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Arquivo : Modesto Roma Júnior

Relatório de empresa de auditoria é motivo de novo conflito no Santos
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Perrone

Relatório encomendado pela atual direção do Santos sobre atos praticados por gestões anteriores protagoniza novo conflito entre oposição e situação no clube.

Opositores apontam supostas irregularidades envolvendo a contratação da empresa escolhida por José Carlos Peres, alvo de dois pedidos de impeachment por outros motivos. Ao mesmo tempo, membros da diretoria usam o material pra criticar e denunciar administrações passadas.

O conselheiro José Macedo Reis, ex-controller, do clube, recolhe assinaturas para um requerimento que pede investigação por parte da Comissão de Inquérito e Sindicância sobre a contratação por parte de Peres da empresa responsável pelo trabalho.

Ao blog, ele disse já ter 18 compromissos de apoio. São necessárias 20 assinaturas.

Na outra ponta do conflito, membros da diretoria enxergam na atitude do conselheiro uma maneira de desmoralizar o relatório, pois parte dos problemas aconteceram quando ele era “controller” do alvinegro. Reis nega essa intenção.

Falhas

Uma das principais supostas irregularidades indicadas pelo conselheiro e contador é que o Santos teria contratado uma empresa, a GF Brasil Consultoria, não habilitada para realizar auditoria.

Reis indica também que o relatório é assinado por outra empresa, a GF Brasil Auditores Independentes. Esta sim habilitada para executar uma auditoria.

A diretoria confirma a informação de que uma empresa aparece no contrato e outra assina o relatório. Porém, nega que haja irregularidade no procedimento. Diz ainda que as duas estão habilitadas para fazer auditorias.

“Sobre a questão de o grupo usar uma empresa no contrato e outra para receber (o pagamento), o grupo possui quatro CNPJs e apenas um caixa, sendo estratégia tributária da empresa”, disse ao blog a assessoria de imprensa do Santos.

A assessoria também enviou ao blog cópia das fichas cadastrais das duas empresas como forma de demonstrar que ambas poderiam desenvolver o trabalho. A GF Brasil Auditores Independentes aparece como habilitada para executar auditoria contábil e tributária.

Por sua vez, a ficha da GF Brasil Consultoria mostra que ela não pode realizar consultoria técnica específica, o que a diretoria nega ter acontecido.

A direção alega que o trabalho feito não foi uma auditoria, mas sim um relatório de recomendações para o aprimoramento de procedimentos de controle sobre os contratos de prestadores de serviço emitidos durante os exercícios de 2013 a 20017. Essa especificação aparece no documento produzido pela GF Brasil e publicado no site do clube sob o ícone “auditoria”.

Em seu requerimento, Reis lembra que no relatório a empresa afirma que o documento é de uso exclusivo da presidência e diretoria do Santos, pois “sua divulgação poderá levar a interpretações equivocadas sobre a natureza e finalidade dos trabalhos executados”.

Ou seja, no entender do conselheiro, Peres cometeu uma irregularidade ao tornar público o relatório. Em nota publicada em 10 de agosto no site do clube, o presidente afirmou que tomará providências para que o Santos seja ressarcido por prejuízos causados por irregularidades apontadas no relatório.

Pessoa ligada à empresa e que preferiu não se identificar disse que a GF Brasil não se incomodou com a divulgação do relatório por entender que o presidente tem esse direito.

A mesma fonte alega que o fato de um dos sócios da empresa (Everton Marcel Miranda de Almeida)  ter entrado na sociedade apenas um dia após o anúncio do acordo com o Santos não constitui ilegalidade  O episódio é ressaltado no requerimento.

Promessa

Reis lembra em seu requerimento que, desde a campanha, Peres prometeu realizar auditoria contratando uma empresa renomada e com fama internacional por meio de concorrência. Ele crê que a GF Brasil não preenche esses requisitos.

“Para mim a questão mais grave é a tentativa de iludir os conselheiros e associados. Ele (Peres) prometeu contratar uma auditoria de nível internacional, mas não o fez. Leva todo mundo a acreditar que contratou uma empresa de renome e aí você descobre que nem habilitada para fazer auditoria ela é”, declarou Reis ao blog.

