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Justiça cita Copa do Mundo e nega liminar para afastar direção da CBF
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A Justiça do Rio indeferiu nesta quarta (2) pedido de liminar do Ministério Público para afastar a diretoria da CBF enquanto decide sobre o afastamento definitivo.

O promotor Rodrigo Terra pediu a destituição da direção alegando que a reunião que alterou o estatuto da entidade e deu peso maior ao voto das federações foi irregular já que representantes dos times não foram convocados para a assembleia. Ele também via a liminar como necessária para impedir que Marco Polo Del Nero, agora banido definitivamente pela Fifa, em primeira instância, escolhesse seu sucessor mantendo, em tese, influência na entidade. No entanto, a decisão só saiu depois de Rogério Caboclo, escolhido por Del Nero, ser eleito para assumir o posto em abril do ano que vem.

Para o Ministério Público, a eleição de Caboclo não tem valor por ter se concretizado com regras contestadas na Justiça. Por isso, pediu, sem sucesso até aqui, a anulação dos efeitos da assembleia que alterou o estatuto.

O juiz Bruno Monteiro Rulière alegou que não há risco ao resultado do processo para deferir a liminar. Ele afirma que como a nova diretoria só vai tomar posse em 2019, não existe urgência. Outro argumento é o de que o afastamento da direção agora poderia atrapalhar a seleção brasileira na Copa do Mundo da Rússia.

“A manutenção da situação das coisas se afigura recomendável para evitar qualquer instabilidade institucional às vésperas da maior competição futebolística do mundo (a Copa do Mundo), o que poderia, em tese, gerar eventuais prejuízos ao futebol nacional”, escreveu o juiz.

O Ministério Público vai contestar a decisão com um agravo.

Entre as considerações feitas ao se defender, a CBF alega que a reunião foi sem a presença das agremiações por ser administrativa e que não houve irregularidade. Diz também que a pretensão do Ministério Público fere a autonomia das entidades de organização desportiva. Os advogados da confederação ainda alegam, entre outras justificativas, que o MP não tem legitimidade para tratar de questões internas da entidade. Eles lembram que nenhum dos filiados acionou a Justiça. A defesa pediu a extinção da ação sem julgamento do mérito, o que foi negado. Assim, o processo segue.

O juiz entendeu que o Ministério Público tem legitimidade para propor a ação e que o fato de filiados não contestarem judicialmente a assembleia nada muda.

Apesar de negar o afastamento provisório da direção da confederação, Rulière escreveu que “verifica-se aparente ilegalidade” na assembleia que alterou o estatuto. O magistrado sustenta que a Lei Pelé dá o direito de todos os clubes das Séries A e B do Brasileiro de votarem nas assembleias da CBF, independentemente da natureza delas.


MP pregunta à Fifa se Del Nero violou suspensão em eleição na CBF
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O Ministério Público do Rio de Janeiro instaurou no final de março inquérito para investigar a suposta influência de Marco Polo Del Nero no processo eleitoral na CBF com o objetivo de colocar no poder Rogério Caboclo, seu homem de confiança. As primeiras medidas foram enviar para a Fifa cópias de reportagens sobre suposta manobra do presidente suspenso temporariamente e indagar à Federação Internacional se ele violou a suspensão ao articular a escolha de seu sucessor.

Del Nero está suspenso provisoriamente enquanto a Fifa o julga por acusações de atos de corrupção negados por ele. Mesmo afastado, ele teria articulado com federações estaduais um apoio em massa a Caboclo, eleito presidente nesta semana. Com o suporte das entidades estaduais, não sobraram outras oito instituições para apoiar uma candidatura alternativa. Também era necessário o aval de cinco clubes para um opositor disputar o pleito. Essa suposta articulação é vista como possível manipulação pelo MP.

O blog não conseguiu falar com Del Nero sobre o assunto. A interlocutores, Caboclo assegurou que o presidente suspenso não participou das reuniões que ele fez com dirigentes das federações em busca de votos. O atual CEO da CBF só deve tomar posse em abril do ano que vem.

O promotor Pedro Rubim Borges Fortes também pede que a Fifa compartilhe em até 60 dias com o MP cópia integral dos processos instaurados no Comitê de Ética da entidade relacionados a Del Nero.

