Blog do Perrone

Arquivo : março 2015

Mesmo sem dinheiro, Corinthians adia venda de camarotes e cativas
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Mesmo com dificuldade para conseguir dinheiro a fim de pagar a construção de seu estádio, o Corinthians adiou a comercialização de camarotes e cadeiras cativas, chamadas de PSL (Personal Seat License). Isso aconteceu porque o novo diretor de marketing, Marcelo Pereira Passos pediu para que as ações fossem interrompidas  até que ele tome pé de toda a situação em sua área. O blog apurou que o dirigente também quer fazer um grande evento de lançamento em abril, o que alavancaria os negócios.

A medida gerou contestações internamente porque há pressa do clube em fazer dinheiro, já que até agora o alvinegro não conseguiu negociar os Cids (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento). São papéis emitidos pela prefeitura e que dão aos compradores o direito de usar os documentos para pagar parte de seus impostos municipais. Outro problema é que o Corinthians deixará de aproveitar o bom início do time na Libertadores para impulsionar o aluguel desses setores.

Apesar de os camarotes e o restaurante que atenderá às cativas não estarem finalizados, já estava tudo praticamente pronto para o início da comercialização. Até Andrés Sanhez, principal responsável pela arena, foi surpreendido pela medida.

Mas há também no clube quem defenda que é impossível negociar as propriedades enquanto a Odebrecht não finalizar as obras nos setores envolvidos.

A assessoria de imprensa do Corinthians informou que Passos não vai dar entrevistas até se inteirar de todos os assuntos de sua área. E até a publicação do post não havia respondido sobre o congelamento das comercializações.


Disputa eleitoral na federação do PR tem baixaria e ameaça de morte
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Disputa nos bastidores, ação na Justiça, vídeo com cena de truculência e até acusação de ameaça de morte. É nesse cenário que se desenrola a disputa eleitoral na Federação Paranaense entre o atual presidente, Hélio Cury, e Ricardo Gomyde ex-secretário de futebol do Ministério do Esporte e que foi candidato ao Senado pelo PCdoB-PR nas últimas eleições.

Os lances mais quentes aconteceram nesta terça. Pela manhã, a federação divulgou as regras da eleição em seu site. A oposição, então, calculou que no começo da tarde terminaria o prazo para que eleitores pudessem retirar o apoio a um candidato a fim de dar sustentação a outro. Cada um precisa de 30 apoiadores para lançar a candidatura. Por isso, os opositores mandaram advogados entregarem a Cury uma lista de filiados que revogaram o suporte ao situacionista. O episódio terminou em baixaria.

Um vídeo gravado por um dos advogados mostra o presidente afirmando que não considera o documento entregue e alegando que as desistências devem ser protocoladas na sede da federação, não em sua loja de troféus e materiais esportivos. Ao perceber que estava sendo filmado por um dos advogados, o dirigente disparou: “vai se f…”, e correu na direção do autor das imagens, Saulo Gomes Karvat. “Ele (Cury) tentou pegar o celular, então o advogado parou de filmar para guardar o aparelho”, disse Juliano Tetto, candidato à vice pela oposição.

“Não vou falar sobre isso porque eles já estão fazendo um show. O caso está com o jurídico da federação”, afirmou Cury ao blog.

Depois da baixaria na empresa do presidente da entidade, Tetto declarou que sua esposa foi ameaçada de morte. “Telefonaram para ela de um número não identificado dizendo: ‘você vai morrer’. Ligaram mais vezes, mas ela não conseguiu gravar as ameaças”, contou Juliano.

Enquanto esse post era escrito, a esposa dele, Letícia Feres Tetto, estava numa delegacia de Curitiba registrando a queixa.

A eleição foi marcada para o próximo dia 21, e a oposição diz ter o apoio mínimo exigido de 30 filiados para inscrever sua chapa. Atlético-PR, Coritiba e Paraná Clube apoiam o opositor. O trio chegou a protocolar na federação um pedido para entidade detalhar a compra de medalhas, troféus e materiais esportivos, produtos comercializados por Cury, e os repasses de verba para os filiados, que são os eleitores.

Os opositores também tinham conseguido uma liminar para obrigar a federação a divulgar até amanhã a relação de clubes aptos a votar.

 


Nova direção do Corinthians agora admite problemas apontados pela oposição
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Em menos de um mês no poder, a nova diretoria do Corinthians já assumiu problemas apontados pela oposição e que eram negados por seu grupo político, liderado por Andrés Sanchez.

