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Arquivo : José Maria Marin

MPF-RJ define procurador e inicia análise de denúncia contra Globo
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O MPF-RJ (Ministério Público Federal do Rio de Janeiro) designou o procurador Rodrigo da Costa Lines para analisar a representação feita contra a Globo por PT, PSDB e PSOL. Os partidos pedem que sejam investigadas denúncias de que a emissora pagou propina para assegurar direitos de transmissão de jogos internacionais de futebol. As acusações se tornaram públicas durante o julgamento de José Maria Marin e outros dirigentes que acontece em Nova York. A emissora nega ter praticado atos ilícitos e disse, por meio de seu departamento de comunicação, que ainda não foi notificada sobre o assunto.

Com a definição do procurador começa a análise do caso. A assessoria de comunicação de MPF-RJ disse ao blog que o procurador não dará entrevistas durante a fase inicial.

No pedido de investigação, os partidos afirmam que apesar de a constituição brasileira não prever crime de corrupção privada, a legislação considera de interesse público o serviço prestado por emissoras de TV mediante concessão do governo. Isso justifica um investigação pelo MPF, de acordo com os denunciantes. Outro argumento é o de que a apuração pode descobrir prática de outros delitos, como sonegação de impostos e lavagem de dinheiro.

A representação havia sido enviada para a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, que encaminhou o caso ao MPF-RJ. Cabe agora ao procurador Lines apurar o caso e decidir se oferece denúncia. Ele pode acionar a Polícia Federal para entrar na investigação. O procurador integra o NCC (Núcleo de Combate à Corrupção do MPF-RJ).

O documento elaborado pela trinca partidária é baseado em acusações feitas pelo empresário argentino Alejandro Burzaco. Ele diz que sua empresa, a Torneo y Competencias, a Globo e a Televisa pagaram juntas 15 milhões de euros em propinas para cartolas a fim de assegurar direitos de transmissão dos Mundiais de 2026 e 2030, além de direitos sobre edições da Libertadores e da Copa Sul-Americana.

Os partidos também enviaram representações contra a Globo para o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e o Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações

 

 

 


Raquel Dodge envia denúncia contra Globo para MPF do Rio
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Raquel Dodge, procuradora-geral da República, encaminhou para o MPF-RJ (Ministério Público Federal do Rio de Janeiro) denúncia de três partidos contra a Globo. A acusação é de pagamento de propina na compra de direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2026 e 2030, além de jogos da Libertadores e da Copa Sul-Americana. No Rio, a procuradoria vai decidir se abre investigação sobre o caso. A emissora nega irregularidades e disse que não pode comentar o assunto por não ter sido notificada ou informada oficialmente.

A representação havia sido enviada por PT, PDT e PSOL para a Procuradoria Geral da República como parte de um pacote de medidas contra a rede de TV. O documento se baseia nas acusações feitas por Alejandro Burzaco durante o julgamento de José Maria Marin e outros cartolas em Nova York. Ele afirma que Globo, Televisa e sua empresa, a Torneos e Competencias, pagaram juntas 15 milhões de euros em propinas para assegurar os direitos de transmissão dos Mundias de 2026 e 2030, além de edições da Libertadores e da Sul-Americana.

Por meio de sua assessoria de comunicação, o MPF-RJ informou ao blog que “no momento, a representação está no setor jurídico responsável pela distribuição e designação de procurador. Somente um membro (procurador) poderá fazer a avaliação da representação”.

Ao justificarem o pedido de investigação, os partidos lembram que na constituição brasileira não há previsão de crime de corrupção privada, porém afirmam que pela legislação o serviço prestado por emissoras de TV mediante concessão governamental é considerado de interesse público, o que justificaria a ação da procuradoria. Eles sustentam também que a investigação pode descobrir a prática de outros crimes previstos pelas leis nacionais, como sonegação de impostos, lavagem de dinheiro e delitos contra a livre concorrência.

