Blog do Perrone

Arquivo : Crefisa

Com Leila, restaurante de luxo em SP vira palco para política palmeirense
Comentários Comente

Perrone

A entrada do casal dono da Crefisa no conselho deliberativo do Palmeiras está mudando o jeito como se faz política no clube. Ou pelo menos onde se faz, o que é degustado durante os debates e o valor das contas. Os encontros entre conselheiros não acontecem mais apenas em cantinas e pizzarias tradicionais de São Paulo. José Roberto Lamacchia e Leila Pereira abriram as portas do Fasano, um dos mais requintados restaurantes da cidade, para seus colegas.

Na última segunda, alguns deles foram convidados pelo casal para jantar no famoso estabelecimento. No lugar de pizzas e massas de gosto popular, a casa, uma das mais caras da capital e com sotaque italiano, oferece pratos incomuns para o grande público. Um exemplo é o carpaccio de vieira com iogurte e arroz selvagem crocante.

Mas no cardápio do encontro de conselheiros com Lamacchia e Leila também estavam as futuras mudanças no estatuto do clube e o novo formato do patrocínio da Crefisa com o Palmeiras. É o que explicou ao blog Seraphim Del Grande, presidente do conselho deliberativo palmeirense e também presente ao jantar.

“A Leila fez o convite. Eu aproveitei pra explicar para eles  sobre a comissão que estuda mudanças estatutárias. Ela também falou sobre esse novo acordo com o clube que todos querem saber”, disse Del Grande ao blog.

Por sua vez, a empresária não deu detalhes a respeito do que foi conversado durante o jantar em elegante ambiente. Por meio de sua assessoria de imprensa, ela afirmou: “foram 22 amigos que participaram desse encontro, entre eles vários conselheiros do Palmeiras. A noite foi muito agradável, falamos de muitos assuntos, mas pode ter certeza de uma coisa, ali todos estavam interessados no bem do clube, em sempre poder ajudar o Palmeiras em tudo que ele precisar.”

Del Grande é ferrenho defensor da alteração do tempo de mandato do presidente alviverde de dois para três anos. “Dois anos é pouco tempo para trabalhar. Na maioria dos clubes são três anos. A Leila também entende que esse é o melhor caminho”, afirmou o presidente do conselho.

Integrantes do grupo político do ex-presidente Mustafá Contursi, críticos de Leila, acreditam que a mudança facilitaria uma eventual candidatura da empresária à presidência. O raciocínio é de que, caso Maurício Galiotte seja eleito em novembro para mais dois anos de administração, a dona da Crefisa ainda não teria o tempo mínimo necessário para ser candidata à sua sucessão e contar com o apoio dele. Na hipótese de um mandato estendido, ela já estaria apta a concorrer e com a indicação do cartola.

“Essa proposta de mudança não tem nada a ver com a Leila. Surgiu ainda quando Paulo Nobre era presidente. Faz tempo que decidimos dividir as alterações no estatuto em fases. Estamos discutindo mais uma agora”, declarou Del Grande.

O novo modelo de contrato entre Crefisa e Palmeiras também provoca discussões acaloradas no Palmeiras. Antes, o clube apenas precisava devolver para a patrocinadora a receita que obtivesse com a revenda de atletas bancados por ela. Em caso de prejuízo, ele seria só da parceira. O lucro ficaria todo com o Palmeiras. Mas depois de cobrança da Receita Federal junto à empresa, o trato foi modificado. Agora o alviverde precisa devolver o dinheiro independentemente de lucro ou prejuízo. Assim, se um jogador ficar sem contrato e sair de graça, o clube tem que cobrir o rombo. O conselho fiscal quer outra solução por entender que essa é arriscada para a agremiação. Já a diretoria avalia não haver risco. Acredita que jogadores bem revendidos compensariam eventuais atletas liberados sem retorno financeiro.

Não é apenas em volta de uma sofisticada mesa que Leila tem se aproximado dos conselheiros. Já se tornou tradição ela convidar os colegas para acompanhar a equipe fora de casa viajando em seu jato.

 

 

 

 


Brasileirão começa com voo em jato de Leila Pereira para 14 conselheiros
Comentários Comente

Perrone

Para 14 sortudos conselheiros do Palmeiras o Brasileirão começou com direito a acompanhar o time fora de casa viajando de jato particular e sem pagar pela mordomia. O pacote teve ainda uma refeição leve no hotel da delegação alviverde no Rio, encontro com o presidente do clube, Maurício Galiotte, e ida para o estádio em van do estafe palmeirense. Os felizardos foram convidados por Leila Pereira para assistirem ao empate em um gol com o Botafogo, na última segunda (16).

Os convites da patrocinadora do clube a colegas de conselho deliberativo para seguirem o time com estilo refinado se tornaram rotineiros. E são vistos por parte dos aliados do ex-presidente Mustafá Contursi como uma estratégia para angariar apoio político.

Porém, cinco dos participantes do “bate e volta” ouvidos pela reportagem afirmaram que não se falou de política durante a viagem. Isso num momento em que pelo menos dois assuntos fervem no conselho. Um é a mudança estatutária que pode incluir aumento no mandato do presidente de dois para três anos. O outro é o novo formato do contrato entre Crefisa e Palmeiras, que é contestado pelo conselho de orientação fiscal.

