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Arquivo : Leila Pereira

Seis desafios para o técnico do Palmeiras em 2018
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1 – Resgatar a tradição do clube de jogar de maneira ofensiva e vistosa. A exigência da torcida é ainda maior por conta do caro elenco atual.

2  – Conviver em harmonia com o diretor remunerado Alexandre Mattos, que tem carta branca dada pelo presidente Maurício Gagliotte e trabalha fortemente por suas ideias. Foi assim quando se empenhou para reintegrar Felipe Melo.

3 – Fazer deslanchar jogadores contratados com aporte financeiro da Crefisa e da FAM (Faculdade das Américas). Borja é o caso mais emblemático. Há constante temor no Palmeiras de que Leila Pereira se irrite com o fato de ver jogadores nos quais investiu pesado serem subaproveitados.

4 – Domar Felipe Melo. Cuca fracassou nessa missão com ares de impossível.

5 – Ter um ambiente harmônico no vestiário, apesar da acirrada disputa por posições.

6 – Avaliar os investimentos a serem feitos para 2018. Os altos gastos com alguns jogadores aumentaram a pressão sobre o elenco e Eduardo Baptista e depois Cuca. O trabalho é alertar Mattos e Leila sobre o real valor dos atletas a serem contratados.


Defesa de Leila Pereira aumenta pressão sobre Mattos no Palmeiras
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A defesa de Alexandre Mattos feita por Leila Pereira, dona da Crefisa em entrevista ao “Esporte Interativo” aumentou a pressão sobre o diretor-executivo de futebol do Palmeiras.

A ala que critica o dirigente usou a fala da patrocinadora para justificar sua tese de que o cartola montou um governo paralelo no clube. O raciocínio é de que conquistando a confiança da empresária e de seu marido, José Roberto Lamacchia, principais investidores palmeirenses, Mattos fica tão forte que pode até pressionar o presidente Maurício Galiotte, caso ele discorde de determinadas contratações, por exemplo. Até agora o presidente tem estado em sintonia com o executivo e os empresários.

Os críticos de Mattos reclamam da autonomia que ele tem para contratar desde a gestão de Paulo Nobre e consideram altos demais os gastos feitos por ele na montagem dos times desde sua chegada ao alviverde. Os tropeços da equipe atual deram munição para os detratores dele, que afirmam que os gastos com reforços em 2017 foram superiores a R$ 70 milhões.

Ao dizer que confia tanto em Mattos que vai rever seus investimentos caso ele deixe o clube, Leila fez desmoronar a esperança de críticos do executivo de que o casal de patrocinadores se voltasse contra ele por causa da campanha do time abaixo do esperado até aqui neste ano.

A maioria dos detratores do dirigente remunerado faz parte do grupo político de Mustafá Contursi. O ex-presidente cobra permanentemente uma política de austeridade financeira e recentemente se queixou em entrevista ao jornal “Folha de S.Paulo” dos gastos feitos nos últimos anos com reforços. “Todo início de temporada trazemos dez jogadores. Ganhamos Copa do Brasil trouxemos mais dez. Conquistamos o Brasileiro outros dez. Para quê? É um exagero”, disse Contursi.

O ex-presidente foi o principal incentivador das campanhas vitoriosas de Leila e Lamacchia a cadeiras no Conselho Deliberativo. Porém, após a empresária sair em defesa de Mattos, é grande o risco de um embate direto entre ela e Contursi dentro do órgão.

 


Opinião: patrocinadores devem ser mais exigentes após fala de Cuca
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As declarações de Cuca sobre o time titular atual do Palmeiras ser mais fraco que o do ano passado e o pedido por um novo atacante convidam os donos da Crefisa e da FAM (Faculdade das Américas) a refletirem e questionarem a direção do clube.

Na opinião deste blogueiro, o casal José Roberto Lamacchia e Leila Pereira deve buscar respostas para as seguintes perguntas:

Como pode um time que trouxe para esta temporada Borja e Willian precisar tanto de mais um atacante?