Em outro trecho do documento, é citada lei que prevê incentivos fiscais para emissoras que comprarem direitos de transmissão de eventos esportivos internacionais. O mecanismo permite que 70% do direito devido em impostos pela remessa de quantia ao exterior para a aquisição desses direitos fique com a emissora, desde que ela invista em produção nacional com a participação de uma produtora independente. Assim, sustentam os partidos, se comprovada a propina, a isenção fiscal teria sido concedida baseada em uma fraude.

Além da PGR, o trio partidário acionou o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), pedindo que a Globo seja investigada por suposto crime de ordem econômica. Ele teria ocorrido por ter sido dificultada a participação de outras emissoras no processo de concorrência.

Outra investigação foi pedida ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações. Nesse caso, em tese, a apuração poderia culminar com a cassação da concessão dada pelo governo para a Globo.

PT, PDT e PSOL tentam suspender contratos da Globo referentes a duas Copas

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PT, PDT e PSOL tentam suspender contratos da Globo referentes a duas Copas
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PT, PDT e PSOL tentam suspender preventivamente contratos e eventuais negociações da Globo com Fifa e Conmebol por causa das acusações contra a emissora sobre supostos pagamentos de propina. O pedido de suspensão foi feito pelos partidos junto ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). A solicitação, como revelou a “Folha de S.Paulo” na última quinta,  faz parte de medidas tomas pelo trio para que a empresa sofra investigações que podem, em tese, levar até à cassação de sua concessão para operar.

O documento pede a adoção de medida preventiva (enquanto durarem as investigações) a fim de que se “suspenda negociações/contratos firmados entre a Rede Globo e as entidades Fifa e Conmebol para que demais concorrentes possam participar do processo de concorrência”. Para justificar o pedido, os representantes dos partidos afirmam que a não suspensão dos contratos para a transmissão das Copas de 2026 e 2030, além de edições da Libertadores e da Copa Sul-Americana, poderá causar efeitos irreversíveis, prejudicando outras empresas interessadas nos direitos dessas competições.

Por e-mail, o departamento de comunicação da Globo disse ao blog que a empresa não foi notificada sobre a representação e enviou cópia da nota que já tinha remetido à “Folha”. “Não podemos comentar sobre o que não fomos notificados ou oficialmente informados. Mas aproveitamos para reafirmar o que já dissemos: o Grupo Globo não pratica e nem tolera qualquer tipo de propina e está sempre à disposição das autoridades”, afirma o comunicado.

Em depoimento em Nova York durante julgamento de José Maria Marin e outros cartolas, Alejandro Burzaco, da Torneos y Competencias, afirmou que sua empresa, a Globo e a Televisa, do México, pagaram juntas US$ 15 milhões em propinas pelo direito de transmitir os Mundias de 2026 e 2030. O dinheiro teria sido recebido inicialmente por Julio Grondona, ex-presidente da Associação de Futebol Argentino e que morreu em 2014.

A representação formulada pelos partidos políticos solicita que todas medidas sejam adotadas para que as denúncias possam ser comprovadas, incluindo a apreensão de computadores, documentos e outros materiais da Globo e de pessoas físicas ligadas à emissora, além da possibilidade de suas concorrentes serem ouvidas. A investigação apuraria se houve infração da ordem econômica, que é caracterizada quando existe prejuízo à livre concorrência. Como punição, está prevista multa de até 20% em relação ao faturamento bruto anual da empresa.

Por fim, é requerida aplicação de penalidade à TV pela suposta irregularidade na aquisição dos direitos de dois Mundiais, da Libertadores e da Copa Sul-Americana.

Ao blog, a assessoria de imprensa do Cade confirmou que recebeu a representação, mas disse que não poderia revelar detalhes. O órgão vai primeiro decidir se aceita a representação. Em caso positivo, será feita uma investigação preliminar que poderá gerar um processo administrativo para apurar se houve crime de ordem econômica.