No documento que determina a abertura de inquérito, o Ministério Público cita que há “notícia de abuso de poder político e econômico caracterizado pelo pagamento de uma contribuição mensal às federações”. O texto também faz referência à “importância da observância do princípio democrático da imparcialidade e do exercício equilibrado do poder para o direito dos torcedores” em relação à qualidade das competições esportivas.

Outra medida do promotor foi requerer o auxílio do Grupo de Atuação Especializada do Desporto e Defesa do Torcedor criado pela Procuradoria-Geral de Justiça.

 


Juiz dá prazo para CBF exibir ata, e MP não deve conseguir evitar pleito
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A Justiça do Rio de Janeiro se manifestou nesta quarta sobre processo no qual o Ministério Público pede o afastamento da atual diretoria da CBF. O juiz Bruno Monteiro Ruliere, do Juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos, deu cinco dias para a confederação apresentar ata de assembleia que é contestada pelo MP.

A decisão não foi bem recebida pelo Ministério Público, pois dificulta que o órgão consiga evitar a eleição para presidente da confederação marcada para o próximo dia 17. O prazo dado pelo juiz deve contar apenas dias úteis. Além disso, o magistrado ainda precisará de tempo para analisar a ata e tomar sua decisão.

O promotor Rodrigo Terra entrou com a ação no final de julho do ano passado por entender que a assembleia responsável por mudar regras eleitorais da entidade, em 23 de março de 2017,  foi irregular. Isso porque os clubes não foram convocados para ela. A reunião deu peso maior de voto para as federações, praticamente impedindo os times de lançarem um candidato com chances de vitória.

Alegando descumprimento do Estatuto do Torcedor, por haver no entendimento dele transgressão ao princípio da transparência, Terra pediu liminar para afastar a diretoria da CBF até a decisão definitiva da Justiça. Também solicitou a anulação da assembleia, porém nenhuma dessas decisões foi tomada. O juiz alegou que a ata da assembleia contestada não consta dos autos, assim, estipulou prazo para a confederação apresentar o documento.

Depois de a CBF marcar a próxima eleição para 17 de abril, o promotor fez novo pedido para a Justiça. Solicitou que  ao menos fossem suspensas as mudanças estatutárias para que a eleição não acontecesse com regras contestadas. Dessa forma, o prazo dado para a confederação mostrar a ata da assembleia desagradou ao promotor.

“Com essa decisão, a Justiça não vai ter sido capaz de evitar um dano ainda maior, que é a realização de uma eleição com base em um estatuto alterado de maneira irregular. Isso depois de o processo ficar mais de um mês para a conclusão”, declarou Terra ao blog.

A CBF nega ter havido irregularidade na assembleia e afirma que os clubes não foram chamados por se tratar de uma reunião administrativa.

Na semana passada, o blog tentou entrevistar o juiz Ruliere. No entanto, a assessoria de imprensa do órgão afirmou que ele não poderia falar porque o processo estava concluso para análise do pedido de liminar. “Segundo o juiz, a decisão será proferida o mais breve possível, observando, contudo, que a complexidade da matéria e a sensibilidade do tema exigem um tempo maior de análise da questão”, informou a assessoria na ocasião.

O novo presidente da CBF só deve tomar posse em abril do ano que vem, quando começará seu mandato. O estatuto da entidade permite que a eleição ocorra com um ano de antecedência.

Diante do risco de levar uma longa suspensão da Fifa por causa de acusações de envolvimento em atos de corrupção, Marco Polo Del Nero desistiu de se candidatar. Ele está suspenso temporariamente pela Fifa enquanto aguarda a decisão da federação internacional sobre seu futuro. O cartola nega ter praticado crimes.

Del Nero fez uma costura política que assegurou a seu homem de confiança, Rogério Caboclo, atual CEO da CBF, ser candidato único do pleito. Não sobraram oito federações, número mínimo de apoios exigido, para o lançamento de uma chapa concorrente. Também é preciso o aval de cinco clubes.

Pelo caminho, ficou Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista e que sonhava em ocupar o posto máximo da confederação.

 

 


Eleição para presidência da CBF será em 17 de abril
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Com Pedro Ivo Almeida, do UOL, no Rio de Janeiro

A CBF decidiu fazer sua próxima eleição presidencial no dia 17 de abril. Após manobra de Marco Polo Del Nero, Rogério Caboclo, atual CEO da confederação, deve ser candidato único. Depois de 20 federações se comprometerem com o escolhido pelo presidente suspenso pela Fifa, não sobraram oito entidades estaduais para aprovar outra chapa.