Quem avaliou que Borja valia os cerca de R$ 32 milhões investidos pelos patrocinadores, fora ajuda com salários e luvas? Houve erro de avaliação?

Como pode um pacote de reforços que custou mais de R$ 70 milhões não ser suficiente para satisfazer o atual treinador? Cuca é exigente demais ou o Palmeiras pagou mais do que alguns jogadores valiam?

A direção do clube é criteriosa quando define quem contratar e quanto pagar ou age com desleixo quando se trata de dinheiro alheio?

Claro que os milhões são dos empresários e eles fazem o que bem entendem com cada nota. Mas ninguém, nem o mais rico e apaixonado dos torcedores, gosta de colocar freneticamente dinheiro em um saco sem fundo. E nem de dormir acreditando que investiu uma dinheirama num planejamento perfeito e acordar com alguém apontando falhas e pedindo ainda mais.

Nesse cenário, a fala de Cuca serve para os patrocinadores palmeirenses serem mais exigentes antes de assinarem os cheques. Afinal, ele têm duplo interesse: no próprio dinheiro e no clube do qual são também conselheiros.


Como Paulo Nobre sumiu do mapa palmeirense
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Como presidente Paulo Nobre ajudou o Palmeiras a conquistar uma Copa do Brasil, a voltar a ser campeão brasileiro após 22 anos, a vencer uma importante disputa com a WTorre relativa ao estádio alviverde e emprestou cerca de R$ 200 milhões ao clube. Mesmo com esse currículo, três meses após deixar o cargo ele está praticamente fora do mapa político alviverde.

O ex-mandatário se licenciou do Conselho Deliberativo e do COF (Conselho de Orientação e Fiscalização) e vê seu grupo, o Academia, perder musculatura.

A rapidez com que o ex-dirigente sumiu do cenário é fruto de uma série de acontecimentos que envolvem o desejo não realizado de continuar envolvido com o departamento de futebol, a pouca bola que ele dava para conselheiros enquanto estava no poder, a eleição do casal dono da Crefisa e da FAM (Faculdade das Américas) para o Conselho Deliberativo, o poder do ex-presidente Mustafá Contursi e a frustrada expectativa em relação à chegada de um novo investidor/patrocinador com mais dinheiro do que os atuais.

A situação de Nobre teria sido diferente se a vontade expressada por ele enquanto ainda estava no poder tivesse sido atendida. O blog apurou que, durante a montagem da chapa que elegeu Maurício Percivalle Gagliotte, ele foi indagado sobre o que gostaria de fazer se participasse da nova gestão. Respondeu que só participaria se fosse para ficar próximo ao departamento de futebol. Não como diretor, mas de maneira ativa. O nome do cargo não foi discutido e nem o convite veio.

Segundo pessoas próximas a ele, o fato de não ter sido chamado é só um pequeno ponto de chateação com o sucessor, eleito após sua indicação. O caminho que levou ao isolamento voluntário de Nobre começou a ser trilhado antes, no início de seus atritos com a Crefisa.

Depois do conflito causado pelo fato de o clube ter autorizado a Adidas a produzir uma camisa comemorativa com a marca da Parmalat sem consultar os patrocinadores atuais, Nobre designou Gagliotte para fazer a ligação com os donos da Crefisa. O então vice-presidente passou a apagar incêndios e a conquistar a confiança dos empresários.

Ao mesmo tempo, Mauricio também era mais atencioso com conselheiros que não se sentiam atendidos pelo presidente. O vice, que já era afinado com o ex-presidente Mustafá Contursi, ganhou tamanha simpatia no clube que ficou inviável a candidatura de outro vice-presidente, Genaro Marino. O segundo nome é considerado mais fiel a Nobre, tanto que ficou ao seu lado no episódio da tentativa de impedir a candidatura de Leila Pereira ao conselho. Se ele tivesse sido eleito, provavelmente o status do ex-presidente hoje seria outro e ele participaria da administração.