Antes, o clube só precisava devolver para a patrocinadora a receita que arrecadasse com a revenda de atletas bancados por ela. Em caso de prejuízo, ele seria só da empresa. O lucro ficaria todo com o Palmeiras. Mas após cobrança da Receita Federal, o acordo foi alterado. Em qualquer situação, o Palmeiras precisa devolver o dinheiro. Assim, se um jogador ficar sem contrato e sair de graça, o alviverde tem que cobrir o rombo. O conselho fiscal quer outra solução por entender que essa é arriscada para o clube. Já a diretoria não vê grandes riscos. Calcula que se um jogador sair gratuitamente, a venda de outro deve compensar o prejuízo.

Apesar de o tema ser palpitante, ele não foi discutido durante o passeio ao Rio. É o que asseguram os conselheiros Antônio Carlos Corcione, Antônio Henrique Silva, Edis Caberlin, Manoel Dantas Pinheiro Filho e Luciano Henrique Silva.

Porém, integrantes da exclusiva comitiva explicam a motivação para o passeio de diferentes formas.

“Eu tenho enorme alegria em poder convidar conselheiros que são companheiros para ver o Palmeiras jogar em partidas que vou com meu avião em jogos aqui no Brasil e fora, pela Libertadores. E também os convido para ir ao nosso camarote”, disse Leila por meio de sua assessoria de imprensa. Sem fazer segredo, ela postou foto do grupo na aeronave numa rede social.

“Ela nos convidou para a gente dar um apoio ao time e à diretoria no início do Brasileiro. Pra mostrarmos que estamos juntos”, declarou Antônio Henrique. Ele estava acompanhado de dois filhos, também conselheiros.

Para Corcione, a empresária não gosta de viajar com a aeronave vazia para acompanhar o Palmeiras. “Ela sempre nos diz que é muito triste usar o avião dela e viajar sozinha. Deve ser mesmo”, afirmou o conselheiro.

“A Leila é poderosa, tem um avião com 15 lugares, não precisa explicar porque está convidando. Ela me convidou, e eu fui”, disparou Caberlin, que conta ser antigo diretor de sinuca do clube. Ele completou 71 anos no dia da viagem. “Foi até um presente de aniversário pra mim. Mas não muda nada no meu conceito político”, explicou o conselheiro que se define como quem nunca fez oposição a presidentes da agremiação.

Dos cinco conselheiros que conversaram com a reportagem, apenas Manoel Dantas afirmou que foi procurado antes por Galiotte para falar sobre a viagem. “Ele (presidente) me ligou e disse: ‘Dantas, quer ir pro Rio ver o jogo? A Leila tá montando um grupo pra ir no avião dela e talvez ela te ligue’. Ela me ligou e eu aceitei. Fui convidado e viajei com o (Arnaldo) Tirone, o Paulo (Nobre, ambos ex-presidentes). Não tem nada demais. Não se falou de política, de estatuto, de nada. Ela convidou mais de 14 pessoas, eu não sou de panela nenhuma”, falou Dantas.

A turma montada por Leila saiu de São Paulo entre 14h e 15h, lanchou no mesmo hotel em que estava a equipe, sem encontrar os jogadores mas com a presença de Galiotte.

O retorno foi na correria, logo depois da partida. Não deu tempo de jantar na Cidade Maravilhosa. “Mas ela (Leila) serviu um lanche caprichado no avião”, contou Antônio Henrique. Ele não entregou qual foi o cardápio oferecido na aeronave, apelidada jocosamente por um adversário político da empresária de “Aero Estatuto”.

Com Danilo Lavieri, do UOL Esporte, em São Paulo


Briga do Palmeiras com FPF abafa críticas a Roger e ao contrato com Crefisa
Comentários Comente

Perrone

Desde a perda do título Paulista diante do Corinthians, em casa, no último domingo, a diretoria do Palmeiras praticamente só fala sobre o clube supostamente ter sido prejudicado pela arbitragem e de sua guerra com a Federação Paulista. A revolta abafou outros temas importantes no clube. Veja abaixo quais são os principais.

Críticas a Roger Machado

Apesar de o Palmeiras ter feito a melhor campanha do Campeonato Paulista, conselheiros de diferentes alas políticas passaram a criticar o treinador depois da perda do título. A insatisfação pode ser medida em grupos de membros do Conselho Deliberativo no “WhatsApp”. As queixas mais frequentes são em relação à escalação do time no último jogo da decisão e às substituições. Na opinião dos críticos, o treinador deveria ter começado a partida com uma formação mais defensiva no meio. “Um dos erros foi tirar o Willian no segundo tempo e não o Lucas Lima (para a entrada de Keno). Também não dá pra tomar gol com um minuto de jogo numa final”, disse ao blog o conselheiro José Corona Neto. Ele foi contrário à contratação de Roger.

Lucas Lima

O ex-santista é o jogador mais cobrado entre conselheiros pela atuação na derrota por 1 a 0 para o Corinthians no Allianz Parque. A avaliação é de que, pelo que recebe, o meia tinha a obrigação de ser decisivo na partida. Ao lado de Dudu, ele foi um dos palmeirenses que desperdiçaram pênaltis.

