Blog do Perrone

Arquivo : fevereiro 2017

Caixa dispensa Corinthians também de pagar juros de dívida até abril
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Em abril do ano passado o Arena Fundo de Investimento Imobiliário, que fica com as rendas dos jogos no estádio corintiano e que na prática faz os pagamentos do financiamento de R$ 400 milhões junto ao BNDS, deixou de quitar a dívida principal com a concordância da Caixa. Passou a pagar apenas juros. Porém, em novembro de 2016 a Caixa autorizou que nada fosse pago até abril de 2017.

A suspensão acontece no momento em que as partes finalizam detalhes de um acordo para aumentar o prazo do pagamento da dívida de 12 anos para 20 anos, diminuindo o valor mensal que atualmente é de cerca de R$ 5,7 milhões.

Apesar de a carência já estar em prática, o fundo ainda precisa assinar papéis relativos à ela. Para isso, haverá reunião no próximo dia a 8. A ata de convocação do encontro afirma que a assembleia vai deliberar sobre instrumentos exigidos pela Caixa, incluindo o contrato com o BNDES. O documento cita também que será discutida a assinatura de adendos que vão permitir a implantação de condições impostas pela Caixa, como “condição de eficácia para concessão de carência total (juros e amortizações) do serviço da dívida do financiamento por seis meses, com início em 15 de novembro de 2016 e final em 15 de abril de 2017”.

A condição de eficácia é a contrapartida exigida pelo banco para conceder a carência, mas ela não foi detalhada na ata. Uma reunião prévia entre os cotistas (uma das empresas da Odebrecht e Corinthians) aconteceria na terça-feira para discutir o tema mas foi cancelada.

Procurada, a Caixa respondeu que “as operações envolvendo a Arena Corinthians são protegidas por sigilo bancário, conforme prevê a lei complementar 105/2001, motivo pelo qual não irá se manifestar”.

Emerson Piovezan, diretor financeiro do Corinthians, não respondeu à mensagem enviada pelo blog na última terça sobre o assunto.

Abaixo veja reprodução de edital que cita a carência concedida pela Caixa.

 

 

 

 

 


Direção do Santos ‘absolve’ Dorival e culpa time ‘imaturo’ sem veteranos
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A direção do Santos admite que a equipe está em crise por acumular três jogos seguidos sem vencer no Campeonato Paulista, mas não culpa Dorival Júnior pelo insucesso. Na análise da cúpula do clube, o problema é que o time ficou imaturo sem veteranos que estão fora de combate.

Essa imaturidade estaria prejudicando o alvinegro dentro de campo, com um nervosismo que leva a erros, e também fora dele, como na decisão dos atletas de não falarem com a imprensa após a vitória por 3 a 2 sobre o Red Bull. Foi uma forma de protestar contra a diretoria por causa da demissão do gerente de futebol Sérgio Dimas. Além dos cartolas, alguns atletas não concordaram com a atitude.

Os jogadores experientes dos quais a diretoria sente falta são os contundidos Vanderlei, Renato, Lucas Lima e Ricardo Oliveira, que se recupera de caxumba e só atuou contra a Ferroviária.

A única queixa contra Dorival é de que ele teria demorado para tirar Lucas Lima da derrota por 3 a 1 para o São Paulo após o jogador sentir uma pancada no joelho, podendo ter agravado a contusão do meia na opinião dos críticos.


Em 2015 e 2016, Arena Corinthians obteve R$ 156 mi de R$ 424 mi esperados
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Uma dúvida que tira o sono de cartolas do Corinthians e de parte considerável da torcida é como pagar a construção da arena do clube se as receitas estão longe do esperado. A distância entre sonho e realidade é medida com precisão na comparação entre o plano de negócios original do estádio e as receitas obtidas.

O blog teve acesso ao plano de negócios que foi apresentado para a Caixa a fim de que fosse obtido o financiamento de R$ 400 milhões junto ao BNDES.

O documento previa que entre 2015 e 2016 seriam arrecadados na casa corintiana R$ 424.554.000. Porém, de acordo com dados obtidos pelo blog, nesse período a arena gerou cerca de R$ 156 milhões.