De acordo com três conselheiros e um membro da atual diretoria, o relacionamento frio de Nobre com os integrantes do conselho dificultou sua missão de tentar fazer com que a eleição de Leila fosse impugnada pelo órgão. Enquanto estava sentado na cadeira de presidente, ele praticamente não fazia política. Conselheiros se queixavam que suas sugestões e pedidos eram ignorados pelo presidente. Então, no momento em que ele resolveu peitar Mustafá, que apoiava o casal de patrocinadores, deram o troco deixando de estender a mão ao ex-presidente.

O cheiro de derrota era tão grande que Nobre nem apareceu à votação sobre a impugnação defendida por ele. Leila ganhou com facilidade, e os apoiadores do ex-presidente ficaram chateados por ele não atender ao pedido para comparecer à reunião.

Último a saber?

A candidatura de Leila está no centro do racha de Nobre com seu sucessor e ajuda a explicar o afastamento do ex-presidente.

Segundo gente próxima a Nobre, o ex-dirigente se sentiu traído por que só teria ficado sabendo em novembro que Mustafá protocolou a carta na qual afirmava ter dado em 1996 o título de sócia do Palmeiras para Leila e que assegurava a ela o direito de ser candidata ao Conselho Deliberativo e de votar na última eleição. A mensagem teria sido recebida em fevereiro por José Eduardo Luz Calliari, diretor financeiro e eleito no mês seguinte conselheiro vitalício. Galiotti rapidamente teria sido informado, mas não teria repassado a informação ao presidente.

Por essa versão, Nobre só soube no fim de seu mandato o que sustentava a candidatura de Leila. Por isso, vetou o nome dela como candidata apenas quando se preparava para tirar a faixa presidencial. Antes disso, só teria ouvido de Mustafá sobre o projeto para a dona da Crefisa ser candidata, respondendo que não tinha nada contra, desde que fosse de forma legal. Depois, não teria ouvido mas sobre o assunto.

Também de acordo com o grupo de Nobre, ao tomar conhecimento da carta, ele encomendou um parecer ao departamento jurídico do clube que foi contrário à candidatura da empresária. A alegação é de que o título que teria sido dado em 1996 nunca foi registrado por ela, assim não tem valor. É adicionada a essa sustentação a informação de que a empresária comprou um título em 2015.

Porém, aliados de Mustafá têm versão diferente. Afirmam que em fevereiro Nobre concordou com a candidatura de Leila e que soube da existência da carta pouco depois de ela ser protocolada. Declaram que ele ficou calado para não perder o apoio do ex-presidente e só se manifestou quando estava deixando o cargo.

Mais dinheiro do que a Crefisa?

A missão de barrar a candidatura de Leila se tornou impossível porque ninguém no clube queria pensar na possibilidade de perder os milhões vindos da Crefisa e da FAM. Segundo três conselheiros e dois membros da diretoria, Nobre chegou a acenar com um investidor que seria mais endinheirado do que o casal. Quatro dos ouvidos falam que a estimativa era de que fossem injetados R$ 800 milhões no clube. Um deles, ligado ao ex-presidente, nega o valor, mas admite que havia a possibilidade de o dirigente trazer um patrocinador chinês, só que o negócio não avançou.

Futuro

Hoje, Nobre é descrito por conselheiros como magoado e totalmente avesso à ideia de voltar a fazer parte da política palmeirense, diferentemente de outros presidentes, como Mustafá Contursi, Affonso Della Monica e Arnaldo Tirone. Mas tanto adversários como os poucos aliados que sobraram não descartam que ele retorne no momento em que as condições forem menos adversas.

Procurados pelo blog, Nobre e Maurício não quiseram se manifestar. Calliari não foi localizado pelo blog.


