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Opinião: desejos atendidos e título recente deixam Felipão mais pressionado
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Uma combinação de fatores faz com que Felipão comece a atual temporada mais pressionado do que quando voltou ao Palmeiras em 2018.

O principal motivo é o fato de a diretoria entender que atendeu a todos os pedidos do treinador para reforçar a equipe em 2019. A direção faz questão de deixar isso claro quando é indagada sobre a possibilidade de novas contratações. “Mas analiso que tudo o que a comissão pediu a gente já deu, especialmente a velocidade nas extremas”, disse o diretor executivo de futebol Alexandre Mattos em recente entrevista ao responder sobre as chances de contratar Ricardo Goulart.

Em 2018, a diretoria entendida que já tinha um elenco forte. Agora está segura de que o qualificou ao gosto do treinador. Chegaram Arthur Cabral, Zé Rafael, Matheus Fernandes, Carlos Eduardo e Felipe Pires.

Além de ter o que pediu, Scolari enfrentará outro nível de exigência. Quando voltou ao Palmeiras a principal missão era fazer decolar um time caro. Ele falhou na tarefa de conquistar a Libertadores, mas fechou o ano em alta com o incontestável título do Brasileirão.

Com duas taças nacionais conquistadas recentemente (2018 e 2016), em tese, o torcedor palmeirense está mais obcecado ainda pela Libertadores e pelo Mundial de Clubes da Fifa. O que a equipe de Felipão fizer no torneio continental deve ter peso maior.

Dessa forma, Scolari começa o ano vivendo situações antagônicas. Desfruta do conforto de ter o melhor elenco do Brasil (na opinião deste blogueiro) e sofre uma gigantesca pressão pelos triunfos internacionais.


Opinião: Libertadores tem a final que merece
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A vergonhosa final da Libertadores entre River Plate e Boca Juniors parece até ter sido encomendada para simbolizar décadas de decadência e descaso com o torneio sul-americano.

Conmebol, clubes, torcedores,  jogadores e árbitros merecem a final que têm. Foram anos valorizando a batalha campal como se fosse sinônimo de garra.

A cada edição, jogadores (claro que há exceções) estufam o peito para falar que a Libertadores é diferente, tem que ter raça, e dentro de campo vários se estapeiam.

Muitos dos juízes são molengas, demoram para expulsar brigões, perdem o controle dos jogos e cometem erros inadmissíveis, contribuindo para afundar o torneio na lama.

Parte dos torcedores colabora para o clima bélico. São chuvas de cadeiras, rojões e sinalizadores na direção de torcedores rivais. Cusparadas e uma infinidade de objetos lançados em jogadores adversários.

A Conmebol quase sempre age como a mãe que tenta minimizar os erros de seus filhos. Punições irrisórias são distribuídas aos montes a cada ano.

Basta olhar a ridícula pena dada ao River depois de seus torcedores atacarem o ônibus do Boca antes do segundo jogo da decisão deste ano. Multa de US$ 400 mil (cerca de R$ 1,5 milhão) e dois jogos em torneios promovidos pela entidade como mandante com portões fechados.

É pouco pelo estrago feito por parte dos torcedores do clube. Mas é muito perto da pena cumprida pelo Corinthians após sinalizador disparado por sua torcida matar o boliviano Kevin Espada em 2013. Depois de recorrer, o alvinegro fez só um jogo em casa com portões fechados, pagou US$ 200 mil (aproximadamente R$ 772,5 mil em valores atuais) e ainda conseguiu anular decisão que vetava seus torcedores como visitantes por 18 meses.

Tudo isso é assistido pela maioria dos dirigentes de clubes sem fazer cobranças para que a Conmebol acabe com o circo de horrores. A inércia sugere que cada um espera o momento de seu time ser favorecido pela falta de pulso da confederação sul-americana.

Uma parcela da imprensa também tem culpa no cartório por romantizar a corroída Libertadores.