É necessário também o aval de cinco clubes das Séries A e B. Caboclo tem o apoio da maioria.

A chapa terá ainda os quatro vice-presidentes atuais da confederação: coronel Nunes, hoje presidente em exercício, Fernando Sarney, Gustavo Feijó e o deputado federal Marcus Antônio Vicente (PP-ES). Como o novo estatuto ampliou para oito o número de vice-presidentes, também estão na chapa de Caboclo os mandatários das federações mineira, Castellar Guimarães Neto, acreana, Antônio Aquino Lopes, gaúcha, Francisco Noveletto, e baiana, Ednaldo Rodrigues, como mostrou o Blog do Marcel Rizzo.

A eleição acontecerá enquanto Del Nero aguarda se ele será punido definitivamente pela Fifa por conta das acusações de suposta prática de corrupção negada por ele, que inicialmente planejava se candidatar. Com Caboclo o cartola assegura que terá um aliado como sucessor. Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista, queria disputar o cargo, mas ficou sem ação após a estratégia adotada pelo presidente suspenso.

No pleito, o voto das federações terá peso três. Cata indicação de time da Série A terá peso dois, e os votos dos clubes da Série B valerão apenas um. Com candidato único, o valor diferente não importa. Porém, o sistema é contestado pelo Ministério Público na Justiça do Rio. O MP  pede a nulidade da reunião em que a alteração foi feita sob a alegação de que os clubes não participaram da decisão. Também é pedido o afastamento da atual diretoria primeiro em caráter liminar e depois em definitivo.

No mesmo dia da votação, deve acontecer a assembleia para analisar as contas da confederação. A posse do novo presidente está prevista apenas para abril de 2019.


CBF decide fazer eleição em abril, e Justiça fica mais pressionada
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Rogério Caboclo, atual diretor-executivo da CBF, deve ser eleito presidente da entidade já em abril. A confederação decidiu fazer a eleição no mesmo dia em que fará uma assembleia para aprovar as suas contas. Assim, já aproveitará a presença dos dirigentes, evitando novo deslocamento. A data do pleito, no entanto, ainda não foi definida oficialmente.

Pelo estatuto da CBF, a eleição poderia acontecer até abril do ano que vem, quando o novo mandatário tomará posse. Porém, foi escolhido o mesmo mês em que a Fifa definirá se pune definitivamente Marco Polo Del Nerto, suspenso preventivamente por atos de corrupção negados por ele.

A decisão de definir o próximo presidente em abril aumenta a pressão para a Justiça do Rio de Janeiro resolver em primeira instância se concede liminar para anular as últimas mudanças estatutárias na entidade e afastar toda a diretoria atual até o caso ser julgado definitivamente.

Como mostrou o blog, o promotor Rodrigo Terra, autor da ação, e o deputado Otávio Leite (PSDB-RJ), responsável por acionar o Ministério do Público, cobram celeridade do juiz Bruno Monteiro Ruliere, que é quem cuida do processo agora. A ação foi distribuída em julho de 2017, mas ainda não houve resolução sobre a liminar.

Promotor e parlamentar alegam que se a decisão não for tomada antes da próxima eleição, o pleito acontecerá com regras contestadas na Justiça.

Terra entrou com a ação porque a CBF mudou seu estatuto numa reunião sem a presença dos clubes. As agremiações nem foram avisadas sobre a assembleia que aumentou o peso do voto das federações. O representante do MP alega que, como as agremiações não foram convocadas para discutir a mudança, houve falta de transparência e descumprimento do Estatuto do Torcedor.

Pelas normas antigas, votavam as 27 federações e os 20 clubes da Série A. Todos os votos tinham o mesmo valor. Agora, o de cada federação tem peso 3. Os dos clubes da Série A valem 2. Já a indicação de time da Segunda Divisão possuem valor unitário.

No novo formato, mesmo estando em menor número, as federações continuam ganhando se votarem em conjunto. É o que deve acontecer em abril. Após articulação de Del Nero, a maioria das entidades estaduais se comprometeu a votar em Caboclo, seu homem de confiança. Não sobraram oito federações para apoiar outro candidato, como exigem as regras. Também é necessário o aval de cinco clubes. Desta forma, Caboclo deverá ser candidato único.