A diferença entre a verba prevista e o que entrou nos cofres ajuda a explicar porque desde abril do ano passado o Corinthians, com a concordância da Caixa, parou de pagar as mensalidades do financiamento, arcando só com juros, enquanto negocia a extensão do prazo para quitar o débito.

Em alguns casos, não entrou nenhum centavo previsto. O episódio mais conhecido é o da venda dos naming rights. Pelo plano original, a expectativa era de que ele gerasse R$ 25 milhões por ano. Como não houve negociação, nada foi arrecadado. Com sports bar dentro da arena era prevista receita de R$ 215 mil no primeiro ano. O projeto não saiu do papel.  O espaço existe, mas até agora não foi negociado. Havia até a previsão de faturamento com clube do charuto, que também não se materializou.

Outro projeto em que os corintianos colocaram suas fichas foi o tour pela arena, com previsão de 280 visitas diárias em 150 dias por ano. Mas só no último dia 2 foi anunciada a assinatura do contrato com a empresa que administrará a operação. A visitação está prevista para começar em abril.

A área de marketing é a que mais impressiona no quesito não rolou. De acordo com o plano de negócios, o estádio teria 18 patrocinadores já em 2015. Hoje se tem conhecimento de apenas dois: Honda e Strella Galicia. Os demais que aparecem em telões e painéis do estádio são empresas que têm camarotes no local.

Em 2015, quando o estádio funcionou com obras na maior parte do ano, a arrecadação esperada com marketing era de R$ 43 milhões, mas foi de cerca R$ 240 mil.

A aposta em lugares vips também não vingou. Virou rotina ver camarotes vazios na arena. E outros espaços nobres continuam longe de fazer sucesso. Pelo plano de negócios, essas áreas, batizadas de premium, seriam responsáveis em 2015 por 41% da receita total do estádio. Ou seja, ganharam o status de carro chefe, mas levantaram menos de 10% da verba obtida pela arena naquele ano (R$ 7,5 milhões de R$ 85 milhões). Eram esperados R$ 84 milhões só com esses espaços luxuosos.

Se o potencial de arrecadação com áreas nobres parece ter sido superestimado no plano de negócios, o contrário aconteceu com a receita relativa à venda de ingressos em 2015, ano de título brasileiro. A projeção era de que essa fosse a segunda fonte de recursos do estádio, representando 29% do total obtido, mas acabou sendo a primeira, pois cerca de 88% do dinheiro que entrou veio da venda de tíquetes em 2015.

O blog não traz números detalhados da receita de 2016, mas é possível afirmar que com a campanha decepcionante no Nacional a arrecadação foi inferior à projetada. A previsão feita no plano de negócios era de R$ 63 milhões, mas os ingressos renderam R$ 52,2 milhões de acordo com os boletins financeiros das partidas. Seguramente a bilheteria foi o setor que deu mais dinheiro à arena em 2016. A arrecadação total do estádio foi de aproximadamente R$ 71 milhões.

A diferença entre as receitas projetadas e realizadas nestes dois anos materializam uma discussão que existe no Corinthians desde antes do estádio ganhar forma. Parte dos conselheiros entende que houve erro ao se apostar em áreas luxuosas e caras e de tratar o marketing como mina de ouro a ser explorada em Itaquera. Essa ala defende que assentos e instalações simples combinados com times competitivos ajudariam muito mais o clube a pagar a conta da construção.

A mesma divergência existe entre Odebrecht e cartolas defensores do projeto inicial no clube. O blog apurou que executivos da construtora avaliam que o Corinthians sofreria muito menos para pagar a obra se o estádio fosse mais enxuto e as receitas com marketing e áreas vips estimadas com mais modéstia.

No clube, o discurso é de que a demora da Odebrecht para entregar a obra atrapalhou a geração de receitas, como na venda de camarotes. A construtora considera que concluiu a construção no final de setembro de 2015, mas dirigentes se queixam nos bastidores de que a arena ainda está incompleta e que isso dificulta algumas arrecadações. A Odebrecht diz que deixou de executar cerca de R$ 40 milhões em obras por causa de um estouro no orçamento, mas sem ferir o contrato, pois alega ter realizado serviços em valor semelhante e que estavam sem preço estipulado.