De forma caprichosa, quase que toda essa corrosão foi resumida na temporada 2018. Teve praticamente de tudo. Erro grosseiro de arbitragem, como na expulsão do cruzeirense Dedé, jogador do Santos atuando suspenso, o clube sendo punido no mesmo dia em que jogaria por sua permanência na competição com a partida interrompida por falta de segurança e torcedores chilenos vandalizando a Arena Corinthians, entre outros fatos lamentáveis.

As cerejas no bolo são os acontecimentos envolvendo a decisão, com direito a adiamentos, indefinições e agendamento da final fora do continente.

Nada espelha melhor a cara da Libertadores do que tal desfecho. Ao mesmo tempo, a situação é um convite para que clubes sérios se recusem a disputar o certame, a menos que uma mudança radical aconteça. Mais fácil vexame maior rolar em 2019 do que isso acontecer.

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Opinião: final argentina convida cartola brasileiro a pensar sobre gastos
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A final da Libertadores entre Boca Juniors e River Plate, a partir deste sábado, é como um beliscão que acorda o futebol brasileiro de gostoso sonho.

Os dois argentinos destruíram a esperança de uma decisão brasileira tirando da disputa o melhor elenco do país (Palmeiras) e a equipe de jogo mais agradável do território nacional (Grêmio), na opinião deste blogueiro.

Até outro dia, Felipão falava em conquistar quatro títulos pelo alviverde em 2018. Praticamente ninguém contestava o treinador, pois, dada a qualidade dos jogadores de seu plantel, não era uma meta inatingível.

Até outro dia, Renato Gaúcho parecia o comandante de um time invencível, graças a objetividade e eficiência do Grêmio.

Mas, ao som do tango argentino, dançaram as duas equipes candidatas a dar baile nos rivais em 2018.

O Boca mostrou ao Palmeiras e ao Brasil, de novo, que ter mais dinheiro para investir não é sinônimo de títulos. Com menos aporte financeiro desbancou o clube brasileiro mais endinheirado do momento.

Pelos investimentos que fez, a superioridade alviverde no continente poderia ser incontestável. Não é. As contratações milionárias e altos salários sugeriam no início do ano que o Palmeiras, líder do Brasileirão, poderia ter uma vantagem bem maior sobre seus adversários também em território nacional.

A lição dada pelo Boca convida a direção palmeirense a refletir sobre os motivos que impediram o clube de transformar seus investimentos em supremacia na América do Sul. Sem crise, claro. A fase ainda é ótima com o caminho pavimentado para conquistar o Campeonato Brasileiro.

Do lado gremista, o chacoalhão que o River Plate deu diz respeito à avaliação do trabalho de Renato Gaúcho nesta temporada. O time argentino já mostrou que o treinador não havia montado uma indestrutível máquina de jogar bola, como sua confiança às vezes pode sugerir.

É hora de a direção do Grêmio enxergar os defeitos de Renato e ajudá-lo a evoluir. Como no caso palmeirense, sem crise. Ele ainda é o melhor treinador para o Grêmio. Só não demonstrou ser nesta temporada o número 1 da América do Sul.

A final argentina serve não só para gremistas e palmeirenses, mas para dirigentes de todos os outros grandes clubes do país pararem e pensarem. Eles precisam buscar resposta principalmente para essa pergunta: por que o futebol brasileiro é tão mais caro que o dos vizinhos, mas não consegue abrir vantagem sobre eles? A disputa com a turma argentina é sempre equilibrada.

 


‘Rico’, Palmeiras só tem Nacional para não perder de rival em taças no ano
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A eliminação nas semifinais da Libertadores, diante do Boca Juniors, deixou ao Palmeiras apenas o Brasileirão como caminho para não terminar o ano atrás do Corinthians, seu principal rival, em termos de títulos.

O alvinegro, com menos receitas e enfrentando seguidos desmanches, faturou o Campeonato Paulista, justamente em cima dos palmeirenses no Allianz Parque. Um feito histórico.