 

 


‘Cara do Marco Polo’ e ‘homem do não’. Conheça Rogério Caboclo
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A sala de reuniões na Federação Paulista estava repleta de cartolas entediados e apressados para deixar o local. Em pé, empolgado, apresentando infinitas planilhas abarrotadas de números, estava Rogério Caboclo, então jovem dirigente da entidade e que hoje está prestes a se transformar no novo presidente da CBF.

Foi mostrando organização e obsessão pelo controle das finanças da entidade estadual, como na longínqua cena descrita acima, que ele começou a conquistar Marco Polo Del Nero. Nesta quinta, seu padrinho político articulou a manobra que assegura apoio da maioria das federações estaduais para a candidatura de Caboclo, 45 anos, à presidência da confederação. Não sobraram entidades para outro candidato conseguir o aval e atingir o mínimo de oito federações para se candidatar, além do apoio de mais cinco clubes. A eleição pode ocorrer até abril de 2019.

Conselheiro do São Paulo e filho do Carlos Caboclo, tradicional cartola tricolor, Rogério foi diretor executivo do clube aos 28 anos na gestão do presidente Paulo Amaral, que hoje atua na federação paulista. Dois anos depois, Caboclo chegou à FPF. Lá organizou e blindou a área financeira. Só passava informações para o presidente Del Nero. Reinaldo Carneiro Bastos, que era vice e atualmente preside a entidade, tinha acesso a todos os setores, mas ficou sem trânsito em relação às finanças.

Reinaldo foi justamente o maior prejudicado com a decisão de Marco Polo de transformar Caboclo em seu sucessor. O presidente da federação preparava campanha para tentar sentar na cadeira mais cobiçada da CBF.

Lealdade

Demonstrando fidelidade canina a Del Nero, Rogério virou seu homem forte. Naquela época, ele começou a mostrar uma característica que mais tarde viria a incomodar presidentes de federações na confederação: a facilidade em dizer não a pedidos de dirigentes e a dificuldade em liberar verbas. Ninguém conseguia nada sem convencer Marco Polo a falar com seu diretor.

Depois de ser vice da FPF, ele virou CEO da CBF, com José Maria Marin como presidente, mas por obra de Del Nero. A patente de oficial do exército de Marco Polo ficou rapidamente evidente para quem trabalhava na confederação. Um ex-funcionário conta que Marin foi logo avisando: “cuidando com o que você fala para o Rogério porque ele é cara do Marco Polo”.

O novo executivo impressionou seus colegas de trabalho pela formalidade e gentileza no trato diário. Mesmo gentil, ele colecionou desafetos principalmente por conta de uma série de demissões atribuída a ele. O paulista organizado e polido passou a ser visto como uma pessoa obcecada em abrir espaço para os homens da confiança de Del Nero na confederação.

Entre dirigentes, consolidou a fama de ser “o homem do não” por causa dos pedidos negados. Enquanto isso, Caboclo se orgulha de ter cortado gastos e aumentado receitas, entre outros feitos na CBF. Um deles é a negociação do novo contrato com a Globo referente à transmissão da Copa do Brasil. Segundo a entidade, a competição se tornou a mais rentável do hemisfério sul pagando R$ 50 milhões para o campeão.

Recentemente, Rogério foi escolhido para ser CEO da Copa América de 2019, marcada para o Brasil. Ele também atuou como diretor de Relações Institucionais do COL (Comitê Organizador Local) da Copa de 2014.

Cartolas que frequentam a Confederação, classificam Caboclo como técnico, objetivo, eficiente na área financeira, porém sem conhecimento político. Essa é a principal crítica dos que são contrários à sua candidatura. Ele não teria desenvoltura para agir nos bastidores da Fifa, por exemplo, por nunca ter dirigido uma entidade antes. Isso, na análise de alguns conhecedores da CBF, é sinal de que Caboclo será guiado por Marco Polo.

Suspenso provisoriamente pela Fifa, o presidente suspenso terá seu caso decidido até o próximo dia 15. No cenário atual, se for banido ou levar um longo gancho por conta de acusações de corrupção, Del Nero teria o conforto de ser sucedido por alguém que, acredita, nunca o trairá.