 Há uma queda de braço nos bastidores entre a empresa e Luis Paulo Rosenberg, pai do plano de negócios, e Aníbal Coutinho, arquiteto autor do projeto, arquitetônico do estádio.

O blog procurou Rosenberg, ex-vice-presidente do clube e que não participa da gestão da arena, mas ele não quis falar justamente por estar afastado do processo.

As assessorias de imprensa do Corinthians responsáveis pela arena e pelo presidente Roberto de Andrade não responderam às perguntas enviadas no último dia 17 até a publicação deste post.

Abaixo, compare as receitas projetadas e realizadas na Arena Corinthians em valores aproximados

Receita total projetada para 2015 – R$ 205.535.000

Receita total realizada em 2015  – cerca de R$ 85.000.000

Receita total projetada para 2016 – R$ 219.019.000

Receita total realizada em 2016 – R$ 71.000.000

Receita projetada em dois anos – R$ 424.554.000

Receita realizada em dois anos – R$ 156.000.000

Dados de 2015 em valores aproximados

Produtos premium (camarotes e assentos vips)

Receita projetada – R$ 84 milhões

Receita realizada – R$ 7,5 milhões

Marketing

Receita projetada – R$ 43 milhões, sendo R$ 25 milhões com naming rights

Receita realizada – R$ 240 mil, sendo que nada foi arrecadado com naming rights

Receitas operacionais (aluguel do estádio, concessões e estacionamentos, entre outras fontes de recursos)

Receita projetada – R$ 16 milhões

Receita realizada – R$ 1 milhão

Bilheteria

Receita projetada – R$ 59 milhões

Receita realizada – R$ 74 milhões


Opositor afirma que vai à Justiça após impeachment de Andrade ser barrado
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Com Dassler Marques, do UOL, em São Paulo

Romeu Tuma Júnior, conselheiro favorável ao impeachment de Roberto de Andrade, afirmou que vai entrar com uma ação na Justiça para anular a reunião do Conselho Deliberativo do Corinthians que brecou o processo de destituição nesta segunda.

Ele alega que o presidente do Conselho Deliberativo, Guilherme Gonçalves Strenger, errou ao promover uma votação secreta sobre o mérito do processo de afastamento. Foram 183 votos contra a continuidade do processo e 81 a favor. Assim, o impeachment nem chegou a ser votado, com o caso sendo arquivado.

Para Tuma Júnior, no lugar da votação sobre a admissibilidade do processo, o conselho deveria ter deliberado sobre a convocação da reunião, decidindo se ela foi realizada de forma correta ou não e se o procedimento foi sem falhas na Comissão de Ética. Segundo ele, uma votação na base do senta ou levanta resolveria o assunto. Havendo a aprovação, então seria votado o impeachment.

“Houve um erro grave, e vamos para a Justiça. Tenho certeza que a sessão vai ser anulada”, disse Tuma Júnior.

A divergência acontece na interpretação do artigo 107 do estatuto. Em sua letra “e”, ele diz que “na sessão do Conselho Deliberativo especialmente convocada para decidir sobre o encaminhamento do pedido de destituição, proceder-se-á, primeiramente a deliberação dos motivos para a convocação”.

“O estatuto é claro. Quando fala que  será feita a deliberação dos motivos para a convocação, ele pede que eu explique os fatos que levaram ao pedido de afastamento para os conselheiros dizerem se há fundamento para o processo de impeachment. O entendimento foi de que não há”, disse Strenger ao blog.

Mantido na presidência, Andrade negou ter havido falha. “Nenhum temor, tudo lícito, nada de errado. Pode, até recorrer, não vejo no que. Não sou advogado e não entendo muito. Não fugiu nada do que o estatuto dizia que deveria ser feito”, declarou o presidente.