Pressão sobre Alexandre Mattos

A perda do título trouxe de volta antigas críticas de conselheiros ao dirigente remunerado do Palmeiras. Apesar de a maioria dos desafetos do executivo estar no grupo do ex-presidente Mustafá Contursi, existem críticos em diferentes alas. Quatro conselheiros ouvidos pelo blog reclamaram de Mattos depois da decisão. O argumento central é de que os resultados em campo estão abaixo dos investimentos feitos pela diretoria. A tese é antiga.  “Ele acertou muito nas contratações, mas também errou muito desde que chegou ao clube. Não é um executivo que domina 100% a situação. As contratações de Juninho, Michel Bastos, Luan, Mayke e Deyverson, por exemplo, foram erros na minha opinião”, disse Corona. Mattos não quis comentar o fato de voltar a ser criticado. Porém, a diretoria alviverde costuma tratar os ataques ao cartola como gesto político principalmente do grupo de Contursi, obcecado por corte de despesas. Nem o fato de o time  ter sido campeão brasileiro em 2016 ameniza as reclamações contra o executivo.

Jogo com o Boca

Com a diretoria concentrada em atacar a Federação Paulista por uma suposta interferência externa no lance em que um pênalti a favor do Palmeiras foi marcado e anulado no segundo jogo da decisão, pouco se falou no clube publicamente sobre a partida desta quarta contra o Boca Juniors pela Libertadores. Porém, o clima é de tensão entre conselheiros. O receio é de que o fracasso na final do estadual tenha abalado a confiança dos jogadores a ponto de ajudar a produzir um novo resultado negativo em casa.

Aumento de preço dos ingressos na Libertadores

A polêmica em torno da decisão do Paulista também deixou em segundo plano os protestos de torcedores contra a decisão da diretoria de deixar mais caras as entradas para as apresentações do time no torneio continental. No ano passado, o tíquete mais barato saía por R$ 90. Agora custa R$ 180, valor superior aos R$ 160 referentes aos ingressos mais caros em 2017. As queixas, no entanto, ficaram pelo caminho. A UVB (União Verde e Branca), grupo que tem entre seus líderes Wlademir Pescarmona, derrotado por Paulo Nobre na eleição presidencial de 2014, é uma das alas que chegou a propor discussão com a diretoria contra os novos preços. A direção, porém, manteve sua posição.

Contrato com a Crefisa

Paralelamente aos desdobramentos da derrota na final do Paulista, há grande preocupação de membros do COF (Conselho de Orientação e Fiscalização) do Palmeiras em relação às novas regras da parceria do clube com a Crefisa. O órgão recomendou que a diretoria reavalie o novo acordo com a patrocinadora. Por conta de problemas com a Receita Federal,  a empresa solicitou a alteração do contrato. Antes, o clube só tinha que devolver o dinheiro investido pela patrocinadora em jogadores quando vendesse os atletas contratados com seu suporte. Eventuais lucros ficariam com o Palmeiras e possíveis prejuízos com a parceira. Agora, de qualquer forma o dinheiro precisa ser devolvido. Ou seja, se um jogador bancado pela parceira ficar livre e sair de graça, o Palmeiras tem que devolver a quantia integral. A diretoria não vê grandes riscos na negociação por entender que serão raros os casos de atletas ficarem sem contrato. A avaliação é de que os jogadores vendidos com lucro devem compensar possíveis prejuízos. Os “cofistas” estão ávidos por uma nova proposta da diretoria, mergulhada na guerra com a FPF.


Carona em jato e contradições. O inquérito que envolve Mustafá e Crefisa
Comentários Comente

Perrone

Uma história com desconfianças, supostas trocas de favores, viagens internacionais em jato particular e até um vilão misterioso. Esse é o enredo revelado pelos depoimentos colhidos pela Policia Civil que apura o suposto envolvimento de Mustafá Contursi em venda ilegal de ingressos para jogos do Palmeiras. O ex-presidente alviverde nega as acusações.

O blog teve acesso a sete depoimentos de testemunhas ouvidas pela DRADE (Delegacia de Polícia de Repressão e Análise aos Delitos de Intolerância Esportiva). Seis delas não ligam Contursi ao cambista que estaria envolvido no caso e ainda não teve sua identidade descoberta. O depoimento que coloca sob suspeita o que Mustafá fazia com os ingressos é o de Leila Pereira, dona da Crefisa e da FAM (Faculdade das Américas), patrocinadoras palmeirenses.

Uma das pessoas ouvidas afirma que Leila distribuía os ingressos para que sócios votassem nela para o cargo de conselheira do clube, o que não é confirmado pelas declarações da empresária aos policiais.

O blog não localizou na pasta sobre o caso no Fórum Criminal da Barra Funda o depoimento de Mustafá, mas obteve informações sobre as alegações mais importantes do cartola. Procurado, ele não atendeu aos telefonemas.

Abaixo, conheça os principais detalhes do inquérito.

Mustafá está envolvido ou não?

O caso foi parar na polícia a pedido do promotor Paulo Castilho depois de o Conselho Deliberativo palmeirense iniciar uma investigação.

