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Odebrecht usa CIDs da Arena Corinthians para pagar IPTU de sua sede
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A Odebrecht transformou o pagamento do IPTU de 2017 do prédio em que fica sua sede em São Paulo numa ação relativa à Arena Corinthians. A construtora usou CIDs (Certificados de Incentivo ao Desenvolvimento), que ajudam o clube a pagar a conta da obra, na quitação de R$ 2,8 milhões referentes ao imposto.

Dos cerca de R$ 465 milhões em certificados autorizados pela Prefeitura de São Paulo foram utilizados para pagamentos de impostos por empresas que adquiriram os papéis apenas R$ 42,5 milhões. A maioria foi comprada por consórcios dos quais a própria Odebrecht, credora do Corinthians pela construção da arena, faz parte.

Porém, há contratos que asseguram a troca de outros CIDs no valor de R$ 70 milhões com seis companhias que não são ligadas à construtora. Elas vão escolher o momento em que querem utilizar os papéis.

O Arena Fundo de Investimento Imobiliário, que administra o estádio corintiano, vive um momento de otimismo com os CIDs depois de uma longa fase de pessimismo. Após a vitória em primeira instância na Justiça contra o Ministério Público que contesta a decisão do então prefeito Gilberto Kassab de autorizar a emissão dos certificados, o interesse de empresas não ligadas à construtora começou a aumentar. A situação melhorou depois que os primeiros papéis foram trocados. Os Cids são negociados com descontos no preço de face, o que permite ao comprador vantagem no momento de pagar parte de seus impostos.


Palmeiras vira exemplo para Corinthians ir à Justiça contra Odebrecht
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O Corinthians corre o risco de perder o prazo para reclamar da Odebrecht na Justiça por eventuais problemas em sua arena, segundo o conselheiro e advogado Heroi João Paulo Vicente, crítico da atual administração. O alerta à direção foi feito por ele em forma de cobrança num requerimento enviado ao presidente do Conselho Deliberativo, Guilherme Gonçalves Strenger. No documento, ele indaga à diretoria por qual motivo o clube ainda não entrou com uma ação contra a construtora e pergunta qual o cronograma de ações da direção para resolver problemas no estádio e buscar ressarcimento de eventuais prejuízos.

Para reforçar a necessidade de rapidez, Heroi cita o exemplo do Palmeiras, que acionou uma câmara de arbitragem e ganhou disputa pelas cadeiras de sua arena contra a construtora WTorre.

“… por infortúnio, largo lapso de tempo vem perpassando sem que qualquer postura judicial seja adotada para resguardo formal dos interesses do Sport Club Corinthians Paulista. Caso não seja essa a situação, queira por gentileza apontar quais medidas obstativas da prescrição e decadência (do prazo para reclamar na Justiça) foram adotadas. Atento à realidade contextualizada do desporto, lamentavelmente consta-se que a rival Sociedade Esportiva Palmeiras não hesitou em buscar solução aos conflitos de sua própria arena na seara adequada, já inclusive tendo obtido resultado favorável!”, escreveu Heroi, dirigindo-se ao presidente do conselho.

Ele também cita post publicado pelo blog sobre a entrega da auditoria relativa à engenharia e arquitetura da arena feita pelo escritório Claudio Cunha Engenharia Consultiva ter sido adiada em mais um mês.  O conselheiro pede para que o clube não espere pelo resultado do trabalho e busque na Justiça uma medida cautelar de produção de provas para comprovar se a Odebrecht não executou serviços previstos no contrato ou se existem obras que precisam ser refeitas. A construtora alega que cumpriu o contrato e que deixou de realizar trabalhos avaliados em cerca de R$ 40 milhões por causa de um estouro no orçamento.

“Como já exposto, há fundado receio de que os prazos de garantia por parte da construtora sejam expirados ou que não seja mais possível a propositura de uma eventual ação estimatória (para reclamar de defeitos) …”, afirma o conselheiro em outro trecho.

Ele não explica qual o prazo para a prescrição. De acordo com a legislação, varia dependendo do problema. Há casos em que vence um ano após a entrega efetiva do imóvel. Porém, enquanto a Odebrecht considera a obra completa e entregue, o Corinthians ainda não assinou o termo de aceite. O clube espera o resultado da auditoria para saber que atitude tomar.

Heroi pede para que o presidente do Conselho pergunte à direção e à diretoria jurídica qual o prazo final considerado para ajuizar eventuais ações indenizatórias, de abatimento de preço ou rescisão e por qual motivo ainda não foi proposta uma ação cautelar antecipatória com pedido de produção de provas e concessão de tutela de urgência contra a Odebrecht.