Por que mecenas emplacam no Palmeiras, mas não no São Paulo?
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De um lado uma equipe que se fortaleceu e levantou taças com a ajuda dos braços fortes de ricaços apaixonados pelo clube, além de interessados na vida política da agremiação. Do outro, um time no qual quem colocou dinheiro o fez uma vez e parou. Ou investiu muito menos em outras áreas sem ser na contratação de craques. Esse é o retrato de Palmeiras e São Pulo que se enfrentam nesta tarde pelo Campeonato Paulista. Mas por que os mecenas decolaram no alviverde e patinaram no tricolor?

A resposta está na forma diferente com que os conselheiros palmeirenses Paulo Nobre, José Roberto Lamacchia e Leila Pereira encararam a relação entre paixão pelo clube, ambição política e colaboração em comparação com são-paulinos endinheirados, como Abilio Diniz e o diretor de marketing Vinícius Pinotti.

Indagada pelo blog sobre o que motiva os seguidos investimentos feitos pela empresa dela e de seu marido no Palmeiras, donos da Crefisa e da FAM (Faculdade das Américas), Leila respondeu o seguinte por meio de sua assessoria de imprensa: “nossa enorme paixão pelo clube e a ótima relação que temos com os dirigentes do clube”. Ela virou palmeirense por causa do marido, sempre palestrino.

Por sua vez, Abilio escreveu em 2015 em seu blog no UOL duas afirmações que mostram a maneira de pensar diferente em relação à empresária palmeirense. “O São Paulo não precisa de caridade de seus torcedores. Não é dar o peixe, mas ensinar a pescar”. Na ocasião, havia a expectativa da diretoria comandada por Carlos Miguel Aidar de que ele participasse de um fundo que colocaria pelo menos R$ 100 milhões nos cofres tricolores, mas que nunca saiu do papel.

Cifras mostram o tamanho da diferença com que os ricos palmeirenses e são-paulinos em questão atuam em seus clubes.

Crefisa e FAM renovaram seus patrocínios com o Palmeiras por cerca de R$ 80 milhões anuais mais bônus por conquistas. O compromisso anterior rendia aproximadamente R$ 60 milhões por ano à agremiação.

Nobre, enquanto reinou na presidência, tirou do bolso a título de empréstimo aproximadamente R$ 200 milhões para tocar o clube e reforçar o time. Recentemente, ele recebeu de volta R$ 43 milhões.

No lado são-paulino as quantias envolvidas não podem ser consideradas mixaria, mas são bem menores.

Abilio, cobrado por adversários políticos por nunca ter patrocinado o São Paulo, bancou a atuação de duas renomadas empresas de consultoria avaliada pelo entorno do empresário em cerca de R$ 2 milhões. O objetivo do trabalho foi verificar a verdadeira situação do clube, incluindo o CT das categorias de base, em Cotia, para permitir o melhor uso dos recursos, aumentar a geração de receitas e equacionar o pagamento de dívidas. Ou seja, a ação seguiu a linha de raciocínio de que é melhor criar condições para um faturamento maior do que injetar dinheiro para contratações.

 Pinotti, antes de ser diretor, emprestou cerca de R$ 19 milhões para a contratação de Centurión. Por causa da correção pelo IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado), a dívida com ele hoje passa de R$ 20 milhões. O jogador não emplacou, foi emprestado para o Boca Juniors e Pinotti nunca mais emprestou dinheiro para o clube.

O dirigente não quis dar entrevista sobre o assunto, mas, internamente, ele afirma que o fato de não ter feito novos empréstimos está desconectado do fracasso de Centurión no Cícero Pompeu de Toledo. A opção do cartola foi por contribuir com o São Paulo conseguindo novos patrocinadores.

Investimento alto em patrocínio dá retorno?

A distância mantida por Pinotti e Diniz do formato de patrocinar o time do coração leva à pergunta se comercialmente compensa investir pesado em patrocínio, como fazem Crefisa e FAM.