Além disso, o clube da zona leste chegou à final da Copa do Brasil, competição em que o arqui-inimigo foi eliminado nas semifinais. Na Libertadores, o Corinthians caiu nas oitavas de final.

Normalmente, a comparação entre os dois times tem peso político nos clubes. Do lado alviverde, agora, alguns conselheiros de oposição consideram imperioso ter um resultado mais expressivo do que o adversário na temporada por conta do investimento maior feito na equipe.

Em termos comparativos, o Palmeiras terminou 2017 com um superavit de R$ 57.023.290,30. Já o Corinthians fechou o ano passado registrando deficit de aproximadamente R$ 35 milhões.

A receita total palmeirense com o departamento de futebol na temporada anterior foi de cerca de R$ 475,39 milhões contra R$ 358,1 milhões do adversário.

Uma das principais diferenças nos cofres dos rivais é que o alviverde conta com os robustos patrocínios da Crefisa e do Centro Universitário das Américas, enquanto o alvinegro não consegue uma marca fixa para o espaço mais nobre de sua camisa.

Em 2018, as diferenças continuam. Até agosto, o futebol corintiano havia arrecadado R$ 316,7 milhões. O Palmeiras não divulgou seu balancete referente aos oito primeiros meses do ano. Mas até março seu departamento de futebol já tinha embolsado aproximadamente R$ 144,2 milhões. Na média, o cálculo aponta receita mensal do Corinthians de R$ 39,58 milhões e de aproximadamente R$ 48 milhões do Palmeiras.

Também é registrada diferença nos gastos dos dois clubes com futebol. Até março, o alviverde teve uma despesa média mensal de R$ 52,3 milhões. Os corintianos, em oito meses, apresentam gasto médio de R$ 33,4 milhões a cada 30 dias.

Outro ponto que distancia as duas equipes e fez as previsões apontarem para um resultado alviverde muito superior em relação ao alvinegro é o fato de um clube ter segurado jogadores importantes na última janela de transferências e o outro não.

No Palmeiras o caso mais emblemático é o de Dudu. A diretoria recusou uma oferta chinesa de cerca de 12 milhões de euros (R$ 63,18 milhões em valores atuais) por ele que é um de seus principais jogadores.

Enquanto isso, o Corinthians vendeu Rodriguinho por US$ 6 milhões (R$ 22,18 milhões atualmente) e Balbuena pela multa rescisória de 4 milhões de euros (R$ 16,85 milhões na cotação atualizada).

No quesito reforços, o Palmeiras manteve a linha dos últimos anos de contratar jogadores badalados. Lucas Lima foi uma das principais novidades para 2018.

Ao mesmo tempo, o Corinthians fez apostas arriscadas e acabou empilhando jogadores contestados pela Fiel como Roger, Jonathas e Danilo Avelar.

Porém, todas essas vantagens palmeirenses ainda não se traduziram em títulos em 2018. Principais objetos de desejo da torcida, Libertadores e Mundial não vieram e ainda houve o sofrimento de amargar o Corinthians subindo no pódio na casa alviverde.

Mas, se há pressão para acabar o ano com uma conquista mais importante do que a corintiana, existe o entendimento entre pelo menos parte dos conselheiros defensores da atual gestão de que, mesmo com uma eventual perda do título brasileiro, o alviverde teria uma vantagem expressiva. A de praticamente já ter assegurado vaga na próxima Libertadores, algo fora da mira alvinegra. Isso sem contar a luta do rival para se afastar de vez da zona de rebaixamento do Nacional.


Barrados em CT e estacionamento, vices protestam com carta para Galiotte
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Novo episódio, às vésperas do jogo decisivo com o Boca Juniors por uma vaga na final da Libertadores, nesta quarta (31), em São Paulo, aumentou a tensão política no Palmeiras. Os quatro vices rompidos com o presidente Maurício Galiotte se queixaram formalmente de serem barrados em áreas do clube. E pediram que tal impedimento não se repita.