No requerimento ele também faz um protesto formal contra a diretoria, especialmente em relação ao presidente Roberto de Andrade, por não entregar uma série de documentos pedidos por conselheiros. O blog teve acesso a uma lista de pedidos feitos pelo opositor Romeu Tuma Júnior sem resposta. A não entrega de papéis solicitados por membros do conselho foi um dos argumentos usados para a tentativa frustrada de impeachment de Andrade. A assessoria de imprensa do dirigente não respondeu à pergunta feita pelo blog no último dia 3 sobre documentos requisitados por Tuma Júnior.

“Na verdade é totalmente impossível aferir qual a extensão dos direitos do clube que foram vulnerados, porque, conforme visto alhures, nenhum documento fora disponibilizado aos conselheiros solicitantes”, escreveu Heroi.

Procurado pelo blog, o presidente do Conselho Deliberativo corintiano afirmou que encaminhará os pedidos do conselheiro para Andrade.


Entrega de auditoria na Arena Corinthians é adiada por mais um mês
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Terminou nesta quarta o prazo estipulado pela empresa responsável por auditar a obra da Arena Corinthians do ponto de vista de engenharia e arquitetura para entregar o seu relatório. Porém, o trabalho não foi concluído. Os responsáveis acreditam que precisarão de mais um mês. Assim, a entrega agora está agenda para 15 de abril.

O escritório Cláudio Cunha Engenharia Consultiva atribui a necessidade de mais tempo à dificuldade em manipular arquivos que estão sendo analisados e à complexidade da atividade.

Além de apontar obras que eventualmente não tenham sido feitas pela Odebrecht ou que precisam ser refeitas, a auditoria pretende indicar soluções. Mostrar o que precisa ser executado e quanto custará cada intervenção. Isso, segundo os profissionais responsáveis, exige mais tempo do que o imaginado inicialmente.

Com o novo adiamento, o trabalho que foi planejado para levar 90 dias atingirá quase oito meses. Antes, a dificuldade de obter documentos junto a Odebrecht, que alegou cláusulas de sigilo, foi apresentada como principal motivo da demora. O trabalho é importante para o Corinthians decidir se avalia que a construtora cumpriu ou não o contrato.

Outro relatório, feito pelo escritório Molina & Reis Advogados, já foi entregue.

 


Auditoria vê setores norte e sul como mais incompletos da Arena Corinthians
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A história parece confusa. Realmente é. Depois de o escritório que coordenou a auditoria relativa à Arena Corinthians entregar seu parecer, a empresa que auditou a obra do ponto de vista de engenharia e arquitetura ainda vai entregar seu relatório.

Acontece que o Molina & Reis Advogados completou seu trabalho no final do mês passado sem que o escritório Claudio Cunha Engenharia Consultiva terminasse sua auditoria.

Os dois relatórios terão em comum a conclusão de que a Odebrecht teria deixado de fazer uma série de obras e que outras precisariam ser refeitas, conforme apurou o blog.

O parecer já entregue pelo escritório de advocacia calcula em pelo menos cerca de R$ 200 milhões o valor do que não teria sido feito e do que necessita de intervenção, sem laudos de engenharia e documentos que faltaram.

Por sua vez, o Claudio Cunha planeja entregar seu relatório no dia 15 de março, com mais de três meses de atraso, que serão justificados principalmente pela demora da Odebrecht em entregar documentos.

O trabalho que abrangeu dez disciplinas ligadas à construção deve apontar que os setores norte e sul do estádio são os mais incompletos. Essas são justamente as áreas mais simples da arena e com ingressos vendidos pelos menores preços.

Para indicar o que precisa ser refeito em sua opinião, o escritório de engenharia classificou itens como fora de conformidade com o que prevê o contrato.

A Odebrecht ainda não tem conhecimento do conteúdo de nenhum dos dois trabalhos, mesmo assim avalia serem contraditórios. Isso porque os setores norte e sul representam a menor parte da área construída da arena. A construtora acredita que se eles são os mais inacabados não é possível se chegar aos cerca de R$ 200 milhões relatados pelo Molina & Reis.

Porém, conforme informações obtidas pelo blog, os setores norte e sul são considerados mais incompletos em quantidade de itens que ainda precisam ser feitos, não em valores.

Como mostrou o blog, a Odebrecht admite que deixou de fazer cerca de R$ 40 milhões em obras porque o orçamento do estádio estourou. Quantia semelhante foi gasta, segundo a construtora. em outros serviços que estariam sem preço fixado previamente e acabaram provocando o estouro.

Porém, o relatório do escritório de engenharia atestará que a construtora tinha a obrigação de executar os trabalhos que faltaram.