À polícia, Seraphim Del Grande, presidente do Conselho Deliberativo, contou que tudo começou ao receber um telefonema de Leila. De acordo com seu depoimento, ela dizia ter sido procurada por Paulo Serdan, presidente da escola de Samba Mancha Alviverde. O torcedor, carnavalesco e conselheiro do clube teria contado que foi contatado pela sócia palmeirense Eliane de Souza Guimarães Fontana relatando que vinha sofrendo ameaças de um cambista que se dizia integrante da Mancha e para quem ela repassava ingressos cedidos pela Crefisa.

O presidente do conselho contou aos policiais que chamou Serdan para dar explicações e que ele confirmou o pedido de ajuda feito por Eliane para cessar as ameaças. O cambista estaria nervoso porque ela havia deixado de entregar para ele ingressos vindos da Crefisa.

No depoimento de Seraphim está escrito “que em momento algum o conselheiro Paulo Rogério (apelidado de Paulo Serdan) citou o nome do senhor Mustafá Contursi”. Carlos Antonio Faedo, vice-presidente do conselho palmeirense, repetiu não ter ouvido o nome do ex-presidente ser pronunciado pelo membro da Mancha.

Também convocado a depor na polícia, Serdan praticamente confirmou as informações de Seraphim. Ele não citou Mustafá como fazendo parte da conversa com Eliane e disse desconhecer a relação entre a associada do clube e o ex-presidente.

O torcedor e membro do conselho palmeirense ainda contou que Eliane afirmou receber ingressos de Leila para distribuir  a conselheiros e associados. “Contudo, Eliane, dava alguns ingressos para um indivíduo que se dizia associado da Torcida Mancha Alviverde em troca de favores que o mesmo fez durante a campanha de Leila. Contudo, quando Eliane parou de receber os ingressos de Leila, aquele indivíduo passou a ameçar-lhe de forma insistente…”, diz trecho do relato sobre o depoimento de Serdan no inquérito.

Pivô da confusão, Eliane contou aos policiais que recebia 20 ingressos dados por Leila por jogo. E que eles eram enviados à sede do sindicato de clubes presidido por Mustafá em envelope fechado, depois repassado a ela. Contou também  que o cartola recebia em outra embalagem 50 bilhetes. Ou seja, as entradas dadas a ela nada teriam a ver com as ganhas por Contursi, segundo sua versão.

Ela negou que tenha sofrido ameaças. Contou que, durante a campanha de Leila, recebeu o telefonema de um homem que se identificou como Anderson e pediu ingressos, alegando que votaria na empresária e conseguiria mais eleitores. Ele passou a receber três bilhetes por partida para levar familiares e conhecidos. Em julho de 2017, já passado o pleito para o conselho, ela parou de receber as entradas da Crefisa. Nesse momento, Anderson teria insistido em conseguir os bilhetes com seguidos telefonemas e mensagens. Por considerar seu interlocutor inconveniente, ela afirma ter pedido ajuda de Serdan para encerrar as cobranças.

Em suas declarações, Eliane não menciona Anderson como cambista e também nega que tenha recebido dinheiro dele pelos ingressos.

Comprovantes de entrega de ingressos da Crefisa para Mustafá anexados ao inquérito sobre suposto repasse a cambista

A versão de Eliane não bate totalmente com o depoimento de Leila. A dona da Crefisa disse que em meados de 2015 passou a enviar 70 ingressos por jogo para Mustafá, por solicitação dele e com a finalidade de serem entregues a conselheiros e sócios. A cortesia era feita em virtude do respeito que tinha pelo ex-presidente. Os bilhetes eram enviados para o sindicato. Ela não cita a cota de 20 entradas para a associada. Admite, porém, que em “poucas vezes, concedeu poucos ingressos, não mais que meia dúzia, a Eilane, a pedido do próprio Mustafá, ignorando por completo que aqueles 70 ingressos enviados a ele (Contursi) eram revendidos por cambistas.”

Ela ainda contou que, certa vez, não enviou as entradas porque Mustafá estava hospitalizado. Então, Eliane ligou para cobrar. Em seguida, Contursi teria feito o mesmo.

Segundo a empresária, por conta de seu patrocínio ao clube, ela tinha direito a uma cota de cerca de 310 ingressos por jogo e ainda comprava mais 250 junto à construtora Wtorre. Os bilhetes, segundo afirmou Leila no depoimento, eram cedidos gratuitamente para clientes e funcionários a título institucional.

Trecho do depoimento no qual Leila Pereira explica cessão de ingressos para Mustafá

Ingresso por voto?

Eliane afirmou à equipe da DRADE que recebia 20 ingressos por jogo da dona da Crefisa para que fossem entregues a sócios para votarem em Leila na disputa pela vaga conselho.

Procurada pelo blog, a assessoria de imprensa da empresária respondeu à pergunta sobre a afirmação de Eliane com a seguinte mensagem: “Eram entregues ao sr. Mustafá Contursi 70 ingressos por jogo. Ele quem deve esclarecer como foram parar nas mãos desta senhora Eliane. Ele quem deve esclarecer para as autoridades essa suposta venda de ingressos que lhe eram entregues com protocolo. Esses 70 ingressos deveriam ser dados em cortesia para conselheiros e sócios.”

Em depoimento, Paulo Serdan explica o que ouviu de Eliane

Quem vai ficar com Eliane?

