifinal, outra de 3 a 0 na disputa de terceiro lugar, e Gilmar Rinaldi assume dizendo que o problema é o boné ‘Força Neymar’. Inacreditável”, declarou o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). Ele é um dos autores de pedido de CPI no Senado para investigar a CBF e a máfia dos ingressos que atuou na Copa.

O blog telefonou dez vezes para o celular de Rinaldi, das 13h37 às 20h04 desta sexta para ouvir o dirigente sobre as críticas, mas ele não atendeu às ligações.

 


Novo diretor que vai cuidar da seleção terá missão de amansar políticos
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Nove dias após a goleada de 7 a 1 sofrida pela seleção brasileira diante da alemã, enfim, José Maria Marin dará uma entrevista coletiva nesta quinta, pouco mais de 12 horas depois do reinício do Brasileirão. O dirigente vai quebrar o silêncio num momento em que as notícias da seleção dividem espaço com os resultados da Série A. Conveniente para ele.

A tendência é de que o presidente da CBF não anuncie agora o substituto de Luiz Felipe Scolari. Interlocutores do dirigente afirmam que no máximo ele vai divulgar o nome do diretor remunerado que tomará conta da seleção. Cartolas de federações estaduais com trânsito na CBF apostam no ex-jogador Leonardo para o cargo.

A missão do escolhido irá além da árdua tarefa de tirar a seleção do fundo do poço. Acuada politicamente, a confederação precisa de um nome que passe credibilidade ao Governo Federal e diminua a fúria de alguns políticos, como o deputado Romário, companheiro de Leonardo na conquista do tetra na Copa de 1994.

O vexame dos alemães, ressuscitou pedidos de CPIs na Câmara e no Senado. Um dia depois da final da Copa, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) apresentou projeto de Lei que permite ao TCU fiscalizar a CBF. O Bom Senso FC, movimento que defende reivindicações dos jogadores, também voltou a se posicionar contra a confederação.

Marin e Del Nero são os alvos desses políticos e do Bom Senso FC. Por isso, o cenário ideal para eles é ter como escudo um dirigente remunerado que seja bem aceito pela opinião pública e respeitado por políticos e jogadores. Ou seja, além de entender de bola o novo diretor terá que ser bom de política.


Pesquisa mantém Tite vivo em disputa por vaga na seleção
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A pesquisa do Datafolha divulgada na edição desta quarta pelo Jornal Nacional tem potencial para dar novo fôlego a Tite na corrida pela vaga de técnico da seleção brasileira. Ele apareceu como o preferido dos entrevistados com 24%. A cúpula da CBF quer um técnico popular. E José Maria Marin, presidente da entidade, costuma dar importância às pesquisas.

Presidentes de federações estaduais entendem que Marin e Marco Polo Del Nero, que assumirá a presidência da entidade em abril de 2015, não devem contratar Tite por acreditarem que a escola gaúcha é impopular depois do fracasso de Felipão. O argumento havia enfraquecido o ex-corintiano.

Segundo colocado no trabalho feito pelo Datafolha, com 19%, Zico é um nome cogitado entre os dirigentes, mas os interlocutores de Del Nero e Marin não o enxergam como favorito. E não apostam um centavo em Muricy Ramalho, terceiro com 14% e que carrega o peso de já ter rejeitado o cargo.

Importante também o fato de a pesquisa apontar que 68% das pessoas ouvidas não querem um técnico estrangeiro.

Nesta quinta, Marin dará entrevista coletiva, mas a tendência é de que ele ainda não anuncie o nome do novo treinador. Os dirigentes de federações estaduais pedem para a dupla analisar a situação com calma. Agora, a cúpula da CBF ganhou mais um dado para se orientar.