Em outra frente, os partidos enviaram representação contra a Globo ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicação. O pedido é para que as denúncias sejam investigadas e que sejam aplicadas eventuais sanções baseadas em lei que prevê a cassação de concessões para emissoras que cometerem crimes.

Também foi acionada a procuradora-geral da República, Raquel Dodge. Ela recebeu dos partidos pedido para que o Ministério Público Federal investigue as acusações contra a Globo.

 


Opinião: times precisam agir sobre acusações contra Globo e cartolas da CBF
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As recentes denúncias de propinas pagas por emissoras de TV para adquirir direitos de transmissão de jogos na América do Sul deixam claro que os clubes brasileiros estão entre os principais prejudicados. Isso se as acusações forem comprovadas.

Se cartolas de entidades nacionais e da Conmebol receberam suborno na venda de direitos da Libertadores, por exemplo, obviamente, os times perderam dinheiro. Eles sempre reclamaram de cotas baixas na competição continental. O dinheiro que deveria ir para os clubes, teria abastecido contas pessoais de corruptos.

Nesse cenário, dirigentes demoram para agir no sentindo de resguardar os direitos de suas agremiações. Na opinião deste blogueiro, representantes dos clubes brasileiros deveriam primeiro se apresentar à Justiça dos Estados Unidos como parte interessada no julgamento de José Maria Marin e de outros cartolas, no qual acusações têm se tornado públicas.

Domesticamente, eles precisam solicitar à cúpula da Globo detalhes da investigação interna que a empresa afirma ter feito para apurar supostas irregularidades com resultado negativo.

Em outra esfera, deveriam cobrar explicações da CBF e pessoalmente de Marco Polo Del Nero, presidente da entidade e um dos suspeitos.

Também é necessário cobrar Marcelo Campos Pinto, ex-executivo da Globo, tratado como parceiro pelos dirigentes de clubes nacionais, e que estaria envolvido no esquema.

O ex-diretor da Globo Esportes foi acusado por Alejandro Burzaco, da empresa Torneos y Competencias, de participar de reunião na Argentina com Marin, então presidente da CBF, e Marco Polo Del Nero, atual mandatário, para discutir o pagamento de subornos na compra de direitos da Libertadores e de outras competições sul-americanas. Ele diz que a Globo, além de outras empresas, pagou propinas. A emissora, assim como a CBF, Marin e Del Nero, nega ter cometido irregularidades.

Tais medidas seriam preparatórias para uma eventual ação dos clubes para serem ressarcidos, no caso de comprovadas as irregularidades e prejuízos decorrentes dela. Também seriam uma demonstração pública de que as agremiações repudiam tais atos. Porém, por enquanto, nenhum sinal público de indignação foi dado por pare dos cartolas.


Acusado de negociar propinas, ex-diretor da Globo segue influente na CBF
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Acusado de negociar pagamentos de propina em nome da TV Globo por direitos de transmissão de competições sul-americanas, Marcelo Campos Pinto segue com trânsito e uma dose  de influência na CBF.

Afastado da emissora em novembro de 2015, depois de estourar o escândalo de corrupção na Fifa, o ex-executivo “global” mostrou que não é carta fora do baralho na confederação em maio deste ano. Ele participou ativamente de uma reunião na entidade com a presença de representantes de clubes da Série A sobre comercialização de direitos de transmissão de jogos para o exterior.

Na ocasião, parte dos dirigentes deixou o encontro afirmando que Pinto lideraria as negociações dos direitos de televisionamento do Brasileirão com empresas estrangeiras. Desligado da Globo sob a alegação de que se aposentaria, o ex-executivo da emissora negou ao blog na semana da reunião que participaria do projeto internacional. “Conheço um essoal que está trabalhando com produção (em transmissões) e que me pediu para apresentar (à CBF). Só fui (à reunião) para acompanhar esse pessoal”, disse Pinto na ocasião. Porém, dirigentes de clubes que estiveram no encontro elogiaram uma apresentação sobre o tema atribuída a ele. Além disso, relataram sua participação como prova de que ainda é influente na entidade.