A primeira confissão aconteceu quando Roberto de Andrade assinou nota oficial afirmando que a não venda dos Cids (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento) está provocando uma elevação insustentável da dívida do clube com a construtora Odebrecht. Os opositores, liderados por Antonio Roque Citadini, afirmam faz tempo que o débito chegou a um nível crítico. Andrés respondia que a situação estava sob controle.

Na mesma nota, o presidente corintiano disse que, se a questão dos Cids não for resolvida com rapidez, o clube pode ter dificuldades até para contratar jogadores. A oposição declarava antes da eleição que a próxima gestão seria uma das mais difíceis da história corintiana, principalmente porque todos os esforços seriam para pagar o estádio e haveria pouco dinheiro para o time. A solução seria apostar nas categorias de base. Os situacionistas afirmavam que se tratava apenas de um ataque eleitoral.

Justamente nas categorias de base veio outro sinal do aperto financeiro alardeado pela oposição. Numa de suas primeiras medidas como diretor de futebol amador, José Onofre de Souza demitiu Agnello Guimarães Gonçalves Coelho, coordenador técnico da vencedora base corintiana. Ao blog, Onofre disse que a dispensa foi motivada pela necessidade de cortar gastos. Pelo menos mais um funcionário seria demitido, mas, antes disso pediu para sair, como outros dois colegas que temiam a degola.

Nesse cenário, o que antes era tratado como exagero da oposição, se transformou numa dura realidade assumida pela nova cúpula corintiana.


Palmeiras arrecada quase o dobro do previsto em janeiro, mas tem déficit
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O Palmeiras arrecadou em janeiro quase o dobro do que esperava com seu departamento de futebol. Mesmo assim, fechou o primeiro mês do ano no vermelho.

De acordo com dados apresentados pela diretoria do clube ao COF (Conselho de Orientação e Fiscalização), a receita gerada pela equipe foi de R$ 12,2 milhões no começo de 2015. A previsão feita pela direção era de que entrariam R$ 6,2 milhões nos cofres. O relatório não explica o que motivou a arrecadação maior do clube, que vive momento de euforia com aumento de sócios-torcedores e na venda de ingressos.

Só que a despesa no futebol foi de R$ 15,6 milhões, provocando um déficit de R$ 3,4 milhões no departamento. No clube inteiro, o prejuízo foi de R$ 5,2 milhões.

Também ao apresentar números para o COF, a diretoria afirmou que o Palmeiras deve arrecadar em 2015 cerca R$ 50 milhões com a venda de patrocínios em sua camisa.

 


Ex-presidente do Palmeiras vai à Justiça contra quem o investigou no clube
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Investigado por uma comissão de sindicância que pediu sua suspensão no Palmeiras por um ano, Luiz Gonzaga Belluzzo, presidente do clube entre 2010 e 2011, foi à Justiça. Ele ajuizou um pedido de explicações contra Flávio Luiz Amadei, que comandou o grupo responsável pelas investigações. Os trabalhos também analisaram parte da gestão de Arnaldo Tirone.

Belluzzo alega na Justiça que o relatório da comissão de sindicância faz afirmações que podem configurar crime contra a sua honra. Por isso pede explicações. Dependendo do que Amadei responder, o ex-cartola entrará com uma queixa crime.

Na Justiça, o ex-presidente quer saber o nome de todos os integrantes da comissão de sindicância, as normas contábeis que ele é acusado de desrespeitar, os impostos que teriam sido recolhidos na fonte e não pagos, os elementos que levaram a comissão a recomendar o envio do caso para o Ministério Público e o que o relatório entende como gestão temerária, entre outros pedidos.

Durante as investigações, o ex-presidente se recusou a depor na comissão de sindicância, que fala até em supostas irregularidades na contratação de Valdivia, como mostra documento anexado à ação e exibido pelo blog no final do post.

Belluzzo e Amadei foram entrevistados pelo blog. Leia a seguir.

Entrevista com Luiz Gonazaga Belluzzo.

Por que decidiu questionar o presidente da comissão de sindicância na Justiça?