Uma das dúvidas geradas pelos depoimentos é quem tem mais intimidade com Eliane, a protagonista da polêmica: Mustafá ou Leila?

Serdan, por exemplo, relatou que em todos os eventos em que Leila comparecia, Eliane estava junto. Porém, afirmou também que a empresária negou para ele que fosse amiga de longa data da associada, a quem, na ocasião, disse conhecer havia cerca de um ano. O primeiro encontro, segundo a dona da Crefisa, foi casual, em junho de 2016. Musatafá estaria almoçando com Eliane num restaurante e apresentou a amiga ao casal de patrocinadores.

A versão do almoço é confirmada pela sócia palmeirense, que relata ter sido apresentada para ajudar a empresária em sua campanha pela cadeira no conselho.

Na delegacia, Leila afirmou que, a seu ver, Eliane atuava como uma espécie de operadora dos interesses de Contursi.

Mas há pontos divergentes nos depoimentos.  A empresária diz que num segundo encontro Mustafá pediu que ela desse carona para Eliane em seu avião particular até os Estados Unidos para que a amiga dele pudesse visitar a filha que mora lá. Já a suspeita de envolvimento com cambista declara que foi Leila quem ofereceu um lugar na aeronave.

Eliane contou em seu depoimento que fez quatro viagens no avião da dona da Crefisa para Nova York. E que já na primeira reuniu um grupo de torcedores e um sócio do Palmeiras num restaurante para uma confraternização com a empresária e seu marido, José Roberto Lamacchia.

Pelas contas de Leila, segundo seu depoimento, foram oito caronas no jato para associada até os Estados Unidos, além de viagens para acompanhar jogos do Palmeiras. A empresária afirma que Eliane viajava a pedido de Contursi para passar informações ao cartola. A dona da Crefisa diz que a sócia do clube tratava mal funcionários palmeirenses e que chegou a falar com dedo em riste com um membro da comissão técnica.

Desconfiança

Entre suas declarações à polícia, Leila afirmou desconfiar que algo anormal acontecia com os ingressos cedidos para Mustafá porque seus funcionários começaram a receber ligações de torcedores querendo comprar bilhetes da Crefisa. A empresa alega que nunca colocou entradas à venda. Ela afirmou também que chamou atenção o fato de não receber ligações de agradecimento por parte de pessoas que teriam sido agraciadas com ingressos por meio do ex-presidente, diferentemente do que faziam outros beneficiados. Essas desconfianças e a cobrança que recebeu quando deixou de entregar as entradas para o ex-presidente fizeram Leila cancelar os repasses, de acordo com a versão da empresária.

Por sua vez, Eliane diz que começou a receber os bilhetes em novembro de 2016. E que em meados de julho de 2017, quando teria se encerrado o acordo entre Crefisa e WTorre por cadeiras centrais do Allianz Parque, a cortesia foi cortada.

Cambista misterioso

As testemunhas ouvidas no inquérito se referem ao suposto cambista de quatro formas diferentes: Dande MV, Alemão, Alexandre e Anderson. O último nome só foi usado por Eliane, única também a não descrever o sujeito como revendedor ilegal de ingressos.

Reginaldo Pereira dos Santos, membro da Mancha,  descreveu o personagem enigmático como tendo pele branca e, aparentemente, 35 anos. Ele narrou ter sido procurado por Serdan e que a partir de uma foto fornecida por Eliane localizou o suposto revendedor ilegal como sendo Alemão. Em sua lista de amigos no Facebook, o mesmo aparecia como Dand MV (sigla de Mancha Verde). O torcedor e André Guerra, presidente da torcida Mancha Alviverde, declararam terem chamado o acusado de fazer ameaças para conversar na quadra da escola de samba.

Está escrito no depoimento de Reginaldo que “Dand teria negado as ameças a Eliane” e que a conheceu “durante a campanha de Leila para conselheira e que Eliane lhe fornecia alguns ingressos do setor central do campo, os quais Dand repassava para cambistas.” Ele afirmou também que o acusado não disse para quem enviava o dinheiro arrecadado com a venda dos bilhetes e nem como era feita a divisão da receita, além de não saber como a associada do clube conseguia as entradas.

Reginaldo contou ainda que ele e o presidente da torcida pediram para Dand não importunar mais Eliane e nem usar o nome da organizada. Ambos, porém, falaram para a equipe da DRADE que não pegaram o telefone do interlocutor e nem confirmaram se ele é sócio da Mancha.


Jantar entre ‘casal Crefisa’, Luxa e promotor gera polêmica no Palmeiras
Comentários Comente

Perrone

Na última segunda, jantaram juntos num restaurante de São Paulo Vanderlei Luxemburgo, o promotor Paulo Castilho e o casal dono da Crefisa acompanhado por seu assessor de imprensa, Olivério Júnior.

O encontro chegou ao conhecimento de conselheiros do Palmeiras e gerou polêmica por dois motivos: futebol e política.

A aproximação de José Roberto Lamacchia e Leila Pereira com Luxemburgo criou a desconfiança entre parte dos conselheiros de que os empresários têm planos para Luxemburgo no futuro.

Além de patrocinarem o time por meio da Crefisa e da FAM, eles integram o Conselho Deliberativo e Leila deseja presidir o Palmeiras.