O ex-funcionário da maior emissora brasileira, foi acusado durante o julgamento de José Maria Marin e outros cartolas em Nova York. De acordo com Alejandro Burzaco, da empresa Torneos y Competencias, Pinto participou de uma reunião na Argentina com a presença de Marin, então presidente da CBF, e Marco Polo Del Nero, atual mandatário, para discutir o pagamento de subornos na compra de direitos da Libertadores e de outras competições sul-americanas. Ele diz que a Globo, além de outras empresas, pagou propinas.

A emissora, Marin, Del Nero e CBF negam o envolvimento em esquema de suborno. Procurado pelo blog, o ex-executivo da Globo não atendeu ao celular.

Enquanto trabalhava na emissora, Pinto era um dos personagens mais influentes do futebol brasileiro. Ele chegou a ser cotado para suceder Ricardo Teixeira, de quem era próximo, na presidência da CBF. Participava de reuniões com dirigentes de clubes na entidade e chegou a ter destaque em festas de premiações de campeonatos. Em 2015, durante cerimônia do Paulistão, distribuiu elogios a Marin, Del Nero e Reinaldo Carneiro Bastos, atual presidente da Federação Paulista.

O ex-diretor da Globo Esportes também ficou conhecido por oferecer mimos a dirigentes. Em 2014, por exemplo, distribuiu a eles ingressos para jogos da Copa do Mundo.


Opinião: justificativas de Dunga só ressaltam que a seleção não evoluiu
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Explicando a eliminação da seleção brasileira na Copa América Dunga foi tão mal quanto comandando o time nacional. Justificativas dadas pelo treinador só ressaltam como seu trabalho está longe do desejado pelo torcedor.

No discurso desastroso, o treinador disse que “elogiamos a Alemanha que trabalhou 14 anos e queremos resultado em dois anos”. Daí você para e pensa no que ele fez desde o retorno à seleção.

Dunga pegou um time humilhado após a goleada de 7 a 1 para a Alemanha na Copa do Mundo. E que hoje sofre a humilhação de ser eliminado na primeira fase da Copa América.

A seleção não tem padrão de jogo definido e nem uma equipe titular consolidada. Ou seja, em dois anos, praticamente nenhuma evolução foi vista.

A questão não é fazer em 24 meses o que os alemães fizeram em mais de uma década. Mas mostrar um crescimento compatível com o tempo de trabalho, o que o estágio atual da seleção mostra que não rolou.

O treinador afirmou também ter “certeza que o torcedor viu o jogo, o primeiro tempo e viu como o Brasil foi eliminado. Não foi no futebol”.

Esse é o ponto. Não é nem preciso ter assistido ao jogo para saber que o erro do juiz só atrapalhou a seleção porque ela foi incompetente para fazer um mísero gol contra o Peru. A justificativa valeria se tivesse sido um duelo contra a Argentina, por exemplo, mas não com um adversário que não está entre os grandes do futebol mundial.

E culpar a arbitragem, sugerindo esquema para favorecer ao México, é repetir a estratégia de Felipão durante a Copa de 2014. Ou seja, mais uma demonstração de que não houve evolução desde os 7 a 1.

Mas Dunga não é o principal culpado. A conta é de Marco Polo Del Nero, que já dava as cartas quando Marin contratou um técnico que estava parado, que é trabalhador, exigente nos treinos, mas que está longe de ter feito algo na carreira de técnico que justifique ocupar o cargo que ocupa. A aposta incompreensível de Del Nero e Marin fez com que em dois anos o Brasil nem começasse a sair do buraco em que se se enfiou.


Contra gasto de R$ 304 mil mensais, Marin tenta abolir vigilante em casa
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José Maria Marin tenta convencer o governo dos Estados Unidos de que é desnecessário manter um segurança em seu apartamento 24 horas por dia e dois ao seu lado nos momentos em que ele sai do imóvel.