 


Conheça as suspeitas que envolvem o estacionamento da Arena Corinthians
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Cláusulas contratuais mais favoráveis à parceira do que ao clube e suspeitas de irregularidades na operação transformaram o contrato de gestão do estacionamento da Arena Corinthians numa metralhadora para conselheiros tentarem derrubar Roberto de Andrade. O afastamento será julgado nesta segunda no Conselho Deliberativo e se for aprovado terá que ser ratificado pelos sócios.

Os problemas vão além do fato de o presidente alvinegro ter assinado o contrato com a Omni com data anterior à sua posse. Esse fato foi visto pela comissão que julgou o pedido de destituição como insuficiente para tirar Andrade do trono, pois não teria sido provado que o episódio causou dano à imagem do Corinthians, como alegam membros do conselho.

A oposição, porém, sustenta que existem outros elementos que indicam prejuízo material ao clube, o que também daria motivo para o impeachment, além da alegada sonegação de informações por parte do dirigente aos conselheiros. O cartola nega ter cometidos falhas que permitam seu afastamento.

O estacionamento ganhou até um dossiê feito pelo conselheiro Romeu Tuma Júnior e seu grupo na tentativa de sustentar que Andrade assinou um contrato lesivo ao clube.

De cara, o fato de o Arena Fundo de Investimento Imobiliáro, responsável pelas contratações do estádio e do qual o Corinthians faz parte, ter contratado uma empresa que não tinha objeto social ligado à operação de estacionamentos é usado para indicar o prejuízo. O contrato, que desde a sexta retrasada o fundo tenta rescindir unilateralmente, prevê que a Omni fica com 30% da receita liquida obtida com o estacionamento durante os jogos.

A empresa contratou prestadores de serviço para fazer a operação, como admitiu Andrade em sua defesa por escrito no processo de impeachment. Quem discorda do acordo afirma que deveria ser contratada diretamente uma empresa para operar a área, como está sendo feito agora com a Indigo. Assim, haveria economia. O argumento é de que a contratação da Omni só beneficiou a intermediária.

Apenas no segundo semestre do ano passado a parceira corintiana criou outra empresa especializada em estacionamentos, mas ela ainda não começou a funcionar.

Nota Fiscal

O dossiê sobre o caso traz cópia de reclamação feita por torcedor junto à prefeitura por não ter recebido Nota Fiscal Paulistana ao comprar seu tíquete para o estacionamento em 5 de outubro do ano passado.  O caso está sendo analisado pela prefeitura.

Se não emitir Nota Fiscal Paulistana for mesmo praxe na arena, a dúvida passa a ser se a empresa recolhe corretamente o ISS (Imposto Sobre Serviços). O recolhimento dele está previsto no contrato, diminuindo a receita que fica com o Fundo. Ou seja, se não ocorrer o pagamento do imposto, o Corinthians, membro do fundo, tem prejuízo porque o valor do tributo é descontado da receita bruta, diminuindo o que sobra para a arena. Também há o temor de possíveis sanções ao clube.

O relatório feito por Tuma Júnior e seu grupo também traz documentos para mostrar que a Omni paga seus impostos pelo sistema Simples Nacional, válido para empresas que têm faturamento bruto anual de até R$ 3,6 milhões. A questão aqui também é se a gestora do estacionamento recolhe corretamente seus tributos ou está pagando a menos. Vale lembrar que ela também fatura com Fiel Torcedor, além de outros contratos ligados ao Corinthians.

Seguro vencido?

Há ainda no dossiê cópia do tíquete do estacionamento fornecido no jogo contra o Santo André, o primeiro do Corinthians em casa neste Campeonato Paulista, com apólice de seguro vencida em 26 de agosto de 2016.

O blog procurou Marta Alves de Souza Cruz, sócia e diretora da Omni. Por mensagem de celular ela disse que houve um erro de gravação na data do seguro e que ele vale até 2017. A empresária, porém, não respondeu às perguntas sobre as outras supostas irregularidades.

Eterna?