Já aliados do ex-presidente Mustafá Contursi se incomodaram com a presença de Castilho no jantar. Entendem que não é ético o integrante do Ministério Público se aproximar dos empresários porque o casal está envolvido num inquérito aberto por Castilho.

Ele pediu investigação para saber se Mustafá repassou ingressos enviados pela Crefisa para um cambista. O dirigente nega ter feito isso.

Procurado pelo blog, Castilho confirmou o jantar e disse não existir problemas no encontro com o casal de empresários.

“Fui jantar com o Luxemburgo que é meu amigo. Eles estavam no restaurante e acabamos ficando na mesma mesa. Você acha que quem quer fazer algo errado faz num restaurante? Não falamos nada que não pudesse ser ouvido. Se eles (empresários) fossem réus, seria um problema. Mas ao meu ver são vítimas. E o promotor pode se aproximar para colher informações sobre o caso”, disse Castilho.

O promotor também afirmou que após a abertura do inquérito participou de almoço na Federação Paulista com a presença de Mustafá.

A assessoria de imprensa do casal dono da Crefisa também declarou não ver problemas no encontro, ressaltando que ele ocorreu em local público.

“Ninguém falou de nada que possa ser conversa velada ou fato que seja sigiloso Os assuntos foram de família, futebol e viagens. Nada além disso. As pessoas que estavam no jantar não falaram de suas atividades profissionais”, disse a assessoria de imprensa dos empresários.

 


Mustafá apresenta e-mail em nome de Leila e com promessa de doação
Comentários Comente

Perrone

Na última terça (20), a defesa do Sindicato Nacional das Associações de Futebol Profissional, presidido por Mustafá Contursi, apresentou à Justiça contestação em processo no qual é cobrado em R$ 430 mil, mais juros, por José Roberto Lamacchia, dono da Cresfisa. O advogado David Chien anexou cópia de e-mail, que sustenta ter sido enviado pela mulher de Lamacchia, no qual Leila Pereira, promete doar essa quantia à entidade. Com a mensagem, Mustafá pretende desmentir a versão do empresário de que emprestou o dinheiro e ainda não recebeu o pagamento.

“Vamos fazer a doação de 430 mil reais p (para) o sindicato. Até segunda-feira o dinheiro estará na conta do sindicato. Assim que fizermos o depósito te aviso”, diz a mensagem com a assinatura de Leila M. Pereira. O advogado da entidade apresenta uma série de elementos para sustentar a autenticidade do e-mail e a mulher e sócia de Lamacchia como remetente do aviso enviado em 4 de maio de 2017.

A assessoria de imprensa do dono da Crefisa disse ao blog que ele não tem conhecimento da mensagem. “O sr. José Roberto Lamacchia desconhece esse e-mail. O empréstimo foi tratado com o sr. Mustafá diretamente por Lamacchia. E nem a sra. Leila Pereira e nem as empresas do grupo tem nada com o assunto”, afirmou a assessoria dos patrocinadores do Palmeiras em mensagem pelo celular.

O advogado do sindicato alega que Lamacchia “propositadamente alterou a verdade dos fatos” e que por isso deve ser condenado por litigância de má-fé com o pagamento de indenização correspondente a 20% do valor da causa. Isso além de solicitar que a ação de cobrança seja considerada improcedente.

Ao entrar com a ação, Lamacchia havia apresentado um e-mail no qual Mustfá enviou dados bancários do sindicato. Porém, a mensagem não explicava se a operação era um empréstimo ou doação. O empresário não apresentou à Justiça contrato de empréstimo. Esse é um dos pontos atacados pela defesa do sindicato.

A transferência de dinheiro de Lamacchia para Mustafá aconteceu quando eles e Leila andavam de mãos dadas no Palmeiras. O ex-presidente alviverde já tinha sido o principal articulador da campanha vitoriosa dos empresários ao Conselho Deliberativo. Mustafá também foi protagonista da principal polêmica do pleito ao apresentar documento no qual atestava ter Leila o tempo de sócia necessário para se candidatar. A peça foi fortemente contestada pelo então presidente Paulo Nobre.

Já a cobrança na Justiça aconteceu depois de as partes romperem. Um dos motivos é o caso que foi parar na policia e no Ministério Público sobre o suposto repasse de ingressos dos patrocinadores para Mustafá e que teriam parado na mão de um cambista. Ele nega ter feito tal repasse.

Abaixo, veja copa do e-mail apresentado pelo advogado do sindicato de Mustafá à Justiça.


Novo acordo com Crefisa preocupa órgão do Palmeiras, mas não a diretoria
Comentários Comente

Perrone

O novo acordo entre Palmeiras e Crefisa, que obriga o clube a ressarcir a patrocinadora por todo investimento feito por ela em contratações, preocupa pelo menos parte dos membros do COF (Conselho de Orientação e Fiscalização) do clube, enquanto a diretoria demonstra segurança.

O maior temor dos “cofistas” é de que a agremiação tenha um considerável prejuízo caso não consiga vender com lucro alguns dos atletas trazidos pela parceira. Há também incômodo com o fato de o novo formato tornar impossível calcular quanto o alviverde terá de repassar aos donos da empresa e da FAM (Faculdade das Américas), José Roberto Lamacchia e Leila Pereira. Na opinião deles, a nova situação bagunça a previsão orçamentária do clube.