Hoje, apesar de o vice Coronel Nunes ter assumido a presidência, Caboclo já é tido como quem preside a confederação defendendo os desejos do chefe afastado. Marco Polo nega as acusações de corrupção.

Rogério Ceni

Ao mesmo tempo em que elogiam a capacidade administrativa do provável novo comandante da confederação, cartolas e ex-funcionários da CBF apontam a falta do assunto futebol em suas conversas. Jogos e atuações de jogadores são temas que não parecem empolgar o candidato à presidência.

Um de seus seis interlocutores ouvidos pelo blog afirma ter como rara lembrança de Caboclo falando sobre futebol uma mágoa com Rogério Ceni. Pelo relato, o dirigente não engoliu o episódio em que representante do ex-goleiro apresentou uma proposta que seria do Arsenal, em 2001. O presidente são-paulino na ocasião, Paulo Amaral, de quem Caboclo foi diretor, consultou o clube inglês, que negou ter feito a oferta. O episódio terminou com uma suspensão ao goleiro.

O pupilo de Del Nero pode ser ainda descrito como um homem que gosta de negócios em família. Casado e com um filho, seu nome aparece na Junta Comercial de São Paulo como sócio em quatro empresas, todas ao lado de parentes. Advogado e administrador de empresas, ele está, segundo os registros, entre os donos de Caboclo Participações e Empreendimentos Imobiliários, Caboclo Distribuidor e Romma Distribuidora, que são dois atacados de mercadorias, em especial alimentos, e Cromma Logística Empresarial, voltada para transporte de cargas.

Doença

Já como cartola da CBF, Caboclo passou por um momento dramático. Esteve internado por causa de uma grave doença. Ele se recuperou e reassumiu suas funções bem mais magro. O blog pediu à assessoria de imprensa da CBF explicações sobre a enfermidade, mas não obteve resposta.

Já um pedido de entrevista foi negado pela assessoria. Caboclo não quer se pronunciar neste momento.

Num momento em que a notícia da manobra de Del Nero por ele ainda chacoalha os bastidores do futebol brasileiro, o provável futuro presidente da CBF demonstra não querer se expor.

Colaborou Rodrigo Mattos, do UOL, no Rio de Janeiro

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Manobra de Del Nero dá certo e seu escolhido será candidato único

 


Manobra de Del Nero deixa em xeque estilo discreto de presidente da FPF
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Parte dos opositores de Marco Polo Del Nero e dos cartolas que não querem Rogério Caboclo, diretor-executivo de gestão da CBF, como novo comandante da entidade, tem em Reinaldo Carneiro Bastos a única esperança de ver o plano do presidente suspenso da confederação fracassar. Para viabilizar seu nome, porém o número 1 da Federação Paulista de Futebol terá que abandonar o estilo discreto característico de sua carreira e ir para a guerra aberta com Del Nero e Caboclo.

Como mostrou o blog do Rodrigo Mattos, Del Nero marcou reuniões reuniões com presidentes de federações estaduais nesta quinta e também no dia seguinte para tentar consolidar seu candidato como único na próxima eleição.

Para isso, o cartola investigado por autoridades norte-americanas e pela Fifa por suspeita de corrupção tenta obter o apoio de 21 das 27 federações para assegurar que Caboclo não tenha concorrente. Ele nega ter cometido irregularidades.

Para registrar uma chapa é preciso ter a assinatura de oito federações e de cinco clubes. Se a estratégia der certo, não sobrarão entidades estaduais suficientes para o lançamento de outra candidatura. A eleição, na qual votam federações e clubes das Séries A e B com peso maior para as entidades estaduais, pode ser marcada entre o próximo mês e abril de 2019.

Como até 15 de março a Fifa pode anunciar uma longa punição a Del Nero, o que inviabilizaria sua candidatura à reeleição, o cartola suspenso deflagrou a operação por Caboclo.

Automaticamente, o plano pressiona Bastos a definir se será candidato e a iniciar a sua campanha, entrando em conflito com Del Nero. Até cartolas que querem apoiar o presidente da FPF têm dúvidas se ele irá abandonar seu estilo de agir mais nos bastidores e ir para a trincheira.

Bastos, Del Nero e Caboclo atuaram juntos por muito tempo na Federação Paulista. A convivência faz com que conheçam os pontos fortes e, principalmente, os fracos uns dos outros. Esse cenário pode causar uma guerra fratricida, com riscos de graves danos para todas as partes.