Um dos pontos mais criticados do trato com a Omni é o fato de o acordo ter sido assinado por dez anos com opção por renovação por outros dez, invadindo a administração de futuros presidentes. Mas há outra controvérsia ligada ao prazo no contrato para locação da área em que funciona o estacionamento. A lei 8.245 diz que em aluguéis comerciais o inquilino tem direito à renovação pelo mesmo prazo do contrato anterior desde que o acordo seja por pelo menos cinco anos. Como foi firmado com a Omni compromisso de dez anos, em tese, caso o clube quisesse colocar outra empresa no local, como quer agora, seria praticamente impossível fazer a mudança sem alegar descumprimento contratual. A renovação nesses termos também impede que sejam cobradas luvas.

O novo contrato com a Indigo será por quatro anos. Assim, ela não terá direito à renovação.

Mistério

E quanto o estacionamento da arena gera de receita? A resposta é difícil de ser obtida porque os relatórios financeiros enviados pelo clube para Federação Paulista e CBF não trazem essa informação. Documento feito pela empresa que auditou o balanço da arena de 2015 também não cita as receitas arrecadadas com carros estacionados no estádio.

O número ainda ficou de fora de apresentação das metas da arena para 2016 ao Conselho Deliberativo do clube em março do ano passado.

Entre os pontos considerados lesivos ao Corinthians por conselheiros está a cláusula 1.2, na qual a Omni declara que os parâmetros de operação serão regulados diretamente com o clube, sem qualquer espécie de vínculo ou solidariedade entre Corinthians e fundo. Para conselheiros, esse item faz o alvinegro se responsabilizar sozinho por eventuais problemas.

Outros pontos polêmicos do acordo são o fato de só a Omni poder rescindir o compromisso sem falha da outra parte e a validade retroativa do contrato. Datado de janeiro de 2015, ele começou a valer na prática em 2014.

O blog enviou perguntas sobre o tema para as assessorias de imprensa do Corinthians que cuidam da arena e do presidente, mas nenhuma respondeu até a publicação deste post. Rodrigo Cavalcante, representante do fundo, também não atendeu ao blog.


Andrade acena com ‘governo de coalizão’ para escapar de impeachment
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Em busca de apoio contra o pedido de seu impeachment, Roberto de Andrade tem acenado por meio de colaboradores com um “governo de coalizão” caso permaneça no cargo. A proposta é aproximar da gestão não só aliados de Andrés Sanchez que se afastaram dele, mas também líderes da oposição. Os nomes mais influentes seriam convidados a participar da gestão.

O pedido de afastamento será votado nesta segunda no Conselho Deliberativo e se for aprovado ainda terá que ser ratificado pelos sócios.

Aproximadamente 200  dos cerca de 344 conselheiros do clube já foram abordados pela defesa do presidente corintiano em busca de apoio. O pedido vem geralmente acompanhado de uma promessa de mudança na maneira de o dirigente administrar o clube. A partir de terça-feira, caso vença no conselho, ele passaria a ouvir mais os membros do órgão. Líderes históricos teriam participação ativa em decisões estratégicas, como em relação à Arena Corinthians.

Conselheiros, principalmente do grupo Renovação e Transparência, capitaneado por Andrés Sanchez, se queixam de que o presidente não ouve conselhos antes de tomar decisões importantes e que se afastou do clube, pois costuma despachar na loja de carros na qual tem participação societária e trabalha.

Se o impeachment for aprovado também pelos sócios, André Luiz Oliveira, primeiro vice, assume com a obrigação de marcar nova eleição.

O afastamento é pedido porque o cartola teria prejudicado a imagem do clube ao assinar documentos com datas anteriores à sua eleição se tornando alvo de inquérito sobre crime de falsidade ideológica, além de ser acusado de se recusar a entregar documentos solicitados por conselheiros. O dirigente diz que houve um erro de datas sem dano ao Corinthians e nega a recusa em relação à papelada.

A comissão que analisou o pedido não recomenda o impeachment, mas pede uma advertência por escrito ao presidente.