Outra queixa do conselheiro é de que, em março, Peres teria dito ao Conselho Deliberativo que a empresa contratada trabalhou na Operação Lava Jato auxiliando as autoridades. Não há registros de que isso tenha acontecido.

Internamente, a diretoria se defende alegando que as empresas do ramo mais conhecidas no país se recusam a trabalhar com clubes de futebol.

O blog obteve propostas apresentadas ao Santos pela GF Brasil e uma concorrente, a BDO Brasil. A empresa escolhida cobrou R$ 211.200 parcelados em dez vezes e prometeu entregar o trablho em 16 semanas. A proposta perdedora cobrava R$ 360.112 em três parcelas e previa o encerramento do serviço em 20 semanas.

A GF Brasil não quis se manifestar sobre as supostas irregularidades apontadas por Reis.

Revanche?

Gente ligada à diretoria vê revanchismo na atitude do “ex-controller”. O argumento é de que parte das irregularidades apontadas no relatório teriam acontecido enquanto ele ocupava o cargo sem que percebesse os problemas. O conselheiro ainda estaria magoado por ter sido afastado durante a gestão de Modesto.

“Não tem revanchismo e nem conflito de interesse. Só estou pedindo esclarecimentos porque essa situação está nebulosa”, rebateu Reis.

Na nota que divulgou no site do Santos, Peres afirmou que o relatório apontou, entre outras irregularidades em gestões anteriores, a compra de passagens aéreas em prol de interesses particulares, pagamento de comissões a empresários sem justificativa e contratação de profissionais sem demonstração dos serviços prestados.

 


Ex-empresário de confiança do Santos intermediou até acordo com Doyen
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Considerado empresário de confiança do Santos durante a gestão de Modesto Roma Júnior, Luiz Taveira participou até do acordo com a Doyen Sports pelo qual o clube pagou quantias milionárias a outros intermediários.

Alvo de questionamentos de conselheiros santistas por conta de comissões recebidas durante o mandato de Modesto, o empresário revelou sua participação na operação com a ex-parceira santista em uma rede social.

“Fiz acordos para o Santos extremamente vantajosos, tais como Doyen e Montillo”, escreveu ele. Ao blog, o agente afirmou que nada recebeu pela intermediação.

“O Taveira fez o primeiro contato. Como estávamos discutindo o caso numa câmara de arbitragem, não podíamos procurar a Doyen. Muita gente tentou esse contato inicial e não conseguiu. O Taveira conhecia alguém lá e fez, mas não pagamos comissão pra ele”, disse Modesto.

Porém, como mostrou o blog em março, o Santos topou pagar 400 mil euros (cerca de R$ 1,7 milhão em valores atuais) para Augusto Ricardo Cabral Cajueiro intermediar o mesmo acordo. Os detalhes da transação com a Doyen estão registrados em relatório do Conselho Fiscal do clube.

A justificativa foi semelhante à explicação sobre a atuação de Taveira: Cajueiro fez a intermediação entre as partes até que o trato fosse definido.

“Acontece que o Ricardo (Cajueiro) é a pessoa que conhecia o Taveira. Ele procurou o Taveira, fez o primeiro contato e iniciou o processo, por isso ganhou comissão”, disse Modesto ao ser indagado sobre outra pessoa ter recebido por trabalho semelhante ao atribuído a Taveira.

Também de acordo com dados do Conselho Fiscal, o escritório de advocacia Bonassa Bucker recebeu 2.750.000 euros (aproximadamente R$ 12 milhões) por sua atuação pelo Santos na disputa com a Doyen. De acordo com Modesto, essa quantia se refere a honorários pelo trabalho em uma causa vencida contra a ex-parceira. Ainda segundo o dirigente, o valor foi descontado dos R$ 87,39 milhões que o clube aceitou pagar a Doyen, responsável por levar Leandro Damião à Vila Belmiro, e encerrar a briga.

O ex-presidente disse que, além dessa verba, o escritório de advocacia tem uma quantia a receber do Santos pela participação no acordo.

Procurado pelo blog para falar sobre sua participação no acordo entre as partes, Taveira disse: “nada recebi. Um amigo assumiu a Doyen Global e me chamou. Daí ajudei a fazer 90% do acordo, graciosamente. Gerou uma economia para o Santos de 55% do valor total cobrado pela Doyen”.