Por meio do COF (Conselho de Orientação e Fiscalização), o quarteto entregou ao presidente uma carta com a reclamação. Nela os quatro relatam que foram barrados no CT do time profissional, conhecido como Academia de Futebol, e num estacionamento privativo para dirigentes no clube.

Ao blog, por meio da assessoria de imprensa do Palmeiras, Galiotte disse que o CT é restrito para jogadores, comissão técnica, profissionais e dirigentes que tenham assuntos a tratar pertinentes ao departamento de futebol. E que a questão do estacionamento foi solucionada. Leia a resposta completa no final do post.

Os vices Genaro Marino Neto, candidato à presidência pela oposição na eleição de 24 de novembro, Antonio Jesse Ribeiro, Victor Fruges e José Carlos Tomaselli, candidato a vice, assinaram o documento.

Na carta, eles afirmam que estatutariamente são definidos como administradores do clube, assim têm o direito de acessar todos os departamentos e áreas reservadas para a diretoria. Isso porque, apesar do rompimento com Galiotte, não renunciaram a seus cargos.

“Cercearam nossa entrada na Academia e em outros departamentos. Como membros da diretoria executiva do clube temos condição igual à de todos os diretores para podermos exercer as atribuições dadas pelo estatuto”, disse Genaro ao blog.

O estatuto alviverde diz que compete aos vices cumprir e mandar cumprir as regras do clube, auxiliando o presidente em suas atribuições, além de substituir o principal cartola quando necessário.

“Ninguém foi na Academia assistir aos treinos, fazer ‘boleiragem’. Acho que dois vices foram impedidos de entrar (não necessariamente juntos). Eles levavam camisas para serem autografadas atendendo a pedidos. Quando chegaram, foram avisados por funcionários que a lista das pessoas autorizadas a entrar não tinha os nomes dos vice-presidentes”, declarou Genaro.

Jesse foi um dos barrados no CT, segundo o candidato a presidente. Do quarteto, ele era quem ficava mais próximo do departamento de futebol.

O documento de protesto foi lido em reunião do COF pelo presidente do órgão, Carlos Affonso Della Monica, e entregue em seguida para Galiotte, que não se manifestou.

O episódio dá o tom de como é importante politicamente para o presidente chegar à final da Libertadores tão perto da eleição. Independentemente do fato de o alviverde liderar o Brasileirão, a competição sul-americana é o maior objeto de desejo da torcida neste momento.

Abaixo, leia nota enviada pela assessoria de imprensa do Palmeiras sobre o assunto.

“O presidente da Sociedade Esportiva Palmeiras, Maurício Galiotte, esclarece que a Academia de Futebol é um local de exclusiva frequência para jogadores, comissão técnica, profissionais e dirigentes do clube que tenham assuntos a tratar que sejam pertinentes ao ambiente do Departamento de Futebol. Demais pessoas só terão acesso caso tenham sido convidadas ou recebido prévia autorização para adentrar ao local.
A questão envolvendo o acesso ao estacionamento do clube está solucionada.”

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Felipe Melo não perde a cabeça, mas perde de cabeça em vitória do Boca
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Irritar Felipe Melo e cavar a expulsão do volante. Ficou claro que essa era uma das estratégias do Boca Juniors para vencer o Palmeiras no primeiro duelo entre as duas equipes pelas semifinais da Libertadores, na Argentina.

Essa tática não funcionou. O explosivo brasileiro foi provocado, apanhou, também bateu, mas não se descontrolou. Foi incansável, correndo por todas as partes.

Até que aos 35 minutos do segundo tempo cometeu falta que resultou em escanteio para o adversário. Na cobrança, Felipe, que não perdera a cabeça, perdeu de cabeça para Benedetto e viu o adversário abrir o placar.

Aos 42, o volante até tentou se aproximar de Benedetto para evitar o segundo gol dele na partida, mas não deu tempo. Felipe não teve culpa no lance. Também seria injusto culpá-lo pela derrota por 2 a 0.