Ao ser indagada pelo blog se o retorno dado às suas empresas pela exposição na camisa do Palmeiras é satisfatório ou inferior ao dinheiro investido, Leila afirmou: “o retorno foi muito positivo, porém a maior satisfação que temos é poder contribuir para o sucesso de um projeto e ficamos extremamente felizes pela alegria que o Palmeiras proporciona aos torcedores”.

Nos clubes adversários é comum ouvir dirigentes afirmando que o preço pago pelas duas empresas ao atual campeão brasileiro é muito superior ao de mercado. E no Palmeiras, conselheiros argumentam que a empolgação com o título brasileiro e a popularidade alcançada pela dupla de empresários contribuíram para o aumento no aporte financeiro. Tais fatores não existem hoje no lado são-paulino da moeda.

“Nosso amor pelo Palmeiras e nossa confiança com o clube ajudaram muito em nossas tomadas de decisão. Ver os torcedores felizes, muito contentes por ter um time muito competitivo é gratificante”, afirmou Leila sobre o incremento nos investimentos.

Política

Apesar de pensarem de maneiras distintas sobre como ajudar o time de coração, Abilio, Pinotti, Paulo Nobre, Leila e Lamacchia têm um ponto em comum na relação com seus clubes: o envolvimento político.

O casal da Crefisa e da Fam acaba de colocar dinheiro na campanha por vagas no Conselho Deliberativo palmeirense. Após a vitória esmagadora, ambos podem participar da vida política do clube. Nobre, bem antes de ser eleito presidente, já estava engajado politicamente no alviverde.

No Morumbi, Pinotti apoia Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, na tentativa de se reeleger à presidência. Porém, é visto mais como cartola do que político. Abilio está do outro lado da trincheira. É incentivador do candidato de oposição no pleito de abril, José Eduardo Mesquita Pimenta. Alex Bourgeois, ex-CEO do clube e homem de confiança do empresário, é um dos principais articuladores da campanha do oposicionista.

Os estilos distintos de pensar de quem tem conta bancária para ser mecenas de seus times, obviamente teve influência na montagem das equipes dos rivais desta tarde para a temporada. O reflexo mais emblemático é o fato de Pratto, o principal contrato do São Paulo, ter habitado os sonhos de Leila, mas acabar sendo preterido por Borja, mais caro e badalado.


Oposição do Palmeiras e Crefisa se aproximam
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Um jantar no requintado restaurante Fasano em São Paulo, no domingo retrasado, selou a aproximação dos donos da Crefisa com a oposição palmeirense.

Intermediado por Arnaldo Tirone, o encontro teve, além das presenças do ex-presidente e dos empresários José Roberto Lamacchia e Leila Pereira, a participação de membros da UVB (União Verde e Branca), importante grupo oposicionista do Palmeiras e que tem como um de seus líderes Wlademir Pescarmona.

As duas partes falaram de seus planos para o clube, mas não ficou fechado, pelo menos por enquanto, um apoio formal da UVB à presidente da empresa, Leila. Ela tenta se candidatar ao Conselho Deliberativo, mas teve sua candidatura impugnado por suposta irregularidade. A impugnação, assinada no final do mandato de Paulo Nobre, se sustenta na acusação de um documento que aumentaria ilegalmente o tempo da empresária como sócia do clube para que ela atingisse o prazo mínimo como associada para poder se candidatar. Ela nega a irregularidade.

Hoje, a posição da UVB é de apoiar a legalidade e a apuração dos fatos. Mas os líderes do grupo entendem que seria desastroso perder o apoio da Crefisa. Há o temor no clube de que o casal desista de patrocinar o Palmeiras por causa do imbróglio.

Conselheiros de diferentes correntes entendem que Leila ajuda mais financeiramente o alviverde do que Nobre. A alegação é de que ela não recebe o dinheiro que coloca no clube de volta, com correção, caso do ex-presidente. E que a Crefisa não precisa do Palmeiras para ganhar visibilidade, pois investe fortemente em patrocínio na Globo.