Pelo acordo antigo, alterado por exigência da Receita Federal, o Palmeiras só precisava devolver a mesma quantia investida pela parceira em cada jogador se conseguisse vender o atleta. Se vendesse por mais, o lucro seria da agremiação. Caso a negociação ocorresse por menos, o prejuízo seria só da empresa. Agora o Palmeiras fica com eventuais lucros, mas é obrigado a ressarcir os empresários pelo valor injetado. Assim, se um atleta ficar sem contrato e sair de graça, o alviverde tem até dois anos para pagar a patrocinadora.

Como mostrou o UOL Esporte, o presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte afirmou que a sociedade esportiva  terá que devolver R$ 120 milhões para a parceira.

Inseguros, alguns membros do COF querem examinar todos os contratos referentes a contratações bancadas pelo casal de milionários para avaliar os riscos. Na contramão dessa insegurança, a diretoria se apoia em uma série de motivos para sustentar que o novo formato não é ruim.

Um dos principais argumentos é de que a diretoria espera quitar a dívida com o ex-presidente Paulo Nobre até o fim deste ano. Isso daria um alívio de aproximadamente R$ 50 milhões anuais para o acerto com a Crefisa.

A recente rotina de aumentos de receita do clube também faz a direção adotar um discurso confiante. De acordo com o balancete de dezembro, o Palmeiras fechou 2017 com arrecadação recorde de aproximadamente R$ 531,1 milhões.

Outro ponto de apoio da diretoria é a avaliação de ser praticamente impossível que todos os atletas contratados pela Crefisa deixem o clube de graça, o que geraria o prejuízo de R$ 120 milhões. O calculo é de que alguns jogadores vão sair com lucro, outros por menos do que foi investido e ainda que talvez alguém vá embora de graça. Nessa conta, uma negociação compensa a outra e acaba sobrando dinheiro para ressarcir o casal de empresários.

Os cartolas também apostam na valorização da maior parte dos atletas contratados. Dudu é o principal exemplo dado. Ele chegou com preço total de 6 milhões de euros e já teve oferta recusada de aproximadamente 14 milhões de euros.

Somando todas essas análises, a direção palmeirense conclui que o acordo antigo com a Crefisa era excelente e que o novo é ainda muito bom. Ou seja, na opinião dos cartolas não há motivo de desespero.


Cerca de R$ 400 mil de dono da Crefisa entram em sindicato de Mustafá
Comentários Comente

Perrone

O Sindicato do Futebol, presidido por Mustafá Contursi, aprovou nesta terça seu balanço financeiro referente a 2017 com o registro de uma doação de cerca de R$ 400 mil. A verba, segundo a entidade, saiu dos cofres do casal dono da Crefisa, ex-aliado do cartola e atualmente desafeto. A operação ocorreu depois de o influente conselheiro palmeirense ser o principal avalista da candidatura vitoriosa de Leila Pereira e José Roberto Lamacchia ao Conselho Deliberativo alviverde.

Porém, a versão dos patrocinadores do Palmeiras é diferente. De acordo com a assessoria de imprensa deles, a movimentação financeira  foi um empréstimo. “Em meados, aproximadamente, de 2017, houve uma solicitação do sr. Mustafá de um empréstimo para o sindicato da ordem de R$ 430 mil. Esse empréstimo foi feito pelo sr. José Roberto Lamacchia (dono da Crefisa e da FAM com sua mulher, Leila)”. É o que diz mensagem encaminhada pela assessoria de imprensa dos patrocinadores ao blog depois de ser indagada sobre o assunto.

A assessoria, no entanto, não soube dizer se o alegado empréstimo foi pago.

Na contramão da afirmação sobre quantia emprestada, o sindicato sustenta que possui registro de recolhimento de imposto sobre doação.

O blog falou com três cartolas ligados à entidade patronal, mas não conseguiu conversar com Mustafá.

Quando o dinheiro entrou nos cofres do sindicato, Mustafá, Lamacchia e Leila andavam de braços dados. Em fevereiro do ano passado, o casal foi eleito para o Conselho Deliberativo do Palmeiras. O ex-presidente alviverde liderou a articulação das campanhas.

Leila só conseguiu ser candidata depois que Contursi assegurou por escrito que ela tinha o tempo mínimo exigido como associada para poder disputar vaga no órgão.

Hoje, no entanto, os empresários e Mustafá estão rompidos. Leila deu declarações se dizendo decepcionada com o cartola por conta de ingressos que teriam sido repassados pelos patrocinadores a ele pararem nas mãos de um cambista. O caso é investigado pela polícia e no Palmeiras. Contursi nega envolvimento com revenda de entradas.

Na outra ponta da corda, os correligionários do ex-presidente afirmam que o casal se irritou porque ele não tentou alterar o estatuto palmeirense abreviando o tempo necessário para Leila ser candidata à presidência.


Dono da Crefisa é suspenso de clube de SP por briga. Desafeto leva a pior
Comentários Comente

Perrone

A confusão na Sociedade Harmonia de Tênis rendeu uma suspensão no clube de 45 dias para José Roberto Lamacchia, dono da Crefisa e da FAM, patrocinadoras palmeirenses. O desafeto dele, acusado de ter tentado agredir a mulher do empresário, levou gancho pior. Luiz Carlos de Almeida Prado, de 86 anos e que afirma ter levado dois socos no peito dados por Lamacchia, pegou um gancho de 18 meses e sete dias.