Eliminar essa vigilância é a forma encontrada por seus advogados para diminuir os gastos mensais que o ex-presidente da CBF tem para responder ao processo movido pela Justiça norte-americana em prisão domiciliar. A despesa é de cerca de US$ 80 mil por mês (R$ 304.632).

Pela proposta, os demais itens de monitoramento, como tornozeleira eletrônica e câmeras de vídeo, seriam mantidos.

Os advogados de Marin alegam que outros réus do processo sobre corrupção no futebol cumprem prisão domiciliar sem serem vigiados por seguranças privados. A base da defesa, no entanto, é a sustentação de que o brasileiro não tem como fugir porque usa a tornozeleira, seu passaporte está com as autoridades norte-americanas e que por sua idade (83 anos) teria dificuldades para realizar uma rápida fuga.

O pedido para abolir os vigilantes faz parte da estratégia  dos defensores de Marin de reduzir gradualmente as exigências da Justiça dos Estados Unidos para mantê-lo em prisão domiciliar. A avaliação dos advogados é de que algumas das determinações feitas pelos norte-americanos são absurdas. Porém, todas foram aceitas, já que o cartola estava desesperado para sair da cadeia, após ficar preso na Suíça.

Então, a tática adotada foi aceitar todas as exigências da Justiça, evitando que ele ficasse preso em regime fechado nos estados Unidos. Já estava nos planos pedir um relaxamento gradual das regras para que Marin possa responder ao processo em prisão domiciliar no seu apartamento em Nova York.

 


Opinião: critério caduco faz idade valer mais que competência na CBF
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O anúncio abaixo é fictício, mas ilustra o atual momento político da CBF.

Procura-se dirigente idoso.

Vaga: vice-presidência da CBF.

Exigências: ter pelo menos 75 anos, ter experiência como cartola e ser fiel ao seu futuro chefe, inclusive se ele perder o emprego.

Plano de carreira: pode ocupar rapidamente a presidência, se o presidente licenciado renunciar ou for suspenso pela Fifa. Nesse caso, fará jus a salário de aproximadamente R$ 200 mil mensais.

Enviar currículo para CBF ou para federações estaduais.

Um cartola com as características acima passou a valer ouro na Confederação Brasileira. Se Marco Polo Del Nero, que se licenciou por 150 dias renunciar ou, no entender da maioria dos presidentes de federação, for suspenso pela Fifa, quem assume a presidência é o vice mais velho. O posto é ocupado hoje pelo opositor Delfim de Pádua Peixoto, de 74 anos, presidente da Federação Catarinense. Mas ele pode deixar de ser o primeiro na linha sucessória se um cartola mais velho vencer a eleição para ocupar a vaga de José Maria Marin, que responde a processo nos Estados Unidos em prisão domiciliar.

Não por acaso, o coronel Antônio Carlos Nunes de Lima, de 77 anos, deverá ser o candidato da situação numa eleição em que graças a uma regra obsoleta vale mais o tempo de vida do que a competência. E aqui não se afirma que o escolhido é incompetente. Acontece que por  mais que o postulante seja competente, o que interessa mesmo é ser o mais velho e deixar seu grupo político no poder.

Nada impede que apareça outro candidato para bater de frente com ele. Mas outra regra tão arcaica quanto a da idade dificulta o registro de mais candidaturas. Cada pretendente precisa ter o apoio de oito federações e de cinco clubes. É tão difícil que na eleição em que Del Nero se sagrou presidente não houve concorrência.

E assim segue o jogo na CBF.

 


Novo presidente da CBF gera atrito no 1º ato com eleição para vaga de Marin
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Deputado Marcus Vicente é o novo presidente da CBF. Foto: Gustavo Lima

Deputado Marcus Vicente é o novo presidente da CBF. Foto: Gustavo Lima

Ao ser escolhido na última quinta para assumir a presidência da CBF durante a licença de 150 dias pedida por Marco Polo Del Nero, o deputado Marcus Antônio Vicente (PP-ES) declarou que sua prioridade seria pacificar a entidade.