Entre as obras que a Odebrecht admite não ter feito nos setores norte e sul por causa do alegado estouro orçamentário, sem ter ferido o contrato, de acordo com a empresa, estão a instalação de dois elevadores em cada lado. Eles seriam usados por deficientes físicos para irem ao banheiro na parte inferior da arena e custariam no total R$ 650 mil pelas contas da Odebrecht.

As áreas norte e sul também ficaram sem parte do acabamento. O piso seria de granito, como nos setores leste e oeste. Porém, segundo a Odebrecht faltou verba e eles foram entregues no contrapiso.

O Corinthians vai decidir se considera a obra entregue ou não baseado nos dois relatórios. Uma das possibilidades é pedir um desconto no valor da dívida pela construção tendo como base a auditoria.

 

 


Segundo relatório, Odebrecht deixou de fazer R$ 200 mi em obras em Itaquera
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Atualizado com versão do arquiteto responsável pelo projeto da arena

Com Dassler Marques, do UOL, em São Paulo

Roberto de Andrade, presidente do Corinthians, recebeu nesta terça-feira relatório sobre a auditoria feita em relação à construção da arena do clube a pedido da diretoria. O blog apurou que o documento aponta pelo menos cerca de R$ 200 milhões em obras que a Odebrecht teria deixado de executar ou que precisará refazer. Ricardo Corrégio, diretor de contratos da construtora, contesta o valor, nega falhas por parte da empresa e afirma não ter conhecimento do documento (leia as declarações do engenheiro no final do post e também do arquiteto Aníbal Coutinho, citado por ele).

O número pode subir substancialmente porque faltaram documentos e laudos que completariam o trabalho.

A direção alvinegra esperava a conclusão da auditoria para decidir quais medidas tomar já que o levantamento foi encomendado justamente para o clube avaliar se a construtora cumpriu rigorosamente o contrato.

Os auditores alegam que tiveram dificuldades para obter uma série de documentos, pois a Odebrecht sustentou que uma parcela deles era protegida por cláusulas de confidencialidade.

O relatório, produzido pelo escritório de Advocacia Molina & Reis, atesta em parte documentos que foram produzidos pelo arquiteto Anibal Coutinho, principal responsável pelo projeto da Arena Corinthians. Durante muito tempo, ele apontou inúmeros serviços que não teriam sido feitos ou que foram executados com falhas pela construtora, mas, na maioria dos casos, a diretoria evitou confronto com a parceira.

A Odebrecht sempre contestou as alegações do arquiteto, afirmando ter entregue o estádio respeitando o contrato.

Com a conclusão do relatório sobre a auditoria, a expectativa no Corinthians é de que a diretoria tente abater o valor da dívida referente à construção, que já ultrapassa R$ 1,4 bilhão, contando juros de empréstimos bancários. Ou que acione a Odebrecht na Justiça.

Porém, como o valor indicado no novo documento é parcial, deve continuar uma apuração no clube sobre outros itens que não teriam sido cumpridos.

Além de analisar o relatório, Andrade vai encaminhar o documento para o presidente do Conselho Deliberativo, Guilherme Gonçalves Strenger, e para a comissão criada a fim de estudar o caso.

Outro lado

Abaixo, depoimento dado ao blog por Ricardo Corrégio, diretor de contratos da Odebrecht, sobre o relatório.

“Não recebemos esse eventual relatório, não temos conhecimento dele, mas não acreditamos nesse número (R$ 200 milhões em obras não realizadas ou que precisam ser refeitas) e o contestamos fortemente.  Temos evidências, números, contratos pra atestar investimento de R$ 985 milhões (feitos pela construtora), respeitando os contratos e os aditivos.  Alguns itens não foram executados porque o contrato permitia a substituição deles (nota do blog: foram R$ 38 milhões não executados por conta de um estouro no orçamento pelas contas da Odebrecht).

 Desconhecemos quem fez esse eventual relatório e que métodos foram usados. Desconheço falhas na obra, que foi vistoriada por órgãos reconhecidos. Se tem algum problema que nos indiquem onde. Usamos sempre os melhores materiais e as especificações indicadas por eles (escritório de arquitetura de Aníbal Coutinho, indicado pelo Corinthians). Temos um termo de responsabilidade (que as partes assinaram) sobre materiais que questionamos. Como piso de mármore no banheiro (que teria sido pedido por Coutinho), que era inapropriado.

Nós mesmos recomendamos que fosse feita uma auditoria com empresa reconhecida. Estamos à disposição para qualquer esclarecimento”.

Citado por Corrégio, Aníbal Coutinho, em nome dos escritórios de arquitetura CDC e DDG, enviou o comunicado abaixo ao blog.

“Um vez citados, declaramos, ainda, desconhecer o teor do relatório produzido e entregue pela auditoria, posto que é confidencial, mas de pronto refutamos as inverídicas e subjetivas afirmações do engenheiro da construtora.