Gestora de estacionamento da Arena Corinthians rejeita rescisão de contrato
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Com Dassler Marques, do UOL, em Sāo Paulo

Na sexta-feira da semana passada Roberto de Andrade anunciou no site da Arena Corinthians um novo acordo para a gestão do estacionamento do estádio alvinegro com a Indigo, especializada no ramo. A Omni parecia página virada nessa área da casa corintiana. Mas não é. A empresa discordou da notificação extrajudicial que recebeu do Arena Fundo de Investimento  Imobiliário rescindindo o contrato e acionou um escritório de advocacia para se defender no imbróglio. Por enquanto, ninguém foi à Justiça.

Assim, apesar de o Corinthians já ter apresentado um novo parceiro para o estacionamento, ainda não foi resolvida a rescisão do antigo contrato, usado como um dos argumentos para o pedido de impeachment do presidente corintiano.

A oposição suspeita que o presidente se apressou em anunciar o trato com a Indigo para dar a impressão aos conselheiros de que o contrato problemático já tinha ido pro lixo. Membros do conselho favoráveis ao afastamento alegam que o fato de o acordo com a Omni ter sido assinado com data anterior ao presidente ser eleito gerou dano à imagem do Corinthians porque o cartola passou a ser acusado de falsidade ideológica e virou alvo de um inquérito policial. Além disso, afirmam que o trato com a Omni é lesivo ao alvinegro. Prejuízos materiais e morais são motivos para a destituição.

A votação sobre o impeachment será na próxima segunda. Se o afastamento for aprovado ainda terá que ser ratificado pelos sócios.

O impasse começou no dia 9 de fevereiro, quando a Omni recebeu a notificação extrajudicial assinada por Rodrigo Cavalcante, representante do Arena Fundo, que cuida de contratos do estádio e do qual o Corinthians faz parte.

No documento, a Omni foi informada de que o acordo estava sendo rescindido porque ela havia se comprometido a zelar pela imagem do fundo e de seus cotistas (entre eles está o clube), mas não honrou o compromisso. O descumprimento ocorreu, segundo a notificação, porque recentes reportagens sobre multa aplicada pela prefeitura à empresa por falta de licença de funcionamento do estacionamento chamaram a atenção da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), que regula fundos no Brasil. Assim, a imagem dos parceiros da Omni teria sido abalada gerando motivo para a rescisão.

A notificação dá prazo de 30 dias para a empresa deixar o estacionamento. Os últimos dois jogos na arena ainda foram operados por ela.

O contrato entre as partes dá a Omni o direito de rescindir o acordo sem justificativa, mas o fundo precisa provar falha da parceira. A empresa discorda que tenha provocado dano à imagem dos parceiros. Por isso enviou uma contranotificação ao fundo dizendo que não descumpriu o contrato e que não aceita a rescisão unilateral.

Uma reunião chegou acontecer nesta semana entre Omni e diretoria alvinegra na tentativa de um acordo, mas não houve consenso.

Fiel Torcedor

Existe um problema estratégico para a empresa. Se ele aceitar a rescisão nos termos propostos, admitirá que trouxe prejuízo à imagem do clube. E se provocou esse dano, corre o risco de ver a diretoria alegar que ela não tem mais condições de manter seus outros contratos com o alvinegro. O mais valioso e exitoso deles é o que trata da operação do Fiel Torcedor.

A expectativa da diretoria era justamente de que a empresa aceitasse um acordo para sair do estacionamento pensando em preservar o trato relativo ao programa de sócio-torcedor.

Um dos argumentos da Omni é de que fundo e Corinthians sabiam que ela não tinha alvará para operar no estádio. Em sua defesa contra o impeachment, Andrade minimizou o fato de o objeto social vinculado ao CNPJ da Omni não se referir a operações de estacionamento. Afirmou que a parceira locava o espaço e contratava especialistas no serviço. Disse ainda que recentemente ela havia aberto uma empresa para gerir estacionamentos e que estava esperando sua regularização.

Contradição?

Em sua defesa, Andrade também diz que não podem ser usadas como argumento para seu afastamento reportagens que falam da suspeita de que ele tenha cometido crime de falsidade ideológica. Declara que tais notícias não provocaram dano à imagem do clube.