Já a diretoria sustenta que as empresas do casal aceitaram pagar o que acham justo pelo patrocínio na camisa alviverde. Assim, não há caridade. As contratações bancadas pelos empresários são atreladas aos contratos de anúncio.

A situação é um teste para o presidente Maurício Percivalle Galiotte, que se elegeu tendo como um dos trunfos justamente o bom relacionamento com a Crefisa.


Da bronca ao patrocínio ampliado. O que mudou entre Palmeiras e Crefisa
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Uma estrondosa reclamação em público contra Paulo Nobre seguida de mais de dois meses de silêncio constrangedor entre o comando dos dois parceiros. Esse roteiro parecia encaminhar a relação entre Palmeiras e os donos da Crefisa e da FAM para o fim precoce ou, pelo menos, para um congelamento. Porém, comprovando a montanha-russa que virou a convivência entre eles, de repente, as empresas de José Roberto Lamacchia e Leila Pereira colocaram mais dinheiro no clube e se transformaram nas únicas patrocinadoras do uniforme alviverde.

Colar o vaso quebrado foi uma operação lenta e que teve como principais personagens o filho de um ministro e um vice-presidente do clube apontado como provável candidato à presidência do Palmeiras.

O casal de empresários nunca mais tinha falado com o presidente alviverde desde que, em novembro, Leila deu declarações rancorosas ao jornal Lance! para se queixar de Nobre planejar lançar uma camisa comemorativa com o patrocínio da Parmalat. A língua afiada da empresária fez o cartola sangrar publicamente ao chamar seus reforços de contratações de quinta categoria, entre outras estocadas.

Desabafo feito, camisa cancelada, o casal esperava uma retratação de Nobre que não veio. A reação foi a mais dura possível: os patrocinadores decidiram não aumentar seus investimentos no Palmeiras. Também paralisaram as obras de um prédio do CT do clube até que fosse assinado o contrato referente à construção.

Nesse ponto, entraram em ação Eduardo Rodrigues, que recentemente tinha assumido a função de gerir a parceria pelo lado do patrocinador, e Maurício Percivalle Galliotte, vice-presidente palmeirense. Os dois trataram de discutir formas de melhorar o relacionamento e ainda tiveram que superar outro abalo provocado pelo fato de os patrocinadores não serem convidados para a festa de comemoração do título da Copa do Brasil.

Rodrigues, filho do ministro dos Transportes, Antonio Carlos Rodrigues, que é palmeirense, passou a se reunir uma vez por semana com membros do departamento de marketing palmeirense para tratar da parceria. Galliotte criou o hábito de aparecer, ainda que brevemente, nos encontros.

O cartola se engajou na missão de reaproximar os patrocinadores do clube e teve a ideia de fazer a apresentação de Jean na sede da FAM. Lá apareceu com uma camisa do Palmeiras já sem as marcas de Prevent Sênior e TIM, sinalizando aos empresários que o caminho estava livre para se tornarem os únicos patrocinadores. Esse era um projeto antigo, interrompido pelo episódio envolvendo a Parmalat.

A ideia seduziu Leila e Lamacchia. Rodrigues passou a costurar o novo acordo com o vice palmeirense. Mas faltava ainda um empurrão para reaproximar os parceiros.

A oportunidade veio durante a viagem do Palmeiras para disputar o Torneio de Verão do Uruguai. Rodrigues foi convidado para viajar com a delegação. Lá, gravou uma declaração dada por Nobre para TV Palmeiras na qual o cartola falava da importância da Crefisa para o clube. Leila ouviu a afirmação e pediu para seu funcionário repassar uma mensagem amistosa para o dirigente.

Após a troca de afagos, faltavam apenas detalhes para o novo contrato de patrocínio ser selado. Então, na última quarta, Leila e Lamacchia decidiram que deveriam ir no dia seguinte até o clube para bater o martelo pessoalmente num encontro com Nobre. Foi a primeira vez que empresários e dirigente conversaram desde que a dona da Crefisa e da FAM tinha soltado os cachorros no presidente.