Os fatos em questão estão amplamente documentados e amparados contratualmente, como demonstrado cabalmente em nota oficial emitida pela Arena Corinthians em resposta a afirmações anteriores deste mesmo profissional em matéria de 6 de dezembro deste blog.

Não há interesse por parte da CDC/DDG em discussões e polêmicas pela mídia, principalmente quando os temas objetos desta auditoria têm fundamento em fatos objetivos, em questões substantivas, consistentes e perfeitamente mensuráveis, baseadas em contratos, aditivos e outros documentos contratuais que as comprovam amplamente, não deixando margem a discussões”.


Seria fonte de receita, virou restaurante ‘fantasma’ na Arena Corinthians
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Foto: Ricardo Perrone/ UOL

Fotos: Ricardo Perrone/ UOL

Almoçar ou jantar assistindo ao Corinthians jogar com vista para o campo, como mostra a foto acima, seria a isca para torcedores gastarem em um dos dois restaurantes planejados na arena do clube. Porém, neles nāo há barulho feito por clientes e nem correria de garçons. Ambos nāo foram inaugurados e parecem construções “fantasmas”.

Eles estāo no “osso”, com aspecto de abandono, assim como outros dois bares do estádio de onde também se pode ver o gramado.

Área reservada pra restaurante na arena Corinthians

Área reservada pra restaurante na arena Corinthians

Responsável pela obra, a Odebrecht afirma que fez tudo o que deveria fazer nas áreas em que ficariam os restaurantes. Segundo a empresa, pontos de energia elétrica, rede de esgoto (na foto acima é possível ver parte dela) e outras necessidades básicas foram instaladas. O acabamento, de acordo com a construtora, ficará a cargo de quem operar os estabelecimentos, como é praxe em shoppings, por exemplo.

Ponto de restaurante entregue pela Odebrecht, que alega ter cumprido o contrato

Ponto de restaurante entregue pela Odebrecht

O Corinthians só vai se manifestar oficialmente sobre o que a construtora fez ou deixou de fazer após conclusāo de auditoria na arena.

Profissional ligado ao estádio e contratado pelo clube disse ao blog que a Odebrecht realizou, com atraso,  quase tudo que era obrigada a fazer nos bares e restaurantes e que eles nāo estāo funcionando porque o Corinthians nāo consegue alugar as áreas.

Os restaurantes com vista panorâmica eram considerados fontes importantes de receita para o alvinegro pagar sua casa própria. Mas viraram símbolos silenciosos da dificuldade do clube em explorar ao máximo o potencial de arrecadação da arena.

Instalação básica em área reservada para restaurante

Instalação básica em área reservada para restaurante

 


Corinthians terá auditoria interna sobre arena
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O Conselho Deliberativo do Corinthians vai criar uma comissāo para fazer auditoria interna relativa à arena do clube.

O grupo de trabalho vai checar se a Odebrecht cumpriu o contrato com o alvinegro, verificar a situação da dívida pela construção e sugerir soluções, como acionar a construtora na Justiça, se for o caso.

Inicialmente,  Guilherme Gonçalves Strenger, presidente do órgāo, pretendia esperar até o final de janeiro para que a auditoria encomendada pelo clube fosse concluída. Caso ela nāo terminasse ou seu resultado fosse insatisfatório, ele criaria a comissāo de auditoria.

Porém, o dirigente disse ao blog que resolveu nāo esperar e já está decidido a montar o grupo, que começa a ser estruturado.

“Vou presidir a comissão, que pode ter mais sete ou oito pessoas. Serāo conselheiros especialistas em engenharia, nas áreas jurídica, financeira, contábil e todas que envolverem arena”, disse Strenger ao blog.

A decisāo de reunir conselheiros que sejam profissionais especializados em áreas relativas ao tema é baseada em relatório da comissāo que foi criada para acompanhar a auditoria feita por uma empresa contratada pelo Corinthians.

O trabalho dos conselheiros concluiu que a relação entre clube e Odebrecht é desigual, pois a construtora conta com profissionais especializados, e o Corinthians nāo.

“Tenho a impressāo de que o contrato nāo foi cumprido, mas vamos fazer uma análise profunda com especialistas. Vamos pedir todos os documentos. Como já ouvi a Odebrecht dizer que nāo pode entregar vários por conta de cláusulas de confidencialidade, a comisssāo poderá pedir (por meio do clube) essa documentação na Justiça”, afirmou o presidente do Conselho.

 


Relatório aponta despreparo do Corinthians na relação com Odebrecht
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Relatório da comissão de conselheiros do Corinthians formada para acompanhar auditoria na obra da arena alvinegra aponta que houve desequilíbrio na relação entre clube e Odebrecht. A conclusão é de que a construtora sempre contou com um grupo de profissionais altamente especializado ao discutir pontos divergentes, enquanto o clube não montou uma estrutura no mesmo nível para enfrentar a empresa quando necessário.