Curiosamente, o fundo, que consulta o Corinthians antes de tomar decisões importantes, usa reportagens como meio para chegar ao dano à imagem e pedir a rescisão.

O rompimento com a Omni e o acordo com a Indigo trazem ainda outra dor de cabeça para o presidente corintiano. É que ficou acordado no Conselho Deliberativo que nenhum ato importante envolvendo a arena poderia ser consumado sem autorização do órgão.

A assessoria de imprensa do Corinthians para assuntos da arena disse que a decisão do fundo, não da diretoria.

Silêncio

Desde quinta-feira o blog tenta falar com Marta Alves de Souza Cruz, sócia e diretora da Omni. Ela não respondeu às perguntas enviadas por mensagem de celular e na ligação que atendeu disse estar em reunião, desligando em seguida.

Por sua vez, Bruno Prata, diretor do KLA – Koury Lopes Advogados confirmou que o escritório trabalha para a Omni no caso, mas explicou que não poderia falar sobre o assunto.

Rodrigo Cavalcante não atendeu ao blog por celular. Na BRL Trust, responsável pelo Arena Fundo e onde ele trabalha, funcionária que atendeu ao telefonema disse que o executivo não estava no local e anotou o recado, mas ele não telefonou de volta até a publicação deste post.

As assessorias de imprensa do Corinthians que tratam de temas ligados ao presidente e à arena não responderam às perguntas do blog até a publicação do post.

A Indigo disse que só vai se manifestar sobre sua parceria com a Arena Corinthians na próxima semana. Assim, não respondeu quando começa a operar no estádio e nem se já assinou contrato.

 


Auditoria vê setores norte e sul como mais incompletos da Arena Corinthians
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A história parece confusa. Realmente é. Depois de o escritório que coordenou a auditoria relativa à Arena Corinthians entregar seu parecer, a empresa que auditou a obra do ponto de vista de engenharia e arquitetura ainda vai entregar seu relatório.

Acontece que o Molina & Reis Advogados completou seu trabalho no final do mês passado sem que o escritório Claudio Cunha Engenharia Consultiva terminasse sua auditoria.

Os dois relatórios terão em comum a conclusão de que a Odebrecht teria deixado de fazer uma série de obras e que outras precisariam ser refeitas, conforme apurou o blog.

O parecer já entregue pelo escritório de advocacia calcula em pelo menos cerca de R$ 200 milhões o valor do que não teria sido feito e do que necessita de intervenção, sem laudos de engenharia e documentos que faltaram.

Por sua vez, o Claudio Cunha planeja entregar seu relatório no dia 15 de março, com mais de três meses de atraso, que serão justificados principalmente pela demora da Odebrecht em entregar documentos.

O trabalho que abrangeu dez disciplinas ligadas à construção deve apontar que os setores norte e sul do estádio são os mais incompletos. Essas são justamente as áreas mais simples da arena e com ingressos vendidos pelos menores preços.

Para indicar o que precisa ser refeito em sua opinião, o escritório de engenharia classificou itens como fora de conformidade com o que prevê o contrato.

A Odebrecht ainda não tem conhecimento do conteúdo de nenhum dos dois trabalhos, mesmo assim avalia serem contraditórios. Isso porque os setores norte e sul representam a menor parte da área construída da arena. A construtora acredita que se eles são os mais inacabados não é possível se chegar aos cerca de R$ 200 milhões relatados pelo Molina & Reis.

Porém, conforme informações obtidas pelo blog, os setores norte e sul são considerados mais incompletos em quantidade de itens que ainda precisam ser feitos, não em valores.

Como mostrou o blog, a Odebrecht admite que deixou de fazer cerca de R$ 40 milhões em obras porque o orçamento do estádio estourou. Quantia semelhante foi gasta, segundo a construtora. em outros serviços que estariam sem preço fixado previamente e acabaram provocando o estouro.

Porém, o relatório do escritório de engenharia atestará que a construtora tinha a obrigação de executar os trabalhos que faltaram.