O empresário afirmou que o Santos custeou suas passagens e estadias em Barcelona, Madri e Londres.

“Meus ganhos eram e sempre foram com negociações de jogadores. E não foi só com a Doyen que fiz acordo de dívidas sem nada receber”, concluiu Taveira.

 


Estafe de Neymar rejeita projeto de reaproximação de presidente do Santos
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O estafe de Neymar não vê chance de o jogador reatar relações com o Santos caso José Carlos Peres leve adiante seu projeto de retirar o nome do atacante e do pai dele de recurso que move no CAS também contra o Barcelona. O alvinegro pede suspensão de seis meses para o jogador além de uma multa de R$ 55 milhões de euros (R$ 239,7 milhões).

A ação foi proposta pela diretoria comandada por Modesto Roma Júnior sob a alegação de irregularidades na transferência do astro para o Barça.

Na avaliação de gente que cuida da carreira do camisa 10 da seleção brasileira, o presidente santista só fala em desistir do processo porque perdeu em primeira instância e não teria chances de reverter a derrota (isso na opinião da equipe de Neymar).

Nessa linha de raciocínio, a reaproximação só teria sido possível se a desistência tivesse ocorrido antes da decisão da Fifa favorável ao jogador.

Pouco depois de Peres assumir a presidência, ele chamou um integrante da equipe de Neymar para conversar sobre fazer as pazes. Na ocasião ouviu que seria necessária uma retratação pública, que nunca houve.

Peres nega que sua intenção seja motiva pela derrota inicial. Mesmo antes de assumir a presidência o dirigente prometeu se esforçar para reconstruir a relação com o ex-jogador Santista. Ele adota o discurso de que o clube precisa se relacionar bem com todos os seus ídolos.

Para a atual diretoria, a proximidade com Neymar pode ajudar o alvinegro até a atrair patrocinador.

Porém, entre os que trabalham com Neymar prevalece a tese de que o Santos desrespeitou quem eles consideram ser o maior ídolo da história do clube depois de Pelé e que isso é imperdoável.

A postura destoa do otimismo adotado por Peres depois de ele tentar se aproximar do jogador durante o período em que chefiou a delegação da seleção brasileira em Londres, gerando um “climão” com o atacante. A atual diretoria sustenta que só entrou com o recurso para não perder o prazo estipulado e correr o risco de prejudicar seus pedidos em relação ao Barcelona.


Projeto de Peres para retirar Neymar de ação enfrenta resistência no Santos
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A ideia de José Carlos Peres de apresentar ao Conselho Deliberativo do Santos um projeto para retirar o nome de Neymar e do pai do jogador de recurso contra ambos e o Barcelona no CAS (Corte Arbitral do Esporte) sofre rejeição de parte significativa dos conselheiros.

A contrariedade vem especialmente da oposição. Está baseada principalmente na tese de que o clube já gastou muito com advogados até aqui para desistir de parte do processo. E também pelo entendimento de que Neymar deve dinheiro ao alvinegro e precisa pagar. O argumento é de que ele, seu pai e Barcelona teriam fraudado a negociação relativa à transferência do atleta para diminuir a participação do Santos na venda. Os três negam terem cometido irregularidades.

A ação foi movida na gestão de modesto Roma Júnior, Nela, foi pedida suspensão de seis meses para o jogador, além de pagamento de multa no valor de 55 milhões de euros (cerca de R$ 239,7 milhões). A Fifa rejeitou o pedido. Então, já como presidente, Peres entrou com o recurso no CAS.

O presidente tentou se aproximar do jogador durante o período em que foi chefe da delegação brasileira em Londres, na última semana, na preparação para a Copa do Mundo. A tentativa gerou um “climão” com Neymar.

Peres encomendou um parecer jurídico para saber se pode excluir o atacante e seu pai do recurso. Se obtiver sinal verde dos advogados, ele pretende levar o assunto para o Conselho Deliberativo. No entanto, o cartola sabe que enfrentará resistência.

Em tese, o presidente não precisaria levar o tema para o conselho. Por isso, parte da oposição acusa o cartola de querer deixar para os opositôes o ônus de manter a briga com o jogador. Ele nega que seja essa a intenção.