Porém, o volante se transformou num dos principais personagens da derrota alviverde. Justamente ele, que controlou tanto os nervos para não ser o ponto fraco do time, participou diretamente do gol que abriu o caminho para a vitória argentina.


Como semifinais da Libertadores interferem na política do futebol nacional
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As semifinais da Libertadores ganharam profunda importância política para a CBF. Arbitragens sem erros graves contra Grêmio e Palmeiras, além de vitórias dos brasileiros em eventuais disputas fora de campo serviriam para a confederação afastar a imagem de que o Brasil está sem força na Conmebol.

No primeiro teste, no triunfo gremista por 1 a 0 sobre o River, na última terça (23), na Argentina, a CBF saiu intacta. Nesta quarta, é a vez de Bocar Juniors e Palmeiras, também em solo argentino.

Desde os primeiros jogos da competição, há o entendimento de pelo menos parte dos dirigentes dos times brasileiros no torneio de que eles têm sido prejudicados pela Confederação Sul-Americana dentro e fora de campo.

O motivo seria uma retaliação da entidade pelo voto do presidente da CBF, Coronel Nunes, na candidatura do Marrocos para a Copa do Mundo de 2026. Os países sul-americanos haviam combinado votar na candidatura tripla de Estados Unidos, México e Canadá, que foi a vencedora. A surpresa preparada pelo cartola foi interpretada pela Confederação Sul-Americana como uma traição.

Rogério Caboclo, eleito para presidir a CBF a partir de abril do próximo ano, sempre discordou da tese da retaliação.

No último dia 16, ele escoltou os presidentes de Palmeiras (Maurício Galiotte) e Grêmio (Romildo Bolzan) na reunião entre os semifinalistas na sede da Conmebol, no Paraguai.

Sua presença tem o valor simbólico de mostrar que o futuro presidente da Confederação Brasileira tem trânsito na entidade.

Entre os dirigentes que se queixam nos bastidores de perda de força na América do Sul há o argumento de que o afastamento de Reinaldo Carneiro Bastos do cargo que ocupava no conselho da Conmebol enfraqueceu o país. A vaga ficou com Coronel Nunes.

Presidente da Federação Paulista, Bastos virou desafeto da antiga, da atual e da futura administração da CBF. Isso porque tentou, sem sucesso concorrer à presidência contra Caboclo, apadrinhado por Marco Polo Del Nero, presidente afastado da confederação.

Desde que Del Nero, atualmente banido pela Fifa, deixou de viajar para fora do país em meio a investigações de autoridades americanas, Bastos se tornou o principal porta voz dos clubes brasileiros na Confederação Sul-Americana.

É nesse ponto que aumenta a importância política do duelo entre Palmeiras e Boca. Galiotte está rompido com a Federação Paulista, presidida por Bastos. Em tese, o fato de o alviverde se sentir apoiado na Sul-Americana por Caboclo ajuda o futuro presidente da Confederação Brasileira a se afastar da sombra do adversário político.

Galiotte chegou a pedir a união dos clubes brasileiros após a polêmica expulsão do cruzeirense Dedé em jogo com o Cruzeiro contra o Boca pelas quartas de final. O cartão acabou sendo anulado pela entidade.

“A gente não pode ficar apenas reclamando de A,B ou C. Como clubes temos que nos unir. O problema não é o VAR. O problema é que temos que ter representatividade na Conmebol”, disse o dirigente na ocasião.

Semifinais e eventuais finais sem percalços em relação à arbitragem e nos bastidores ajudariam a CBF a argumentar que essa representatividade existe. Sem Bastos e apesar do Coronel Nunes.