Diante desse quadro, o relatório sugere “a criação por parte do Corinthians de um grupo bem estruturado, contando com profissionais das áreas jurídica, engenharia e financeira. É interessante que esse grupo de profissionais não tenha tido qualquer envolvimento com a realização da arena para evitar algum tipo de constrangimento”.

Ou seja, a proposta é para que o clube troque os responsáveis por cuidar da arena, sempre liderados pelo ex-presidente Andrés Sanchez, por uma equipe de especialistas. A recomendação para que os novos indicados não tenham participado do projeto tem a ver com o entendimento da comissão de que os que lidaram com a Odebrecht até aqui deixaram brechas para a construtora contestar seus argumentos provocando situações constrangedoras.

“A Odebrecht é uma empresa de grande porte com um corpo profissional de engenheiros, financistas e jurídico muito bem estruturado. Pelo lado do Corinthians, do ponto de vista de engenharia, o Corinthians contava apenas com um engenheiro, Jorge, que sai do Corinthians já em 2013. Do ponto de vista jurídico, apesar de ter contratado o escritório Machado Meyer (que não está mais no caso), aparentemente não foi suficiente. Consequentemente, o primeiro ponto que chama a atenção é o desequilíbrio entre a representação da CNO (Construtora Norberto Odebrecht) e a do Corinthians”, aponta trecho do relatório.

Não está escrito dessa forma no documento, mas a percepção de pelo menos parte dos conselheiros autores do estudo é de que os representantes do Corinthians agiram como adolescentes crentes de que tudo poderiam conseguir ou ainda como alunos do jardim da infância discutindo com PhDs formados em Harvard, preparados para uma guerra.

Tendo como base trocas de correspondências, outra constatação dos conselheiros que não está escrita no relatório é a de que os que falam pelo clube apresentam versões distintas para mesmos fatos em divergências com a Odebrecht.

O documento também registra que durante a construção houve um aumento significativo das despesas e ao mesmo tempo um atraso na obtenção de receitas além da deterioração da situação econômica do país e que esse quadro prejudicou a geração de receitas e afetou projetos como as vendas de camarotes e dos naming rights.

“No tocante às obras, temos duas situações complexas. De um lado existem obras que necessitam ser completadas até para dar sustentação financeira ao projeto, como por exemplo o término dos camarotes. Adicionalmente, questionam-se algumas questões estruturais mais profundas”, relata outro ponto do relatório.

A Odebrecht afirma que os camarotes foram concluídos.

Apesar de ter entregue seu relatório, a comissão alega que tentou agendar reuniões com a empresa responsável pela auditoria encomendada pelo clube para avaliar se a Odebrecht cumpriu o contrato, mas que não foi atendida. Seu trabalho foi feito em cima de outra auditoria contratada em 2013, de contratos referentes à construção e de conversas com Anibal Coutinho, arquiteto responsável pelo projeto da Arena Corinthians.

Segundo membros da comissão, os responsáveis pela auditoria atual alegaram que não poderiam se reunir para detalhar seu trabalho por não terem recebido muitos documentos pedidos à construtora, que alega existirem contratos com cláusula de confidencialidade.

A comissão responsável pelo relatório é formada pelos conselheiros, Carlos Antonio Luque, Antonio Roque Citadini, Flávio Adauto (diretor de futebol), Emerson Piovezan (diretor financeiro) e Newton Ferrari.

Andrés Sanchez, principal responsável pela arena do lado corintiano, não pode ser ouvido, pois não fala com o blog.


Gestão da Arena Corinthians fala em centenas de falhas vistas por auditores
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O site da Arena Corinthians divulgou resposta ao post publicado no último dia 6 pelo blog sobre os trabalhos que a Odebrecht afirma que não fará no estádio por falta de verba. A construtora alega que o orçamento foi estourado, principalmente por causa de exigências do arquiteto Anibal Coutinho, responsável pelo projeto.

Procurado, na ocasião, Coutinho disse que não poderia se manifestar sem autorização de seu cliente, o Corinthians, já que o contrato contém cláusula de sigilo. Por sua vez, o clube aguarda o fim de uma auditoria para determinar o que foi feito ou não.

A resposta, assinada pela administração da arena, sem o nome de dirigentes ou funcionários, afirma que os materiais especificados pelos escritórios de arquitetura contratados pelo Corinthians estavam previstos em aditivo contratual e atendem à demanda do clube, sem alterações contrárias ao contrato.

A nota também aponta que “de acordo com relatórios já produzidos pela auditoria, contam-se às centenas os pontos de desatendimento aos projetos integrantes do contrato”. A Odebrecht diz ter respeitado integralmente o contrato.