O atual mandatário da federação paulista e Del Nero possuem uma relação de altos e baixos, mas até aqui sempre acabaram na mesma canoa. Na maioria dos momentos críticos do relacionamento, Bastos tentou evitar a briga escancarada. Esse quadro deixa cartolas interessados na sucessão em dúvida sobre qual será reação de dele, que até aqui não assumiu ser candidato.

Elementos para conquistar apoio não faltam ao presidente da FPF. Seu maior trunfo é o fato de ser o cartola brasileiro mais influente na Conmebol desde que Del Nero deixou de viajar para driblar o risco de prisão. Essa influência interessa especialmente aos clubes. É importante para eles ter bom relacionamento com um dirigente que pode, por exemplo, abrir portas para suas reivindicações em momentos decisivos da Libertadores.

Do outro lado da balança, Caboclo tem a máquina a seu favor, o que pesa principalmente para as federações. Ele já tinha sido anunciado como idealizador do projeto de convidar todos os dirigentes de entidades estaduais para viajarem até a Rússia a fim de acompanharem a Copa do Mundo.

Uma das primeiras declarações públicas após Del Nero colocar seu plano em marcha foi de Andrés Sanchez, que chamou a manobra de golpe e conclamou os clubes para definirem um nome de consenso. O presidente do Corinthians é aliado político de Bastos. Naturalmente, sua fala soa como um incentivo ao lançamento da candidatura do amigo, que agora se vê em xeque. O chefe do futebol paulista tem pouco tempo para decidir se segue silencioso nos bastidores ou veste o uniforme e vai para o campo de batalha contra íntimos oponentes.


Perícia particular descarta indícios de fraude em eleição corintiana
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Laudo particular preparado por cinco peritos atesta que não existem sinais de manipulação de resultado na eleição corintiana, que terminou com Andrés Sanchez eleito para um novo mandato. Paulo Garcia, segundo colocado na votação, acionou na Justiça a Telemeeting Brasil, empresa responsável pelo sistema eletrônico usado no pleito, por suspeitar de irregularidades.

“Não há indícios de fraude ou alteração por meio técnico do sistema de urna”, diz o documento elaborado pelos especialistas Leandro Morales Baier Stefano, Marcelo Nagy, Leonardo Nery, Jayme Paiola e Joaquim Gomes Vidal. A equipe trabalhou na fiscalização da eleição como representante de Antonio Roque Citadini, terceiro colocado e que encomendou o laudo.

Garcia entrou na Justiça principalmente porque um código existente para assegurar que não houve violação apareceu diferente no final do pleito em relação ao registrado antes da votação. Mas o parecer obtido pelo blog relata que a perícia aponta que não houve alteração de “hash’, como é chamado o código, uma espécie de impressão digital do arquivo.

“O confronto de ‘hash’ diferentes identificado foi um erro operacional do técnico da empresa Telemeeting, que no momento final da apuração de votos não pôde ser corrigido devido à confusão generalizada (tentativa de agressão a Andrés) ocorrida no local do pleito”, dizem os peritos no relatório.

Os especialistas questionaram a empresa sobre a diferença de códigos. Em resposta anexada ao laudo, ela informou que houve uma falha técnica que fez ser apresentado aos fiscais um código diferente. A perícia feita pelos especialistas por meio de uma técnica chamada engenharia reversa confirmou a versão da Telemeeting e afastou suspeita de manipulação.

“Só não podemos dizer se votou só quem deveria votar. Não fizemos controle de associados porque nosso trabalho foi técnico, apenas na parte de informática”, afirmou ao blog o perito Stefano.

Com o resultado da perícia, Citadini não deve ir à Justiça contra a Telemeeting ou para contestar de alguma forma o resultado do pleito.

Apesar de não encontrarem indícios de fraude, os peritos registraram no parecer críticas ao sistema usado. Entre elas está o uso de internet por rede sem fio, que segundo o relatório é inseguro. “É possível atacantes tentarem o acesso ao servidor de banco de dados”, afirma parte do documento.

Outra fragilidade apontada foi a falta de criptografia completa dos dados para dificultar o acesso de pessoas estranhas ao processo, o que reduziria o risco de fraudes.

Os peritos também entenderam que a equipe de técnicos da empresa e seus computadores deveriam ter ficado em um local mais seguro durante a votação.