 


Justiça nega pedido do SPFC para ficar fora de ação de torcedor ferido
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Fim da noite de 6 de julho de 2016. O São Paulo acaba de perder para o Atlético Nacional (COL) por 2 a 0, no Morumbi, no primeiro confronto das semifinais da Libertadores. Do lado de fora, torcedores descontrolados promovem tumulto, roubam vendedores ambulantes e outros são-paulinos. A Polícia Militar age com bombas de gás. Os vândalos reagem com garrafas tomadas dos vendedores de cerveja e o que mais der para arremessar.

Nesse cenário de guerra urbana, o taxista Wesley Andrade Ferreira Santos sai do estádio e tenta chegar com um amigo ao seu veículo. Depois de ser impedido de prosseguir ao dar de frente com uma barreira de policiais, ele sente ser atingido em suas costas por algo que explode em seguida em suas pernas. Ele cai e é pisoteado. A bomba de gás atirada pela Polícia Militar provoca queimaduras de segundo grau.

O relato sobre o ferimento em meio à confusão é a versão dos advogados do torcedor em processo que ele move pedindo indenizações da Fazenda Pública do Estado e do São Paulo.

No último dia 28, a Justiça rejeitou pedido do clube para não fazer parte do processo alegando que não teve responsabilidade no episódio. A decisão da 4ª Vara da Fazenda Pública ressalta que a discussão sobre se a agremiação tem culpa será feita durante o processo.

“Nosso pedido não foi negado definitivamente. A Justiça diz: ‘vou negar num primeiro momento porque quero analisar se teve algum incidente interno (no estádio), ver a produção de provas…'”, disse Leonardo Serafim dos Anjos, diretor executivo jurídico do clube.

Ele afirmou que o pedido para o São Paulo ser retirado da ação foi feito porque a direção considera ter tomado todas as providências necessárias em relação à segurança, principalmente solicitando policiamento.

O taxista, porém, usa trecho do estatuto do torcedor, que determina ser do mandante do jogo e de seus dirigentes a responsabilidade pela segurança dos presentes, para mirar o São Paulo.

Para reforçar a tese, os advogados de Santos anexaram ao processo nota oficial do clube decretando o rompimento de relações com as torcidas organizadas justamente por causa dos atos violentos que acabaram gerando o processo. Ou seja, o tricolor teria vínculo com uma das partes envolvidas no confronto. Isso porque na ocasião a PM acusou as uniformizadas de iniciarem a barbárie.

Em janeiro de 2016, o presidente são-paulino, Carlos Augusto de Barros e Silva, o Leco, admitiu em entrevista para a “Folha de S. Paulo” ajudar as organizadas. O apoio era com quantias em dinheiro para elas organizarem seus desfiles de Carnaval e ingressos para os jogos.

“Não fazia parte da diretoria nessa época, então não sei se havia ajuda. E se havia, são instituições que funcionam legalmente. Mas o que interessa é que tomamos todas as medidas de segurança determinadas pelos estatuto do torcedor”, declarou o diretor jurídico do clube.

Na ação, o torcedor pede R$ 40 mil da Fazenda Pública do Estado de São Paulo como indenização por danos morais. Do Estado e do clube ele cobra R$ 15 mil por danos estéticos. São exigidos mais R$ 7,5 mil como danos materiais e R$ 701,76 para cobrir despesas com tratamento médico. Nos dois últimos casos não está claro se a cobrança vale para as duas partes acionadas.


Apesar de temor de clubes, CBF vê mal-estar com Conmebol superado
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Dirigentes de clubes brasileiros têm reclamado frequentemente de serem prejudicados em competições organizadas pela Conmebol, especialmente na Libertadores. Pelo menos parte deles acredita que a CBF perdeu força na entidade desde que seu presidente, Coronel Nunes, votou na candidatura do Marrocos para a Copa de 2026. O combinado entre os países sul-americanos era apoiar o trio formado por Estados Unidos, Canadá e México, que venceu a disputa.