Em outro ponto, a administração da arena cita que serviços incompletos referentes ao piso estão entre os motivos para as constantes infiltrações na arena.

Confira na íntegra, abaixo, a nota publicada no site da arena.

Resposta à matéria publicada em 6 de dezembro de 2016 , no “Blog do Perrone”, sob o título “O que a Odebrecht diz que não fará na arena Arena Corinthians por falta de verba.

1. O Valor Global da Obra, definido pelo Quinto Aditivo Contratual, firmado em 15 de maio de 2014, é de R$ 985 milhões de reais, inclusos nestes, R$ 32 milhões de resultado bruto e R$ 27 milhões de resultado líquido, tendo sido valor este definido em reunião de 17/02/14, transcrita em ata de mesma data, que “…os custos incorridos e projetados serão informados ao SCCP sempre que solicitados, respeitando o compromisso da CNO, da obra quando finalizada, não ter resultado, ou seja lucro líquido abaixo previsto (nota: refere-se a quadro demonstrativo de valores) suportando eventuais variações”. Ou seja, o lucro líquido constituir-se-ia em verba de contingência para valores não previstos ou acréscimos que poderiam vir a ser necessários.

2. Os materiais especificados pelos escritórios de arquitetura contratados pelo SCCP limitam-se ao estritamente constante dos anexos do referido aditivo contratual e atendem às demandas solicitadas pelo clube, não havendo alterações contrárias ao disposto no contrato.

3. Não houve por parte do clube nenhuma alteração dos itens contratuais, nem de suas especificações projetuais, nem mesmo, autorização para tanto.

4. As parcerias referidas na matéria, “para minimizar custos”, não são referentes a nenhum dos itens do contrato firmado com a construtora e desconhecidas pelo clube.

5. As fachadas, bem como seus vidros (Quinto Aditivo contratual, item 13 do “Anexo – Relação dos Serviços”), já estavam comprados e executados quando da assinatura deste aditivo, sendo constituintes do preço acordado.

6. Da mesma maneira, o gramado (“campo de futebol”), ponto principal do estádio, já estava executado, como o item 5, acima, e integrante, também, do valor acordado (Quinto Aditivo contratual, item 11 do “Anexo – Relação dos Serviços”).

7. A escolha do sistema de extração de fumaça deveu-se ao que mais proteção ao usuário proporcionaria – extração total da fumaça dos pavimentos e, não somente, limitada às escadas, tendo sido concebido junto com o projeto e, ao contrário do que se afirma na matéria, a construtora é que quis alterá-lo para solução mais econômica. O valor determinado em contrato (Quinto Aditivo contratual, item 111 do “Anexo – Relação dos Serviços”), R$ 2,5 milhões, foi estimado pela construtora, sendo sua, e somente sua, a responsabilidade desta estimativa. Neste item encontra-se uma divergência considerável – os supostos R$ 14 milhões de custo que foram declarados à reportagem, eram, em orçamento enviado à imprensa pela própria construtora quando da sua saída da obra, exatos R$ 11.525.257,72. De qualquer maneira, esta diferença a maior, R$ 9.025.257,72, está amplamente coberta pelo descrito no item 1, acima, apesar de não ter o seu rito de contratação submetido à aprovação do clube, como acordado na ata de reunião de 17/02/16, já referida no item 1.

8. As vitrines e estantes de troféus (Quinto Aditivo contratual, item 86 do “Anexo – Relação dos Serviços”) estavam previstas em R$ 2 milhões, tendo sido executados só 50% do serviço e pelo preço acordado. Vale, aqui, um esclarecimento – todos os vidros do
estádio são de mesma qualidade, extraclaros, sem possibilidade de esverdeamento. Para tanto foi firmado acordo com a Asahi Glass Company, AGC, para fornecimento de placas deste tipo de vidro, francês, por preço fortemente subsidiado, em troca de divulgação à época da Copa do Mundo. Caso houvesse um impedimento de ordem legal, como alegado, para a complementação do serviço, deveria ter este sido abatido do preço, com seus respectivos BDI, TAC e resultado.

9. O piso da esplanada externa (Quinto Aditivo contratual, item 135 do “Anexo – Relação dos Serviços”) encontra-se totalmente incluso (R$ 9.550.000,00), igualmente, no valor do contrato. Neste item – contrapiso, argamassa e piso de granito, apenas parcialmente, encontram-se executadas partes do contrapiso, sendo uma das razões de constantes infiltrações no edifício. Note-se aí, que a não execução deste piso impediu a execução de outros itens contratuais, em todo ou parte(Quinto Aditivo contratual, itens 7, 8, 9, 30, 31, 54, 65, 82, 83, 123, 125 e 134 do “Anexo – Relação dos Serviços”).