Contas do Santos têm empréstimo de agente e dívida de boca com Robinho
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Nesta segunda (26), o conselho deliberativo do Santos vota se aprova as contas do clube referentes a 2017, último ano de Modesto Roma Júnior na presidência. O conselho fiscal da agremiação preparou parecer recomendando que os conselheiros reprovem as contas. Valores que envolvem Robinho, dinheiro emprestado por um influente empresário e até o direito do alvinegro receber uma pequena fatia relativa à venda de Neymar para o PSG fazem parte da celeuma.

Se houver reprovação, Modesto poderá apresentar explicações e fazer eventuais correções no balanço. O documento, então, voltaria ao conselho fiscal para uma nova avaliação e encaminhamento novamente ao conselho deliberativo. Caso seja mantida a reprovação, Modesto e seus diretores podem ser punidos com advertência, suspensão e até expulsão (possibilidade considerada remota por conselheiros).

O ex-presidente nega irregularidades. “Esse parecer é uma análise política e não técnica”, afirmou Modesto.

Já o atual presidente, José Carlos Peres, tem posição diferente. “Concordo com o parecer. O mais preocupante é que a gestão anterior entregou o clube com terríveis problemas financeiros, mas, com essa marca maravilhosa, levantaremos o clube rapidamente”, declarou o dirigente.

Abaixo conheça cinco pontos importantes dos 18 citados no parecer do conselho fiscal.

Empréstimo com empresário

Em um dos argumentos que embasam sua indicação pela reprovação das contas, o conselho fiscal cita que o Santos, na gestão de Modesto, fez empréstimos junto ao um agente que detém direitos econômicos dos jogadores e que outras “fatias” de atletas são dadas como garantia. Essa parte do relatório não revela o nome do parceiro. Porém, documentos anexados a ele e obtidos pelo blog, mencionam que o alvinegro pegou dinheiro emprestado com Giuliano Bertolucci.

Um dos principais empresários brasileiros e com influência na Europa, ele atua em diversas negociações ao lado do iraniano Kia Joorabchian, peso pesado internacional do ramo.

O empréstimo foi de R$ 6.163.000. De acordo com o conselho fiscal, além de se comprometer a pagar o valor até 31 de dezembro, o clube cedeu para Bertolucci exclusividade em eventuais vendas de Thiago Maia e Vítor Bueno. O agente receberia 8% de cada negociação.

O francês Lille comprou Thiago por 14 milhões de euros (cerca de R$ 57,1 em valores atuais). Ainda conforme dados anexos ao parecer, o Santos teve direito a 9,8 milhões de euros (R$ 40 milhões atualmente) por deter 70% dos direitos do atleta. Dessa quantia, foram separados aproximadamente R$ 4 milhões para a empresa Bertolucci Assessoria e Propaganda a título de intermediação. Porém, o conselho fiscal afirmou que o clube arcou integralmente com esse montante, sendo que sua responsabilidade seria apenas sobre 70%. Os outros 30% deveriam ser descontados do atleta, que também tinha participação nos direitos.

Bertolucci ainda não recebeu de volta o dinheiro do empréstimo. A dívida aparece no balanço, ainda não publicado, no valor de R$ 6.338.000 na relação de débitos com terceiros. O documento aponta que Thiago também não recebeu a sua parte (cerca de R$ 14,4 milhões).

“O clube precisava de dinheiro e pegamos emprestado com o Bertolucci. Ele cobrou juros bem menores do que os de banco. Não pagamos porque não tivemos dinheiro”, disse Modesto. Sobre o Santos ter arcado sozinho com 8% de comissão, o ex-presidente afirmou que isso ocorreu porque há uma disputa na judicial envolvendo empresários pelos 30% que pertenciam ao atleta. “O valor teve que ser descontado só do Santos até que a questão na Justiça se resolva”, declarou.

Acerto de boca com Robinho

O conselho fiscal aponta em sua análise que dos R$ 3.294.614 que o Santos se comprometeu a pagar em acordo para quitar dívida com Robinho, em junho de 2017, cerca de R$ 1,4 milhão não aparece nos contratos firmados com o atleta. No trato, a quantia está registrada como diferença de remuneração.

“Segundo informações de representantes do departamento contábil e jurídico, em reunião de esclarecimentos com membros do conselho fiscal, teria sido um acordo verbal entre o presidente (à época Modesto) do CG (comitê de gestão) e o atleta, sem qualquer formalização”, diz documento anexo ao parecer.