Apesar das seguidas queixas e do receio de novos problemas, a cúpula da confederação brasileira acredita que o mal-estar já foi contornado. O argumento usado internamente é de que gestões feitas por Rogério Caboclo, eleito para a presidir a entidade a partir de abril do ano que vem, fizeram o problema ser superado ainda durante a primeira fase do Mundial da Rússia.

Além disso, a entidade nacional mantém a postura de interpretar que os assuntos não se misturam. Ou seja, que em nenhum momento houve retaliação aos brasileiros por parte da Confederação Sul-Americana.

Chefe da delegação da seleção, que montou seu QG em Sochi, Caboclo foi com frequência para Moscou, onde estavam os cartolas da Fifa e da Conmebol. Lá, conforme apuração do blog, trabalhou na tentativa de minimizar o impacto do voto do coronel. Desde então, o presidente da CBF ficou distante dos principais eventos da Confederação Sul-Americana durante a Copa.

Só que problemas aconteceram depois do Mundial. O Santos, por exemplo, foi punido por usar Carlos Sánchez, suspenso, em jogo com o Independiente. A punição transformou o empate sem gols na Argentina em 3 a 0 para o time mandante pelas oitavas de final da Libertadores.

Na ocasião, o técnico Cuca criticou a organização da diretoria santista, mas reclamou também de o julgamento acontecer apenas horas antes da partida. Alegou que não teve tempo para preparar decentemente sua equipe em busca de uma vitória por 3 a 0 para levar a decisão aos pênaltis ou para obter diferença maior que três gols.

Nos bastidores, antes do julgamento, a direção do Santos admitia temer retaliação por conta do voto de Coronel Nunes.

Já nas quartas de final, o Cruzeiro se sentiu prejudicado com a polêmica expulsão de Dedé contra o Boca Juniors na Argentina. Após o episódio, Maurício Galiotte,  pediu união aos clubes brasileiros. “O problema não é o VAR (árbitro de vídeo). O problema é que temos que ter representatividade na Conmebol”, afirmou o presidente do Palmeiras. Em seguida, porém, ele declarou não acreditar que o voto de Coronel Nunes tenha ligação com as dificuldades enfrentadas pelos times do país.

No caso do Cruzeiro, o cartão vermelho dado para Dedé foi cancelado pela Conmebol. Ele poderá jogar nesta quinta (4) contra o Boca no Mineirão. O time de Mano Menezes perdeu o primeiro jogo das quartas de final por 2 a 0. Nesta terça, o Grêmio recebe o Atlético Tucuman após vencer o duelo de ida por 2 a o. Na quarta, é a vez de o Palmeiras encarar o Colo-Colo em São Paulo. No Chile, o alviverde venceu por 2 a 0.

 


Opinião: onze episódios mostram decadência do futebol brasileiro
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Abaixo confira 11 fatos que mostram o futebol brasileiro em profunda decadência.

1- Jogadores empurrando ambulância em campo até pegar no tranco.

2 – Gramado do Maracanã, palco de duas finais de Copa do Mundo, em péssimas condições.

3 – Um clube do tamanho do Santos sendo eliminado na Libertadores após tomar 3 a O nos tribunais por escalar jogador suspenso diante do Independiente.

4  – Cenas de vandalismo protagonizadas por torcedores do Santos no Pacaembu para protestar contra a punição na Libertadores.

5 – Guerra pública entre presidente e vice do Santos, acusações de ameaça de morte e barracos na Vila Belmiro.

6 – Times grandes assumidamente jogando como pequenos.

7 – Jogador (Deyverson, do Palmeiras), comemorando falta recebida.

8 – Felipão tentando e não conseguindo fazer substituição no último minuto dos acréscimos para ganhar tempo.

9 – O técnico do Palmeiras sendo questionado em entrevista coletiva se escondeu Bruno Henrique e Borja na chegada ao Allianz Parque para confundir o Cruzeiro em jogo vencido pelo rival. Ele nega.

10 – Dirigentes pressionando a arbitragem sem constrangimento.

11 – A CBF calada diante de todas as queixas contra ela.