Entre as obras que a Odebrecht admite não ter feito nos setores norte e sul por causa do alegado estouro orçamentário, sem ter ferido o contrato, de acordo com a empresa, estão a instalação de dois elevadores em cada lado. Eles seriam usados por deficientes físicos para irem ao banheiro na parte inferior da arena e custariam no total R$ 650 mil pelas contas da Odebrecht.

As áreas norte e sul também ficaram sem parte do acabamento. O piso seria de granito, como nos setores leste e oeste. Porém, segundo a Odebrecht faltou verba e eles foram entregues no contrapiso.

O Corinthians vai decidir se considera a obra entregue ou não baseado nos dois relatórios. Uma das possibilidades é pedir um desconto no valor da dívida pela construção tendo como base a auditoria.

 

 


Barça resiste à proposta do Palmeiras para impedir saída de Mina em julho
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Maurício Galiotte e Alexandre Mattos foram para a Espanha em busca de um acordo com o Barcelona para alterar a data da preferência que o time espanhol tem para contratar Mina de julho de 2017 para o mesmo mês do ano que vem, conforme apurou o blog. O objetivo da mudança é assegurar que o colombiano dispute a atual Libertadores até o fim.

Porém, a negociação não vai ser fácil. Segundo fonte ligada ao clube espanhol, o Barça não está disposto a aceitar a prorrogação proposta por presidente e diretor remunerado do Palmeiras. Prefere manter o direito de decidir a questão em julho deste ano. A tendência neste momento é de fazer valer a cláusula, mas o Palmeiras ainda não jogou a toalha.

A opção de compra do time catalão vale desde que sejam pagos 9 milhões de euros (cerca de R$29,2 milhões) pelo atleta.

A assessoria de imprensa do Palmeiras afirmou ao blog que o clube não se manifestaria sobre o assunto.

Além da negociação por Mina, os dirigentes palmeirenses querem estreitar a relação com o Barcelona.


Justiça manda Fluminense pagar R$ 150 mil ao Palmeiras em caso Martinuccio
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Perrone

O Palmeiras obteve vitória parcial na Justiça, em segunda instância, contra o Fluminense no caso Martinuccio. Foi aceito parcialmente recurso do clube paulista que agora conseguiu o direito de receber R$ 150 mil do time carioca a título de indenização por danos morais mais juros de mora de 1% ao mês a partir de 18 de julho de 2011. Isso porque o tricolor do Rio ignorou, segundo a decisão, pré-contrato do alviverde com o argentino e o contratou.

A quantia é pequena perto do que os palmeirenses pediam: duas mil vezes a remuneração do argentino no Flu. O salário do atleta não foi revelado na decisão.

Julgamento anterior havia obrigado o Palmeiras a pagar R$ 10.000 em honorários e custas processuais, além de ter seus pedidos negados, por isso clube recorreu. Apesar de provar os danos morais, no entender dos desmbargadores, o alviverde não provou danos materiais. Assim, essa indenização foi negada. Também não foi aceita a tese de que o Flu aliciou o jogador e de que praticou concorrência desleal.

Os advogados palmeirenses alegaram que quando o Fluminense contratou Martinuccio, apesar do pré-contrato do clube paulista com ele, o alviverde foi tachado por torcedores e pela imprensa de associação ineficiente ou incompetente, o que justificaria o dano moral.

“É certo que a conduta do clube requerido, que ignorou o pré-contrato firmado pelo clube autor e o jogador Martinuccio e contratou o atleta, configurou o abuso de direito, configurando danos ao postulante”, escreveu no dia 31 de janeiro Marcia Dalla Déa Barone, relatora do processo na 3ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo. A decisão foi publicada nesta quarta no Diário Oficial.

Em sua defesa, o Fluminense alegou que o pré-contrato não era valido por causa de uma série de irregularidades (no entendimento dele), como a assinatura apenas em português. A tese não foi aceita.

Martinuccio havia entrado com uma ação contra o Palmeiras para anular o pré-contrato, e ela foi extinta, pois as partes entraram em acordo.