O ex-presidente confirma que havia acertado verbalmente o pagamento dessa quantia com o Robinho. “Foi para completar a diferença entre o que ele recebia no Milan e no Santos”, disse Modesto.

Para o conselho fiscal é “descabido o pagamento de qualquer valor, por menor que seja sem documento de suporte”.

Mecanismo de solidariedade por Neymar

O parecer contrário à aprovação das contas menciona ressalva feita ao balanço de 2017 do Santos pela empresa de auditoria Macso Legate referente à quantia recebida pelo clube pela transferência de Neymar do Barcelona para o PSG.

Em dezembro, a auditoria identificou dívida de R$ 1,7 milhão com a empresa Quantum Solutions Limited, com sede em Malta. Segundo análise dos auditores contratados pela diretoria, o débito se refere à intermediação para que o alvinegro recebesse quantia referente ao mecanismo de solidariedade pela nova transferência de Neymar.

“Exceto por algumas trocas de correspondências eletrônicas, até o encerramento de nossos trabalhos, não obtivemos documentação, como relatórios ou documentos formais entre a Quantum e o PSG que atestem a efetiva prestação de serviços de intermediação”, diz a ressalva assinada pelos auditores. “Não sei que outro documento teria (para a empresa de auditoria examinar)”, afirmou Modesto. Ele nega irregularidade na operação e sustenta que é uma exigência da legislação francesa contratar uma empresa para intermediar o recebimento da quantia relativa ao mecanismo de solidariedade.

O conselho fiscal alega que em janeiro foi informado pelo departamento jurídico do clube, já sob a batuta do novo presidente, sobre supostas irregularidades nessa operação. O órgão, então, recomendou que o conselho deliberativo exigisse o bloqueio do pagamento. O caso foi encaminhado para comissão de inquérito e sindicância do clube.

Endividamento

Outro argumento usado para pedir a reprovação das contas pelo conselho fiscal é de que a dívida do clube foi superior a 10% da receita orçada para 2017, o que teria ferido o estatuto santista. O órgão alega que o endividamento no período foi de R$ 49,7 milhões. A quantia, segundo o relatório, equivale a 15,57% da receita prevista no orçamento.

O artigo 89 do estatuto do clube diz que o limite de 10% só pode ser ultrapassado se o novo endividamento for feito para substituir financiamentos anteriores e sob condições mais favoráveis. “Não houve irregularidade porque o aumento passou de 10% por causa do acordo para pagar a dívida com a Doyen (empresa responsável por levar Leandro Damião ao Santos). Respeitamos o estatuto porque foi para substituir uma dívida com condições melhores”, declarou o ex-presidente.

Apesar da polêmica, a dívida total do Santos caiu de R$ 206 milhões em 2016 para R$ 202 milhões em 2017. De acordo com o balanço financeiro, houve superavit contábil de R$ 2,9 milhões em 2017.

Impostos não pagos

Segundo o parecer, a diretoria comandada por Modesto Roma Júnior pode ter cometido crime de apropriação indébita por reter valores de encargos trabalhistas na fonte e não recolher os impostos. O conselho fiscal alega que há R$ 12,9 milhões em impostos atrasados e que a quantia será acrescida de aproximadamente R$ 1,6 milhão referente a juros e correções.

“Foi uma opção de fluxo de caixa, e aconteceu nos últimos quatro meses. O Peres disse que pagou, então já tá pago. Não interessa se fui eu ou ele, o clube já pagou”, argumentou Modesto.

Com Samir Carvalho, do UOL, em Santos


Santos topou comissão de R$ 1,6 mi para intermediário de acordo com Doyen
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Com Samir Carvalho, do UOL, em Santos

Para fechar acordo com  a Doyen Sports Investments, responsável por viabilizar a ida de Leandro Damião para Vila Belmiro e credora do clube, o Santos topou pagar 400 mil euros (cerca de R$ 1,6 milhão) para um intermediário. Ficou acertado o pagamento da bolada para Augusto Ricardo Cabral Cajueiro, que fez a intermediação entre as duas partes até que o trato ficasse definido.