Porque eles resolveram fazer a sindicância sobre algo que já prescreveu. Só poderiam fazer até dois anos depois da minha gestão, fizeram quatro anos depois. Na véspera da eleição (em que Paulo Nobre foi reeleito. Beluzzo era candidato à vice na chapa da oposição). Todos os pontos que eles tocaram são ineptos, coisa típica de clube de futebol. Vamos ver se eles falam alguma coisa ou se vão insistir com isso. Se insistirem, vou entrar com um processo por calúnia e difamação. Claro que não cometi nenhuma irregularidade.

 

O senhor entende que a sindicância teve motivação apenas política?

O (Antônio Augusto) Pompeu resolveu ressuscitar essa comissão depois que o Wlademir Pescarmona me pediu para ser candidato à vice, Não tenho nenhum interesse na política do clube. Já fiz o que tinha que fazer. Não pretendo me promover à custa de nada, muito menos à custa do meu clube. E você não frequenta lá, não sabe como está. Não dá mais para frequentar o clube.

Por quê?

Porque as pessoas não se comportam de maneira civilizada. Não estou falando dos meus amigos, mas da política.

O senhor é ofendido quando vai lá?

Não me ofendem porque não sou o Guido Mantega (ex-ministro da Fazenda). Com 72 anos, se falarem alguma coisa pra mim vou tomar providência. Nunca xinguei ninguém, não gosto de intrigas. E aí, quando saí candidato, ressuscitaram essa comissão de sindicância.

O relatório da comissão arranhou sua imagem? Esse foi um dos motivos para o senhor ir à Justiça?

Não acho que minha imagem foi arranhada porque ninguém leva isso a sério. Acham piada, mas se não reage, acham que você admite. Estatutariamente, não cometi nenhuma irregularidade e respondi a todas as acusações deles numa carta, com educação.

Mas por que o senhor não foi depor na comissão?

Não faz sentido ir lá. Não vou ficar me aborrecendo. Respondi que não iria porque estavam praticando difamação. Lá tem gente que falava que o estádio nunca ficaria pronto. Você acha que eu posso ir num lugar desses? Tem gente lá que fala pra mim que o estádio não é nosso. Fizemos uma concessão de uso pra quem botou o dinheiro na obra. Fiz o melhor negócio possível para o clube. Você acha que conseguimos 90 mil sócios porque o time é formidável? Não, é porque gostaram do estádio. Falo para os que falaram que o estádio não sairia do papel: ‘o que estou vendo, é uma miragem?’ Alguns ficam rangendo os dentes pra mim por causa do estádio, só posso me divertir com isso. Não dá para ir num lugar assim.

Entrevista com Luiz Flavio Amadei, presidente da comissão de sindicância.

O senhor já respondeu às perguntas feitas pelo Belluzzo na Justiça?

A ação não é contra mim, não pode ser contra mim. É contra a comissão, então quem está preparando a resposta e pode te dar detalhes é o departamento jurídico do Palmeiras.

Mas só o senhor foi citado na Justiça.

É porque é mais fácil pegar um nome qualquer do que citar o Palmeiras.

Belluzzo alega que a comissão pode ter cometido crime de difamação.

Claro que não cometeu. É uma coisa óbvia. Uma comissão de sindicância nunca vai cometer crime de difamação porque ela age de acordo com documentos. Ele tem todo direito de ir à Justiça, agora que mostre as provas que ele tem. Nós temos documentos, fizemos tudo de acordo com documentos que levantamos. Ele pode ter o entendimento que quiser, e a Justiça vai ter o entendimento dela. Foi uma comissão administrativa, interna, não tem nada a ver com falar da honestidade, da idoneidade dele. Só seguimos o que diz o estatuto do Palmeiras. Recomendamos a suspensão dele por um ano. Agora o conselho vai se reunir e analisar se segue ou não a nossa recomendação.

Para o ex-presidente, a sindicância foi aberta por razões políticas. O que o senhor acha disso?

Ele alega que a motivação foi política, mas a sindicância começou dois anos antes (do período eleitoral). Só teve comissão porque as contas dele foram rejeitas pelo Conselho Deliberativo.

Veja abaixo documentos relativos ao processo.

 

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Abaixo, o que Belluzzo pede.

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Abaixo, trecho do relatório da sindicância que cita comissão paga na compra de Valdivia.

Trecho de relatório da comissão de sindicância que cita contrato de comissão na compra de Valdivia

 

Trecho em que Belluzzo se defende de suposta irregularidade na contratação de Valdivia em carta enviada à comissão de sindicância.

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Parte do relatório da comissão de sindicância que aponta gestão temerária.

