Blog do Perrone

Arquivo : Federação Paulista de Futebol

Projeto por cerveja nos estádios opõe vereadores evangélicos e FPF
Comentários Comente

Perrone

A Federação Paulista de Futebol trabalha nos bastidores pela aprovação do projeto de lei que autoriza a venda de cerveja nos estádios de São Paulo, mas enfrenta como um dos principais obstáculos a bancada evangélica na Câmara Municipal.

No dia 7 de outubro de 2015, o projeto de autoria do vereador Toninho Paiva (PR), diretor de relações públicas da FPF, foi aprovado em primeira votação na Câmara Municipal. Porém, como em todos os casos, é necessária uma segunda votação, que não aconteceu até agora.

A proposta está parada aguardando para entrar na pauta, o que depende de costuras políticas. É aí que entra a bancada evangélica, contrária a leis que estimulem ou facilitem o consumo de álcool.

“Vamos trabalhar frontalmente contra esse projeto novamente. Tenho vários instrumentos para impedir (a aprovação). Assim que eles tentarem de novo vamos metralhar o projeto”, afirmou Eduardo Tuma (PSDB), um dos vereadores da bancada evangélica.

Presbítero da Igreja Bola de Neve, ele vê o grupo mais forte do que na primeira votação. “Antes eram nove vereadores evangélicos. Agora são 14”, disse ele. A câmara tem 55 cadeiras. Os projetos que vão à votação precisam de maioria simples para serem aprovados.

Por que não?

“A cerveja é uma droga lícita, mas não deixa de ser uma droga. As igrejas trabalham na recuperação de dependentes químicos, de alcoólatras. Permitir a venda nos estádios é estimular a dependência”, disse o vereador ao justificar o posicionamento dos evangélicos contrário ao projeto.

No outro lado da trincheira, Paiva minimiza a força dos colegas ligados a igrejas. “O problema não é a bancada evangélica. O que precisamos é que o presidente da câmara coloque o projeto na pauta (para votação)”, afirmou o vereador do PR.

Procurado por meio da assessoria de imprensa da presidência da câmara, Milton Leite (DEM) disse apenas que não há previsão para o projeto ser votado.

Na tentativa de acelerar o processo, Paiva declarou que já promoveu um encontro entre os presidentes da câmara e da FPF, Reinaldo Carneiro Bastos. “Levei o Milton para almoçar na federação faz uns dois meses, e ele disse que colocaria o projeto na pauta, mas parou nisso”, afirmou Paiva.

Por que sim?

A diretoria de comunicação da FPF confirma que a entidade tem interesse na aprovação da volta da cerveja nos estádios. No entendimento da federação, a liberação facilita a candidatura da cidade para receber grandes eventos, como a Copa América e a final da Libertadores em partida única, se essa ideia vingar. A tese é de que seria mais prático liberar definitivamente do que conseguir a liberação esporádica, como foi na Copa do Mundo.

A aprovação interessa diretamente a Corinthians, Palmeiras e São Paulo, que poderiam lucrar mais com a venda da bebida em seus estádios.

“A proibição é um castigo para quem gosta de futebol. Do lado de fora, vendem de tudo. O torcedor bebe o que quer, fuma o que quer, cheira o que quer. Ele espera até cinco minutos para entrar no estádio e não gera receita para o seu clube”, declarou Paiva justificando, em parte, a autoria de seu projeto.

A proposta é liberar a comercialização em espaços determinados dentro dos estádios antes, nos intervalos e depois dos jogos.

Se a batalha pela volta da cerveja for vencida na câmara, seus defensores podem ter outros problemas. Lei estadual de 1996 também proíbe a comercialização e o estatuto do torcedor  impõe barreiras ao consumo da bebida durante os jogos.


MP pede que SPFC e FPF paguem R$ 8,2 milhões por acidente no Morumbi
Comentários Comente

Perrone

São Paulo e Federação Paulista de Futebol são alvos de uma ação civil pública proposta pelo promotor Marcus Vinicius Monteiro dos Santos (Habitação e Urbanismo) por conta da queda de torcedores no Morumbi provocada pelo rompimento de uma grade em 2016. Ele pede que clube e FPF sejam condenados a pagar solidariamente indenização por danos sociais igual ao dobro da receita bruta gerada pela partida entre o time paulista e o Atlético-MG em 11 de maio do ano passado, quando aconteceu o acidente. A arrecadação com a venda de ingressos foi de R$ 4,1 milhões.

O MP teve negado em primeira instância, no dia 18 de abril, pedido de interdição do Morumbi por meio de liminar até que São Paulo e federação apresentassem laudos comprovando que o estádio oferece segurança aos torcedores.

A segunda Vara Cível da capital paulista entendeu que não havia provas de que as partes não tinham tomado providências em relação à segurança do local e determinou que elas se manifestassem.

Caso a justiça conceda o pagamento de indenização por dano social (quando há lesão ao bem-estar coletivo), o valor irá para o Fundo Estadual de Defesa dos Interesses Difusos.

O promotor também pede que São Paulo e FPF indenizem todos os torcedores que caíram de um dos setores do Morumbi no dia do acidente por danos materiais e morais sofridos, mas não estipula o valor. Pelo menos três entraram com ações individuais contra o clube. Foram cerca de 30 envolvidos.

Renato Acacio de Azevedo Borsanelli, juiz responsável pelo caso, pediu que o promotor justificasse a inclusão da federação como ré, pois o estádio pertence ao São Paulo. Entre os motivos, ele alegou que a entidade tinha à sua disposição um laudo técnico demonstrando existir problemas de segurança no Cícero Pompeu de Toledo e deixou de tomar providências. Na inicial, o promotor já havia citado laudo de vistoria de engenharia feito no Morumbi em 2015 por um engenheiro civil e disponível no site da FPF que apontava irregularidades em guarda-corpos semelhantes ao que se rompeu no acidente mas em outro setor do estádio.

Procurado pelo blog, o departamento de comunicação da FPF emitiu a seguinte nota:

“A federação Paulista de Futebol Interdita ou libera estádios com base única e exclusivamente nos laudos técnicos elaborados pelas autoridades competentes, como de PM, engenheiros responsáveis e do Corpo de Bombeiros. No caso do estádio do Morumbi, todos os laudos emitidos pelas autoridades à época do acidente autorizavam o estádio para a realização de jogos com a liberação total do espaço”.

Por sua vez, a assessoria de imprensa do São Paulo disse que o clube ainda não havia sido citado pela Justiça e por isso não se manifestaria. Porém, listou uma série de medidas tomadas após o acidente, como a instalação de hastes adicionais nos guarda-corpos e reforçou todas as estruturas, chumbando as hastes no concreto e garantido que elas fossem devidamente enterradas. A queda de torcedores aconteceu após o rompimento de um guarda-corpo que havia sido soldado.


< Anterior | Voltar à página inicial | Próximo>