Além disso, o alvinegro assumiu o pagamento de 2.750.000 euros (R$ 11,2 milhões) ao escritório de advocacia Bonassa Bucker, que atuou no caso. Os dados sobre o pacto, feito em 29 de setembro de 2017, estão em relatório do Conselho Fiscal do Santos sobre as contas do clube naquele ano. Por outros motivos, o órgão recomenda que, na próxima segunda, o Conselho Deliberativo rejeite as contas desse período sob a presidência de Modesto Roma Júnior.

Entre as razões citadas pelo parecer para pedir a reprovação das contas, está o fato de o clube ter aceitado pagar sucumbência (princípio pelo qual a parte derrotada num processo arca com as despesas processuais) para o escritório de advocacia.

Indagado pelo blog sobre o motivo de ter aceitado pagar comissão milionária a um intermediário, Modesto afirmou que não havia alternativa. “Quando duas partes estão em uma disputa numa câmara de arbitragem, como nós estávamos, elas não podem conversar diretamente. É obrigatório ter um intermediário. Essa pessoa nos procurou para fazer a intermediação e aceitamos”, declarou o ex-presidente.

Beneficiário da comissão, Cajueiro chegou a dar entrevista no Brasil em 2011 como porta-voz de Sandro Rossell, ex-presidente do Barcelona preso no ano passado sob as acusações de lavagem de dinheiro e organização criminosa. O blog apurou que o intermediário tem bom relacionamento com a direção da Doyen.

Segundo relatório da Macso Legate Auditores Independentes, que auditou o balanço do Santos referente a 2017, o trato foi fechado em R$ 87.399.000 (23.350 milhões de euros na ocasião), “incluindo as despesas inerentes ao fechamento do acordo e comissão de intermediação”.

“A parte do escritório de advocacia está dentro desse valor”, afirmou Modesto.

Também conforme a auditoria, foram pagos pelo Santos em 2017, R$ 48.703 milhões. Segundo o relatório do Conselho Fiscal, devem ser pagas ainda duas parcelas de 5 milhões de euros (R$ 20.410.00 em valores atuais) em 30 de setembro de 2018 e de 2019.

O órgão registra em seu parecer que o Santos entendia dever 19 milhões de euros (R$ 77,5 milhões pelo câmbio atual) para  parceira, que calculava o débito em 51 milhões de euros (cerca de R$ 208,1 pela conversão da última sexta). Os débitos se referiam a operações envolvendo Damião e Felipe Anderson, além de valores relativos a direitos econômicos de outros jogadores cedidos para a Doyen na gestão de Odílio Rodrigues.

O Conselho Fiscal  ressalta que a empresa responsável pela auditoria do balanço alvinegro registrou como uma de suas ressalvas às demonstrações financeiras de 2017 o fato de não ter recebido carta de confirmação externa referente a R$ 39,6 milhões devidos para a Doyen pelos cálculos de dezembro. Segundo a Macso Legate, as respostas a esses pedidos são essenciais para as conclusões da auditoria.

“Isso é comum em balanços. Muitos escritórios deixam de responder aos pedidos da empresa que faz a auditoria”, afirmou Modesto. No caso santista, a DIS, braço esportivo do grupo Sonda, também não respondeu sobre crédito de R$ 6,4 milhões que tem junto ao clube.

Pelo acordo, ficou ajustado que se ocorrer inadimplência de pelo menos uma das parcelas o Santos será multado em 10 milhões de euros (aproximadamente R$ 40,8 milhões), além de correção de 3% ao ano sobre as prestações restantes.

Abaixo, veja um dos trechos do parecer do Conselho Fiscal do Santos que explicam o caso Doyen.

 

 

 

 

 

 

 

 


Cartola do Santos ataca validade de trato com Atlético-PR, Bahia e Coritiba
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O Santos pode sofrer sanções financeiras por ter descumprido acordo com Atlético-PR, Bahia e Coritiba por negociar com a Globo sozinho, rompendo o acordo de negociação conjunta assinado pela diretoria anterior? Para José Carlos Peres, presidente alvinegro, não. Ele questiona a validade do trato feito por seu antecessor, Modesto Roma Júnior e diz ter parecer de seu departamento jurídico sobre não haver motivo para temer uma punição.