10. Os elevadores para portadores de necessidades especiais não foram executados, apesar de constantes no contrato pelo valor de R$ 560 mil (Quinto Aditivo contratual, item 120 do “Anexo – Relação dos Serviços”), não tendo a construtora qualquer delegação do clube para acordos com quaisquer autoridades que envolvam cortes não autorizados de partes essenciais do projeto, esta, especialmente.

11. Revestimentos dos H´s, os halls dos elevadores, chamados pejorativamente de chapas decorativas, também não executados. Estas paredes, cujas luminárias de LED´s encontram-se adquiridas, mas sem instalação elétrica executada, receberiam imagens dos maiores momentos da história do clube, suas conquistas heroicas e, principalmente, da Fiel, todas com retroiluminação, num forte efeito visual interno. Previstas no orçamento (Quinto Aditivo contratual, item 107 do “Anexo – Relação dos Serviços”).

12. Espelho d´água da esplanada, fontes e equipamentos. Previstos dentro do valor contratual (Quinto Aditivo contratual, item 82 do “Anexo – Relação dos Serviços”).

13. Revestimentos e acabamentos dos terraços. Previstos em diversos itens contratuais, principalmente no Quinto Aditivo contratual, item 22 do “Anexo – Relação dos Serviços”.

14. Revestimento dos vãos dos refletores do campo. Previsto dentro do valor contratual (Quinto Aditivo contratual, item 117 do “Anexo – Relação dos Serviços”).

15. Monitores de TV. Previsto no valor contratual até o limite de R$ 2 milhões. Acima deste valor, caso o clube desejasse, seriam efetuadas permutas ((Quinto Aditivo contratual, item 148 do “Anexo – Relação dos Serviços”). Cabe acrescentar que, segundo relatório da auditoria, quase em sua totalidade, as instalações elétricas para a conexão dos monitores não foram executadas.

16. Guarda-corpos dos setores norte e sul. Previstos dentro do valor contratual (Quinto Aditivo contratual, item 30 do “Anexo – Relação dos Serviços”).

Respondidos, assim, os itens relatados na matéria, sem deixar margem a dúvidas, uma vez que estão, não só descritos, mas também os detalhes e quantidades mencionados no anexo contratual, com listagem de documentos que dirimem qualquer divergência que se possa alegar. Importante, igualmente, que os itens a executar não sejam banalizados e simplificados em tão curta relação de itens, uma vez que dos 180 itens do “Anexo – Relação dos Serviços” do já referido aditivo contratual, foram executados em sua totalidade apenas 51, sendo que 129 não foram executados total ou parcialmente.

De acordo com os relatórios já produzidos pela auditoria, contam-se às centenas os pontos de desatendimento aos projetos integrantes do contrato, sendo portanto, uma simplificação confortável restringir-se as infrações contratuais a tão poucos pontos.

São Paulo, 13 de dezembro de 2016.

Administração Arena Corinthians

 


O que a Odebrecht diz que não fará na Arena Corinthians por falta de verba
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O blog visitou a Arena Corinthians acompanhado de representantes da Odebrecht que deram a versão da construtora para itens que não foram feitos e são alvos de uma discussão com o clube.

A empresa afirma que deixou de executar vários pontos da obra porque o orçamento foi estourado. 

Pela explicação da Odebrecht, havia sido combinado inicialmente que o preço da construção seria de R$ 820 milhões, porém, esse valor subiu para R$ 985 milhões e foi registrado em um aditivo contratual. A Odebrecht alega que nesse montante não há lucro para ela, como afirma ter sido combinado pelas partes.

Entre os motivos para o estouro do orçamento listados pela construtora está uma relação de itens não especificados, ou seja com valores inicialmente indefinidos. A construtora afirma que o arquiteto responsável pela obra, Anibal Coutinho, pediu materiais muito caros nessa lista. Ela alega que, com a concordância do clube, foram executados trabalhos no valor de R$ 33 milhões referentes à essa relação, faltando outros R$ 38 milhões. Além desses materiais, parcerias que seriam feitas pelo clube para minimizar custos não foram efetivadas, segundo a Odebrecht, ajudando no não cumprimento orçamentário. Um dos exemplos dados pela empresa para justificar o encarecimento é a curvatura dos vidros da fachada do estádio. O projeto inicial, segundo a construtora, era reto, mas houve um gasto adicional de R$ 6,5 milhões para que fosse feita a curvatura dos vidros.