Prado é acusado de tentar agredir com uma raquete Leila Pereira, casada com Lamacchia e também dona das empresas patrocinadoras do alviverde. Ele ainda sofre a acusação de ir ao clube com um segurança armado após ao entrevero e de ofender Leila, conselheira do Palmeiras, assim como seu marido.

Por meio de sua assessoria de imprensa, Lamacchia e Leila falaram que não comentariam o assunto. Prado também não quis falar, mas colocou seu advogado em contato com o blog. Antônio Ribas Paiva reclamou da punição imposta a seu cliente. Ele diz que a notificação foi feita por telegrama e que agora vai estudar o caso para saber que medidas tomará.

“A suspensão foi aplicada de afogadilho, de maneira parcial e injusta. Ele (Prado) nem foi ouvido. A punição foi dada com base no que o Lamacchia falou”, afirmou Paiva. Ele nega que seu cliente tenha tentado dar raquetadas em Leila e entrado no Harmonia com guarda-costas armado. “Ele (Prado) voltou ao clube com um segurança sem arma porque foi ameaçado de morte pelo Lamacchia”, declarou.

Por sua vez, o clube não se manifestará sobre as punições e a briga.

O entrevero começou depois que Leila chegou ao Harmonia para dar uma entrevista para a TV Globo. Prado disse que era proibido gravar imagens lá sem autorização e começou a discutir com a empresária. Ela sustenta que foi ofendida pelo sócio, que diz apenas ter devolvido xingamento que teria recebido dela. Pela versão do casal, Prado tentou acertar a empresária com sua raquete de tênis. Lammachia chegou ao clube depois e se desentendeu com o mesmo associado ao tomar as dores de sua mulher. O caso foi parar na delegacia.


Polícia investiga contradição nos depoimentos de Mustafá e Leila
Comentários Comente

Perrone

Nesta quinta (21) Mustafá Contursi prestou depoimento no Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e de Intolerância) como parte da investigação sobre ingressos de patrocinadores do Palmeiras que chegaram às mãos de um cambista. As declarações do ex-presidente foram conflitantes com o que havia dito aos policiais Leila Pereira, dona da Crefisa e da FAM. Investigar os pontos contraditórios passou a ser uma das prioridades dos encarregados em elucidar o caso.

O cartola confirmou que recebia ingressos vindos dos patrocinadores palmeirenses em todos os jogos no Allianz Parque, como havia relatado Leila. Segundo os dois depoimentos, os tíquetes eram enviados pela patrocinadora ao sindicato que reúne entidades ligadas ao futebol e é presidido pelo palmeirense.

A partir do recebimento, as narrativas se distanciam. Contursi contou aos policiais que uma parte dos ingressos que recebia vinha separada e em nome de uma sócia do Palmeiras chamada Eliane. A separação seria feita pelos patrocinadores. O cartola contou ainda que entregava a sua parte de graça para amigos ligados ao clube e mandava os demais para a associada. Quando sobravam ingressos de sua carga, eles eram destruídos, conforme essa versão.

Porém, Leila declarou à polícia que enviava 70 ingressos por partida ao sindicato, mas que todos eram para Mustafá. Não havia, segundo ela, uma cota para Eliane, que teria repassado as entradas frequentemente para um cambista com trânsito na Mancha Alviverde. O caso veio à tona depois que Paulo Serdan, presidente de honra da torcida organizada e conselheiro do clube, procurou o conselho. Ele relatou que Eliane pediu ajuda por supostamente estar sendo ameaçada pelo cambista desde que a Crefisa deixou de enviar os bilhetes para Mustafá.

Contursi não atendeu ao blog para falar sobre os depoimentos divergentes. Já a assessoria de imprensa de Leila respondeu que todos 70  ingressos eram entregues a Mustafá.

A polícia agora investiga a contradição. Fundamental para esclarecer a divergência será o depoimento de Eliane. Ela ainda não compareceu à delegacia porque já tinha marcado viagem para os Estados Unidos antes de ser intimada.

Os policiais também querem descobrir se o dirigente repassava os ingressos para sócios e conselheiros como parte de uma operação para fortalecer a imagem de Leila enquanto ela era candidata ao conselho ou se o destino final era mesmo um cambista, o que Contursi nega.

Em seu depoimento, Leila disse que nunca foi abordada para receber agradecimentos de pessoas que teriam ficado com os ingressos supostamente dados por Mustafá. E que era comum ser procurada por outros torcedores que recebiam as entradas que saíam das patrocinadoras palmeirenses. Esse ponto chamou a atenção dos responsáveis pelo caso e também será investigado.

Contursi foi o principal aliado da empresária e do marido dela, José Roberto Lamacchia,também dono das empresas, na vitoriosa campanha deles por uma vaga no Conselho Deliberativo. O cartola apresentou documento assegurando que ela tinha tempo suficiente como sócia do clube para se candidatar.

Eles romperam após o episódio dos ingressos.

Além do inquérito policial, aberto a pedido do Ministério Público, há uma investigação feita pelo Conselho Deliberativo palmeirense.