“Esse acordo não foi submetido ao Conselho Deliberativo do Santos. Assim, não tem valor. Além disso, todo clube tem o direito de fazer o que acha melhor para ele e esse direito não pode ser vendido. O acordo para a negociação em conjunto fere a independência dos clubes. Não houve traição. Respeitamos Atlético-PR, Coritiba e Bahia, mas cada clube tem a sua soberania, tem o direito de agir conforme suas necessidades”, disse Peres ao blog.

Por sua vez, a antiga diretoria entende que não há exigência estatutária de o trato passar pelo conselho. E alega que havia cláusula punitiva para o caso de descumprimento. Os detalhes não são revelados sob a alegação de compromisso de sigilo.

Irritado com a atitude santista, Mario Celso Petraglia, presidente do Conselho Deliberativo do Atlético-PR, disse ao Blog do Rodrigo Mattos que há previsão de multa no documento assinado entre as quatro equipes. Porém, ele também afirmou não poder detalhar cláusulas.

“Não posso falar detalhes do acordo por causa da cláusula de confidencialidade. Mas posso dizer que o nosso departamento jurídico estudou o caso, não fizemos nada ilegal”, declarou Peres.

O presidente sustenta que o Santos tinha mais pressa para assinar com a Globo do que os outros três clubes. A urgência diz respeito à necessidade de receber o dinheiro de luvas pelo novo contrato a fim de pagar contas. O blog apurou que o montante referente ao novo acordo deve ser recebido na próxima segunda feira. O contrato com a emissora é para a transmissão dos jogos do Brasileirão em TV aberta e pay-per-view entre 2019 e 2024.

“Peço desculpas ao Petraglia, ao Coritiba e ao Bahia, mas minhas necessidades são fora do tempo deles. Tenho contas pra pagar todos as segundas. Estou pagando dívidas da gestão passada”, afirmou o presidente santista.

Além da necessidade de receber já o dinheiro das luvas do novo contrato, a atual diretoria do Santos tinha como meta reconstruir a relação com a Globo, dinamitada quando Modesto entrou em acordo com o Esporte Interativo para a transmissão dos jogos do time no Brasileirão em TV fechada.

 


Opinião: novo contrato obriga Santos a brigar com Globo por mais espaço
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Ao assinar contrato para transmissão de seus jogos em TV aberta e por pay-per-view no Brasileirão entre 2019 e 2024 com a Globo, a diretoria do Santos agiu na contramão do que espera a maior parte de sua torcida, favorável a um jogo duro com a emissora. A atitude do presidente anterior, Modesto Roma Júnior, que acertou com o Esporte Interativo para as partidas em canal fechado e tinha acordo para negociar com a Globo em bloco, ao lado de Atlétcio-PR, Bahia e Coritiba, agradava mais a esses torcedores.

O grupo de santistas que costuma entoar cânticos contra a principal rede de televisão do país se queixa, entre outras coisas, de que os jogos de seu time têm pouquíssimo espaço na grade do canal.

Ao mesmo tempo, era um projeto de campanha do novo presidente, José Carlos Peres, reconstruir a relação com a antiga parceira, dinamitada desde a assinatura com o Esporte Interativo.

O dirigente fica numa posição desconfortável ao abandonar o rumo que satisfazia a maioria da torcida. Para diminuir o risco de não ter sido em vão, ele precisa trabalhar nos bastidores para convencer a Globo a passar mais jogos do time em canal aberto. A missão é árdua, já que a emissora define sua grade de acordo com a audiência. Não há como negar que nesse quesito o Santos está atrás de Corinthians, Palmeiras e São Paulo.

Assim, é difícil que só com diplomacia Peres consiga reverter o quadro. Ele precisa ser insistente. E não é só para evitar impopularidade entre os torcedores que ele precisa de mais espaço pro time no canal. O aumento de jogos transmitidos ao vivo é fundamental para o clube tentar cotas melhores no futuro, inclusive quando o atual presidente não estiver mais no cargo. A visibilidade também aumenta o valor do uniforme para patrocinadores.

Nesse cenário, na opinião deste blogueiro, ao optar por romper trato com outros clubes que pressionava a Globo, a diretoria santista pensou a curto prazo. Parece ter agido mais de olho numa injeção de dinheiro com bonificações pelo novo contrato para pagar compromissos urgentes do que preocupada em se fortalecer a longo prazo na relação com o grupo da família Marinho.