Curvatura que encareceu obra, segundo Odebrecht. Toto: Ricardo Perrone

Curvatura que encareceu obra, segundo Odebrecht. Foto: Ricardo Perrone/UOL

O custo do gramado passou, segundo a empresa, de R$ 4 milhões para R$ 7 milhões. Ainda conforme a construtora, o gasto com o sistema de extração de fumaça subiu de R$ 2 milhões para R$ 14 milhões porque o arquiteto não aceitou uma solução mais barata, que previa a cobertura de uma escada, que ficaria isolada em caso de incêndio.

Outro ponto citado pela construtora é a vitrine que protege o memorial com itens históricos do clube. Ela ficou 100% mais cara, segundo a empresa, por causa da exigência de vidros belgas. Seu custo foi de R$ 975 mil.

Vitrine de quase R$ 1 milhão, segundo Odebrecht Foto: Ricardo Perrone/UOL

Vitrine de quase R$ 1 milhão, segundo Odebrecht                    Foto: Ricardo Perrone/UOL

Procurado, o arquiteto Coutinho disse que precisava consultar seu cliente, o Corinthians, para saber se poderia responder ao blog, pois os contratos são protegidos por cláusula de confidencialidade. “Tenho mantido sigilo dos itens contratuais. Se eles forem revelados, os fatos serão em desfavor da parte que agora revela esses itens (Odebrecht). Se meu cliente liberar a revelação, isso será totalmente favorável ao clube”, afirmou o arquiteto.

O Corinthians aguarda o fim de uma auditoria para dizer o que considera feito ou não pela construtora.

Abaixo, veja a lista de itens que a Odebrecht diz que deixou de fazer, quase todos por falta de dinheiro. O blog apurou que para o clube a relação é muito maior.

Granito

O piso da esplanada externa (a área em volta do estádio) e dos setores norte e sul seria todo de granito, como nas áreas oeste e leste. A construtora no entanto, alega que faltou dinheiro para bancar a obra, que custaria R$ 9.550.000. Assim, essas áreas foram entregues sem acabamento, apenas com contrapiso.

Por falta de verba, o piso de granito não foi colocado no setor sul. Foto: Diego Canha

Estante para troféus

No hall da entrada oeste, a mais luxuosa do estádio, ela custaria cerca de R$ 1 milhão, segundo a Odebrecht e exibiria taças conquistadas pelo clube. O espaço chegou a ser reservado e está isolado por questões de segurança. De acordo com a construtora, o Corpo de Bombeiros vetou a ideia por causa do vidro que protegeria os troféus e poderia ser usado como arma em eventuais brigas.

Local reservado para estante de troféus que não será instalada Foto: Ricardo Perrone/UOL

Local reservado para estante de troféus que não será instalada              Foto: Ricardo Perrone/UOL

Elevadores para portadores de necessidades especiais

Seriam dois, instalados nos setores norte e sul para levar os torcedores com dificuldade de locomoção até o andar inferior, onde ficam os banheiros construídos para eles. Por falta de dinheiro não foram instalados. Segundo a Odebrecht, ficou acordado com o Ministério Público que a operação do estádio se responsabilizaria em levar essas pessoas para os banheiros especiais no andar das arquibancadas nos outros setores da arena. Porém, há banheiros químicos instalados para eles nas áreas sul e norte.

Chapas decorativas

Oito chapas perfuradas que seriam instaladas nas paredes do setor oeste foram descartadas porque custariam R$ 2,4 milhões nas contas da construtora.

Espelhos d´água

Eles ficariam do lado de fora da arena e foram cortados por questões financeiras.

Acabamento em terraço

Parte do revestimento do terraço do camarote festa, um dos locais considerados cruciais no projeto para a arrecadação de dinheiro, não foi instalado apesar de ter sido comprado. Segundo a Odebrecht, o instalador subiu o preço depois da Copa do Mundo, o que teria inviabilizado a colocação.

Acabamento incompleto de terraço na arena Forto: Ricardo Perrone/UOL

Acabamento incompleto de terraço                 Foto: Ricardo Perrone/UOL

Refletores

Uma lona preta, avaliada pela Odebrecht em R$ 150 mil, deixou de ser comprada por falta de dinheiro. Ela seria instalada em volta deles.

Monitores de TV

Em algumas áreas do estádio, há espaços nas paredes para a colocação de televisores que permitiriam aos torcedores acompanharem os jogos enquanto circulassem pela arena. Segundo a Odebrecht, eles não foram instalados porque o Corinthians ficou de fazer permutas para obter os aparelhos, mas não fechou os acordos comercias.

Espaço para monitor de TV no setor oeste Foto: Ricardo Perrone

Espaço para monitor de TV no setor oeste Foto: Ricardo Perrone/UOL

Guarda-corpos

Até hoje o estádio tem nos setores norte e sul guarda-corpos que seriam provisórios para a Copa do Mundo. Segundo a Odebrecht, eles não foram instalados pela empresa e não estavam previstos no projeto original.