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Também em carta à comissão de sindicância, Belluzzo se defende da acusação de ter causado dano ao clube rompendo com a ex-patrocinadora Samsung.

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Corte de despesas causa demissões nas categorias de base do Corinthians
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Agnello Guimarães Gonçalves Coelho calcula que entre dezembro de 2010 e fevereiro de 2014 ajudou os garotos do Corinthians a conquistarem de 36 a 38 títulos. O currículo vitorioso, no entanto, não impediu a demissão dele do cargo de coordenador técnico das categorias de base do clube. Sua saída foi uma das primeiras atitudes tomadas pelo novo diretor de futebol amador, José Onofre de Souza.

O ex-funcionário interpretou o afastamento como uma rotina política: quem assume o poder tira homens de confiança da gestão anterior para colocar os seus. Mas, a explicação de Onofre é outra: corte de despesas.

“É uma situação lamentável, mas acaba acontecendo em todas as equipes quando há mudança de diretoria. As pessoas não se atentam à qualificação profissional, ao que fizemos na base. Conheci o atual diretor-adjunto, André, no ato da minha demissão. Não houve interesse da atual direção de ao menos conhecer o profissional. Disputamos quatro vezes a Copa São Paulo, fizemos três finais e ganhamos dois títulos. Mas entendo e estou muito tranquilo em relação ao que aconteceu. Vida que segue”, disse Agnello ao blog.

Porém, o novo diretor de futebol amador afirma conhecer e admirar o trabalho do ex-coordenador. Só que a degola era inevitável por causa da contenção de gastos, diz o cartola.

“Ele é um baita profissional, foi uma pena a demissão. Fiquei chateado, mas não tem jeito. Temos que fazer uma redução de custos. Não é só o Corinthians, são todos os clubes, a crise financeira é no Brasil inteiro. E nem fui eu que decidi pela demissão. Ela já estava decidida pela diretoria anterior por causa da redução de despesas”, afirmou o Onofre.

Não é bem assim, segundo o ex-diretor de futebol amador, Fernando Alba, que pertence ao mesmo grupo político de seu sucessor. “Estava decidido o corte de despesas, mas eu não tinha tomado a decisão de demitir o Agnello. A redução poderia passar pela saída dele ou não. Eu iria analisar, como fiz nos outros anos também”, declarou Alba.

Por ter assumido o cargo a menos de uma semana, Onofre diz que não sabe de quanto será a redução de custos e nem se acontecerão outras demissões. Porém, as categorias de base já sofreram outras baixas por causa do aperto de cintos.

“Outros profissionais estavam preocupados com isso e procuraram clubes nas férias porque achavam que aconteceriam as demissões. Do Sub-17, saíram o técnico Rodrigo Leitão, o Pablo Bonavieri, argentino que era auxiliar dele, e o Odair Matheus, preparador físico. O Gustavo Moinho, preparador de goleiros do sub-13, também saiu. Eles conseguiram outros clubes e fizeram um acordo para sair”, contou Agnello.

O diretor da base corintiana confirmou que pelo menos um deles, Leitão, seria demitido de qualquer forma para o clube economizar dinheiro.

Mas até que ponto esse corte de despesas pode prejudicar o departamento responsável por formar os jogadores do Corinthians?

Onofre diz que não tem como avaliar porque ainda está tomando pé da situação. Por sua vez, Agnello tem a resposta na ponta da língua: ”Introduzir uma nova política, uma nova filosofia, sempre causa algum prejuízo porque a ideia é interrompida ou conduzida de outra maneira. Nas categorias de base, as mudanças provocam ainda mais prejuízos porque o ciclo de um jogador na base é de cinco anos. Se você muda tudo a cada dois ou três anos, fica difícil formar um jogador com grau de importância no futebol brasileiro”.

As torneiras se fecharam no alvinegro depois de a dívida do clube aumentar em R$ 45,7 milhões no ano passado. O débito chegou a R$ 313,5 milhões de acordo com dados apresentados ao Cori (Conselho de Orientação) do Corinthians.

 


Sem dia do Corinthians, Andrés quer aposentadoria em 20 anos para atletas
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Depois de sucumbir às críticas e pedir a retirada do projeto de lei que assinava com o deputado federal Goulart (PSD-SP), Andrés Sanchez (PT-SP) apresentou nesta quinta uma nova ideia. O petista assinou projeto de lei complementar que estabelece critérios para a concessão de aposentadoria especial para atletas profissionais e semiprofissionais de alto rendimento.