Por que chance de reaproximação entre Neymar e Santos é pequena?
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A eleição presidencial no Santos, em dezembro, promove na Vila Belmiro a discussão sobre a relação do clube com Neymar. Pelo menos dois candidatos, Nabil Khaznadar e José Carlos Peres, declaram ser favoráveis à reaproximação da instituição com o atacante. Ambos afirmaram essa intenção ao blog, por isso são citados. Aliado do presidente Modesto Roma Júnior, candidato à reeleição, disse ao blog que a direção também tem interesse em fazer as pazes. Nos bastidores, porém, a diretoria não confirma a intenção.

Apesar do desejo de parte dos conselheiros de que o relacionamento seja reconstruído, hoje a chance de isso acontecer mesmo se Modesto perder a eleição é pequena.

O estafe do jogador considera a reaproximação inviável, ainda que Nabil Kaznadar, amigo do atacante e do pai dele, seja eleito. O entendimento é de que a instituição feriu Neymar ao pedir sua suspensão na Fifa (a entidade rejeitou o pedido) por suposta irregularidade na transferência para o Barcelona e que não houve mobilização no clube para defender o ídolo. O gesto não é visto como atitude isolada de um dirigente e que possa ser esquecida facilmente com sua saída.

Ao mesmo tempo, a atual diretoria avalia que não há um fato novo que justifique uma aproximação. O sentimento na cúpula ainda é de que Neymar e seu pai agiram com intenção de fazer o Santos receber menos do que deveria com a transferência. A direção também se defende afirmando que seu alvo principal na Fifa foi o Barcelona e que o pedido de suspensão para o atacante era uma obrigação formal decorrente das regras da entidade. Em entrevista ao UOL Esporte, Modesto diz não ver problema no distanciamento em relação a Neymar.

O cenário atual aponta como tendência que, se o atual mandatário for eleito, a situação ficará como está. E se ele perder a eleição, seu substituto terá trabalho para tentar apagar as mágoas carregadas por Neymar e seu pai.

 


Cinco motivos do estafe de L. Lima para ele não topar renovação antecipada
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Os estafe de Lucas Lima aconselhou o jogador a não aceitar a oferta de renovação contratual antecipada com o Santos. O compromisso termina em dezembro e ele já pode firmar pré-contrato com outro clube. Abaixo, veja os principais argumentos usados para convencer o meia.

1 – A oferta do Santos é considerada muito boa para os padrões nacionais pelo estafe de Lucas Lima, porém, a avaliação é de que livre de compromisso com o Santos, não é difícil conseguir uma proposta europeia melhor. Principalmente porque, como o interessado não terá que pagar pelos direitos econômicos, pode oferecer gordas luvas.

2 – Ao afirmar publicamente que Lucas tinha uma data para responder se aceitava a oferta santista, Modesto Roma Júnior, presidente do Santos, expôs o jogador na opinião dos responsáveis pela carreira do meia. Na ocasião, ele chegou a ser vaiado por torcedores. O argumento passou a ser que é arriscado estabelecer um vínculo longo com um clube que, supostamente, não protege seu atleta como deveria.

3 – Caso aceite o novo contrato válido por cinco anos, Lucas Lima terá 32 anos no final dele. Se o compromisso chegar até o fim, nessa idade, será muito mais difícil, em tese, conseguir um contrato tão bom como o que pode obter agora. Assim, a oportunidade de o jogador lucrar com uma negociação sem que o novo clube tenha que pagar pelos direitos econômicos é vista como única.

4 – Assinar com o Santos agora significa o fim da chance de atuar na Europa antes da Copa do Mundo de 2018. A passagem pelo futebol europeu é vista pelo estafe do meia como importante para melhorar seu nível e aumentar as chances de estar na seleção de Tite.

5 – Para os profissionais que aconselham Lucas, ele não precisa ter pressa para definir seu futuro. Deve esperar as propostas aparecerem e estudar cada uma com calma. A avaliação é de que uma definição rápida só é vantajosa ao Santos. O estafe do jogador nega acerto com Barcelona ou outra equipe. E assegura que a oferta santista foi a primeira a ser recebida. Então, o melhor seria esperar outras proposta para fazer comparações, mas optar pela permanência é uma hipótese considerada bem remota.