Procurado, Andrea Mosiic, diretor da Telemeeting, disse que não poderia se pronunciar conforme orientação de seu advogado.

Vale lembrar que esta perícia não tem nada a ver com o processo na Justiça.

Abaixo veja parte da conclusão dos peritos.

 

 

 

 


Tentativa de agressão a Andrés atrapalhou conferência de votos em eleição
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Fiscais da candidatura de Antonio Roque Citadini, terceiro colocado na eleição corintiana, apontam o sumiço de uma urna com os comprovantes de votação pouco depois do final do pleito. O material seria usado para conferir se o número de votos registrado na apuração eletrônica era igual ao de comprovantes em papel. O problema faz parte de uma lista de supostas irregularidades indicadas pelo estafe do opositor que deve interpelar a Telemeeting Brasil, responsável pelo sistema eletrônico de votação.

Procurado pelo blog, Andrea Mosiici, diretor da Telemeeting, disse que a urna com os comprovantes foi retirada do local de votação antes da conferência por causa do tumulto provocado por torcedores que invadiram o ginásio e tentaram agredir Andrés Sanchez, eleito presidente. A medida visou preservar o material, segundo ele. “A conferência foi feita, não da maneira que queríamos por causa daquela confusão, mas foi feita sem problemas”, afirmou Mosiici.

O estafe de Citadini não fala abertamente em manipulação para favorecer um determinado candidato, mas alega ter elementos para afirmar que o sistema utilizado era frágil e vulnerável. O diretor da Telemeeting, porém, nega a possibilidade de violações.

Além de Citadini, a equipe de Paulo Garcia, segundo colocado na eleição, também aponta supostas irregularidades. O candidato entrou com uma ação criminal na Justiça contra a Telemeeting.

 


Opinião: eleição mostra que Corinthians é maior adversário dele mesmo
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Os problemas envolvendo a eleição presidencial corintiana ilustram de maneira exemplar como muitas vezes em sua história o Corinthians teve ele mesmo como seu principal adversário. Interesses pessoais ou de grupos políticos são colocados acima do que é melhor para o clube, que sangra.

As lambanças na eleição geraram pelo menos seis ações na Justiça, além de uma representação no Ministério Público e outra na receita federal. O alvinegro sai do processo eleitoral com a imagem abalada e até sem saber se o resultado anunciado na votação corresponde à realidade. O clima de desconfiança em nada ajuda uma instituição que busca patrocinadores e tem uma dívida superior a R$ 1 bilhão pela construção de seu estádio para pagar.

Os problemas começaram com a injustificável decisão da diretoria de dar desconto de 50% para os associados inadimplentes regularizarem suas situações. A promoção foi cancelada pela comissão eleitoral com o argumento de que o estatuto veta qualquer tipo de anistia a partir de 12 meses antes da eleição. A correria de candidatos para colocar associados em dia foi vista pela comissão como tentativa de compra de votos. Mais um tiro na imagem corintiana.

O mau cheiro aumentou com o envolvimento do empresário Carlos Leite no episódio. Como revelou o blog, recibo de devolução de dinheiro indica que ele enviou R$ 200 mil para o clube quitar taxas de sócios inadimplentes. A comissão eleitoral enviou a papelada da operação para Ministério Público e Receita Federal.

O golpe de misericórdia veio com as suspeitas de que irregularidades no sistema de votação podem ter adulterado o resultado do pleito. Paulo Garcia acionou na Justiça a Telemeeting Brasil, responsável pelas urnas eletrônicas alegando irregularidades. A empresa nega a possibilidade de ter havido manipulação do resultado.

Segundo colocado na eleição, Garcia não deve ser condenado pelo corintiano por ter recolocado o clube num noticiário indesejado. Ele está certo em buscar a Justiça se acredita ter sido prejudicado. Errados estão todos os que contribuíram para o lamaçal que cobriu a eleição. O dono da Kalunga tem sua parcela de culpa por ter financiado o pagamento de taxas para sócios inadimplentes.

O conjunto da obra eleitoral mostra que ninguém prejudica mais o Corinthians do que diretores, conselheiros e sócios que contribuem para fazer o clube passar vergonha. Nem o mais maldoso dos palmeirenses seria tão eficiente na missão de fazer mal ao alvinegro.