O ex-presidente corintiano propõe que os atletas, incluindo jogadores de futebol, é claro, tenham direito à aposentadoria após 20 anos de trabalho e de contribuição previdenciária. Para gozar do benefício, eles precisam ter disputado campeonatos nacionais.

Na justificativa do projeto, Andrés argumenta que a Constituição só permite critérios especiais de aposentadoria para os trabalhadores que atuam em condições que prejudiquem a saúde e integridade física. Ele cita a série de lesões sofridas pelos atletas para pedir o tratamento diferenciado.

O deputado, superintendente de futebol do Corinthians, escreveu que no caso do futebol as contusões ainda trazem prejuízo de ordem financeira, “atingindo também o clube”.

No final de sua justificativa, que contém trechos específicos sobre jogadores de futebol, Andrés diz que o projeto visa corrigir injusta distorção. Alega que a carreira de atleta profissional é curta, o que torna razoável um período de contribuição previdenciária mais curto do que 35 anos para homens e 30 para mulheres.

 


Vitória do São Paulo tem recados velados para diretoria
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A vitória por 4 a 0 do São Paulo sobre o Danubio foi marcada por recados dentro e fora do campo. Com dois gols e belas jogadas, Alexandre Pato avisou Muricy Ramalho e seus companheiros que podem confiar mais nele.

Na arquibancada, a torcida gritou o nome de Muricy no final do jogo, como se dissesse pra o presidente Carlos Miguel Aidar que ela vai ficar do lado do treinador se os dois colidirem.

Por sua vez, na beira do gramado, Muricy apontou escudo do clube, além de beijar o distintivo. Parecia mostrar para o atual presidente que ele não está do lado de Juvenal Juvêncio e nem de Aidar. Está com o clube.

Ficou também o recado para Corinthians e San Lorenzo: apesar da derrota na primeira rodada para o rival brasileiro, o São Paulo está vivíssimo na disputa por uma vaga na próxima fase da Libertadores


Família de Jadson salva Corinthians com torcida, agentes e no bolso
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A família de Jadson talvez não saiba o tamanho do galho que quebrou para a diretoria do Corinthians ao votar pela permanência do meia no Brasil. A recusa do jogador em atuar na China impediu o enfraquecimento do time, evitou cobranças da torcida aos diretores e não deixou que os cartolas entrassem em atrito com os empresários do boleiro. Para tudo isso acontecer, o Corinthians nem precisou dar aumento para Jadson ou quitar as dívidas que tem com os agentes dele. Pelo menos não por enquanto.

Transferir o jogador para a China era a saída ideal para Bruno Paiva e seus sócios na Think Ball, a empresa que cuida da carreira de Jadson. Numa tacada só, eles ganhariam 70% do valor da transferência por terem essa fatia dos direitos econômicos de Jadson e ainda poderiam descontar do valor pago pelos chineses a quantia que o Corinthians deve a eles por outras operações. Como mostrou o UOL Esporte, dos R$ 16,3 milhões que o Jiangsu Sainty estava disposto a pagar pelo meia, o time paulista ficaria com apenas R$ 1,4 milhão por causa da quitação de impostos e dívidas com os agentes do atleta.

Como os mesmos agentes têm vários jogadores no elenco corintiano (Guerrero em situação de renovação ou saída está entre eles), Roberto de Andrade não quis briga com os empresários. Desde o início deixou claro que não colocaria obstáculos para a saída do meia. Até porque pouco poderia fazer, já que o Corinthians tem apenas 30% dos direitos econômicos e os chineses estavam dispostos a pagar a multa rescisória.

A única alternativa seria oferecer um novo contrato para Jadson, gastando o que o clube não pode. E abrindo precedente. Restou ao presidente alvinegro assumir a sua impotência no episódio e ficar exposto às críticas da torcida.

Porém, quando ele acreditava que Jadson já estava com as malas prontas, o jogador resolveu ficar, numa atitude tomada em boa parte por causa da vontade de sua família.

Assim, Andrade se livrou do problema sem precisar fazer esforço. E ainda pode dizer para os empresários do meia que o Corinthians não tem nada a ver com o fracasso da venda. O negócio só não deu certo porque o cliente dos agentes não quis. Melhor impossível para o presidente corintiano.