Porém, uma de suas primeiras ações incendiou ainda mais a política da confederação. Ele marcou para o próximo dia 16 eleição para definir o substituto de José Maria Marin, suspenso temporariamente pela Fifa desde que foi preso na Suíça. O coronel Carlos Antônio Nunes deve ser o candidato da situação.

A medida desagradou ao grupo do opositor Delfim Peixoto, presidente da Federação Catarinense. Por ser o vice mais velho da confederação, ele assume a presidência da entidade se Del Nero renunciar ou, no entender da maioria dos presidentes de federações, for suspenso pela Fifa. Procurado pelo blog, porém, o secretário-geral da entidade, Walter Feldman, disse que as federações estaduais entraram em acordo sobre a vacância do cargo.

Nunes é mais velho que Delfim e passaria a ser o primeiro na linha sucessória. Além disso, o grupo ligado ao catarinense alega que Marin não pode ser substituído, pois foi suspenso provisoriamente pela Fifa. Ao anunciar seu afastamento, a CBF disse que medida valia até o processo ser concluído. Assim, o entendimento é de que o cargo não está vago, como diz a ata de convocação da assembleia.

Assim, o gesto de Vicente foi visto como uma manobra para assegurar que Delfim não assuma a presidência.

Em reunião com representantes de 23 das 27 federações estaduais (a federação catarinense não foi convidada para o encontro), nesta sexta, antes de transmitir o cargo para Vicente,  Del Nero explicou aos cartolas que seria necessária a eleição para preencher a vaga de Marin. Indagado se a investigação do comitê de ética da Fifa sobre Marin já tinha sido concluída, Marco Polo disse que o cargo ficou vago porque ele está afastado por 180 dias, como prevê o estatuto. Porém, dois presidentes de federações disseram ao blog que o estatuto da entidade não decreta a vacância nesse prazo de seis meses. E que o afastamento precisa ser referendado em assembleia, independentemente do motivo. O estatuto não está disponível no site da entidade.

O prazo para as inscrições se encerra no próximo dia 11, o que mostra a pressa da entidade. Cada candidato precisa apresentar a assinatura de apoio de oito federações e de cinco clubes.


Defesa de Marin conseguiu o que queria: prisão domiciliar com rapidez
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A defesa de José Maria Marin conseguiu o que queria: uma audiência marcada com rapidez, a fiança estabelecida prontamente e evitar que seu cliente ficasse pelo menos semanas numa cadeia nos Estados Unidos antes de poder responder ao processo em prisão domiciliar em Nova York.

Ao decidirem não recorrer da extradição da Suíça para os Estados Unidos, os defensores do brasileiro queriam evitar que ele ficasse pelo menos mais três meses preso até o resultado do recurso. A estratégia era conseguir logo a prisão domiciliar. O principal argumento usado foi a idade de Marin. Os advogados alegaram que aos 83 anos sua saúde estaria em risco com mais tempo na cadeia e que ele teria pouca agilidade para tentar fugir do país.

Deu certo. No mesmo dia em que chegou aos Estados Unidos, na última terça, ele já participou de uma audiência e ganhou o benefício da prisão domiciliar com fiança de US$ 15 milhões.

Essa quantia é dada como garantia de que Marin não vai fugir durante o processo. Se ele se comportar, vai recuperar praticamente tudo que foi empenhado.

A rapidez como tudo foi feito desde a extradição, mostra um bom diálogo entre os advogados do cartola e as autoridades americanas, sem que para isso Marin se declarasse culpado de crimes ligados a corrupção.

Porém, o fato de o ex-presidente da CBF se declarar inocente, não significa que ele não tenha o que contar para a Justiça. Muitas perguntas ainda vão ser feitas durante o processo.