Depois do encontro de quinta, Leila voltou ao clube para o anúncio do reforço no patrocínio, na sexta. Além da exclusividade na camisa, suas empresas ganharam espaço também no calção e nos meiões do time.

Oficialmente, ninguém fala sobre valores. Mas os cartolas contabilizam R$ 66 milhões anuais de patrocínio (R$ 58 milhões pela camisa e R$ 8 milhões por calção e meião).

Já nas empresas patrocinadoras a conta que se faz é de que o investimento mensal no Palmeiras será de R$ 6,5 milhões, o que dá R$ 78 milhões por ano.

Os números impressionam, ainda mais pelo recente passado de desavença entre as partes. “Nunca houve briga, havia um afastamento, mas isso acabou. Tenho certeza de que a partir de agora essa relação só vai melhorar”, disse Rodrigues ao blog.

A paz atual (pelo histórico dos parceiros não dá para garantir que ela será duradoura) passou pelo entendimento de Lamacchia de que precisava se controlar para não deixar seu lado torcedor interferir na parceria, segundo amigos dos empresários. Eles contam que José Roberto era contundente nas críticas ao desempenho do time e que chegou a falar ter vontade de enfiar Barrios num avião para fora do país, depois de má atuações. Agora, está mais contido, contam pessoas próximas.

Por sua vez, Nobre parece ter decidido fazer a manutenção da parceria com doses de agrados em público. Nesse sentido, foi emblemática a declaração do presidente no anúncio do novo acordo:

“Esse relacionamento vai acabar gerando a famosa era Crefisa no Palmeiras”, disse o presidente. Impossível não lembrar da era Parmalat, justamente a empresa que foi o estopim para a explosão de Leila.

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Flerte com Valdivia marca reviravolta em atuação de parceiros palmeirenses
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O fato de os donos da Crefisa e da FAM  terem se aproximado de Valdivia no último dia de 2015 demonstra uma reviravolta na atuação dos principais patrocinadores do Palmeiras.

Até então, a posição dos parceiros do alviverde era de não mais colocar dinheiro em contratações, o que eles vinham fazendo aumentado os valores investidos em patrocínio. Foi assim, por exemplo, que a equipe conseguiu contratar Barrios.

Além disso, os patrocinadores sempre disseram não interferir nas contratações sugerindo ou impondo nomes. A posição era de ajudar a trazer atletas indicados pela comissão técnica e pela diretoria sem participar das negociações.

Porém, no encontro em Dubai com o chileno, que agora defende Al-Wahda, dos Emirados Árabes, José Roberto Lamacchia e Leila Pereira, casal dono da Crefisa e da Fam conversou com Valdivia sobre a possibilidade de ele voltar a atuar pelo clube. Os empresários também postaram no perfil da Crefisa  no Facebook fotos com o jogador acompanhadas da seguinte pergunta: “qual seu maior desejo para 2016?”

Com a inusitada ação, os patrocinadores deixam no ar a possibilidade de voltarem a ajudar financeiramente em contratações. Mas, dessa vez, dão a entender que tomaram a iniciativa de conversar com um possível reforço. A diretoria palmeirense não está negociando com o chileno.

Valdivia, aliás, está longe de ser uma unanimidade no clube. Grande parte dos conselheiros e dirigentes ficou aliviada com a saída dele. Para esse grupo, o sentimento é de que, em sua última passagem, o chileno não justificou o alto salário que recebia.

Correção

Ao contrário do que foi publicado na primeira versão do post, José Roberto Lamacchia e Leila Pereira não são donos da Prevent Senior.

 


Patrocinador não é convidado para festa do título e reclama com Palmeiras
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(Crédito: Diego Padgurschi/Folhapress)

(Crédito: Diego Padgurschi/Folhapress)

Os donos do grupo que topou investir pelo menos R$ 100 milhões no Palmeiras não foram convidados para a festa do título da Copa do Brasil, na última quinta, num hotel de São Paulo. Antes disso, ainda no gramado do Allianz Parque, ficaram surpresos ao verem a equipe festejar com uma camisa branca em que as marcas da Crefisa e da FAM (Faculdade das Américas) não tinham o mesmo destaque que têm no uniforme principal.

Os dois episódios não foram ignorados pela empresa. No dia seguinte ao festejo no Holyday Inn Anhembi, Eduardo Rodrigues, da área de marketing da FAM e escalado para a gestão da parceria pelo lado do patrocinador, se reuniu com cartolas do Palmeiras. Ele reclamou com os cartolas. Mauricio Percivalle Galiote, primeiro vice-presidente palmeirense, participou de parte do encontro e ouviu as queixas.

“Disse ao Maurício que como patrocinadores nós deveríamos ter sido convidados. Ele falou que a comissão técnica pediu que a festa fosse para poucas pessoas, mais para jogadores e familiares. Mas eles (dirigentes) reconheceram que poderiam ter feito o convite”, afirmou Rodrigues ao ser procurado pelo blog.

Apesar da alegação que o representante dos patrocinadores ouviu, a festa não foi tão exclusiva assim. Os conselheiros e diretores titulares do clube foram convidados. Porém, sem direito a acompanhante. O conselho tem mais de 280 membros.

“Também falei na reunião que não foi legal terem feito uma camisa comemorativa sem nos consultar. Achamos que nossas marcas não apareceram como no uniforme principal e ficamos chateados. Eles disseram que resolveram fazer na última hora, por isso acabaram não falando com a gente. Mas está tudo bem, não tem briga por causa disso e por causa da festa”, declarou Rodrigues.

Pessoas próximas ao casal de donos da Crefisa e da FAM, no entanto, afirmam que José Roberto Lamacchia e Leila Pereira estão irritados com a direção palmeirense.

Por meio de sua assessoria de imprensa, a diretoria do Palmeiras afirmou que questões relativas a seus patrocinadores são debatidas apenas entre as partes e não no Blog do Perrone.

Lamacchia e Leila, que não foram convidados para festa do título, vão gastar cerca de R$ 38 milhões só com Barrios, entre custo da contratação, salários, luvas, comissão para agente e impostos. Esse dinheiro entra em forma de patrocínio ao programa de sócio-torcedor do Palmeiras.

Além do que investe para estampar suas marcas na camisa, a empresa aceitou colocar investir mais R$ 10 milhões na construção do hotel do CT palmeirense, que em troca deve ganhar o nome da Crefisa.

Obra parada

Mas a construção do hotel está praticamente parada porque a patrocinadora espera a assinatura de um contrato específico para esse projeto. “O contrato está sendo feito e depende muito mais do Palmeiras para ficar pronto. É uma questão só de tempo, não existe nenhum problema, o relacionamento entre as partes está muito bom. Antes faltava um pouco de comunicação”, disse Rodrigues. O funcionário da FAM começou a atuar na parceria pouco antes de Leila dar entrevista ao “Lance!” reclamando que Palmeiras e Adidas lançariam uma camisa comemorativa com a marca da Parmalat, patrocinadora do clube nos anos 1990, sem consultar sua empresa. O projeto foi abortado depois da queixa.

Para argumentar que não existem problemas hoje entre os parceiros, Rodrigues cita o fato de a taça da Copa do Brasil ser exposta na FAM na próxima semana junto com peças de uniforme cedidas por jogadores do Palmeiras.

Insatisfação interna

Parte dos conselheiros do clube também reclamou de o casal milionário não ter sido convidado para a festa. Os críticos consideram que faltou habilidade para a diretoria que, na opinião deles, colocou em risco o relacionamento com o parceiro. Afirmam que um personagem que há anos transita com desenvoltura nos bastidores palmeirenses e é conhecido como Adilson Moeda, uma espécie de faz-tudo dos jogadores, teve mais acesso aos campeões do que o casal responsável por injetar uma fortuna no Palmeiras.


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